— Petra, imaginei que estivesse morta e enterrada. — Comentava enquanto bebia uma taça, de uma variedade única. Por fora estava calmo, por dentro, o desejo de arrancar seus cabelos ruivos. — E morta eu estive, seu crápula. Quer saber quem transformou-me? — Seu tom era extremamente sedutor e enjoativo, será que teria que botá-la para fora? — Francamente, não tenho interesse. — Ela deu de ombros e depois fez uma careta, como se alguém houvesse roubado seu doce. Céus, como pude desejar essa mulher? — Foi Sindre Askeland meu criador! Esse nome lhe é conhecido? — Devolvi minha taça à mesa e, agarrando o braço daquela desgraçada, a levei para fora; a encostei à parede e levei minha mão ao seu pescoço. — Diga agora o que quer de mim, e depois deixe-nos em paz.

— Tudo o que quero, ou melhor, que queremos, — Ela expunha, levantando uma sobrancelha e o queixo, indicando que alguém estava atrás de mim. Tomei conhecimento que sim, atrás de mim estava o maldito Askeland. — É tua querida futura esposa. — Aquilo enfureceu-me de tal maneira e acabei por enterrar minha adaga naquela mulher e estava prestes a executar aquele canalha, não fosse por Constanze ter aparecido onde estávamos. — Ansgar, o que há? — Ela se aproximava, mas eu a impedi. — Fique onde está, precisei resolver uns assuntos de última hora e num minuto lhe acompanharei. — Sei que fui um pouco ríspido com ela, se os céus permitirem, ela me perdoará. — Saia daqui, Askeland, ou pagará muito caro. Não é a primeira vez que você causa-me o impulso de matar. — Meu tom era perigosamente calmo, e depois de dar um sorriso sarcástico, ele se foi.

Logo após respirar fundo, regressei ao salão e mais do que depressa trocamos as alianças e assim, bebemos nosso amor. Ela era oficialmente minha, aos olhos de Deus e dos vampiros. Depois de nossos votos, eis que o senhor Meert veio ter comigo; esforcei-me para demonstrar interesse pelo que dizia. — Senhor de Arcenaux, eu gostaria de dizer que não poderia ter escolhido uma mulher melhor que minha filha e peço que a cuide muito bem. — Abaixei meu olhar, dando um sorriso sarcástico que não consegui evitar. — Isso é algo que nem precisaria pedir, senhor. — Disse friamente.