Night Secrets.
10 Praia.
Notas iniciais
Inspiração:http://i41.tinypic.com/rj4fq0.jpg :D
(3ª Pessoa)
Era verão. As férias dos gêmeos este ano estavam sendo bem aproveitadas em uma praia, pela primeira vez estavam fora da Alemanha. Quartoze anos e um mundo novo para explorar.
Tom como bom irmão mais velho gostava de destacar-se. O corpo levemente bronzeado estendia-se em uma toalha sobre a areia, chamava atenção das meninas presentes.
Bill como odiador do sol e calor chegou prevenido. A pele branca agora parecia mais pálida devido à quantidade de protetor solar que havia espalhado pelo corpo. Lia tranquilo um livro à sombra do enorme guarda-sol. Os pais haviam ficado no hotel, provavelmente aproveitando a liberdade momentânea e o tempo a sós.
O mais velho tentava de todo modo provocar Bill. Jogava-lhe areia, assoviava, com intuito de chamar sua atenção e tirá-lo da situação entediante em que estava, pois, segundo ele, “ Praia não é lugar de ler”, e assim continuou com a amolação.
Vendo que quase nada surtia um efeito maior, levantou-se disposto e foi em direção ao mar. Prendeu os dreads alourados com um elástico e aproveitou as ondas frescas da manhã para refrescar-se e exibir-se um pouco mais.
Voltou feliz e encharcado, mais disposto ainda a incomodar o mais novo, chegando bem próximo de Bill e sacudindo-se feito um cachorro molhado, irritando a um nível extremo o irmão que furioso levantou-se e caminhou desajeitado em direção à orla da praia, sentando-se em um banco de gesso disposto ao redor de uma mesa ali existente e resmungando sozinho.
Tom riu-se divertido até perceber que a coisa estava séria. Viu Bill apoiar as mãos na face e balançar a cabeça de um lado para o outro realmente irritado. Pegou o celular e enviou-lhe uma mensagem, duas, três, talvez quatro. Nenhuma respondida, certeza de que o outro estava magoado. Mas não era pra ser assim, apenas queria divertir-se com o irmão, porém aparentemente havia ido longe demais.
Teve uma idéia. Encaminhou-se a um quiosque próximo e comprou um picolé, levando-o como uma bandeira da paz em direção ao mais novo, tentando alcançar redenção e enfim ganhar um pouco de atenção.
Sentou-se de frente para o irmão e com um sorriso arrependido ofereceu-lhe. Bill fingiu não prestar atenção, mas era impossível. Tom sabia como ninguém fazer cara de cão sem dono.
Pegou o picolé da mão do outro relutante e em um gesto mudo agradeceu-lhe, para abri-lo logo em seguida e começar a degustar o sabor gelado e doce. Pôs a língua pra fora e lambeu de cima a baixo o pedaço amarelo. Enfiou a parte de cima na boca e sorveu o sabor delicioso que fez seus lábios tomarem uma leve coloração roxa. Seguiu compenetrado inserindo o doce na boca, por muitas vezes mordiscando as laterais e voltando a chupar o topo. Apreciou o presente até o fim, lambendo os lábios ao terminar e dando um sorriso tímido ao irmão que encarava-o paralisado.
Levantou-se do banco e voltou em direção à praia deixando para trás um Tom imerso em pensamentos, onde em um de seus maiores devaneios pedia a Deus para morrer e reencarnar em um picolé antes que o verão acabasse.
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