Notas iniciais
Sei que tudo parece confuso, mas no próximo capítulo as coisas seram explicadas! Espero que gostem!

Não consegui prestar atenção nas aulas depois daquele intervalo, aquela cena se repetia em minha mente e por mais que eu tentasse entender o que tinha acontecido, não conseguia. Por sorte o sinal tocou e eu finalmente poderia ir embora. Guardei minhas coisas correndo e saí do colégio apressado, não queria me encontrar com "a maluca". Respirei fundo e comecei a andar mais devagar enquanto me acalmava.

— Já sei! Aquilo não aconteceu, foi... Foi uma mera ilusão criada pela minha imaginação! Sim, foi isso!

E lá estava eu tentando encontrar uma explicação para o ocorrido, até que..

— Oi!

A alguns metros dali, um homem e uma garota caminhavam apressadamente enquanto discutiam um com o outro. O homem aparentava ter uns 30 anos, já a garota, uns dezesseis. Ambos olhavam de um lado para o outro procurando algo.

— Isa, tem certeza que ele vai passar por aqui?

— Tenho sim, Alfred! Confie em mim.

Como ela chegou aqui tão rápido? Não, isso não importa, eu preciso fazer algo. Pensa, David, pensa! Ela estava ali, Anna simplesmente me parou a uma quadra de minha casa. Droga! Eu estava quase chegando no meu forte. E agora? Preciso dizer algo...

— O-Oi!

Apesar de meu nervosismo, não pude deixar de notar que ela estava mais sexy do que antes. Os botões de cima de sua camisa agora estavam desabotoados, deixando aqueles seios fartos quase me dando um tapa na cara; Seu olhar era mais sedutor do que nunca e sua voz era mais penetrante que uma adaga.

— Desculpa por antes! Acho que te assustei... Com seu cheiro eu quis dizer seu perfume!

Ela sorriu. Um sorriso lindo, por sinal. Mas não foi o suficiente para me acalmar, afinal eu não uso perfumes, uso um desodorante sem cheiro.

— A-Ah.. tudo bem! Esquece isso. Tchau.

Tentei passar por ela e seguir para minha casa, mas ela segurou minha mão.

— Deixa eu te levar para almoçar, é o mínimo que devo fazer para me desculpar!

Não! Obrigado e adeus! Foi o que pensei em dizer. Mas de alguma maneira que não sei explicar eu acabei não resistindo e fui com ela. Nós nos afastamos dali, andamos algumas quadras e paramos em um beco que dificilmente era usado. Eu deveria estar desconfiado, ter fugido ou algo assim. Mas depois que ela me tocou não conseguia mais raciocinar direito. Ela me jogou contra a parede e começou a rir.

— Hora do almoço!

Confesso que tive alguns pensamentos indecentes quando ela disse aquilo, mas esses pensamentos sumiram quando vi aquele lindo rosto descascando junto com o resto de sua pele, deixando no lugar algo parecido com uma escama cinza. O cabelo dela caiu por completo e seus olhos se tornaram vermelhos por inteiro. Aquele corpo que antes era formoso começou a se esticar, suas mãos agora tinham três dedos grandes afiados como garras. Fui tomado por um temor, mas não conseguia me mexer. O que era aquilo? Que monstro de pesadelo era aquele? Aquilo era um sonho, só podia ser. Foi aí que senti suas garras penetrando minha barriga, e finalmente consegui reagir. Essa reação foi meu grito de dor.

— Shh! Silêncio, criança!

A voz daquele ser era grossa e sombria, mas a dor era tanta que mal pude ouvir o que ele disse. Droga, eu não queria morrer aqui. Tem tanta coisa que eu quero fazer! Cuspo sangue. Minha visão estava ficando embaçada. É, aquele era meu fim... Ou não. Sinto um calor intenso em minha mão esquerda. Sem entender o por que, eu a aponto para o rosto daquele monstro, e para minha surpresa, um raio saí da palma de minha mão e atingi em cheio a criatura, que cai uns metros para trás. Caio já sem forças no chão daquele beco. Apesar de ter atingido a criatura, aquele ser ainda estava vivo. No entanto, só pude ver a criatura se despedaçar do nada e ouvir algo enquanto perdia minha consciência.

— Eu disse, Alfred.

E então, desmaiei.