Night Shadows

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Boa Leitura!

A neblina gélida pairava suavemente pelo caminho sinuoso. Havia árvores dos dois lados e suas copas cruzavam-se, formando um túnel que barrava a luz do luar.

A lama amaciava os passos do jovem Evans. Esse estralar de suas botas em contato com o chão dava-lhe nos nervos. Arrependia-se amargamente de ter aceitado o convite para jantar, só não queria parecer mal educado em frente dela... Agora arcaria com as consequências, havia uma longa estrada até a sua casa.

Não que ele fosse medroso, pelo contrário, todos sempre o viam como um símbolo de coragem, um homem alto, robusto e o mais jovem membro do Conselho de Firefield. As senhoras o idolatravam, os homens o invejavam.

Involuntariamente mexeu no anel em seu dedo, brilhante que todo o participante do Conselho recebia. Era estranho usar aquela joia. Fazia menos de dois meses que seu pai usara-o pela última vez, antes de falecer. Por toda a cidade percorriam boatos de que o velho Evans havia encontrado um substituto a altura, entretanto o rapaz não gostava disso, não queria ocupar o lugar de ninguém. Para falar a verdade, nunca quis nem ao menos participar do Conselho.

Um farfalhar de folhas tirou-o de seus pensamentos. Olhou para os lados. Escuridão. Tentou ignorar, devia ser um animal, um cervo talvez. Um barulho de galhos partindo veio do outro lado da mata e o homem, instantaneamente, virou-se.

Tinha a terrível impressão de que não estaria só. Experimentou apertar os olhos, para ver através da névoa que havia se intensificado. Por um momento, jurava ter visto um vulto. Parou, pálido, com as batidas do coração embaralhando sua mente. Não, era só a sua imaginação pregando-lhe peças. Estava acostumado a cruzar estes bosques desde criança, por que agora essa repentina insegurança? Decidiu andar mais rápido, por via das dúvidas, fazendo o barro respingar na borda de suas calças.

Passos. Muitos passos. Passos demais para uma única pessoa. Sr. Evans travou subitamente, porém os ruídos não. Eram passadas iguais as suas, humanas. Vinham de algum lugar. De muitos lugares. Os barulhos cessaram, contudo ele não relaxou. Estava parado. Alerta — ainda que não enxergasse nada além de um palmo de distância. E assustado, como nunca estivera antes.

A caminhada recomeçou, desta vez, suave e delicada. Lentamente, o rapaz acompanhava a aproximação. Ele não podia agir como um covarde. Seu pai sempre se orgulhara muito da bravura do filho — por mais que ele nunca tenha demostrado tudo isso-, não iria desonrá-lo justo agora. Procurou no cinto um metal gelado. O andar prosseguia, amaciando a terra úmida. Puxou o metal, era uma arma.

Estava bem a sua frente, podia sentir. A mata silenciara-se a sua volta. Evans posicionou o dedo no gatinho, reprendendo-se por tremer tanto.

Um corpo chocou-se com ao cano da arma, dando-lhe um susto. Dois olhos azuis brilharam na escuridão, e, por uma brecha entre as folhas das árvores, a luz revelou seu rosto. Aqueles cabelos num dourado perfeito caiam-lhe no busto... Aquele sorriso... Mas o que estaria fazendo ali?

- Gabrielle... – ele só teve tempo de murmurar antes que a dor o impedisse de pensar.

O jovem pendeu, a dor consumira suas forças. A última coisa que vira foram aqueles olhos maravilhosos faiscando de malícia.

Um homem apareceu no lugar onde antes Evas ocupava, com um sorriso satisfeito, admirava o morto. Puxou a faca das costas do cadáver, sem piedade e a guardou na cintura. Sob a luz do luar, na sua mão brilhava um anel.

Notas finais
Digam o que acharam, o que suspeitam... Espero que não tenha sido muito confuso...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!