O toque de recolher daquela cidade era às 18hs, quando o sol era tomado pela lua deixando que a cidade caísse na escuridão da noite, ninguém sabia o motivo daquela lei, ‘Toque de recolher’.

Um nome estranho, mas era assim que era conhecida naquela cidade, com exceção de algumas pessoas que adoravam desobedecer as regras, pelo menos eram vistos assim as pessoas que ficavam fora de casa depois das 18hs.

Em minha opinião eram pessoas loucas, apesar de que me satisfazia muito ver aqueles rostos chorosos suplicando pela sua vida enquanto eu apreciava aquela preciosa bebida sob a luz do luar, uma de minhas presas, que me lembro bem era um garoto, cheirava bem e seu gosto era o melhor que já provei, tinha cabelos até os ombros, eram de cor preta com um tom azulado, olhos azuis, usava piercing no canto direito da boca e um em sua orelha também direita, usava roupas aparentemente de couro pretas, tinha um olhar muito expressivo, não era tão musculoso, mas tinha um corpo bem chamativo, traços perfeitos, muito belo.

Porém aquela foi a minha desgraça, eu o segui desde quando ele estava no colégio, que foi onde o vi pela primeira vez, não me lembro o nome daquele colégio, afinal, odeio escolas, mas ainda estudo sim.

Voltando ao assunto, ele estava na saída do colégio, tinha uma aparência bem rebelde, aparentava 17 anos, imaginei que ele seria do tipo que sairia depois do toque de recolher com uma forcinha, me transformei em uma de suas amigas, acho que acertei em quem me transformar, pois quando fui falar com ele, ele tinha um olhar bem apaixonado.

Foi só pedir para que me encontrasse depois das 18hs no parque próximo a estação de trem, e foi o que ele fez, 18hs em ponto ele estava chegando no parque e eu o esperava, ele parecia procurar por alguém... que não viria. Quando o vi se aproximar cada vez mais, não resisti, o puxei para um canto mais escuro, afinal odiava quando um de meus ‘amigos’ viessem me fazer companhia numa boa refeição.

Ele me olhou assustado, amei aquele rosto, suas feições, ele tremendo, foi ótimo, comecei a acariciar seu pescoço me aproximando do mesmo, ele estremeceu ao sentir minha respiração tão próxima, foi quando o mordi com força fazendo-o gritar bem alto, tampei sua boca com minha mão direita para que ninguém ouvisse, apesar de que gritos na noite de Moskau era uma coisa normal, mas o fiz.

Ele se debatia como um inseto sem ar, seu gosto era o melhor de todos, porém enquanto apreciava aquele líquido delicioso ele me empurrou, eu era forte, mas estava distraído com a pureza de seu sangue, não tive culpa, quando me afastei um pouco por causa do empurrão ele me deu um soco no nariz e saiu correndo, não conseguia acreditar naquilo, já tinha sugado uma boa quantia de seu sangue mas mesmo assim ele ainda tinha forças, além do mais, eu odiava mestiços, por isso nunca deixava minhas presas vivas, mas aquele, ele conseguiu escapar.

Pra piorar, Kai, meu amigo, havia visto tudo e contou para todos nossos amigos, fui a piada do grupo durante toda aquela noite, meu ódio por aquele pirralho foi grande demais, porém agora eu não poderia mais matá-lo, afinal, mestres não matam subordinados essa era uma lei do meu mundo, o mundo dos vampiros.

Tive de ir até a casa daquele pirralho, o bom é que mestres conseguem achar seus subordinados pelo cheiro, vocês devem estar se perguntando o que são mestiços néh?

São aquelas pessoas que são mordidas por nós vampiros e sobrevivem ou que permitimos sobreviver, o caso desse pirralho foi o primeiro que sobreviveu por minha parte, mas que ódio, meu sangue ferve, acho que preciso de sangue.

Sou um vampiro de puro sangue, com olhos pretos, cabelos negros e estou sempre de, sobretudo, ser puro sangue tem seu lado bom, pois me dá o direito de poder tomar o sangue de mestiços, desde que não sejam meus subordinados, odeio essas regras da sociedade vampiresca, se eu pudesse, matava todos, mas como o Conselho era formado apenas por puros sangues não teria muitas chances contra todos eles e odeio criar problemas.

Tenho que obedecer às ordens ou serei punido, isso é um saco.

Ah, falei tanto que nem vi que já tinha chegado à casa desse pirralho, melhor ir conversar com ele antes que faça alguma idiotice e eu tenha que pagar. Entrei na casa e me deparei com um corredor, vi algumas marcas de sangue, me desesperei, será que aquele pirralho já fez uma burrice?

Corri pelo corredor até onde as marcas de sangue paravam, adentrei o cômodo, era a sala, não tinha ninguém, a não ser uma cabeça que emergia de trás do sofá, acho que conheço aquele cabelo azulado, me aproximei, estava ajoelhado com suas presas fincadas no pescoço de um homem mal vestido e bem musculoso, pobre homem, não teve muita sorte...

Aqueles olhos expressivos me olharam, acho que ele recobrou a consciência já que estava derramando lágrimas.

- O que eu fiz? – Perguntou aquele menino para mim, estava chorando, estava tão belo. Ele botou suas mãos no rosto talvez para esconder as lágrimas.

- Acalme-se, você não fez nada de ruim, afinal, quem é ele? – Perguntei a ele.

- Ele estava tentando me bater, acho que queria roubar. – Ele chorava cada vez mais.

- Então você não teve culpa, a culpa foi dele por entrar aqui. – Fui até ele e abracei-o, que corpo quente, aos poucos comecei a acariciar seus cabelos.

- No que eu me transformei? – Levantou seu rosto e olhou em meus olhos, seus olhos estavam inundados com lágrimas.

- Você se tornou um mestiço, mas não se preocupe, não é tão ruim quanto aparenta... – Tentei acalmá-lo.

- M-m-mestiço? – Ele parecia inconformado, mas quem não estaria?

- Sim, mestiços são um tipo de vampiros, mas se acalme, irei te ensinar as regras e o que precisa saber. – Disse calmamente ainda abraçado a ele.

- Não quero ser um vampiro! – Ele se soltou dos meus braços olhando incrédulo para mim.

- Desculpe-me mas, uma vez vampiro, será sempre vampiro.

- Então me mate! – Gritou aparentemente irritado.

- Não posso. – Disse tentando manter a calma, mas aquilo estava se tornando inconveniente.

- Como não? Foi você que me transformou nisso não foi?! – Ele estava realmente me irritando, nunca achei que seria tão chato.

- Foi sim, porém sou seu mestre.

- Nunca te aceitarei como mestre. – Ele me olhou tão enfurecido que acho que pude sentir um pouco de medo.

- Pouco me importo com sua opinião, afinal quer saber as regras ou não!? – Acho que perdi um pouco da paciência.

- O que acontece se eu não souber?

- Caso desobedeça a uma das regras, mesmo sem ter conhecimento delas o Conselho irá te punir.

- Conselho? – Ele parecia estar confuso, aquele rosto era tão bonito.

- Sim.

- Se eles me matarem não me importarei.

- Eles matam sim... – Eu tentei continuar a frase, mas alguém muito apressado me interrompeu.

- Então não vejo problema.

- Mas eles não matam você.. – Mais uma vez interrompido, que saco.

- Então quem eles matam?

- Matam as pessoas mais próximas de você.

- Não há ninguém próximo a mim, se não notou, moro sozinho nessa casa, meus pais morreram me deixando a herança e minha família foi completamente assassinada. – Disse olhando para o lado segurando seu choro.

- E aquela menina... Como era o nome.. Mitsuki? – Era a garota em quem tinha me transformado.

- Não ouse tocar nela! – Esbravejou lançando seu olhar furioso em mim, como podia um mestiço botar medo em um puro sangue?

- Eu não tocarei em ninguém, quem tocará será o conselho, e isso depende apenas de você.

- Você está tentando me ameaçar?

- Não, eu apenas estou dizendo a verdade, se não queres acreditar, vou embora. – Falei já virando as costas para ele e saindo pela porta da sala.

- Espere! Volte aqui. – ele me chamou, achei estranho, mas talvez ele tivesse acreditado finalmente.

- O quê foi? – Voltei alguns passos e olhei para ele.

- Me ensine, por favor. – ele virou seu rosto, talvez se sentisse humilhado por pedir ajuda.

- Certo... Pode demorar um pouco, mas preste atenção...

Comecei com a longa explicação... Talvez vocês queiram saber o que disse a ele, mas sabe, estou com uma preguiça, porém vou tentar explicar sem esquecer de nada.

- Primeiro de tudo, você é um mestiço, não ouse se opor a um puro sangue.

- Como saberei quem é puro sangue? – Perguntou ele que parecia estar interessado na história.

- Você saberá quando encontrar um.

- Você é um vampiro de sangue puro néh?

- Sou sim.

- Legal. – Ele estava cada vez mais interessado ou era impressão minha?

- Continuando, por você ser mestiço, é proibido que você ataque um mestiço, apesar da punição não ser muito severa, evite complicações.

- Certo.

- Evite matar muitas pessoas, beba apenas o necessário para se manter vivo, e mesmo que você queira uma vez mordido uma pessoa esta morrerá, o que é diferente para puro sangues que pode transformar pessoas em vampiros.

- Um pouco triste...

- Mas é necessário, tente se restringir à apenas uma pessoa por noite.

- Entendo... Tudo bem. – Disse ele pensativo.

- Acho que é só. – Falei um pouco entediado olhando fixamente para ele.

- Aliás, qual seu nome? – Perguntou ele sorrindo para mim.

- Me chamo Mjou Kowen, e você? – Hesitei, mas perguntei finalmente, afinal, eu estava realmente interessado no nome daquele pirralho que tanto me chamou a atenção.

- Me chamo Tsuki. – Ele sorriu. – Tsuki Lee. – que sorriso mais belo e cativante.

- Espero nos darmos bem, quer se alimentar? Deve estar com fome... – Convidei imaginando que estaria com fome, é uma característica de pessoas recém transformadas em vampiros.

- Não.. – Imagino que ele não queira matar ninguém...

- Vamos, se não se alimentar sofrerá. – Fui até ele e segurei seu braço o puxando.

- Não quero.. matar mais ninguém.

- Não fale isso, vamos, aliás, as pessoas da noite não são pessoas muito boas...

- Mas eu não posso matar mestiços, você quem disse.

- Mas tem os delinqüentes que desobedecem a lei...

- Não sei se consigo...

- Vamos, eu te ajudarei, apenas tente não perder a consciência ao sentir cheiro de sangue. – Após isso ele me seguiu até fora da casa e saímos a procura da primeira presa de Tsuki.

Fomos até uma rua estreita, apenas a luz do luar e alguns postes de luz um pouco apagados iluminavam-na, porém ao final da rua dava pra ver um grupo de garotos fumando algo, aquilo já era normal para mim, e o sangue deles era do pior tipo, um gosto impuro.

No meio daqueles garotos havia um que parecia tímido, acho que não era fumante, logo chegamos perto deles.

- Vocês poderiam ir embora? – Pedi educadamente para todos.

- Quem tu acha que é? Se manca Mané. – Foi o que o garoto de cabelos avermelhados disse.

Acho que ele era o líder do grupo, fui até ele e agarrei seu pescoço colocando-o contra a parede tirando-o do chão, os outros garotos começaram a reclamar e Tsuki estava parado próximo a mim com o rosto virado, talvez não quisesse ver aquilo, ele era bom demais ainda.

- Quem eu sou? Eu sou alguém mais forte que você! – Disse num sussurro no ouvido dele com um tom tão frio que o garoto estremeceu.

- Me solte seu idiota! – Gritou ele.

- Então vá embora, quero conversar a sós com seu amigo ali. – Falei apontando para o garoto tímido encostado num canto.

- Então me solte e faça o que quiser com aquele idiota!

Foi quando o soltei, e este saiu correndo seguido por seus amigos deixando o garoto para trás, olhei para eles até que sumiram na escuridão, mais tarde eu iria atrás dele, odeio pessoas com tais atitudes, mas no momento queria que Tsuki experimentasse dos melhores sangues, os puros.

- O-o-o que você quer comigo? – Me perguntou aquele garoto assustado que se encolhia cada vez mais no canto.

- Não se preocupe, não irá doer. – Me aproximei do seu pescoço sentindo o cheiro para ver se era realmente puro, e era. – Venha Tsuki.

- Está bem. – Ele veio sem hesitar, se aproximou do garoto assustado e parou perto do pescoço. – Não sei se consigo.. – Droga, eu tinha realmente acreditado que ele não me causaria problemas.

- Vamos, se você não o fizer, sofrerá intensamente. –Falei.

- Está certo... – Após isso ele se aproximou mais do pescoço do garoto, hesitando o mordeu porém sem derramar uma gota sequer de seu precioso sangue, parecia estar faminto.

Acho que começamos a nos acertar, se tudo der certo, quem sabe eu possa o transformar em um semi-puro algum dia...