Night Symphony
11 Capítulo 11
Certamente ele seria pego de surpresa por meu questionamento, porém, não podia deixar de fazê-lo. Espero que não me guarde nenhum segredo, ou apartar-me-ei dele eternamente, mesmo que seja perseguida por isto. – Esta não é a hora para tratarmos disto. – Sua voz trazia uma obscuridade que há tempos não sentia, e seus olhos tomaram uma coloração rubra, com minúsculos pontos dourados ao redor, eu conhecia bem! Certos assuntos deviam ser evitados em sua presença, entretanto, uma angústia crescia em meu peito e já sufocava-me. – Ansgar, você ousa guardar segredos de mim? Sou tua mulher, pelos céus! – À estas horas já estava praticamente gritando em plenos pulmões e percebi que... Sua face permanecia serena, mais parecia uma escultura de gelo, com suas pupilas agora em um tom de violeta que, sinceramente, jamais vira.
Repentinamente, imagens distorcidas tomam o controle de minha mente já enevoada e uma forte dor acometeu-me. Sons ensurdecedores fizeram com que minha cabeça pesasse ainda mais, não pude mais manter os olhos abertos. A última coisa da qual tive certeza foi do toque gélido e ofensivo de Ansgar. – Peço que perdoe-me, meu amor, mas não havia outra saída. – Sussurrou o Vampiro, mesmo que ela não pudesse ouvi-lo.
Olhos atemorizados, ainda assim belos, escancararam-se e depararam-se com os olhos sem brilho de Arcenaux, o que ele ainda fazia perto dela, afinal? – Querido? Oh, por que estou deitada? Necessito de ar puro! – Exclamava a moça, totalmente inconsciente dos eventos anteriores, bem, não de todos. Seu marido esboçava um sorriso indecente ao ver o poder que detinha sobre ela. – Claro, meu bem, irá respirar ar puro. – O Vampiro a toma nos braços e lentamente sai com ela de seus aposentos; discretamente chama um de seus criados e requisita que o mesmo acompanhe a esposa enquanto ela faz seu passeio, e o orienta para que ela fique lá fora o mínimo possível.
— Quem é o senhor? — Constanze aproximou-se do jovem que a estava fazendo companhia; ela pensara que fosse apenas um garoto com vergonha de brincar, entretanto, ao reparar bem em seus olhos, deu-se conta que era mais um ser da noite. – C-chamo-me Rhazien, minha senhora. – Lady Arcenaux abre seus lábios em um sorriso amistoso, apesar de que o ‘encanto’ que o marido a infligiu a fazia sorrir por qualquer coisinha. O rapaz a observou por um momento e pôde compreender a razão pela qual seu patrão era tão atraído por ela. Seus cabelos esvoaçavam, suas orbes brilhavam, seus lábios eram perfeitamente desenhados e sua pele... tão alva que assemelhava-se a mais cara porcelana; se fosse ele um homem rico, a roubava pra ele. No entanto, apenas aos afortunados era permitido tanta riqueza. – Rhazien... Soa bem esse nome, combina contigo. É um prazer que tenho em conhecê-lo! – Proferia Constanze, entusiasmada demais e estendendo sua mão para que o moço a beijasse. Ele o fez, mas desejou imensamente que pudesse beijá-la por inteiro, e não repreendeu-se por isto.
— Milady, já é hora de voltarmos para dentro, sim? – Anunciou o jovem, portando um tom de voz contido. Pôde notar que os olhos achocolatados de sua patroa entristeceram-se, e embora o seu coração estivesse similarmente triste, não podia nem pensar em queixar-se.
— Ah, aí estão vocês. Cheguei a pensar que haviam se perdido. – O aristocrata trazia um sorriso de escárnio próprio de sua natureza, embora por dentro estivesse despedaçando-se, e carregado de fúria.
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