Newdreams

5 Embarquem, esperanças!


Os garotos não tinham certeza se poderiam mesmo sentar-se naqueles tronos. Pareciam bem confortáveis e emitiam em suas aparências as pesadas responsabilidades que carregavam. Os outros três, incluindo o rei, aguardavam que eles sentassem primeiro e todos pareciam entender que aquilo não era algo simples a ser feito – não é fácil deixar de ser um mero estudante do nono ano do ensino fundamental e de repente se tornar rei de um reino que sofria uma grave crise. Isso é loucura demais, pensou Yuri. Eu não sou ninguém e já vou ser considerado como rei? Questionou-se Alex.

–Seus corações cheios de dúvidas é o primeiro obstáculo a ser vencido. – disse o rei, com sua voz rouca, porém firme – Um rei precisa ter certeza sobre o seu principal objetivo ou os súditos não terão em quem confiar. São bem jovens e de longe nota-se que não estão preparados para isso, mas não significa que será assim no futuro.

–Escuta, tio...

–Descendente de Ares! – repreendeu Elizabeth, indignada, mas o garoto ignorou em seu estado parcialmente absorto e continuou.

–Você disse que seremos treinados. E também tem toda essa história da Lilith ter derrotado metade dos reis. Alex e eu, nós não temos a menor noção de como as coisas funcionam aqui. Acha que teremos tempo para treinar?

Alex olhou o amigo e depois o rei. Parecia ter exatamente a mesma dúvida.

–Vocês terão o tempo necessário.

–Mas e se a Lilith vier aqui e...

–E tentar me matar? – cortou o rei, sua voz tomando um tom autoritário – Não me subestime, garoto! Os outros reis eram formidáveis, mas vocês estão diante do mais velho rei que sentou-se em um desses tronos desde os próprios reis criadores desta capital. Lilith precisa de mais cem anos se quiser me matar, até ela sabe disso! – seus olhos continuavam penetrantes, porém enquanto falava dessa maneira, sua boca aparecia entre a barba e o bigode, algo que não havia acontecido desde que chegaram naquela sala, constatou Alex.

–Então você deve ser formidável. Por que precisa de nós, afinal? – questionou Yuri.

–Não é óbvio, cara? – interrompeu Alex, olhando o amigo como se estranhasse que ele não tivesse percebido algo que estava tão nítido – Com todo o meu respeito, senhor Richard – dessa vez colocou-se a olhar o rei – Mas precisa de nós porque deve haver uma próxima geração de reis, não é? Quero dizer, o senhor não poderá reinar por mais cem ou... Qual a expectativa de vida aqui mesmo?

–Duzentos anos. – respondeu Alastor, observando com curiosidade o raciocínio de Alex.

–Pois bem. É necessário... Espera aí! Duzentos? – surpreendeu-se o garoto.

–Tá brincando, né? – dessa vez Yuri – Quer dizer que nós podemos viver tudo isso? Cara, imagina quantas coisas legais faríamos...

–Segura a onda. Estamos indo pra guerra, esqueceu? – quando Alex disse isso, Yuri murchou completamente.

–É mesmo. Não tinha levado isso em consideração.

–Bom, voltando ao assunto. O senhor não poderá reinar nessa próxima geração inteira e mesmo se pudesse, em algum momento vai morrer. Não há mais ninguém para governar além do senhor. E é necessário que ao menos um rei esteja presente na liderança do reino ou acabariam com problemas que afundariam até mesmo a Capital.

–Exatamente. – disse Richard, tamborilando calmamente os dedos de ambas as mãos em ambos os braços do trono – Enquanto eu estiver presente, posso garantir a segurança do reino dos doze reis, incluindo esta Capital. Então preocupem-se quanto aos seus próprios preparos. Dito isso, acho que já podem se sentar em seus tronos. A menos que tenham mais dúvidas sobre o que realmente querem.

Os garotos se entreolharam e assentiram as cabeças. Yuri sentiu uma curiosidade imensa em saber se o seu trono, onde em cima da estátua havia o escrito “Ares”, era tão confortável quanto parecia. Já Alex, por outro lado, estava mais interessado em saber qual era a sensação de sentir sobre os ombros a responsabilidade de ser rei, algo que só poderia constatar assim que se sentasse no seu trono, onde acima da estátua havia o escrito “Hermes”. Elizabeth os olhava com interesse, apesar de seus dedos deslizando pelas palmas das mãos demonstrarem que ela estava bem ansiosa para sentar no trono, onde acima da estátua havia o escrito “Atena”. Alastor deslizou o dedo indicador sobre o nariz e acertou seus óculos quadrados, deixando na face um sorriso que demonstrava ansiedade e satisfação.

Aquele que deu o primeiro passo foi Yuri e no segundo seguinte o amigo fez o mesmo, cada qual indo em direção aos seus tronos que ficavam em lados opostos da sala. Alex passou a mão pelo acolchoado branco do seu trono e depois se acomodou, olhando para frente e vendo do outro lado um Yuri já sentado e com a incrível necessidade de ficar dando pulinhos sobre o próprio acolchoado. Só então Elizabeth cruzou a sala e sentou-se quase que ao lado do rei Richard, onde somente um trono os separava e este era o trono da rainha Afrodite.

–Excelente! – bradou Alastor, entrelaçando os dedos das mãos e deixando-as encostadas na barriga – Maravilhoso, eu diria. O rei de Hefesto, a rainha de Atena, o rei de Hermes e o rei de Ares. Quatro reis que agora alimentam a esperança da nossa Capital e de todo o reino dos doze grandes. Agora, se me permitem, vou checar a hora da próxima partida do trem. – após uma respeitosíssima reverência, se retirou da sala pelo mesmo caminho o qual havia chegado com os então novos reis.

–Trem? – questionou Yuri ao rei Richard – Que trem?

–Não se preocupe com isso, garoto. – retrucou – Agora, vocês precisam entender algumas coisas antes que possam partir. A primeira delas é sobre o atual inimigo do nosso reino. Como já sabem, Lilith vem causando muitos problemas em sua sede por vingança. – gesticulou com a mão para que um apressado Yuri ficasse quieto e ouvisse o restante – Ela também é descendente de um dos grandes. Para ser mais direto, ela é descendente de um dos três lordes lendários. Lilith, a descendente de Hades.

–Então os outros dois lordes lendários são Zeus e Poseidon? – questionou Alex e o amigo sorriu maliciosamente, esperando por uma bronca do velho por ter falado antes da hora.

–Exato. – respondeu naturalmente o rei e Yuri indignou-se de imediato.

–Ei! Por que ele pode falar e eu não?

–Porque você fala muito, garoto. – retrucou com a mais absoluta naturalidade.

Yuri fez um bico cômico que permaneceu nos próximos dois minutos de conversa e Elizabeth levou os dedos até a boca para conter seu riso que insistia em escapulir.

–Lilith, sendo a descendente do lorde lendário Hades, queria que um trono fosse criado nesta sala para ela, a única capacitada a assumi-lo. Porém, como conta as histórias, sustentadas por registros verídicos, na criação do reino, Hades recusou-se a participar porque, segundo ele, poderia ter o seu próprio reino sozinho. Lilith não conseguiu o décimo terceiro trono através de diálogos e foi aí que aconteceu a primeira grande perda. Faz dez anos, quando ela ergueu o seu poder contra a rainha de Atena. – o rei olhou imediatamente para Elizabeth, que por sua vez tinha o olhar perdido e consideravelmente triste. Ele pareceu hesitar por um segundo, mas sentiu que a necessidade de dizer aquilo era maior do que a consideração que tinha para com os sentimentos dela – Sophia de Atena é a irmã que foi tirada de Elizabeth. Isso porque era absolutamente contra os planos de ação que Lilith apresentava como base em sua proposta pelo décimo terceiro trono. Após isso, a descendente de Hades escapou da Capital e tal como Hades, procurou criar o seu próprio reino, que hoje conta com um exército formidável e algumas alianças incrivelmente poderosas com outros inimigos nossos de tempos antes do ocorrido.

Os garotos ouviam tudo com muita atenção e aquela história foi capaz de prender bastante a atenção de Yuri. Alex, quando não olhava o rei, olhava para Elizabeth que continuava abatida, suas mãos repousadas no colo, esfregando-se uma na outra e os cabelos brancos não tão comportados como sempre. O sol estava bem no centro da cúpula, era meio-dia, mesmo assim a temperatura naquele local não foi de maneira alguma afetada.

–Tio! – chamou Yuri, assim que acabou de olhar para Elizabeth e não demorou nem dois segundos para entender aquilo – O que vamos fazer? Não sabe a vontade que me deu de chutar o traseiro dessa mulher.

Yuri tinha uma irmã e foi muito fácil entender o que Elizabeth estava sentindo. Bastou, por segundos, imaginar-se no lugar dela e todo o seu corpo estremeceu completamente, sem falar na angústia e no desespero que essa hipótese lhe causou. O rei olhou nos olhos do garoto, suas pálpebras já tão baixas, descendo levemente, até que seus olhos se fecharam e só foi possível saber que estava rindo porque esse riso era sonoro, pois a barba não colaborava muito e o bigode, tampouco.

–Essa sua determinação é poderosa, garoto. Se parece mais com o seu pai do que imagina. – Yuri ficou em dúvida se sentia desgosto ou orgulho em ouvir aquilo, mas suas bochechas ganharam um tom rosado – Pois bem! Vocês partirão no próximo trem que sairá... Por falar nisso, onde está Alastor? Enfim, vocês viajarão para a terra dos elfos, a cidade de Raymoon. Terão todo o preparo por lá e é exatamente onde se encontra uma das tropas do nosso exército. Estando lá, saberão o caminho a ser seguido, afinal, Elizabeth estará presente e acreditem quando digo que esta é uma excelente estrategista.

A mulher ergueu a cabeça e sorriu graciosamente ao rei, sentindo aquela sensação incômoda se esvair quase que por completo com tamanha confiança. Em seguida, Alastor retornou a sala e tendo nas mãos um pergaminho desenrolado, o leu em voz alta:

–Sete horas. Na estação principal da capital. – então enrolou o pergaminho e suas lentes quadradas passaram na direção dos três novos reis – Precisam arrumar suas coisas. Inclusive deixar essas roupas aqui no castelo e levarem outras convosco.

–Deixar minha camisa do Iron Maiden? – exaltou-se Yuri, sentindo-se incrivelmente ameaçado.

–Iron Maiden? O que é Iron Maiden? – perguntou um Alastor confuso; Elizabeth sorria com a cena, ainda estava um pouco vulnerável e Alex percebeu isso com um outro discreto olhar.

–Tá brincando? Iron Maiden é uma banda sensacional de heavy metal.

–Heavy o que?

–Metal. Sabe? Música. Conhece música, né?

–Ah, sim. Sou apaixonado por música.

–Então, depois eu te mostro umas músicas legais deles. Vai gostar, tenho certeza!

–Muito bem! – interrompeu o rei sem a menor preocupação – Vocês devem se preparar o mais breve possível, assim não o farão às pressas e não se esquecerão de nada.

Os três novos reis levantaram-se de seus tronos e dois deles foram em direção a Alastor, porém um se aproximou do rei, que por sua vez o olhou e gesticulou com a mão para que se levantasse da sua reverência, este era Alex, que assim o fez e respirou fundo antes de falar alguma coisa.

–Nós vamos dar a volta por cima. E a capital voltará a dar um sorriso sincero e a comemorar.

–Tenho certeza de que vocês são a nova geração que esse reino precisa. Agora, vá.

Alex assentiu com a cabeça e seguiu na direção dos outros que estavam aguardando. Yuri deu um tapinha no ombro dele, com um sorriso bem debochado.

–Menino lindo. Me deixou orgulhoso.

–Não enche! – retrucou Alex, com uma cara feia que fez Yuri rir o resto do caminho.

**

Os quartos de cada um dos novos reis ficavam no mesmo corredor. Nas paredes de pedra, haviam apenas os nomes de cada dono de cada quarto, tal como era na sala dos tronos. Porém, os interiores desses quartos eram bem diferentes, pois as rochas bem montadas estavam ocultas por papéis de parede e o piso era de madeira, extremamente bem conservado. As camas eram confortáveis – Yuri tratou a sua como um pula-pula –, haviam tapetes no chão que estranhamente mudavam de cor conforme a vontade do dono do quarto – Alex tratou os seus como brinquedos – e especialmente no quarto da rainha de Atena, haviam livros dos mais variados tipos, muitos raros – Elizabeth sentiu-se no céu. Alastor havia os instruído sobre tudo e quando o relógio marcou exatas seis horas, todos foram chamados de volta ao salão para jantarem antes de partir.

**

Quando Yuri encontrou-se com Alex, viu que este usava um quimono exatamente igual ao seu, que por sinal eram iguais ao que o rei Richard trajava. Mas as faixas em suas cinturas eram diferentes, sendo a de Alex amarela e a de Yuri, laranja.

–Cara, essa roupa é muito confortável. Sente só o ventinho... – Alex o viu segurar na parte abaixo da cintura do quimono e sacudir na intenção de abanar, acabando por rir dessa cena.

–Ninguém merece você, Yuri.

–Se rirem de mim, juro que serão reis mortos antes mesmo de irmos. – advertiu uma Elizabeth constrangida que adentrava o salão com o seu quimono preto e sua faixa azul celeste perfeitamente amarrada na cintura. Sem falar que seus cabelos brancos estavam soltos e tocavam um pouco abaixo dos seus ombros.

–Gata, você acertou em cheio o meu coração. – disse Yuri a ela, levando a mão direita ao próprio peito esquerdo – É uma mentirosa, mas eu entendo. Seria constrangedor se dissesse que é descendente de Afrodite e alguém pensasse que me seduziu por causa disso. Mas tudo bem, foi a sua beleza que me atraiu. Não pôde resistir a esse corpo gostoso – passou as mãos pelo próprio corpo, enquanto Elizabeth o encarava com a sobrancelha arqueada, mão na cintura e Alex inflava as bochechas, segurando o riso – E lançou em mim todo o seu charme. Fomos feitos um para o outro, sabia? – por fim deu-lhe uma piscadela e a mulher revirou os olhos, puxando uma cadeira à mesa.

–Cara, fala sério. Você é o paquerador mais barato que já vi na vida. – comentou Alex, que também se sentava à mesa.

–Ah é? – dessa vez Yuri, que estava faminto – Então faz melhor.

Alex largou o garfo e a faca, depois deixou a cadeira e se ajoelhou perante Elizabeth, que o olhou assustada. Não satisfeito, levou a mão direita ao peito esquerdo, como se fosse um Don Juan e olhou nos olhos dela com uma expressão séria e determinada, para a diversão do amigo que assistia a tudo enquanto começava a comer devagar.

–Elizabeth, oh, Elizabeth! Meu coração por ti bate com mais intensidade do que as idiotices do Yuri – o amigo cerrou o olhar, percebendo que seria zombado – Me dê uma oportunidade de provar o meu amor, oh, Elizabeth, assim como o mundo permitiu que fosse dado o dom da fala para alguém que não sabe controla-lo muito bem – sua mão livre estendeu-se na direção do amigo indignado e a mulher começou a rir da cena.

–Você é um amor. – Yuri a imitou em seguida – Mas não perca tempo ou nos atrasaremos para ir à estação.

**

O céu já estava escurecendo e as várias nuvens negras se reunindo davam indícios de que estava por vir uma noite intensamente chuvosa. As pessoas recolhiam suas barracas e retornavam às suas casas, fechando as janelas e muitos, as portas. Poucos, se comparado a quando chegaram, eram os que circulavam pelas ruas de pedra enquanto seguiam para a estação e conforme marcava o relógio de bolso do conselheiro – o mais belo que os garotos já tinham visto, feito de ouro e com ponteiros que certamente eram de diamante – faltavam vinte minutos para as sete da noite.

–O trem partirá em breve. Espero que consigam se manter somente com essas bagagens. – disse Alastor, dando uma conferida nas malas – cada um com uma – que Alex e Yuri carregavam; ambos haviam dispensado a ajuda dos soldados para essa tarefa.

–Tudo bem, conselheiro. Essas malas possuem o brasão do viajante. – explicou Elizabeth.

Mais cedo, enquanto arrumavam suas coisas, ela havia passado em ambos os quartos para colar embaixo das malas um pedaço de pergaminho de coloração roxa com alguns escritos em uma língua que nenhum dos dois conseguiu decifrar. Depois explicou que suas malas teriam dez vezes o espaço que já tinham e que o peso, mesmo que fosse muito elevado, se ajustaria magicamente para ficar em dez por cento do total; estavam leves naquele momento.

Quando chegaram à estação, que se parecia muito com as dos filmes antigos que Alex assistiu na televisão, dois soldados fecharam a passagem com um cruzado de lanças e Alastor ficou diante dos três, enquanto aguardavam o trem, para lhes falar algumas palavras com aquele seu tranquilizador sorriso labial.

–A cidade de Raymoon é inteiramente constituída por elfos, exceto por alguns integrantes da tropa que estarão por lá. Elfos são criaturas extremamente belas e intrigantes, além de serem extremamente gentis e astutos. Sentir-se-ão muito bem quando chegarem lá, como uma recompensa pela viagem que terão.

Os garotos se entreolharam e, juntos, cerraram o olhar para o conselheiro que devolveu com um leve tom de surpresa, enquanto Elizabeth sorria levemente.

–Que papo é esse de “recompensa pela viagem que terão”, tiozinho?

–Entenderá quando estiver viajando, vossa majestade Yuri.

–Ah, sem essa! Pode dizer o que é porque agora eu fiquei curioso.

–Eu também fiquei. – concordou Alex e Alastor deu um leve suspiro.

–Vocês embarcarão no popularmente conhecido como trem imparável. Os trilhos desse trem cruzam lugares inusitados, como o mar, o subsolo, arredores de vulcões... E vocês conhecerão um pouco sobre os lugares e a vida de Newdreams nessa viagem. O trem só para quando chega ao seu destino e quase sempre é atacado por alguma criatura feroz ou algo dessa natureza, no entanto, ficarão felizes em saber que magos utilizam muito esse meio. Magos poderosos, por sinal, que sempre garantem a segurança de todos os passageiros em troca de poderem viajar gratuitamente. E como vocês são os reis e estão na estação da Capital, também não pagarão nada. Oh, aí vem o trem...

O barulho da locomotiva a vapor ficava cada vez mais audível e a fumaça que subia já deixava claro sua posição para todos na plataforma de embarque. Yuri pareceu o mais fascinado ao ver a locomotiva, agora passando por eles bem devagar. Era preta, com detalhes em vermelho, seus vagões que lembravam muito o tapete do corredor do castelo, vermelhos com detalhes em dourado nas extremidades e janelas, em sua maioria, repleta de passageiros dos mais variados tipos. Alex sentiu uma sensação estranha ao olhar para uma pessoa pequenina, com um gorro verde na cabeça, que estava conversando tranquilamente com um homem barbudo – mas não tão barbudo quando o rei, pensou – e que usava uma túnica roxa, sem falar nos minúsculos óculos.

–Conselheiro, aquilo é um anão? – questionou Alex, indicando com a cabeça e recolhendo sua mala.

–Um gnomo. São criaturas adoráveis, porém extremamente rápidas, razão pela qual muitos se tornaram mercenários. Também são bem ambiciosos. Agora, vão! Desejo-lhes o melhor, vossas majestades. Que a esperança brilhe nos corações de todos e a determinação jamais lhes falte.

–Tchau, tiozinho. – despediu-se Yuri, mostrando um “dois” com a mão.

–Até mais ver, conselheiro. – despediu-se Elizabeth, acenando.

–Fiquem todos bem! Obrigado, Alastor. – disse Alex que embarcou por último no trem, sorrindo para o homem na plataforma que acenava em despedida, sorrindo e fitando-os atrás dos seus óculos quadrados.