Night Secrets.
6 Nostalgia.
Notas iniciais
A mulher tagarelava alegremente enquanto arrumava a cozinha, estava feliz pela visita dos filhos, fazia muito tempo. Desde que os dois haviam se mudado para a capital parecia que haviam se esquecido que tinham família, porém ela não os culpava, eram jovens e estavam aproveitando a liberdade que adquiriram.
Abraçou cada um deles quase esmagando-os, ralhou com os dois quando percebeu que não haviam trazido as noras para apresentá-las, perguntou-lhes o porquê, ambos apenas deram de ombros e seguiram em direção ao quarto para deixar as malas.
O mais novo passou pelo corredor, atento a todos os detalhes, os que haviam mudado e os que continuavam do mesmo jeito. O porta-retrato na parede entre as duas portas, dois sorrisos gêmeos de dois garotos loirinhos, abraçados e fazendo graça pra foto, sorriu recordando.
O mais velho começou a subir as escadas, ainda ouvindo Gordon comentar sobre suas roupas que ainda eram largas, virou no corredor e observou o moreno mais novo parado em frente ao quarto dos dois, os braços cruzados, absorto em nostalgia. Parou ao seu lado e olhou para onde os orbes dos outros mantinham-se fixos. Seu quarto não havia mudado. A cama de casal que sempre fora motivo de discussão naquela casa (cada um queria ter sua própria cama, no entanto sempre precisavam estar próximos um do outro para adormecer), as prateleiras com as miniaturas de carrinhos de Tom, os CD’s perfeitamente alinhados de Bill, a guitarra que jazia encostada à parede.
Um sorriso desenhou-se nos lábios de ambos, entraram e depositaram suas malas nos seus devidos lugares. O mais velho que já havia terminado sua tarefa (O número de malas do mais novo era visivelmente maior), encostou-se à porta agora fechada e passou a observar os porta-retratos. Sempre duas cabeças em cada um, cada época da vida dos gêmeos, sempre juntos. Sentiu o peito apertado ao lembrar que na atual casa os dois não tinham uma única foto juntos.
Olhou para fora vendo a noite começar a cair e só aí percebeu que já estava ali observando Bill há um bom tempo. Andou em direção à cama e sentou-se. O mais novo terminando o que estava fazendo ergueu-se para mirar os olhos castanhos do irmão. Sentia saudades daquela casa, tantas lembranças daquele quarto, ele lembrava os dois, em épocas onde tudo parecia menos complicado. Aproximou-se um pouco, o corpo se acomodou ainda de pé entre as pernas do mais velho sentado na borda da cama. Com as mãos ergueu-lhe a face, afagou-a e em um impulso desceu o rosto colando os lábios de ambos.
E Tom descobriu qual era o gosto dele, gosto esse que dali pra frente seria seu novo vício.
Fale com o autor