Nicky Snow

9 Capítulo 8 – Nicky, da casa Baratheon, princesa dos sete reinos.


Capítulo 8 – Nicky, da casa Baratheon, princesa dos sete reinos.

O próprio rei Robert fizera o anúncio sobre a filha no início do torneio. Falara de como fora a perda, e de como foi o reencontro, e de quão doce e bela era a moça. Dera-lhes seu nome e uma promessa de sua presença assim que acordasse do sono que lhe fora privado por toda a viagem. Até mesmo a rainha tinha um sorriso disfarçado nos lábios, tamanha a satisfação.

Nas horas seguintes, pouco antes do combate corpo a corpo, a menina voltou a aparecer. Trajava um vestido azul adocicado – dado por sua mãe às pressas, diga-se de passagem – com um espartilho de cintura que havia trazido de Winterfell.

Conhecera Joffrey na corte, assim como Tommem e Myrcella. Cada um dos três irmãos lhe dispensara um carinho inimaginável. Myrcella se oferecera para ajudá-la com os novos vestidos, Tommem lhe oferecera a companhia para visitar os jardins, e Joffrey prometera lhe apresentaria os cavaleiros, senhores e todos os moradores da fortaleza vermelha.

Ela procurou pelo rei enquanto se aproximava do estrado e, assim que pisou na elevação, foi auxiliada por Joffrey, que a guiou pelas escadas.

— Irmã. – Ele pegou algo numa almofada. – Permita-me.

Ela se abaixou levemente, enquanto ele colocava a coroa dourada e fina de princesa em sua cabeça.

— Agora sim. Uma verdadeira Baratheon.

Ele lhe guiou até uma das cadeiras mais baixas ao seu lado.

— O pai vai competir esta tarde. No combate corpo a corpo.

As apostas corriam livres por entre os homens para com os cavaleiros. Ao longe, viu Lord Stark, Sansa e Arya a assistir as justas. Não havia tido a oportunidade de se encontrar com a futura cunhada ainda.

Joffrey, assim como Lancel, lhe explicara as regras e sobre os cavaleiros.

Quando Sor Loras Tyrell entrou, os suspiros femininos subiram como fumaça acima de fogo. Ele se aproximou de uma moça, deu-lhe uma rosa e saudou o rei, que acabara de chegar.

— É o irmão do cão. – Seu irmão explicou. – Não me lembro de vê-lo perder uma única justa.

Eles se posicionaram e Nicky viu sua respiração presa. Em instantes, Sor Gregor caíra, levando seu cavalo consigo. O Cavaleiro das Flores sorriu e Sor Gregor Clegane enegreceu-se de raiva. Arrancou o elmo e puxou a espada do escudeiro, matando seu próprio cavalo.

Então, tudo aconteceu ao mesmo tempo à frente dos olhos de Nicky: Sansa chorava, Sor Loras caia no chão, Sor Gregor atacava Loras, e o Cão de Caça o salvava. Nem ao menos percebera que havia agarrado a mão de Joffrey.

O rei gritou, interrompendo o que quer que fosse acontecer depois que Gregor sacara sua espada.

Decidira abandonar qualquer que fosse a comemoração naquele instante. Já vira um homem ser morto, mas não com tamanha crueldade.

— Com licença. – Ela se levantou, deixando sua cadeira e chamando atenção de poucas pessoas ao redor.

* * * * *

Nicky se sentou, sentindo Leona em seu colo.

— A aia está cuidando de você? – Ela lhe acariciou. – Bem... Eles estão cuidando de mim. Cheguei a Porto Real imaginando que você teria a companhia de Nymeria e Lady, mas parece que está sozinha.

A loba lambeu a palma da dona, e levantou a cabeça, notando o som próximo e saindo de seu colo para o lugar que lhe fora reservado.

Nicky se levantou com a batida na porta, mas foi a aia quem deu passagem ao visitante.

Sansa logo lançou-se contra Nicky, num abraço apertado.

— Mal posso acreditar, Nicky... Pelos sete...

A princesa sorriu e notou Jeyne do outro lado do aposento.

— Minha princesa. – A menina reverenciou.

Jeyne nunca havia sido muito próxima de Nicky. Na verdade, sempre era vista destratando-a por não ter nada, nem ao menos uma família. Dizia em alto e bom som, longe dos adultos, que Nicky seria meretriz quando os Stark se cansassem dela, mas nem ao menos sabia o que “Meretriz” significava.

— Eu ouvi de uma flor que está noiva de meu irmão mais velho. Estou certa?

Sansa corou a cor dos cabelos.

— Meu pai e o seu se combinavam desde Winterfell, sabe disso.

— Bom, os sete reinos também sabem agora.

Sansa acabou rindo, sentia uma falta imensa de Nicky.

— Posso ver? – Apontou a coroa.

Nicky puxou o ornamento e pôs em sua mão.

— Joffrey me entregou. Talvez seja de Myrcella.

— Não é. – A ruiva murmurou. – Myrcella tem coroas mais simples, acho que é muito nova para usar as elaboradas.

— Eu vi a rainha com a coroa na mão. – Jeyne murmurou. – Creio que tenha sido tirada de seu acervo pessoal, minha princesa.

Nicky apenas confirmou. Devia confessar que ser tratada com tanto temor por Jeyne lhe dera um prazer cruel e inimaginável.

— Jeyne. – Chamou. – Creio que não conheço a corte...

A morena sorriu como se soubesse qual seria o pedido. Talvez Nicky fosse benevolente.

— Não se incomoda se eu levar Sansa comigo para um passeio a duas, não é mesmo?

Os lábios quase desfizeram a curvatura, mas ela se forçou a mantê-lo.

— Não tem problemas, eu já estou indo embora. Com sua licença.

— Pode ir.

Assim que Jeyne se foi, Nicky agarrou um braço de Sansa e saiu por entre as portas, deixando a joia do lado de dentro.

— Espere, acha que devo usar a coroa o tempo todo ou só naquelas coisas que eles dizem ser importantes?

Sansa riu.

— Não. Você só precisa usá-la em eventos.

— Ótimo, porque ela é pesada.

As duas saíram aos risos enquanto Sansa lhe mostrava o que sabia sobre a fortaleza vermelha.

— Espere, ainda há o festim. Você saiu no meio do torneio.

— Aquele homem foi... Um animal. – Murmurou. – Você voltará?

— Pretendo. Vim aqui para vê-la, mas me interceptou no meio do caminho.

Nicky prendeu uma gargalhada.

— Tudo bem, pode ir à frente. Vou voltar ao quarto, pegar a coroa e ir ao festim.

Sansa sorriu e se foi, enquanto Nicky voltava a caminhar. Havia, ainda, um problema.

Ela não conhecia a fortaleza vermelha, e não havia visto os corredores pelos quais havia seguido.

Estava completa e assustadoramente perdida. Não havia nem ao menos guardas por aqueles arredores.

Andou por entre os corredores e logo, cansada, sentou-se em um apoio baixo. Quando ouviu passos se aproximando, levantou feliz, mas o homem que se aproximava não parecia feliz.

Quando veio para a luz e trocaram olhares, Nicky logo notou Sor Gregor, o homem que matara o cavalo.

— Uma Lady... – Ele lhe olhou. – Sozinha no castelo a esta hora.

Ela olhou para os lados enquanto ele se aproximava.

— Está assustada, moça. Não vou te machucar.

Nicky andou para trás, até sentir nada mais que a parede atrás de si. O coração estava acelerado e as pernas bambas. Leona não estava consigo e, quando procurou pelo punhal que sempre tinha consigo, não encontrou nada.

Havia o deixado no baú.

— O quê tem debaixo desse vestido? – Notou, vendo sua mão a procurar em uma das pernas.

Os olhos verdes estavam arregalados e apavorados, naquele momento, já estava no chão. Em Winterfell, todos a respeitavam, nunca havia passado por aquilo, nem mesmo na longa viagem.

— O quê está havendo aqui? – A voz imponente os sobrepôs.

Ela olhou na direção. Jaime Lannister havia desembainhado a espada e vinha em sua direção, fazendo o homem se distanciar.

— Vá embora. – Ordenou ameaçador.

O homem não se moveu.

— Vá embora. – Ele repetiu, preparando-se para lutar.

Sor Gregor se foi e ele caminhou até a menina.

— Princesa, está tudo bem? – Ele lhe estendeu a mão calejada, a qual ela aceitou. – Está gelada.

— Está tudo bem. – Pôde murmurar.

— Ele a fez mal?

— Não, não. Você chegou e...

Ele confirmou, resistindo à vontade de trazê-la para um abraço. A menina estava mais pálida que o gelo que vira em Winterfell.

— Está tudo bem agora. Venha comigo, está longe de seus aposentos.

Ela o seguiu.

— Obrigada por me ajudar, Sor Jaime.

Ele parou e a olhou com um pouco de desapontamento.

— Não me chame de Sor Jaime. Não sabe quem eu sou, menina?

Ela franziu as sobrancelhas, pensando sobre o quê havia dito de errado.

— Sor Jaime Lannister.

— Seu tio. – Sorriu docemente. – Quer que me chame de tio.

Ela confirmou, obediente.

— Então. – Ele retomou o passo. – Foi Lord Stark quem a criou?

— Sim.

— E foi ele quem a ensinou a ser tão obediente?

Ela riu.

— Acabo de chegar à capital. – Explicou. – Não sei bem como são seus hábitos.

Ele sorriu gentilmente. Não havia visto aquele lado de Jaime em Winterfell.

— Aprenderá logo.

— Já aprendi que aqui é quente como os sete infernos. E que não conheço o castelo como conhecia o castelo de Winterfell. Deveria trazer um novelo grosso e negro. Ao menos saberia voltar.

O homem gargalhou.

— Cersei tem razão, é uma menina muito agradável e espirituosa. – Elogiou.

Ela sorriu e Jaime não pode deixar de notar seu próprio sorriso estampado no rosto jovem e feminino.

O caminho adiante fora calmo e longo. Nicky não notara, até então, o tanto que correra, o sol já estava posto.

— Irá ao festim? – Ele lhe olhou.

— Não. Quero ver a rainha, ela...

— Minha mãe. – O homem a corrigiu.

Nicky ainda não estava acostumada aos nomes “pai” e “mãe”.

— Perdoe-me? – Ela franziu as sobrancelhas.

— Não a chame de “A Rainha”, ela é sua mãe. Chame-a de mãe.

Ela o analisou.

— Quero visitar minha mãe. Ela pediu que a encontrasse.

Ele olhou o céu por uma das janelas.

— Deve estar jantando. A levarei até lá. – Avisou. – a propósito, não saia desacompanhada de seu quarto novamente. Conversarei com seu pai sobre Sor Gregor, mas existem homem piores espalhados pelos corredores.

Ela confirmou e pararam em frente a uma porta. Ele bateu com delicadeza.

— Minha rainha? Sor Jaime Lannister. – Se identificou. – Trago a princesa comigo.

A porta foi aberta.

— Obrigada por trazê-la, irmão.

— Vossa Graça. – Ele reverenciou as duas e Nicky notou o protocolo.

Cersei estava sentada em uma poltrona acolchoada. Seus cabelos loiros estavam soltos e encaracolados, emoldurando seu o belo rosto sorridente com delicadeza.

— Venha, querida, sente-se. Temos muito o quê conversar.

Continua...