Notas iniciais
Enfim, pra começar vai um POV do Tom.
Espero que gostem ;D Boa Leitura.

Você vem. Duas horas da manhã, dez minutos de atraso, se muito. Entra em meu quarto sorrateiro como um rato, enfia-se sob minhas cobertas me despertando do quase sono. Nunca durmo, sei que terei meu sono interrompido.

As mãos delicadas puxam-me a roupa e em meio a um sorriso travesso você pede mudamente que eu me mantenha calado. Nunca consigo.

Sinto suas unhas arranharem-me de leve as coxas, as boxers deslizarem para meus joelhos, dando espaço para o seu trabalho. Para o seu ritual. Um ritual meticulosamente ensaiado como um teatro que se apresenta incontáveis vezes na mesma cidade, ritual esse que ainda assim surpreende-me. Como?

Sinto-o tomar-me entre os lábios. Qual seria o sabor deles afinal? Nesse jogo apenas você tens essa sensação, sabes meu gosto e eu desconheço o seu. Minha mente borbulha em pensar onde você aprendeu tais coisas e em como ou quando você começou a aperfeiçoar tais técnicas desta forma.

Sinto os três estágios aproximando-se. A inquietação que tenciona meu membro, que faz-me agarrar forte os lençóis e ousar gemer como nunca faço em outras ocasiões. O clímax que chega levando toda e qualquer sanidade que existe em mim, fazendo-me dar-te tudo o que sorve tão avidamente, fazendo-me suspirar quase que pedindo por mais. A calma que embala meu corpo, relaxa meus músculos e me leva a um estado letárgico delicioso. Porém hoje há um quarto estágio.

Dor. Aquela que invade silenciosa meu peito, fazendo-me sentir desamparado quando em um gesto de despedida afaga-me a face e sai como se houvesse passado comumente apenas para dar-me boa noite.

Porquê? Em tanto tempo nada, nem sombra desse sentimento estranho e agora ali estava ele a fazer meus olhos marejarem sem motivo, meu corpo implorar a presença do seu. Porém sabia que não podia. Embora nenhum acordo tenha sido traçado, de dia éramos irmãos. Irmãos que não falavam sobre visitas sorrateiras na calada da noite, que exibiam orgulhosos as namoradas gabando-se sempre da própria masculinidade. Mas no fundo, por mais que odiasse assumir, sentia-me como um garotinho indefeso quando via o último vestígio de que esteve aqui desaparecer. Pensando nisso ergo meu tronco, decidido a fazer minha parte. Se não precisava ser pronunciado com o raiar do dia o que aquele quarto presenciava, provavelmente retribuir-lhe não alteraria a harmonia dessa relação. Tens-me aqui, andando pelo corredor, abrindo tua porta para ver sua face primeiro admirada modificar-se em uma expressão de compreensão. Havia chegado o seu momento.

Notas finais
Reviews? Devo continuar postando drabbles?