Cinco. Mil. Dólares.

Eu acabara de conseguir cinco mil dólares de uma tonta qualquer. Isso ocorria até frequentemente. Dirigir no meio da noite, fugindo para outra cidade, com uma pilha de dinheiro no porta-malas. Naquela noite em especial, eu fugia de para Santa Barbara, antes que aquela loira louca, que eu havia acabado de enganar, chamasse a polícia. Era o modo que encontrei de sobreviver. Iludindo mulheres, fazendo-as traírem seus maridos, se apaixonarem por mim, para manipulá-las e conseguir meu dinheiro, sem culpa alguma. E esse meu cotidiano fez com que eu, Joshua Lawrence, virasse um dos criminosos mais procurados pela polícia de certos estados da Costa Oeste dos Estados Unidos.

Quando aconteceu, eu andava num trecho escuro da estrada, distraído com meus pensamentos. Até que vi uma pequena casinha, que se destacou na obscuridade. Ela tinha uma iluminação amarelada, e era feita completamente de madeira. Havia um idoso em uma cadeira de balanço, tentando ler um jornal. Observei um pouco, e quando voltei a atenção para a estrada, tudo aconteceu muito rápido.

As luzes daquele farol nunca pareceram tão brilhantes. Quase ofuscavam o caminhão que vinha em minha direção, fora de controle. Meus braços foram automaticamente para meu rosto, protegendo-me da luz forte. Minhas pernas estavam estáticas, amedrontadas de se pronunciar. Minhas cordas vocais incapazes de soltar qualquer som. Todo meu corpo se preparando para os 3 segundos mais demorados de minha vida. As luzes do caminhão, tão cegamente fortes, se apagaram num baque. A partir daí, tudo parecia um borrão. Minhas orelhas captaram gritos de desespero, vindo fracos de algum lugar fora do carro, junto a um estrondo devido ao choque. Logo, completo silêncio. Minhas pernas, ainda paralisadas, pareciam esmagadas. E, em seguida, a escuridão.

Escuridão. Dizem que quando você está prestes a morrer você vê imagens de pessoas importantes para você. Ou coisas importantes. Algo que te impulsione a tentar viver. Eu não vi nada. Apenas absoluta escuridão. Afinal, eu não tinha nada nem ninguém que me fizesse querer viver. Talvez eu até merecesse morrer. Eu não fazia nenhuma contribuição boa para o mundo, muito pelo contrário. Sempre pensei que se eu quisesse sobreviver, precisava fazer sacrifícios. Mas talvez eu nem precisasse sobreviver. Talvez, meu lugar seria mesmo na plena e branda escuridão. Esses pensamentos me acalmaram, só Deus sabe por quanto tempo, até que a escuridão foi substituída por mais borrões.

– Dylan! Ele está acordando! – escutei uma voz feminina gritar. Meus olhos se arregalavam e, ainda sim, tudo parecia torto e borrado. Alguém pegava na minha mão, e o toque me tranquilizava. – Você vai ficar bem... A ambulância já está a caminho... Você vai ficar bem. – repetia a voz, dando-me uma sensação de paz. Enquanto meus olhos se ajustavam, percebi que a dona da voz estava ajoelhada ao meu lado, e era ela que segurava minha mão, enquanto acariciava meu cabelo. Eu sentia meu peito pinicando, e logo meus olhos captaram que eram os cabelos dela, lindamente negros e ondulados. E, lentamente, consegui focar em seu rosto. Sua pele tinha uma bela cor de neve, olhos castanhos brilhantes e boca suavemente rosada. Ela era linda. E ali eu estava, encantado com tanta beleza, delicadeza...

Até desmaiar e cair novamente na pretidão.

Notas finais
Prólogo foi mais pra uma "prévia", curtinho, só pra ver se vocês curtem!
Espero que vocês gostem! Se sim, não esqueçam de deixar um comentário pedindo mais, que não vai demorar, juro!
Tenho muitas coisas reservadas pra essa fanfic, e garanto que só vai ficar melhor!
Beijo!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.