New World
1 Prólogo
Notas iniciais
Ah, enquanto estiverem lendo eu recomendo que escutem essa música: https://www.youtube.com/watch?v=ZZRl4XQD9nI
A noites em Nárnia sempre foram magnificas, mas essa noite em especial estava mais fria e mais bela. Da sacada de seu quarto ele conseguia distinguir todas as constelações que conhecera, inclusive conseguiu distinguir a sua estrela azul, Lilliandill. Então ele lembrou o quão rápido ela se fora, havia sido uma tragédia horrível que havia abalado o reino e mais uma vez partido seu coração. Lilliandil não era o amor da sua vida, estava longe de ser, mas com o tempo ele se afeiçoou a ela e tiveram uma boa relação.
O coração de Caspian estava em paz, havia tido um bom reinado e seu filho Rílian finalmente havia voltado, graças a Aslam, Eustáquio e Jill Pole ele fora salvo da Feiticeira Verde, quase naquele instante ele descobrira que a mesma matou Lilliandil e por um instante ele sentiu o mesmo sentimento que seu filho, o sentimento que dizia que a justiça havia sido feita.
Caspian se retirou da sacada de seu quarto, ele se sentira cansado há tempos que não era mais o Rei jovem de antes, ele fitou seu rosto enrugado no espelho, era impressionante o que o tempo fazia com os seres humanos. Seu corpo estava velho e cansado, seus cabelos incrivelmente brancos quando um dia fora incrivelmente negros.
Levado por lembranças da sua juventude, seu coração doeu ao recordar os irmãos Pevensie, eles foram aquilo que ele poderia chamar de sua família, mas seu coração doeu mais ao lembrar da Pevensie mais velha que roubou o seu coração desde o primeiro momento em que ele pôs seus olhos nela, Susana... Seu nome significava “pura como um lírio” ele nunca vira um nome se encaixar tão perfeitamente em alguém. O tempo destruiu sua aparência e saúde, mas ele era grato por suas memórias estarem perfeitamente intactas, ele conseguia lembrar de todos os momentos que passara com ela, desde o primeiro olhar que trocaram ao último beijo e declararam seu amor para toda Nárnia na Árvore da Memória.
A Árvore da Memória é a árvore a qual Aslam usou como portal de Nárnia para o mundo dos Pevensie, era a árvore que ele viu o Grande Rei Pedro pela última vez em Nárnia, era a ávore que levou o amor da sua vida para sempre, um tempo depois da partida dos Reis e Rainhas do passado, Caspian construiu um memorial para eles e aquela árvore ficou conhecida como Árvore da Memória por toda Nárnia. Quando a saudade de sua amada ficava quase insuportável, Caspian costumava ficar horas e horas observando a árvore, seu coração sempre tinha esperança que o portal iria se abrir novamente e um dia eles poderiam se encontrar, mas era logicamente impossível que isso fosse acontecer, porém não custava nada sonhar.
Uma ideia logo se passou por sua mente, loucura ele pensou. Seria pedir para morrer sair nessa noite tão fria, seu corpo estava velho, não suportaria grande coisa, mas o desejo de ir até lá e mais uma vez relembrar foi forte e ele não pode resistir, ele queria arriscar.
Ele abriu com dificuldade o baú onde guardava a espada de Pedro, a Rhindon, o arco e flecha de Susana e sua trompa, o punhal e o elixir curativo de Lúcia e a lanterna de Edmundo, de lá ele tirou apenas a Rhindon, se surpreendendo com o peso, ele mal conseguira segurar a espada, ele atribuía isso a uma lesão que sofrera a alguns anos atrás, pôs uma capa escura e quente e saiu do castelo, o plano inicial seria pegar um cavalo, mas ele tinha plena consciência que não aguentaria andar de cavalo, então foi a pé.
As ruas de Nárnia estavam escuras, era praticamente madrugada, por sorte o local ficara relativamente perto do castelo, logo ele chegou a Árvore da Memória, sentou-se ao lado do memorial que havia feito e leu a escritura que dizia em letras grandes e bonitas “ Aqui Grande Rei Pedro, o Magnífico e Rainha Susana, A Gentil estiveram pela última vez em Nárnia” abaixo também havia os nomes das pessoas que haviam cruzado o portal, entre elas sua tia Prunaprismia e o General Grozelle.
Invernos vieram e se foram, e ele sempre sentiu falta dela, dos sonhos que sonharam e do amor que viveram, um breve amor porém o único verdadeiro de sua vida, se aquele fosse o dia da sua morte ele poderia dizer que até o dia da sua morte ele a amou. Em sua mente as lembranças estavam mais vivas que nunca, as lembranças sempre foram um conforto para seu coração.
—Caspian?
Ele se sobressaltou ao ouvir a voz grave que não ouvia há muito tempo.
—A- Aslam?— sua voz demonstrou toda a perplexidade que ele sentia, ele tentou forjar uma reverência.
—Precisa cuidar mais da saúde, meu Rei. —Aslam falou em um tom divertido.
—Fica cada vez mais difícil quando se está mais velho.— ele riu.
—Vejo que tem uma grande afeição por esse lugar, filho.
—Me traz memórias, boas e ruins, mas ainda sim memórias.
—Compreensível.
Caspian sorriu para o Leão.
—Aslam, que não seja mal perguntar, mas o que o traz aqui?
—Vim conversar com você, filho.
—Sou todo ouvidos.
—Você ainda me culpa por não ter permitido que Susana permanecesse em Nárnia?
Caspian refletiu um pouco e respondeu: — Não. Não mais...
—Quero que entenda uma coisa, Caspian; Nunca foi a minha intensão separar os dois, mas as coisas não dependiam apenas de mim, as leis da Magia Profunda não devem ser desrespeitadas, Susana pertence a outro mundo, tem sua família. Susana e seus irmãos vieram com apenas uma finalidade a Nárnia; cumprir a profecia, eles foram os escolhidos, os destinos estavam traçados, assim como seu destino estava traçado a ser o Telmarino que salvou Nárnia.
—Hoje consigo entender, mas no passado foi realmente difícil. Há anos aprendi que não deveria olhar apenas as coisas que perdi, tenho que ver tudo que ganhei. Ganhei um Reino, pessoas, amigos, uma esposa maravilhosa, um filho... Apenas cultivo minhas memórias.
—Você aprendeu muito bem, durante todos esses anos, foi um excelente Rei.
—Obrigada Aslam, fiz tudo o que pude, espero que Rilian possa ter um bom governo tal como o meu.
—Já pensa em passar a sua coroa?
—Aslam, estou muito velho, cansado e doente, sinto que a minha hora se aproxima. Rilian já tem a idade que eu tinha quando assumi o trono, sei que ele está preparado.
—Ele se considera preparado?
—Não, mas é por essa razão que eu sei que ele está.
Aslam sorriu para ele, aquelas foram as palavras que o mesmo usou quando nomeou Caspian Rei, Aslam lembrava perfeitamente o quanto o jovem Caspian era um jovem inseguro e sonhador, porém muito corajoso, o grande Leão fitou seu filho, seus olhos estavam perdidos, ele encarava o portal que levava para a Terra, ele sabia que a hora de Caspian havia chegado.
—Porque encaras tanto este portal?— Aslam já sabia da resposta.
—Lembranças... Sabe Aslam, sempre tive curiosidade para saber como é o mundo dos Reis e Rainhas, nem que seja ao menos uma espiadinha.
O leão riu e respondeu-lhe: —A Terra é um mundo cheio de provas e expiações, é muito bonito e semelhante a Nárnia, mas sua magia está bastante adormecida.
—Lembro que Edmundo me falou algumas coisas de seu mundo, ele mencionava muito uma máquina chamada carro que se assemelha a uma carruagem, mas sem cavalos. —Caspian riu.
—Meu Rei, sabes melhor que eu que sua missão nesse mundo acabou. —o Grande Leão falou.
—Sei que está na minha hora, Aslam, se veio para me levar para seu País, aceito de bom grado.
—Não é bem essa proposta que eu vim lhe fazer.
Caspian fez uma cara de interrogação.
—Sei do seu desejo de visitar o mundo dos Reis e Rainhas, lhe ofereço a opção de ir para aquele mundo, mas se preferir, poderá ir para o meu País.
—Mas Aslam, eu já estou muito velho...
—Não se preocupe com isso, meu Rei.
Capian refletiu por algum momento, durante sua juventude era uma das coisas que ele mais queria, agora ele tem a oportunidade, seu reino estava em paz, ele não via por que recusar.
—Eu aceito ir para aquele mundo, Aslam.
—Está ciente de todos os desafios que terás de enfrentar?
—Estou.
—Se esse é seu desejo...
Aslam soprou em direção a Árvore, que se abriu novamente, Caspian não poderia ter ficado mais nostálgico. Em seguida soprou em Caspian que sentiu suas dores irem embora, seus músculos ficarem tão fortes tal como ele era jovem, através de um reflexo de uma poça d’agua ele pode ver sua enorme barba branca diminuir, seus cabelos voltarem ao mesmo tom de preto que era quando ele era jovem, as rugas de seu rosto despareceram por completo, ele se sentia jovem novamente, ele era jovem novamente!
—O-Obrigado Aslam! —Ele falou empolgado com seu sopro de juventude.
—Agora está pronto para sua jornada no novo mundo, meu Rei.
—Aslam, irei encontrar os Pevensie?
Aslam sabia que essa era a principal motivação de Capian.
—A magia profunda se encarregará de todo seu destino.— respondeu.
—Obrigado Aslam.
—Lembre-se, uma vez Rei ou Rainha de Nárnia, sempre Rei ou Rainha de Nárnia.
Caspian lhe lançou um sorriso e sem hesitar atravessou o portal, um novo mundo o espera.
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