Nicolas vs Fedorento

1 Ele estão entre nós!


Notas iniciais
Bom dia pessoal!

Nicolas vs Fedorento é o meu mais novo trabalho! Depois de assistir a um desenho na Netflix, resolvi escrever algo parecido. Espero que gostem, boa leitura!

Era noite de sexta feira! A maioria dos jovens ou pré-adolescentes estariam reunidos com seus amigos, mas não Nicolas! Em seus plenos 14 anos aquela criança tinha um fardo pesado demais para carregar. O seu dom? Ele via a verdade! Nicolas era única chama de esperança entre a humanidade e a destruição. A anos ele vem travando uma batalha silenciosa contra o único ser que o homem deve temer.

— Fedorento! – Nicolas sussurrou enquanto se escondia embaixo do edredom de sua cama. – Você não vai vencer! – Ele ligou a lanterna.

Acreditava que embaixo do edredom o Fedorento não poderia vê-lo; aquela coisa é péssima enxergando coisas. Nicolas pegou um pequeno caderninho de couro preto e começou a folheá-lo. Passou por algumas páginas, até que seus olhos pousaram em uma específica com o título “Características – Fedorento”. Num movimento rápido ele sacou a caneta do bolso e rabiscou no papel “Não gostam de Luz!”. Então um som seco estourou atrás da porta fazendo Nicolas saltar da cama.

—Nino!... -- Becah abriu a porta, ela ia comentar algo, mas notou o comportamento estranho do menino. – Ok... o que está fazendo? – Ela tinha uma das sobrancelhas arqueadas.

—Nada! Absolutamente nada! – Nicolas praticamente cuspiu as palavras.

— Sei... – Becah tinha um tom desconfiado. – Está caçando ou investigando? – Seus olhos começaram a varrer o quarto.

—Investigando! – Nicolas chutou seu caderninho para embaixo da cama.

— Calma aí Sherlock Holmes! Eu preciso de você vivo ou seus pais não vão me pagar! – Becah tinha um tom sarcástico.

— Não precisa acreditar em mim! O que você quer? – Os olhos do menino miraram o chão, escondendo a face envergonhada.

— Vou fazer a janta! Algum pedido especial? – Becah sorriu.

— Bata Frita! Se der. – Nicolas disse enquanto pegava uma toalha atrás da porta.

— Outro banho? – Becah tinha os olhos do tamanho de bolas de tênis.

— Eles não gostam... – Nicolas falava calmamente enquanto procurava algo em seu guarda roupas. -- ... De cheiros bons. – Ele havia retirado um amaciante de Lavanda do

seu armário.

— Existem shampoos e sabonetes de lavanda, sabia? – Becah o olhava incrédula.

— Esse é mais forte! – Nicolas enrolou o amaciante na toalha; era como se protegesse um tesouro.

— E seu fosse você usaria ele. Vai por mim, sua vida agradece! – Nicolas passou por de baixo dos braços de Becah que estavam apoiados na porta.

Becah observou aquela criança de cabelos desgrenhados e roupas largas indo em direção ao banheiro. Aquela fora de longe a conversa mais estranha que ela teve com uma criança, apesar de estar acostumada dialogar com elas. Becah inflou as narinas permitindo que o ar inundasse seus pulmões. Estava tudo bem! Por mais estranho que Nicolas fosse, ela já havia sido preparada e instruída pelo Dr. Castro. Ele havia dito que seu filho apresentava padrões não comuns para uma criança daquela idade, que tudo que saísse da boca de Nicolas não passaria de frutos de uma imaginação muito fértil. Tudo o que ela tinha que fazer era “Entrar na onda!”.

— Entra na onda! Entra na onda! Entra na onda! – Becah sussurrou para si mesma enquanto ia até a cozinha.

Já era o quinto banho de Nicolas, só naquela noite. Ele esfregava com força o sabonete no corpo e se certificava de cada parte estava extremamente limpa. O Fedorento não gastava de limpeza. Nicolas os batizou com esse nome depois que percebeu que aqueles seres sempre estavam em lugares que cheiravam podre, como no cesto de cuecas sujas de seu pai ou como daquela vez em que se esconderam no seu par de meias fedidas. O Fedorento pode assumir qualquer tamanho, desde cobrir uma casa inteira com sua boca ou até mesmo se disfarçar entre as coleções de bolinhas de gude que Nicolas escondia embaixo de sua cama.

A água quente escorria pelo seu corpo sem demora, era como se o envolvesse em um manto de proteção. Sabia que enquanto estivesse ali, estaria seguro; eles também não gostavam de água. Calmaria! Era esse o sentimento que descrevia a situação. Uma música gostosa entrava pela janela do banheiro, uma melodia baixinha e aconchegante que aos poucos fazia morada em seus ouvidos. Era “Exagerado!” de Cazuza. Uma lágrima desceu se misturando com a água do chuveiro. Era a música preferida de sua mãe, ela sempre cantava essa música na hora de dormir. Então sem perceber as lembranças lhe tomaram a mente e aquela melodia se transformou na doce voz daquela mulher que um dia o ninou. Por um pequeno instante Nicolas se sentiu feliz, acolhido. Fazia tempo que não lembrava de sua mãe!

Então aquelas doces lembrar sumiram como pó no ar e no lugar delas veio o medo fazendo morando por todo o seu corpo. Era um sensação ruim! Como um alerta. Seus pelos estavam eriçados e seu coração parecia rasgar o peito. Então um cheiro forte lhe possuiu as narinas, uma mistura de urina com comida azeda. FEDORENTO! Aquele nome lhe veio a mente em segundos, os malditos estavam na casa! Normalmente em uma situação de medo, uma criança daquela idade iria corre e se esconder embaixo da cama, mas não Nicolas! Então um grito alto ecoou por toda a casa!

— BECAH! – Nicolas gritou em seguida.

Foi o que bastou! Aquela criança reuniu todos os resquícios de coragem que tinha, abriu o boxe aos tropeços e agarrou sua toalha em um movimento rápido. Em seguida correu até cozinha munido com um pequeno frasco na mão; se tinha algo que espantava aquelas coisa era um desodorante.

Becah revirava as gavetas do armário enquanto matinha seu indicador para cima evitando que ele sangrasse mais, tinha que ter alguma coisa naquelas gavetas que pudesse estancar o sangramento. A situação era cômica! Ela não teria cortado o dedo picanço cebolas se não tivesse esquecido as batatas no fogo. Agora ela tinha um dedo talhado e uma casa cheirando queimado. Ela se perguntava se Nino havia escutado seu berro! Então Nicolas entra na cozinha tropicando nas coisas e caindo no chão. Num movimento rápido ele saca o desodorante e mira no fogão, mas antes que pudesse soltar o spray, um pequena voz o faz parar.

— Quem é ele? – A voz fina de uma menina havia perguntando.

Nicolas analisou aquela criança por um instante. Ela devia ter seus 7 anos de idade, as bochechas coradas e olhos cor de mel que o encaravam intensamente. Em suas mãos tinha um pequeno Leão de pelúcia. Assim que ela percebeu a atenção que seu leãozinho recebia de Nicolas, a pequena Julia abraçou firmemente seu bichinho.

— Eu sou Nicolas e moro aqui! Quem é você estranha? – Sua voz era pesada e ríspida.

— É minha irmã! – Explicou Becah.

— Ela está limpa? – Nicolas começou a farejar por toda a cozinha, era como se fosse um cão de caça procurando sua presa.

—Tô sim! – Julia respondeu se sentindo ofendida.

— Sabe... se estiver suja, é bem capaz que eles te devorem. – Nicolas agora fareja perto do fogo.

— Mas o que Diabos está fazendo? – Becah arqueou uma das sobrancelhas e colocou Julia atrás dela.

—Tô com medo! – Julia enterrou a face no leãozinho de pelúcia.

— Não está sentindo? Cheira a merda! – Agora ele farejava embaixo da mesa.

— Ok, eu queimei as batatas, mas não está tão ruim assim! – Becah fechou a cara.

— Não. Não é isso! É um cheiro mais forte, dá nojo. – Nicolas farejava Julia.

— É sério você tem problemas... – Havia certo medo na voz de Becah.

— É O LEÃOOO! – Num movimento brusco Nicolas apertou o desodorante mirando no leão e acertando os olhos de Julia.

— Aiiiii! – Imediatamente Julia soltou a Pelúcia no chão esfregando freneticamente as mãozinhas nos olhos.

— SAI! – Becah jogou Nicolas para o outro lado da cozinha. – OLHA O QUE VOCÊ FEZ! LOUCO! – Becah esbravejava.

— RÁPIDO! PRECISAMOS QUEIMÁ-LO! – Nicolas correu em direção ao Leão de pelúcia, mas novamente foi empurrado por Becah.

— SAAIIIII DAQUI! VAI PRO SEU QUARTO! – As veias saltava do pescoço de Becah.

— Mas... mas... – Nicolas tinha os olhos do tamanho de bolas de tênis.

— AGORAAA! – Becah praticamente cuspiu a palavra.

Foi o que bastou! Nicolas correu mais do que suas pernas podiam aguentar. Era injusto! Não havia do culpa dele, o fedorento estava ali. Se ao menos ela o tivesse deixado explicar, saberia que o Fedorento toma a forma de qualquer coisa pra poder se misturar entre os humanos. Agora já era tarde! Estavam abandonadas a própria sorte, as duas sozinhas com aquele monstro. Seriam devoradas. Nicolas se trancou em seu quarto mergulhando dentro do edredom. O Fedorento podia ter ganhado a batalha, mas não a guerra.

Na cozinha Julia chorava incessantemente, Becah pegou a irmã pelas mãos e a levou até o banheiro para enxaguar os olhos. Becah era uma mistura de raiva e arrependimento, não devia ter gritado com Nicolas! Ele não tinha culpa. Era um garoto perturbado, preso em devaneios que só ele entende. Ela parou próximo a um quadro, era uma espécie de certificado fazendo menções honrosas ao Dr. Castro por alguma descoberta feita no campo cientifico. Coitado! Devia se difícil ser daquele jeito com um pai tão importante.

E aquela noite terminou de um jeito não tão comum. Com Nicolas enfornado em seu quarto arquitetando seu próximo plano para derrotar o fedorento, enquanto Becah ficou no banheiro lavando os olhos de Julia. Mas havia um detalhe! Com toda aquela confusão, ninguém percebeu que um pequeno animal havia sido esquecido largado no chão da cozinha. Um leão de pelúcia inofensivo e frágil, pronto para ganhar o amor de qualquer criança

— Descobriram a gente? – Uma voz fina e rachada saiu do leão.

— Não. Ainda acham que o garoto é um idiota! – Uma outra fina e mais rachada ainda saiu da pequena pelúcia.

Notas finais
Eai pessoal? O que acharam? Não deixem de comentar =)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!