New Years Day
3 Magnificent.
31 de Dezembro de 2004
Ano Novo, em Nova York pela primeira vez em cinco anos.
Desde a virada de 2000, eu não via nenhum dos meus amigos da Califórnia. Exceto Alice, pois ela já era até uma filha a distância para minha mãe, e Emmett. Depois de comemorar o ano novo na Disney, em Paris e em Londres, finalmente ficaria perto de casa. E, pela primeira vez, em quatro anos, eu veria Edward novamente.
Em quatro anos, liguei uma vez para ele, em seu aniversário. Falei com ele uma vez pelo MSN, pois ele estava na casa da Alice, e ela havia esquecido a minha janela aberta. Mas, depois de algum tempo, perdi o contato com ele, sem saber ao certo por quê.
Em quatro anos, não beijei nenhum outro garoto.
Mas, e ele? Aposto que ele beijou alguma garota, e Alice não me contou para não me magoar. Alice sempre me contava sobre ele. O que ele fazia de bom, ou se ele fazia coisas erradas. Como ele estava na escola, nos treinos de natação. Ela me contou quando ele começou a jogar basquete e futebol americano também. E também me mandou fotos. Indiretamente. Afinal, ela dizia: “olha essa foto minha e do Edward”, e ela estava sempre igual nas fotos. Mas ele não. Estava mais alto, e parecia estar mais forte também.
Eu estava sentindo um frio na barriga. Não parava de me olhar no espelho, procurando algum erro para consertar na minha roupa. Mas não tinha nada de errado no meu vestido azul marinho. Sim, talvez, o decote fosse demais... Mas eu não tinha nenhum outro apelo além daquele. De acordo com minha mãe, em 2005 eu viraria uma mulher completa. Pois com ela, só com dezessete anos isso havia acontecido. Eu precisava que Edward me notasse nessa noite.
Passei uma maquiagem leve, e soltei meu cabelo, quando ouvi meu pai gritar:
- Bells! Adivinha quem chegou?
Desci rapidamente as escadas, tomando cuidado para não cair com aquele salto alto que havia comprado uma semana antes, apenas para ficar alta perto de Edward.
- ALICE BRANDON! – Gritei animada para a pequena garota de cabelos espetados que se encontrava na minha sala.
- ISABELLA MARIE SWAN! – Ela gritou animada também.
Como sempre, nos abraçamos por cerca de um minuto e meio. Ela estava linda, com um vestido verde que realçava seus olhos. Então, vi Jasper se aproximando e o abracei forte também.
- Você não sabe a novidade... – Alice começou sorrindo.
- Qual? Qual?! – Perguntei curiosa.
Alice segurou a mão de Jasper, e levantou as mãos dadas para mim. Jasper beijou sua bochecha, e sorriu logo em seguida.
- Por que você não me contou?! – Perguntei fingindo estar brava.
- Por que faz um mês que estou tentando guardar isso de você! Queria que visse com seus próprios olhos, Bellinha! – Ela disse animada. – Você me perdoa?
- Sim, boba.
Cumprimentei os pais de Jasper, e Rosalie. Ela estava maravilhosa, como sempre. Usava um vestido vermelho escarlate, e todas suas jóias eram douradas. Sentamos todos na sala, e cerca de meia hora depois, ouvi a campainha tocar, e fui atender junto com Alice.
- Emmett! – Disse alegre, abraçando aquele urso!
Emmett estava muito, muito mais alto. E também estava muito mais forte. Ele parecia mais maduro, de algum jeito. Em 2002, ele veio com Carlisle para Nova York. Edward tinha uma competição de basquete, e não pode vir. Emmett foi comigo até o Marco Zero* em um dos dias, falando o tempo todo: “Ainda bem que o Edward não veio para cá quando surgiu a oportunidade”.
De acordo com Emmett e Alice, a classe de Edward e Jasper viria para Nova York na semana do dia 11 de setembro, para visitar vários pontos turísticos, inclusive as Torres Gêmeas. No final, ninguém da escola dele veio, pois uma virose se espalhou em Newport Beach na mesma época.
- Esme, Carlisle. – Abracei os dois rapidamente. Estava ansiosa pelo próximo convidado.
- Como você está Isabella? – Carlisle perguntou, mas ao ver o meu franzido na testa, completou: — Ou melhor, Bella?
- Muito bem, Carlisle! – Respondi com um sorriso.
Esme me deu um beijo dizendo que eu estava linda, e quando ela passou por mim junto com Carlisle, Edward apareceu dizendo:
- Ela fez o mesmo comigo antes de sairmos do hotel.
Eu não estava preparada para vê-lo daquele jeito. Senti minhas pernas tremerem um pouco. Ele estava lindo. Com uma calça social, e sapatos pretos engraxados. A camisa social azul e lisa, com todos os botões abotoados e um lindo terno preto de inverno acompanhando. Seu cabelo estava diferente, e completamente bagunçado. E seus olhos eram os mesmos daquele primeiro de janeiro de 2001. Eu podia ver como seus braços estavam mais fortes, e suas pernas também. Rapidamente tentei disfarçar a minha vistoria, perguntando:
- Como você está?
- Bem. – Ele disse sorrindo torto, e passou por mim e indo até os outros, na sala.
Fiquei com Rose boa parte da noite, pois ambas não queríamos ficar de vela com Alice e Jasper. Durante o jantar, Emmett se sentou ao meu lado, e Rose do outro. Edward sentou na frente de Emmett, e não tirou os olhos de mim. Ou pelo menos, esse foi o comentário de Emmett.
Perto da meia noite, avisei Rose que iria ao banheiro, mas a porta estava trancada. Esperei do lado de fora, batendo um pouco o pé. Assim que a porta se abriu, falei rindo:
- Finalmente!
Então, vi quem era. Edward. Ele estava um pouco sério. Quando fui entrar no banheiro, ele foi para direita, e eu para minha esquerda. Sorri um pouco constrangida, e fui para o outro lado, e ele também. Então, tentamos passar juntos, ficando um de frente para o outro... Muita proximidade, Bella. Você não pode ficar assim tão próxima...
- Bella... – Edward começou.
- Hm...
- Seu vestido. – Ele disse sem jeito.
Olhei para meu vestido, e vi que uma das alças estava caindo. Na verdade, faltava pouco para eu mostrar o que não devia. Ajeitei envergonhada, sentindo minhas bochechas arderem.
- Você fica tão bonita assim. – Ele comentou, passando os dedos pela minha bochecha.
- Ah... Obriga...
Fui interrompida pelo beijo de Edward. E percebi que os quatro anos sem beijar me deixaram sem saber o que fazer. Ele me puxou para dentro do banheiro, fechando a porta e trancando-a. Ainda sem quebrar o beijo, me prensou na porta devagar, me segurando pela cintura. Senti sua língua pedindo passagem, e entreabri devagar minha boca. Minhas mãos foram para seu cabelo, puxando-o para mim. Sua boca era deliciosa, deliciosa. E eu não consegui me afastar dela, até o ar me faltar. Então, Edward encostou sua cabeça na minha, sussurrando:
- Por que você não me escreveu de volta?
- De volta? – Perguntei confusa.
- Onze de setembro, Bella. – Ele disse batendo a mão na porta, e me encarando com seus olhos verdes.
- Do que você está falando?
- Eu... Deixa pra lá. – Ele resmungou destrancando a porta, e saindo do banheiro.
Aturdida, saí do banheiro minutos depois, procurando por Edward. Encontrei-o bebendo uísque com o resto dos homens, e fiquei sem jeito de me aproximar. Ele me viu, e virou mais um copo. Procurei por Alice, mas ela estava discutindo com Emmett. Jasper se aproximou lentamente de mim, e perguntou:
- Você está bem?
- Estou sim, por quê? – Respondi preocupada.
- Não parece.
- Você sabe alguma coisa sobre uma carta do Edward para mim? – Perguntei nervosa.
- Emmett deve saber. – Ele respondeu apontando para Emmett.
Fui até ele, fazendo Alice parar de discutir ao ver meu estado de estresse.
- Você sabe alguma coisa sobre uma carta do Edward? – Perguntei brava.
- Ei, ei. Calma! – Ele disse levantando as mãos pra mim. – Ele te mandou uma carta depois do onze de setembro, e isso é tudo o que eu sei. Ele uma vez me perguntou quanto tempo demoraria para carta chegar, e você respondê-la. Perto do Natal daquele ano, ele desistiu de esperar e virou o taciturno que é hoje em dia.
- O quê? Eu nunca recebi nenhuma carta! – Disse completamente confusa.
Pisando forte, fui até minha mãe, e a puxei para um canto, perguntando:
- Você sabe alguma coisa sobre uma carta do Edward?
- O quê?
- Carta, Edward, pra mim?
- Não faço idéia do que você está dizendo. – Ela disse confusa.
Não fui perguntar para meu pai, afinal, ele nem sabia o que era pegar as cartas na portaria do prédio. Eu sempre fazia isso, ou minha mãe também. Estava andando até Edward, quando os fogos começaram. É claro que todos correram para a enorme sacada de casa, para verem os fogos do outro lado do Central Park. Os cumprimentos começaram, e quando finalmente me livrei de todos, procurei por Edward novamente. Não estava na sacada, mas vi a luz da biblioteca acesa. Encontrei-o bêbado andando de um lado para o outro lá. Fui até ele batendo os pés, resmungando:
- Eu não recebi nenhuma carta! Não faço idéia de qual carta você está falando!
- Mas eu mandei! – Ele replicou nervoso.
- E ela nunca chegou! — Eu disse batendo na mesa. – Eu nunca recebi nada seu.**
Edward passou as mãos pelo cabelo, completamente irado. Então se virou para mim, e segurou meu braço com mais força que o necessário.
- Edward, respira. — Pedi delicadamente.
- Sabe o que tinha na carta? – Ele perguntou, e eu fiz um sinal negativo com a cabeça. – Escrevi tudo o que eu senti ao saber do onze de setembro. Medo, preocupação, e por fim alívio. Quando a notícia saiu, eu só conseguia pensar em você. Onde ela está? Ela estava perto? Ela viu acontecer? – Ele disse abaixando a voz e soltando meu braço aos poucos. – Então, Carlisle falou com Charlie, e eu enfim soube que você estava bem. E aquilo foi um alívio. Você não entende? Alívio por saber que você estava bem. – Ele me soltou e foi até o outro lado a biblioteca. Permaneci calada, e ele continuou: — Eu te escrevi perguntando como você estava. E nunca recebi uma resposta.
Ele sentou no sofá, e abaixou a cabeça, passando a mão pelo cabelo. Ainda estava nervoso, mas ainda assim, mais calmo. Talvez, fosse toda aquela bebida...
- Edward. – Chamei-o, sentando ao seu lado.
Ele não me olhou, continuou com a cabeça baixa encarando o chão.
- Edward, quando Emmett veio aqui, em 2002, e me contou que, se não fosse uma virose, você provavelmente teria presenciando o onze de setembro, você não sabe como eu me senti. Emmett percebeu. E eu não sabia se chorava, ou se agradecia. – Segurei seu queixo, fazendo-o olhar para mim. Seus olhos estavam vermelhos, e seu rosto cansado. – Eu me preocupei contigo, mas você não deu mais nenhum sinal de vida. — Sacudi os ombros de leve. — Você não ligou dois dias depois do acidente para me dizer: “Feliz Aniversário”. Você não tinha nenhum meio de comunicação comigo. – Ele tentou virar o rosto, e eu o segurei ainda mais forte, encarando seus olhos verdes. – Eu queria saber como você estava, mas não sabia se você queria me responder isso.
Edward me olhou por alguns instantes, e me abraçou forte. Retribui o abraço, passando um braço pelo seu pescoço. Ele enterrou a cabeça no meu pescoço, quando senti um beijo ali. E outro. E mais alguns para formarem uma trilha até meu ouvido.
- Eu senti sua falta. – Ele sussurrou.
- Eu também, eu também. – Eu disse passando a mão pelas suas costas.
Depois de alguns minutos, nos levantamos devagar, saindo da biblioteca sem falar nada. Ele foi para sala, e eu subi para o meu quarto. Peguei três grossos casacos de inverno, todos os pares de luva que encontrei e troquei meu sapato por uma bota. Desci, e falei:
- Mãe, eu vou levar a minha geração para o Central Park, está bem?
Dei um casaco para Rose e outro para Alice, e um par de luvas para cada um de nós. Os três garotos colocaram seus ternos e casacos, e descemos pelo elevador. Alice estava louca para andar pela neve no Central Park.
Saímos do prédio, e atravessamos a Quinta Avenida. Jasper pegou a mão de Alice enquanto andávamos, e Emmett fez algo que nenhum de nós esperava: abraçou Rose, pois ela estava com frio. Alice e eu trocamos um olhar curioso, e continuamos andando normalmente. Edward pegou minha mão, que apesar da luva, estava muito fria.
Andamos até o lago, que estava cheio de pessoas perto. Ficamos ali, os seis, observando os fogos de artifício no céu. Mas não por muito tempo. Resolvemos voltar, pois nossas roupas não estavam adequadas para aquele frio.
Alice e Jasper estavam na frente, seguidos por Emmett e Rosalie. Edward estava quieto, apenas segurando minha mão. Andamos devagar, atravessamos a rua rapidamente, e quando entramos no hall do prédio, vimos um casal de velhinhos. Edward sugeriu que os quatro fossem primeiro, junto com os velhinhos, e que eu e ele esperaríamos no hall. Depois que o elevador desceu novamente, entramos sem falar nada, e eu apertei o botão do meu andar. O último.
- Bella...
- Oi.
Edward me puxou pela mão, e depois me segurou pela cintura, dizendo:
- Um último beijo?
Segurei seu rosto, e o beijei delicadamente. Edward retribuiu o beijo da mesma forma, passando as mãos pelas minhas costas. Quando ouvimos o barulho da porta, nos separamos um pouco ofegantes, e soltamos nossas mãos. Entramos no apartamento, e vimos que Carlisle e Esme já estavam prontos para irem embora. Assim como os pais de Jasper e Rosalie.
Depois de me despedir de todos os outros, fui me despedir de Edward.
- Até o último dia do ano, Edward. – Eu sussurrei para ele, enquanto nos abraçávamos.
- Até o último dia do ano, Isabella. – Ele me disse, dando um beijo no meu rosto, e fechando a porta ao sair.
*Marco Zero: é o nome dado ao terreno em que as Torres Gêmeas estavam, antes do 11 de setembro.
**Sobre as cartas: seguinte, isso é meio que um fato não comprovado, mas que todos sabem. Depois do 11 de Setembro, o sistema de correio americano ficou um caos. Claro, não é? Quem não ia mandar cartas para as famílias e blábláblá?
Notas finais
HAHAHA Um beijo!
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