Next To You
7 Capítulo 7 - Passado perpétuo
Notas iniciais
16h da tarde.
Frio, neve e desordem nos sentimentos de Lee Jinki, um estudante de vinte e dois anos. O mesmo estava sentado em uma grande ponte, que dava o acesso de uma cidade para a outra. Ele estava bem agasalhado, cachecol, blusas quentes, luvas e botas. Seu olhar estava perdido no horizonte, onde ele observava os pássaros e passava os olhos pelo rio, que tinha uma correnteza forte.
- Joon... Pare com isso! – Ele dizia enquanto segurava o braço do maior, sem força.
- Você não entende, Jinki. Você acha que eu estou errado por ter feito o que eu fiz, mas não estou... Você me obrigou a fazer isso enquanto ficava saindo com aquela bicha do Key! – Empurrou o menor, que denunciava o desespero com a expressão que tinha no rosto.
- Eu entendo, Joon, eu entendo! – Ele estava com lágrimas nos olhos. – Eu não vou mais me aproximar dele, eu perdoarei a sua traição e tudo vai ficar bem, está certo? Por favor, não fique assim comigo, eu sei que a culpa é minha, eu estou pedindo desculpas também, Joon! Por favor!
Onew riu das lembranças que acabaram de passar pela sua cabeça, onde ele era um garoto sensível e intimidado por Joon. Ele realmente o amava, não? O que ele não faria por ele? Nada. Ele sempre fazia do possível ao impossível para ver um sorriso desenhado naqueles lábios tão chamativos de Joon, mas parecia impossível fazê-lo feliz... Na verdade, era impossível.
Estava procurando algum lugar para comprar um presente a seu namorado, Joon, eles fariam um ano de namoro naquele dia. Onew realmente estava nervoso, pois nunca tinha ficado tanto tempo com alguém, ou melhor, nunca tinha ficado tanto tempo com alguém realmente amando essa pessoa, e Joon despertara isso nele há muito tempo e ele realmente queria fazer o possível para agradar ele.
Avistou uma loja bem chamativa na avenida, com várias luzes acesas e coloridas, até mesmo piscantes. Com certeza ele daria uma olhada lá, afinal, perderia o tempo que fosse necessário para escolher um bom presente que agradasse a pessoa que ele ama com toda a sua alma.
Jinki entrou na loja e logo avistou: Um grande urso azul bebê, a cor predileta de Lee Joon. Ele com certeza iria gostar. Principalmente porque Jinki havia dito a ele que não poderia vê-lo nesse dia tão importante, pois teria que visitar a sua mãe, já que ela e seu pai eram separados. Joon mostrou não se importar, mas aos olhos de Jinki, o rapaz realmente havia ficado triste.
Jinki comprou o urso e o levou com dificuldade até o seu carro, colocando ele lá dentro e depois entrando, fechando a porta e dirigindo-se à casa de Joon. Ele com certeza amaria aquela surpresa.
Depois de alguns minutos dentro daquele carro, finalmente ele iria vê-lo. Como ele estaria? Mal arrumado, provavelmente. Joon era o tipo de pessoa que quando estava sozinha em casa, realmente era um relaxo, só andava com a calça do pijama e o cabelo ainda bagunçado.
Quando ele estava chegando perto do prédio de Joon, avistou ele na frente do portão do mesmo, ele parecia estar saindo. – Tenho que ir rápido! – Ele pensou, mas logo os seus olhos capturaram outra pessoa. Outro homem junto à Joon, um homem alto, bem branco e de cabelos escuros. Eles se tocavam bastante, então não poderia ser amizade. O coração de Onew disparou e ele até mesmo sentiu falta de ar no momento, parando o carro. Ele não queria ver aquilo, mas precisava parar o carro e observar o que realmente estava acontecendo. Não, o Joon não seria capaz de traí-lo de novo, seria? Não no dia de comemoração deles, não é? Bem, Jinki estava errado. Várias lágrimas rolaram consecutivamente ao ver o seu Lee Joon tocar os lábios de outra pessoa com os dele. Era um toque até mesmo selvagem, não parecia apaixonado, apenas físico e momentâneo. O homem foi embora e Lee Joon entrou.
Onew deitou a testa sobre o volante, sentindo as lágrimas caírem sobre as próprias mãos, que estavam agarradas às suas coxas. Depois de dez ou vinte minutos, ele finalmente parou de chorar. Jinki estufou o peito e levantou a cabeça, olhando para o espelho do carro e naquele reflexo, estava o urso que ele havia comprado, no banco de trás do carro. Ele voltou a dirigir, estacionando o carro na frente do prédio e olhando para o andar correspondente de Lee Joon, um pouco antes de sair do carro e pegar o urso.
Ele cumprimentou o porteiro, que logo abriu o portão para ele entrar. Jinki estava com uma expressão fria, totalmente diferente da sua realidade. Ele até forjou um sorriso alegre para encarar Joon. Entrou no elevador e quando se tocou, já estava batendo na porta de seu namorado. O mesmo abriu a porta e se espantou, mas agiu normalmente, abraçando-o e dizendo no pé de seu ouvido:
- Feliz “nosso” aniversário, meu anjo. – E beijou o lóbulo dele, enquanto o abraçava de um jeito carinhoso, não tendo contato físico total com ele por estar abraçando também a pelúcia que o garoto segurava.
Jinki não comentou, mas ele realmente sentiu nojo naquela hora e Lee Joon estava com o cheiro de outro homem, mesmo que não soubesse. Porém, o mais novo foi frio o bastante para ignorar isso.
- Feliz. – Apenas disse. – Pegue, Joon.
Joon segurou a pelúcia com um enorme sorriso, levando-a para o sofá e colocando-a por ali. Onew caminhou até a sala, olhando ao redor para ver se tinha algo bagunçado, ou seja, “rastros de foda”.
Joon pareceu incomodado com alguma coisa e levou Jinki até o sofá, fazendo com que o mesmo sentasse ali.
- Só um minuto, amor! Vou ir ao quarto, é rápido. Espere aqui, ok?
“Ótimo. Vai limpar o resto de foda que tem ali.” Onew pensou, sentindo vontade de sair dali no mesmo instante.
Joon voltou, havia até trocado de roupa e colocado bastante perfume. Sentou-se ao lado de Jinki, selando os lábios dele com os próprios e passando a mão no seu rosto, acariciando-o.
- Eu realmente amo você, Lee Jinki! – Ele sorriu, selando mais uma vez. – Não pode me abandonar, certo?
Onew apenas assentiu com a cabeça, entrelaçando os dedos entre os fios de cabelo do mais velho e puxando-o para si, tomando os lábios dele e sentindo aquele gosto que por mais que estivesse odiando no momento, era o predileto dele.
- Joon... Por que eu ainda estou com você? – Perguntou a si. – Por quê? Eu não encontro uma resposta... Eu não encontro uma resposta em ninguém. São todos vazios e promíscuos... São todos como eu. E eu não quero ser assim.
Acordou ao lado de Joon, na cama que eles sempre dormiam juntos. Onew ficou observando o rosto de Joon, que era angelical. Como ele poderia ser tão sujo? Como?
Onew se pegou olhando para ele com cara de nojo. Levantou-se da cama e foi ao banheiro. Banho rápido, colocou as suas roupas e procurou as chaves da porta. Pegou elas, destrancou e saiu, sem trancá-las de volta.
Key escutou alguém batendo consecutivamente em sua porta. Quem seria?
O loiro caminhou com certo desespero, procurando o molho de chaves e logo que o achou, abriu a porta. Era Jinki.
- Onew? – Perguntou assustado, enquanto esfregava os olhos. – O que você ‘tá fazendo aqui? Tá muito cedo... – Bocejou.
- Preciso de você, só isso. – Onew respondeu sério, observando o rosto do mais novo. – Você tem um tempo? Se não tiver, eu posso ir embora.
- Não não! Com certeza eu tenho, senta aí no sofá, eu só vou escovar os dentes e lavar esse meu rosto oleoso e já venho! – Puxou Onew para dentro e fechou a porta, subindo os degraus da escada com certa velocidade.
- E a partir daquele dia eu comecei a tratar o Key como um objeto sexual... Mesmo que ele não tivesse nada a ver com aquela merda de história toda. – Onew conversava com si mesmo a cada vez que as lembranças batiam à porta. – E ele mesmo sabendo que eu só estava ali para usá-lo, não ligava nenhum pouco... Afinal, que tipo de pessoa eu sou?
Fale com o autor