Nicest Thing

7 Chapter Seven


Notas iniciais
Hm. Desculpem a ausência, mas pelo visto vocês também se ausentaram, e não é como se eu pudesse culpá-los. Desde domingo eu nem tenho escrito, a minha inspiração se apagou completamente; a sorte é que já tenho dois capítulos prontos para postagem, senão estaria ferrada (e eu não gosto de ficar devendo postagens, me faz ficar ansiosa e culpada demais). Então, apenas espero que esse novo capítulo possa desopilá-los um pouco e que tudo volte nos eixos a partir de agora. Obrigada.

Estou feliz.

Perdi o namorado, tudo bem.

E daí?

Muitas garotas perdem o namorado e continuam a viver. Tenho certeza de que a relação de garotas que perdem os namorados no inverno é bem mais pronunciada do que as que arranjam, nesta época. E, portanto, estou inserida num grupo bastante amplo e nada aterrador. Especialmente porque ganhei Lucy – certo, nossa amizade ainda não é aquele tipo de relação grudenta na qual uma não faz nada sem a outra e na qual existem mais abraços do que risadas –, e, de quebra, as melhores amigas dela, a Santana e a Brittany.

Elas são loucas. Bem mais loucas, quero dizer. Elas, sim, se encaixam no prisma da amizade citada acima. E é muito bonito perceber que, apesar do relacionamento delas não ser apenas amizade, a amizade é a maior base. Não é como se, apenas de longe, você conseguisse dizer com toda a certeza do mundo que elas são namoradas – e, do mesmo modo, acontece com Blaine e Kurt. Você os conhece e não acha nada diferente neles. Porque, na verdade, eles – nem Brittany e Santana – não são, de algum modo, diferentes.

Os quatro são casais, porém, ao mesmo tempo, não passam em definitivo esta impressão. Não é nada alarmante, ou esquisito. É absolutamente normal. É absolutamente aceitável. É absolutamente bonito, entende?

E por conta disso, ocorreu algo realmente inusitado. Houve uma grande mobilização. As sextas-feiras são loucas e divertidas. São musicais e cômicas. Entendo o porquê Santana diz tê-las nomeado de “Noite Maluca de Sexta”. Elas se tornaram com grande facilidade, as minhas noites prediletas. Sem estudos conturbados e cansativos, sem estresse e sem silêncio demasiado. São noites gostosas, mesmo que, fora do loft, esteja muito frio.

Fizemos um trato de elas sempre aparecerem aqui no loft, devido ao tamanho – ele abriga bem mais gente do que o miniapartamento das duas. Isso gerou uma modificação significante e surpreendente: Kurt e Blaine, raramente, saem nessas noites, como ocorria há algumas semanas. Não que eu me incomodasse, claro que não. Afinal, eu e Finn também reservávamos algumas noites específicas para sair e se divertir. Porém, a mudança diz com todas as letras que preferem ficar entre nós a ficarem apenas na companhia um do outro. É acolhedora a forma como todos nós interagimos, sem preceitos, sem qualquer tipo de distanciamento. Agora a segurança é toda colocada à prova das mais diversas maneiras, inclusive com silêncios momentâneos e com Queen ou Theory Of a Deadman nas alturas. Fico impressionada com a adoração de Lucy por canções barulhentas, porque não dá para imaginar seu gosto musical com precisão somente olhando-a.

Rosanne Cash, Belle and Sebastian, Florence + The Machine, Grace Potter? Sim.

Ramones, Pixies, Three Days Grace, Audioslave, Johnny Rivers? Realmente não.

Mas é o que dizem, certo? Nunca julguem um livro pela capa. Há um trocadilho com este ditado que se tornou referência em um grande livro: não julgue um garoto pela sua cara.

Acho que é válido. Tão válido quanto adotar filhotes de cãezinhos e rejeitar os adultos, apenas porque os filhotes são ditos “mais fofinhos”. Mas é claro que o filhote vai crescer e se tornar um cão completamente diferente do que ele era na infância. Porque os seres são assim: não estão imunes às mudanças. Todos estão sujeitos às modificações, seja por conta dos anos, ou por conta de alguma situação marcante. Nós sempre mudamos.

E é isso que noto em mim. E em Lucy.

Nós mudamos. Crescemos. Em menos de um mês e meio. Aconteceu. Claro que nunca esperamos. Achamos que podemos visualizar as diferenças a olho nu, catalogá-las, mas não é assim que funciona. As diferenças estão ali, mas tão invisíveis às percepções, que não somos capazes de afirmar quando foi que elas começaram.

Olho para o rosto dela, que está visivelmente se divertindo. Brittany sugeriu um game de mímica, então ela está na nossa frente imitando um personagem de TV. Arrisco ser a Ellen DeGeneres. Erro.

Ainda mantenho meus olhos mirando Lucy. Sei que ela está diferente. Mais acomodada, mais à vontade, mais confortável. Posso espiar a superfície de sua alma: está límpida e risonha. Feliz. Porém, depois das primeiras camadas, há algo obscuro – inalcançável e inacessível. Algo intraduzível que, a todo custo, ela mantém longe de todos. Dela mesma, também. A distância é constante nela. A física Lucy já transpôs – há alguns abraços de vez em quando, uns previsíveis, outros inesperados –, entretanto ainda existe a sentimental. Há uma frieza emocional nela, como se não pudesse expor o que sente para se privar de humilhação ou de reviver o que quer que tente esquecer.

Mas ela nunca se livra do que está trancado.

É uma hipocrisia mínima.

Eu me abri com ela naquela noite sobre Finn para espantar aquilo tudo; toda a mágoa, a dor, a insuficiência, a rejeição. No entanto, é evidente que ela não me deu o feedback. Em momento algum, Lucy se permitiu se abrir comigo também. Isso me deixa um pouco irritada. Não que eu queira que ela se sinta obrigada a fazer isso, apenas porque eu dei uma brecha. Se ela não se sente confortável para tal passo, tudo bem. É assim, certo? Nós vamos nos habituando às coisas que não recebemos. Conversas, confiança, amor, cartas. Não temos escolha: a vida segue e não espera que as outras pessoas façam algo. Então elas se acomodam. Distanciam-se. Vão embora. Morrem.

E, no fim, tudo o que fica é um nada. Aquele nada que nos deixa arrependidos.

Não quero me arrepender da amizade com Lucy. Se ela quer mentir para si mesma, sempre empurrando o que a importuna para debaixo da sua falsa confiança, o que posso fazer para ajudá-la para não deixa-la a mercê de arrependimentos futuros?

Penso. Esforço-me. Mas ela nunca me oferece a solução.

- Dory? A peixinha com amnésia? – Lucy arrisca. Percebo que quem está na nossa frente é Kurt. Não sei quem foi o último personagem da mímica.

- Não dá para acreditar! – Kurt está estupefato – É a sua quinta vez!

- A música. Acredita mesmo que alguém esquece “Continue a nadar”? – Lucy revida, rindo, e já se posicionando para ser o centro das atenções.

- Você é boa – Kurt declara.

- Ela é a nossa Lucy Ninja. Você não viu nada se acha que está impressionado só por conta disso – Santana começa a dizer com um tom de quem sabe das coisas – Espere só ganhar um tapa genial dela. Isso vai fazê-lo ficar impressionado.

Eles riem. Eu estou quieta, porque preciso me concentrar. Ela é mesmo ótima nesse jogo. E eu ainda não acertei nenhuma das dez rodadas que já aconteceram! Estou desatenta e isso me deixa impaciente.

- Comece – comando, depois de muito tempo sem proferir nada além de “Ellen DeGeneres”. Porque, na verdade, o jogo abrange personagens reais, também. Mas é muito mais difícil enfrentar mímicas sobre personagens fictícios.

Lucy faz uma reverência para mim quase cômica. Então seus olhos passeiam pelas paredes. Ela já nos apresentou o Mr. Potter (de A Felicidade Não Se Compra), a Annie Hall (de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa), o Dr. House e o Hynkel (de O Grande Ditador). É um nível completamente diferente com o qual estou acostumada. Ninguém ainda encarnou um personagem de musical, nem de filmes franceses. E essa é a única razão tangível para explicar o porquê ainda não venci nem uma vez.

Lucy, então, começa sua encenação.

Finge estar segurando algo, talvez uma tocha.

- A mulher da liberdade! – Santana grita, convicta – Está na cara que...

Lucy faz que não, então Santana diz algo em espanhol e se cala.

A cena muda: Lucy finge estar tirando fotos.

- O fotógrafo de As Pontes de Madison? – Blaine não está certo de sua resposta, por isso suas sobrancelhas grossas estão franzidas – Qual era mesmo o nome daquele cara?

- Não, é uma mulher – Lucy revela uma pista.

- É a personagem da Julia Roberts em Closer! Tenho certeza! – Santana berra mais uma vez.

A caracterização muda de novo. Sua personagem está... Servindo algo a alguém imaginário. Ela limpa uma superfície também imaginária. Quase posso visualizá-la de avental cor de rosa e de coque. Oh, uma garçonete! Mas existem garçonetes em quase todos os filmes! Como vou acertar a garçonete correta?

- As mulheres do Coyote Ugly? – Santana, mais uma vez, se afoita.

Está difícil. Todos nós estamos meio desolados. Acho que não teremos um vencedor desta vez...

- Você conhece, Rachel – Lucy deixa escapar, encorajando-me com sua expressão – Você sabe. Pense um pouquinho.

Ahn. Como se eu não estivesse com o meu cérebro a mil aqui. Obrigada pela parte que me toca, Lucy. Na verdade... Acho que não estou me esforçando muito. Não me esforcei das outras vezes. Não acertei nem mesmo o Dr. House, um personagem que conheço muito bem. Que garçonete eu conheço? A única que sei é a Amélie. Mas não é possível. Quer dizer, cadê o seu nível de dificuldade desta vez, Lucy?

- Amélie? – tento com a minha voz baixa, que mal sai da minha garganta. É inacreditável.

- O quê? – Brittany diz, porque acha que estou soprando alguma resposta a ela.

- Amélie Poulain! – acabo exclamando mais alto.

Porque ela é a minha única garçonete.

- Demorou demais! Achei que teria de começar a falar em francês! – Lucy começa a rir.

- Sério? Eu acertei? – pisco para todos.

- Era a única maneira que encontrei de fazê-la representar nem que seja uma única vez para nós – ela comenta, encaixando-se entre mim e Kurt.

O seu perfume de baunilha que, em circunstâncias normais me deixa enjoada, se infiltra pelas minhas narinas e me deixa com vontade de abraçá-la. Não dá para acreditar que ela agiu feito criança diante de nós apenas para me deixar contente! Ela pode ser um pouco fechada, mas é uma graça. Quase tão fofa a própria Amélie, a minha eterna salvadora.

- Sua vez! – ela me encoraja com um sorriso – Capriche, porque quero me sentir inteligente quando acertar esta! A Dory foi brincadeira de criança, literalmente!

Sorrio para ela de volta. Isso está abalando meu sistema. É um misto de felicidade e conforto diferente do qual notava antigamente. É diferente; é melhor.

~*~

- Por que a Stuart Little nunca consegue parar com isso? – Santana sussurra para mim de onde estamos sentadas no sofá. Brittany está deitada com a cabeça nas pernas dela, meio adormecida. Está cantando a música da Dory, baixinho, como se fosse uma canção de ninar.

Kurt e Blaine estão decidindo o que vamos jantar. Estão afastados de nós, porque precisam de um pouquinho de silêncio. E Santana não é, exatamente, uma pessoa silenciosa com a sua voz estridente e incapaz de se moderar.

Olho para a cozinha, local onde Rachel se encontra. Ela está preparando outra rodada de café. É a terceira vez. É uma coisa louca.

Dou de ombros para Santana, porque não tenho nada a responder. Bem, algumas pessoas precisam de café. E Rachel é evidentemente dependente deste líquido. Ela também bebe muito chá – em especial os de limão, e daí ela adiciona mel. Diz que isso limpa sua garganta. Sugeri a ela maçãs, que faz o mesmo efeito, mas não vi nenhum êxito. Rachel continua recorrendo aos seus chás.

- Dizem que pessoas que gostam muito de café não gostam muito de sexo – Santana comenta de modo sugestivo.

Balanço a cabeça de um modo que deixe claro o quanto seu comentário é inapropriado e ridículo. Então rolo os olhos, dizendo:

- Você não pode ficar quieta, não é mesmo?

- Talvez seja por isso que ela descarrega seu mau-humor nas pessoas. Ela é frustrada sexualmente – ela faz um aceno como se decidisse o assunto.

- Para de besteira. Tenho certeza de que não tem nada de errado com ela. Nenhum tipo de frustração desse tipo.

- Como você sabe? – Santana faz aquela expressão que detesto: está evidenciando que já ganhou a discussão. Eu sei a que ela se refere, por isso mesmo não me sinto arrependida por enfiar meu cotovelo em suas costelas com força – Ai, sua retardada!

- Eu já disse que esse jeito dela é por conta do pé na bunda que o ex-namorado deu nela. Você aceitaria tranquilamente se a Britt arranjasse outra, de repente? – estou séria, porque a situação exige seriedade. Não quero que Rachel pense que fico falando sobre sua vida pelas suas costas. Muito menos sobre o seu hipotético desinteresse por sexo.

- A Britt sempre se diverte comigo na cama – Santana responde – Talvez essa seja a causa do término: o namorado dela não suportou continuar com alguém tão entediante sexualmente.

Fecho os olhos por um segundo, com força. Quero tanto calar a boca dela! Apesar de estarmos sussurrando, Rachel pode muito bem escutar algum trecho da nossa conversa. E seria bastante péssimo se ela descobrisse o teor dela.

- Santana, cala a boca – mando com convicção, porque estou ficando desconfortável e chocada. Definitivamente, não quero saber se Rachel levava ou não uma vida satisfatória na cama. E tenho muita certeza de que, por mais amigas que somos, nenhuma de nós se sentiria confortável em discutir sobre este tópico. Porque é tão íntimo que praticamente vive isolado num canto, sem nunca ousar se manifestar – Não acho que você tenha direito ou liberdade para sair falando essas coisas.

- Então você tem, já que mora com ela. É ou não verdade?

É irritante a persistência dela, sinceramente. Sei que Santana já gosta um pouco de Rachel, mas também sei que há aquele criticismo em seus olhos, sempre se recordando da Rachel que eu descrevi quando a conheci pessoalmente. Mesquinha. Insuportável. Teatral. Insolúvel demais.

Mas creio que essa Rachel não dê mais as caras. Já faz alguns dias que ela tem apresentado outro ânimo – e também outro lado dela: mais acessível, menos distante; uma face completamente graciosa é fácil perceber nela. Tudo isso, quando ajuntado, compõe uma garota quase que inteira, uma garota muito melhor, uma garota que, apesar das adversidades, está com a cabeça erguida. Legitimamente erguida. Não como eu: que apenas finjo estar ostentando minha cabeça de modo nada penoso.

- Não interessa a você! E a ninguém! Dane-se isso, Santana! – minha paranoia apenas aumenta, porque tenho ciência de que Rachel já está se aproximando de nós – Hey – digo a Rachel, quando ela para na nossa frente e, subitamente, senta-se com as pernas flexionadas no tapete colorido disposto no ambiente. Fecho a cara para Santana, antes de retomar a falar com Rachel –, e aquele cara que iria vir jantar conosco?

Rachel, superficialmente, mencionou há alguns dias que, talvez, traria um amigo dela para o loft, para lhe dar alguns conselhos vocálicos, pois ele já é veterano da Juilliard. E daí disse que o convidaria para jantar, caso ele permitisse. E, de acordo com Kurt, o cara quer muito permitir praticamente qualquer coisa com a Rachel. Eu apenas ri, pois nunca sei de fato quando Kurt está mesmo falando a verdade ou apenas utilizando o seu senso de humor.

Rachel leva a caneca nos lábios e sorve um pouco do café antes de me responder.

- Oh. Ele trabalha de garçom algumas vezes por semana, então acho que vou convidá-lo na segunda.

- Uau. Isso só pode ser uma força maior – Santana diz – Você mal termina com um cara e já tem outro? Você é boa na batalha!

Rachel franze o cenho e seu rosto ganha um pouco de seriedade.

- Não estou com o Brody – ela logo explica – Não estou na batalha. E não entrarei nela por um bom tempo.

- Mas esse Brody, se é o cara das fotos nas quais você foi marcada no Facebook, parece ser delicioso! Não que eu sinta algo nas minhas partes íntimas por garotos, mas ainda tenho um radar ótimo para os Tapa Buracos das rejeitadas.

- Eu não sou uma... – Rachel tenha revidar na mesma hora, porém é interceptada por Santana.

- Ele é gato e aposto que o material dele deve ser incrível também. Quem sabe, é disso que você precisa. De um bom material. De um novo.

- Caramba, Santana! – eu reajo, insatisfeita – Qual é o seu problema? Por que a Rachel não pode se permitir ficar um pouco solteira?

- Você quer ficar solteira? – Santana inquire à Rachel, interessada.

- Não acho que esteja preparada para mergulhar em outro relacionamento tão cedo – Rachel responde de prontidão. Parece que refletiu acerca disso algumas vezes, pois o tom que usa sugere que está mais do que resolvida nisso – E não costumo me levar por essas coisas que você citou – ela adiciona com certa depreciação – Certo, ele é bonito. E daí? Que vantagem isso tem se ele não for sincero ou me tratar bem?

Apoio-a em silêncio. Porque isso me recorda do breve encontro que tive com aquele monitor idiota que acha que sabe de tudo, apenas porque tem o controle das informações que rondam a biblioteca. Grande coisa ele saber meu nome. Não faço ideia do porquê reagi daquele modo tão desesperado. Ele não é ninguém. Apenas acha que pode me conquistar, porque deve estar acostumado a conquistar qualquer uma.

- Quem se importa com sinceridade? Ninguém reconhece isso, de qualquer modo. Se você é sincera é apenas a sua obrigação – Santana refuta de imediato, parecendo estar considerando a Rachel uma idiota – E sinceridade demais pode acabar com um relacionamento. Você pode se passar por arrogante demais. Não que você já não seja.

Rachel ignora a alfinetada, porque está indignada. Posso enxergar isso em sua expressão.

- Você, claramente, não sabe o valor de um namoro, Santana – ela afirma.

- Pode apostar que sei. Sabe quanto tempo estou com a Britt? Bem mais do que você acha que sabe cantar – Santana revida com acidez – E, sim, eu dou muito valor a ela, porque ao menos sei que não sou entediante como você é.

Arregalo os olhos um pouquinho. Lá vai a boca da Santana anunciar sua maldade gratuita! Preciso bater nela, agora mesmo!

Ao invés de acertá-la dolorosamente, coloco minha mãe em sua boca.

- Sant, agora chega! – meu olhar dirigido a ela está furioso.

- Acho que está na hora de você ir embora. Não quero ser indelicada demais, porém tenho que lhe pedir para se retirar – Rachel diz para a Santana de modo categórico, levantando-se no tapete. Ela está furiosa, sei disso.

- O quê?! – Santana reage, elevando a voz. Brittany acorda, mas permanece ainda sonolenta mesmo sentada – Você acabou de dizer que quer alguém sincero! E agora não suporta a verdade! Você é tão hipócrita!

- Ótimo, não me importo! – Rachel rebate – Apenas não me ofenda, porque essa é a minha casa, e você não tem o direito de achar que sabe tudo sobre mim!

- O que houve? Por q... – Brittany tenta se reiterar da situação, mas como ninguém lhe responde ela se cala.

- Vamos embora, Britt-Britt! Esse lugar está entediante demais – Santana faz questão de frisar, agarrando seu casaco enquanto Brittany a copia, confusa – Espero que você perceba a burrada que fez – ela se vira para mim – Não acredito que você nos trocou por essa egocêntrica ridícula!

Quando elas se vão, Kurt e Blaine também estão desconcertados.

- Ela é rude demais. Faça o favor de mantê-la longe de mim – Rachel me diz, ainda muito raivosa.

- Rachel, você não é nada que a Sant disse! – faço questão de deixar claro – Às vezes, ela é um pouco estúpida mesmo. Gosto de você do modo que é.

Ela ainda mantém os braços cruzados e o semblante fechado.

- Então mesmo que eu seja entediante...

- Você não é entediante – digo com veemência – Não sei sobre o que ela estava se referindo – por incrível que pareça, estou mentindo. Não queria fazê-lo, mas as consequências seriam desastrosas caso ela venha a descobrir o verdadeiro significado das palavras de Santana.

Rachel me olha de um modo esquisito. Como se estivesse dentro da minha mente, lendo tudo o que penso. Aguardo por um instante, apreensiva. Isso me deixa chateada, porque quero atestar que posso ser sincera com ela, na medida do possível.

- Você sabe – ela afirma –, mas tudo bem. Não me importo. Só me prometa que vai parar de dividir a minha vida com ela.

Comprimo os lábios. Certo, não é tão crítico assim. Rachel não está me pedindo para cortar relações com Santana. E tenho certeza de que, eventualmente, tudo isso vai ser superado e esquecido. Rachel não parece ser do tipo que guarda rancor. Sei que isso é uma situação transitória.

- Eu não disse nada que você não tenha realmente me contado. Sinto muito que Sant seja tão...

- Louca? – Rachel sugere.

Solto um risinho.

- Um pouquinho, não dá para desmentir.

- Seja minha amiga, ok? – ela diz.

- Eu sou.

Notas finais
Esse capítulo simplesmente saiu na hora, sem planejamento algum. Vocês vão notar que alguns capítulos meio que "quebram" toda a trama, porque eu não posso simplesmente fazer as coisas acontecerem rápidas demais, senão fica com a sensação de que a história não é tão estruturada assim. Apenas aguardem o próximo capítulo, esse sim continua com a coluna vertebral do enredo. Beijos e até mais!