Next Door Lover
3 II - Tentativa Frustrada de Fuga
Notas iniciais
Eu o encarava fixamente, não acho que poderia desviar meu olhar mesmo se quisesse, mas o fato importante era que eu não queria. Quando eu teria oportunidade de vislumbrar o meu sonho de consumo outra vez?
Olhei nos seus olhos e senti minhas pernas amolecerem, tive que segurar na parede para não cair. Aqueles olhos!
Brilhantes. Maravilhosos. Olhos verdes.
Deveria ser proibido ser tão lindo assim, esse homem na minha frente era o reflexo de todos os personagens dos meus romances. Os cabelos pareciam ser macios e cerrei os punhos para evitar passar as mãos naquele emanhanrado de fios. As grossas pestanas que combinavam perfeitamente com seus olhos e possuía o mesmo tom do cabelo, o nariz fino e um pouco arrebitado na ponta. E os lábios! Ah! Eu poderia sonhar só com aquele pedaço de carne que a meu ver pareciam ser tão macios que dava vontade de morder. Me contentei em morder os meus próprios lábios e segurar a parede mais forte.
Senti uma pontada no coração e todo meu estoque de ar pareceu esvair dos meus pulmões. Ele ainda usava a cueca boxer preta e cheguei à conclusão que ele ficava mais bonito assim, mas quando esse homem não seria bonito? Ele poderia vestir um saco de batatas e eu ainda me jogaria aos seus pés. A tentação de descobrir o que aquele pedaço de pano escondia era grande de mais de forma que me forcei a voltar meus olhos para o seu rosto.
Ele não parecia muito feliz com a minha inspeção. Eu estava disposta a ficar só de roupas intimas para igualar nossas posições. Em prol da igualdade, claro.
— Apreciando a vista? —indagou e me senti derreter ao ouvir sua voz. Era um tom caloroso que aquecia cada parte do meu corpo, até as mais remotas.
Ele ficaria nervoso se eu respondesse que sim? Por que eu estava apreciando a vista e Deus! Como essa vista era boa, acho que é a melhor que eu já tive desde que fui a um show de strip-tease no bairro da luz vermelha.
— Eu posso entrar? — indagou novamente e balancei a cabeça freneticamente assinalando que sim.
Ele poderia entrar na minha vida também se quisesse. Dei espaço para ele passar enquanto pensava em outros lugares para ele entrar. Ele parou no meio da minha sala e fui cometida por uma sensação estranha, o corpo do meu vizinho com seus ombros largos e músculos parecia estranho no meio da minha pequena sala desarrumada.
Ele andou até a minha janela e puxou as cortinas para o lado. Parecia observar alguma coisa e se virou em um instante na minha direção. Engoli em seco e olhei para ele atentamente, ainda não acreditava que ele havia atravessado a rua desse jeito. Ele deve ter chamado muita atenção. Ele se virou novamente e olhou para janela.
— Você tem uma vista muito boa — afirmou de costas para mim.
— Você não imagina o quanto — falei enquanto encarava suas costas e sua bunda, que a meu ver parecia ser bem firme.
Eu ainda estava com a mochila pendurada em um dos ombros, a porta atrás de mim continuava aberta. Ele continuava de costas para mim e imaginei se eu seria rápida o suficiente para correr até as escadas e fugir. Eu não podia mais deixar ele me cegar pela sua beleza, eu tinha que fugir. Pelo modo que ele me encarou, eu sabia que não escaparia ilesa dos meus atrevimentos.
Dei alguns passos em direção à porta antes de correr em uma louca disparada em direção as escadas. Abri a porta com desespero e ouvi um grito atrás de mim quando cheguei ao primeiro degrau. Virei à cabeça enquanto descia a escada e vi o Sr. Músculos correndo em minha direção.
Soltei um grito abafado e me forcei a aumentar a velocidade. Estava quase chegando ao térreo quando senti uma pressão nas minhas costas e fui jogada na parede. Antes que eu tivesse chance de escapar novamente meu vizinho já estava na minha frente. Praguejei baixinho quando notei que estava encurralada.
— Tentando fugir kort spion¹? — Ele prensou mais ainda meu corpo contra a parede. Ficava difícil sentir raiva dele assim.
Eu continuei em silêncio. O apelido que ele acabou de proferir ecoando nos meus ouvidos. Pequena espiã. Me pareceu apropriado para ocasião em que nos encontrávamos. Olhei em seus olhos e me senti derreter contra a parede, tão rápido avistei o brilho em seus olhos verdes meu coração se derreteu em meu peito.
— O gato comeu sua língua, kort spion? — indagou com um leve tom de ironia em sua voz.
Eu tentei me forçar a falar algo, mas parecia que a minha voz tinha se perdido entre a corrida na escada e ele na minha frente. Balancei a cabeça várias vezes, de um lado para o outro, para ele notar que eu não era uma tonta.
— Você não vai a lugar algum, não é mesmo? — perguntou e balancei a cabeça novamente.
Ele se desgrudou de mim e parecia que meus pulmões lembraram como respirar. Me afastei um pouco dele e fechei meus olhos enquanto tentava trazer oxigênio para os meus pulmões. Se ele queria ter um conversa séria era preciso que eu estivesse presente de corpo e alma e não com os pensamentos viajando em certas partes do corpo dele.
— Agora que resolvemos que você não tem lugar nenhum para ir neste momento, por que não voltamos ao assunto que me trouxe aqui?
— Como descobriu qual era o meu apartamento? Aliás, como subiu até aqui? — indaguei enquanto apertava a alça da mochila com força. Se eu ficasse de costas poderíamos ter uma conversa decente.
— Aprendeu a falar? Isso é bom, se você está indignada com a minha invasão já deve imaginar como eu me sinto — esbravejou e podia sentir sua raiva mesmo não olhando para ele.
Eu estava indecisa entre pedir desculpas ou fugir novamente. Arrisquei um olhar para a porta que dava para recepção, mas ele estava na frente impedindo a minha escapada. Apertei mais forte ainda as alças e me obriguei a escolher a primeira opção.
— Me desculpe — murmurei entre dentes. Eu só queria ir embora e ter uma briga muito séria com a minha consciência por não ter aparecido quando comecei a espia-lo.
Minha consciência gritou avisando que ela tinha sim me avisado, mas eu nunca daria o braço a torcer.
— Pare pedir desculpas é necessário estar arrependida — falou enquanto botava a mão em meu ombro me forçando a ficar de frente para ele — Você não parece arrependida.
É porque eu não estou. Como eu poderia estar arrependida de espionar um Deus nórdico como você? Mordi meu lábio inferior para impedir que essa frase saísse.
— Olha, eu já pedi desculpas e prometo que não vou fazer novamente, tá legal? — admiti e senti meu coração apertar com a simples menção de nunca mais vê-lo — Só me deixe ir agora.
Ele me soltou e pareceu ponderar por alguns instantes. Eu achava que ele iria me deixar ir quando de repente ele segurou meu pulso, abriu a porta e começou a me arrastar para fora do prédio.
Minha primeira tentativa foi puxar minha mão de volta, mas ele era bastante forte e eu só consegui me machucar. Meu pensamento seguinte foi gritar, mas eu abandonei a ideia rapidamente. Eu não estava desesperada para sair de perto do Sr. Músculos e a vista que eu estava tendo de suas costas e sua bunda era bem-vinda.
Estávamos atravessando a rua em direção ao prédio dele e pelo canto dos olhos eu podia ver as pessoas que passavam em choque por nossas roupas, ou pelo corpo do meu vizinho. Ele de cueca boxer preta provavelmente estava chamando mais atenção do que eu. Afinal, eu ainda tinha a minha grande blusa branca que ia até meus joelhos para me cobrir.
O ar estava frio e eu podia prever que a tendência era só piorar daqui para frente. O inverno marcou sua presença e agora eu era obrigada a sair vestindo todo o meu guarda-roupa. Minha secretária costuma dizer que eu fico escondida no meio de tanta roupa, mas era necessário se eu quisesse não morrer de frio.
Frio era o que estava sentindo neste momento enquanto chegávamos à entrada do prédio. Eu estava inutilmente tentando me aquecer mantendo minhas pernas e meus braços juntos ao meu corpo, mas só consegui ser bem-sucedida quando passamos pela recepção e entramos no elevador.
Me apoiei na parede e fui descendo devagar até o chão. Passei os braços pelos meus joelhos e fiquei encolhida no canto esperando chegarmos ao andar dele. O elevador apitou e as portas se abriram, ele saiu primeiro e eu me forcei a levantar para segui-lo. Paramos em frente ao apartamento que não possuía números. Olhei para as outras portas e todas elas eram identificadas pelo número pregado em cima delas. Pergunta-me o porquê dele deixar a porta vazia.
— Graças a Deus! — exclamei quando o calor do apartamento me atingiu.
Corri para o sofá dele e me misturei com as almofadas. Enfim aquecida! Ouvi o baque da porta se fechando e me virei a tempo de vê-lo passar pelo corredor e entrar no que eu supus ser o seu quarto.
Ele voltou poucos minutos depois vestido e com um cobertor nas mãos. Ele jogou o tecido em cima de mim e foi em direção à cozinha. Me apeguei ao grande pedaço de pano e me envolvi nele o máximo que eu podia. Eu estava tão quentinha.
Quando ele voltou trazia nas mãos uma xícara e eu murmurei um rápido obrigado quando percebi que era chá. Usei a xícara para aquecer minhas mãos e fui bebendo o líquido bem devagar. Ele esperou pacientemente até eu acabar.
— Antes de conversamos, gostaria de me apresentar formalmente — ele esticou a mão na minha direção — Brandon Tholen.
— Alicia Benthem — estendi a minha mão para segurar a dele em um aperto.
Sua mão cobriu a minha e eu me senti nas nuvens. Era grande e aqueceu as partes da minha mão que ainda estavam frias.
— Me desculpe por antes — murmurou e eu levantei a cabeça para que nossos olhares se encontrassem — Por ter te arrastado assim pela rua.
Acho que foi nesse momento que eu comecei a me apaixonar por ele. Foi nesse momento que ele parou de ser o Sr. Músculos e passou a ser Brandon Tholen. Um cara real e não uma fantasia da minha cabeça.
— Acho que você tinha direito depois de tudo — falei tentando soar engraçada. Não deu certo.
Ele pareceu ficar sem graça ao relembrar o motivo de minha presença em sua casa. Observei ele engolir em seco antes de pigarrear algumas vezes.
— Indo direto ao ponto: Por que você estava me espiando? — Ele poderia ser um pouquinho menos direto. Assim eu teria chances de pensar em um desculpa plausível.
Como eu responderia essa questão sem me entregar? Ele se sentiria ofendido se eu dissesse a verdade?
Eu tinha percebido uma coisa nesses poucos minutos de convivência. Eu precisava de um cara à minha altura, alguém que me merecesse. E este homem sentado na minha frente era o principal candidato ao posto e eu iria fazer de tudo para conquista-lo.
Senhor me ajude! Eu quero conquistar meu vizinho gostoso.
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