Nicky Snow

8 Capítulo 7 - Tourney of the Hand


Capítulo 7 — Tourney of the Hand

Nicky caminhou por entre as pessoas, já desacompanhada de Lord Stark, que ficara para resolver assuntos. Havia tirando alguns minutos para escrever um par de cartas, uma para Jon atualizando-o sobre a novidade e uma para Robb, para avisar sobre sua chegada. Não era difícil encontrá-la na multidão: a pele empalidecida, os cabelos dourados e os olhos verdes haviam sido beneficiados pelo vestido verde – o mais fresco que tinha, diga-se de passagem – que vestia.

Ela viu os cavaleiros se arrumarem para a justa, mas não conhecia ninguém além de Jaime Lannister – seu tio, conhecido como Regicida— e alguns homens do norte.

Os cabelos ruivos de Sansa chamaram-lhe a atenção após poucos minutos. A menina loira não tardou a se aproximar, mas não foi percebida nem por Sansa nem por Jeyne, que a acompanhava. O torneio já estava adiantado, por isso se manteve de pé ao lado da fileira. Por sorte, um jovem na cadeira acima pareceu notá-la, concedendo-a o lugar ao seu lado, que era ocupado por uma bolsa.

— Obrigada, senhor.

— É um prazer, senhora. – Ele sorriu. Não era mais que dois anos mais velho que Nicky e tinha o rosto parecido com o seu. – Posso saber seu nome?

— Nicky. – Apresentou-se, não sabendo que sobrenome pronunciar.

— Lancel Lannister, ao seu dispor. – Ele beijou sua mão.

Lancel Lannister era muito bonito. Tinha os olhos verdes e os cabelos loiros característicos da família.

— Conhece os cavaleiros? – Ele puxou assunto.

— Poucos. Nunca estive em um torneio.

Ele lhe explicou o que acontecia com entusiasmo, amenizando algumas das palavras por crer que uma Lady não deveria ouvi-las.

— De onde vem? – Ele a olhou.

— Um pouco ao norte, acabo de chegar a Porto Real.

— A que se deve a honra?

Ela se perguntou se deveria contar a verdade, mas preferiu ser evasiva.

— Minha família.

— Eles estão aqui?

— Creio que sim. Não os avistei por hoje ainda.

Eles conversaram durante todo o torneio, e Lancel fez questão de levá-la consigo para o festim com os nobres. Nicky se divertiu calmamente, era um rapaz engraçado e galante.

Ela olhou a beira do rio enquanto ele lhe contava histórias da cidade que Nicky julgara serem apenas lendas, mas prestando atenção em todas elas. Viu Sansa à esquerda do estrado elevado onde o rei estava com a rainha, e ao lado de Joffrey.

— Lady Sansa Stark. – Ele explicou. – Prometida do príncipe, recebeu uma das rosas de Sor Loras durante o torneio. Acredito que ela não tenha lhe visto.

Nicky sentiu o rosto avermelhado enquanto ele a servia com uma taça de vinho. Não bebia muito, na verdade pouco menos de uma taça por banquete. “O vinho entorpece os sentidos”, alguém antes lhe dissera.

Leona havia ficado escondida na torre da mão, cuidada por uma das aias. A única que parecia não ter medo, se bem se pensar.

— Perdão a pergunta, minha senhora, mas é comprometida?

Nicky sentiu o rosto mais que vermelho.

— Não, não. – Soltou um risinho.

Ele sorriu abertamente, convencido e atrevido.

— Pois apresente-me a seu pai e logo será.

Ela fingiu não ter escutado, pois no mesmo instante a voz do rei se levantou acima de qualquer outra.

Nicky estava distante demais do estrado para ouvir o que dizia, mas parecia estar gritando com a rainha Cersei.

A nobre se foi e Lancel olhou Nicky.

— Está ficando tarde. Gostaria de companhia durante o caminho para o castelo?

— Eu adoraria.

Ele pôs uma espada no cinto e pegou uma tocha, tomando o braço da moça no seu.

Os dois caminharam num silêncio confortável até que chegasse à entrada.

— Desculpe, mas não me disse para onde eu deveria levá-la.

— Leve-me aos aposentos da mão. Lord Stark está à minha espera.

O rapaz a olhou confuso e um tanto desconfiado.

— Lord Stark?

— Somos todos do norte. – Lembrou. – É ele quem toma responsabilidade de mim.

— Achei que seus pais estivessem em Porto Real.

— Não digo que não estão aqui. Mas não estão comigo.

Ele a guiou pelos corredores enquanto contava sobre sua família, seu trabalho como escudeiro do rei e do reino. Enquanto isso, Nicky se admirava com Lancel e suas grandes histórias.

— Obrigada por me trazer. – Ela sorriu

— Posso vir buscá-la amanhã?

— Não sei se vou amanhã. Mas podemos nos encontrar lá se eu for. E você é primo da rainha, não é difícil encontrá-lo.

Ele sorriu.

— Vou guardar seu lugar.

Os homens deixaram que ela passasse e, logo que entrou, notou a presença de Arya, que se virou no mesmo instante.

— Nicky?

— Arya. – Ela sorriu.

A menina mais nova correu até a mais velha, abraçando-a apertado.

— Nicky. O que faz aqui? – Indagou, surpresa.

— Winterfell é chata demais sem vocês.

— Como estão todos?

Nicky atualizou Arya sobre todos os detalhes de Winterfell, a menina ficara eufórica com a recuperação de Bran, cada vez mais evoluída. Quando Nicky se preparou para indagar sobre Nymeria e Lady, a porta foi aberta por Eddard.

— Nicky. Acompanhe-me, por favor.

Arya lhe olhou com medo e surpresa.

— Eu volto logo.

Seu corpo começava a indicar os sinais de cansaço. Não havia revelado a Lord Stark, mas não via uma cama desde que saíra de Winterfell, no máximo alguns lençóis durante a viagem.

Ela caminhou tentando ser rápida, mas lenta o bastante para que Lord Stark a empurrasse delicadamente. Foram minutos até que chegassem à sala do trono. O rei estava lá, com a rainha e o Regicida, havia também um homem com uma cicatriz medonha, o príncipe Joffrey, um homem vestido de seda e um velho, que deveria ser o Meistre.

O rei Robert se levantou com o papel da carta em mãos. Nicky evitou se encolher. Ela se lembrava bem das histórias sobre a rebelião de Robert, das canções que o louvavam e das ameaçadoras lendas para crianças.

O rei disse algo, mas ela não pode ouvir. Estava cansada e tonta, e todo aquele dia debaixo do sol da capital começara a fazer seus efeitos. Ainda assim, a rainha lhe examinou, o Meistre lhe examinou, e o Regicida lhe examinou. Examinaram desde seus cabelos até suas mãos, seus olhos e sinais, os dentes, o nariz e o esboço do rosto. Examinaram seu colar e, por fim, sua voz.

A rainha foi a primeira a sorrir de emoção. O rosto frio ganhando traços e os olhos, antes amedrontadores, agora estavam brilhantes.

— É você. – Ela murmurou.

Toda a corte pareceu comemorar. A princesa falecia estava de volta dos mortos.

Quando o rei se aproximou, ele lhe olhou nos olhos. Ouvira Ned falar da menina que criara como uma filha, e agora estava feliz por ele tê-lo feito. Se fosse metade da pessoa que Lord Stark era, ainda seria maior que os que lhe rodeavam.

Ele a abraçou, o qual ela retornou sem forças o bastante. Quando o rei deu-se por si, já tinha a filha nos braços, caída e pálida. O meistre a examinou e um dos homens da viagem logo lhes explicou que o descanso não vinha desde Winterfell.

Carregou-a ele mesmo até um dos aposentos suntuosos, e Cersei a despira dos pesados vestidos, deixando-a apenas com um tecido fino.

“O coração mente e a cabeça usa truques conosco, mas os olhos vêm a verdade. Olhe com olhos. Ouça com os ouvidos. Saboreie com a boca. Cheire com o nariz. Sinta com a pele. É então, depois, que chega o tempo de pensar e de, assim, conhecer a verdade.” (Syrio Forel)

Continua...