Nexo
1 Mergulho ao Fim do Mundo
Dirigi a noite inteira. Incansavelmente. Queria te ver. Passei por cidades, estados, países; tudo para diminuir a distância entre nós, ou estaria eu apenas aumentando-a?
Saí do conforto de minha casa, levantei a bunda do sofá, apenas para te ver, te tocar! Saber que existes.
Ideia há tempos atrofiada em minha mente, nunca realizada por minha falta de iniciativa e excesso de preguiça.
Mentira.
A insegurança pesava como chumbo sobre meus ombros.
Em minhas andanças conheci diferentes mundos – almocei em Marte, enchi o tanque em Netuno e me deitei na pele morna do Sol a apreciar as estrelas –, diferentes pessoas – chame-os de ETs se quiser –, diferentes locais – oh, imagine você a imensidão da beleza de Urano! –, diferentes vidas.
Falei com mendigos, argumentei com advogados e indaguei pedestres. Discuti com deuses egípcios, gregos e romanos; com o deus dos católicos também, em todas as suas faces. Ou será que minha mente me pregava peças? Deus nenhum existia onde os procurei, e essa havia sido uma longa busca.
Comi no “Cachorrão do Tampa” e em hotéis “luxuosos”, que de luxuosos só possuíam a aparência, aliás.
Fiz de tudo.
De nada.
Nadei em rios e escalei montanhas, noite e dia, quer fosse chuva, quer sol.
Ah, como eu queria conhecer tua existência, prová-la. E, bom, minha jornada se revela infinita.
Você acreditaria se eu lhe contasse que lutei contra monstros? Espere, antes de questionar minha sanidade, responda-me: qual a sua definição de monstro? Não que ela me importe, não há nem a necessidade de responder minha pergunta. Lutei contra o que você pensou quando mencionei a palavra monstros, seja lá o que tenha sido. Ah, sim, contra o nada também.
Tateei com os olhos, enxerguei através de minha pele, ouvi por meu nariz, degustei via minhas orelhas e cheirei pela minha boca. Também experimentei, ou me desnorteei com, a privação de todos esses sentidos, um por um, dois por vez.
Pois por ti — ou por mim mesmo? — fiz de tudo. O inimaginável. E não me encontrei — te encontrei? — mas um dia, quem sabe, hei de fazê-lo.
Notas finais
Primeira estória que publico. Uma das primeiras que comecei e terminei, e nem sentido ela faz.
Minha falta de habilidades para criar uma sinopse interessante é notável. Aliás, ela nem mesmo tem uma ligação com o texto em si, tem?
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