New World
4 Sequestro?!
Notas iniciais
Miko POV
Estávamos saindo da cidade pela trilha que Riku nos indicou... Falando em Riku... Olho para Dimitri: por que ele não é tão lindo quanto o mestiço, hein? Oh que vida triste! Dou uma risada de meus próprios pensamentos, conseguindo olhares curiosos de meus companheiros.
— Sabe, — contava Dimi para Luna, animado. Sua voz assumindo um tom de suspense para apavorá-la conforme continuava — quando o livro estava me controlando, eu via minha pele do braço caindo.
— Mas... — ela puxou a manga de suas roupas, mostrando o braço. — Não tem nada aqui! — choramingou, e eu tive de rir.
— Pensei que estava preocupada! — sacudi a cabeça em reação ao Dimi murmurando enfezado.
— É. Você deveria estar preocupada... — comentou uma voz que eu reconheceria até...
— RIKU! — nos Infernos. Girei esperançosa, e lá estava ele, segurando o ombro de Luna, que havia se encolhido de susto. Dimi, por sua vez, não parecia nada feliz.
Soltando-a calmamente, me encarou com um sorriso que... Dios mio!... Suspirei encantada enquanto lhe devolvia o sorriso.
— Olá, Miko. — comentou com aquela voz suave que ai, ai, ai. Aí, enquanto me beijava a mão, como eu notava ser sua mania, e que me encantava!, notou algo. — Onde está Hideko?
— Ah. Ela decidiu não vir conosco. — dei de ombros. — Parece que pensou sobre como a família se sentiria caso ela morresse. — de novo, completei mentalmente.
— E você, o que faz por aqui? — Dimi perguntou, a voz demonstrando algo entre ciúmes e raiva, e eu engoli um riso enquanto o observava tentar se acalmar.
— Ele me avisou sobre minha irmã. — explicou, enquanto um pequeno dragão apareceu em seus pés, tímido e assustado. — Ela tá passando por um momento perigoso.
— O que houve...? — Luna perguntou já preocupada. Ela é um doce de criança, Dios.
— Ela foi sequestrada, Luna. — respondeu claramente triste. — Para ser mais exato, isso aconteceu há uns 3 dias... — seu rosto se tornou pensativo, e eu me pus a calcular, também. No mesmo dia em que toda essa merda começou. — Eu lembrei que vocês estavam em uma busca pelo mesmo motivo, então resolvi me unir a vocês!
Eu sei que era uma situação preocupante, mas... Não pude evitar o sorriso que tomou meus lábios. Eu estava muito mais feliz agora que sabia que ele planejava ficar.
Oras, ele é bonito!
— Seja bem-vindo, então! — isso mesmo, Luna!
— Muuuuuuuuito bem-vindo! — cantarolei em adição.
— É, bem-vindo ao grupo. — resmungou Dimi, mesmo não estando à vontade. Esticou a mão para Riku, que logo retribuiu. E então, nosso grupo estava formado.
— YAAAAAAAAAAAAY! — Luna, louca como só ela, pulou em cima de ambos, derrubando-os no chão com o “abraço”.
Eu avancei, planejando levantá-los, quando um barulho me chamou a atenção. Algo se mexia na mata, e eu não sabia o que era.
— Aconteceu algo? — perguntou Dimitri, olhando-me preocupado.
— Não, nada... Acho. — olhei ao redor, erguendo as orelhas para ter certeza de que não tinha mais nada. — Vamos?
— Claro. Mas, afinal, como vocês viajam?
— A pé. Por que, Riku? — Luna, Luna...
— É que, bem, querem uma carona? — ofereceu travesso, olhando para Dimitri que o encarava sério, colocando seu capuz e escondendo o rosto. A última vez que o vi assim, foi quando tudo começou.
— Claro! — Luna aceitou sem pensar. Aí olhou ao redor. — Mas onde?
Em questão de segundos, o belo homem se tornou um — convenhamos, mais belo ainda — dragão.
— Isso responde sua pergunta? — brinquei rindo.
— Eu não sabia que você se transformava! — é mesmo, a Luna estava ocupada com a Elizabeth quando o Riku atacou o pai...
Hm... E que jeito de atacar foi aquele... E... Ai, ele bem que poderia tentar me consolar de novo, né? Pelo beijo...
Subimos e nos acomodamos, enquanto eu ainda ria silenciosamente daquela lembrança. Nem deu pra responder naquela hora, nos atrapalharam!
Luna parecia uma criança sobre o dragão, olhando ao redor encantada. Eu permanecia calma, apesar do sorrisinho que eu não conseguia espantar, e só me segurei firmemente, pensando em quão estranho era usar outro... Animal para me levar por aí. Bem, ia ser menos cansativo que andar, além de mais rápido, mas mesmo assim, eu gosto de correr.
Aí eu olhei pro Dimitri, e quase ri de novo, só pelo nervosismo explícito em seu rosto.
— Treine sua magia, — aconselhei delicadamente — assim você não presta atenção na viagem.
Pelo que pude notar, foi o que ele fez, mais aliviado.
Viajávamos tranquilos, mas Dimi havia desistido de treinar por estar passando mal, e Luna...
— Tudo bem? — perguntou chorosa e preocupada, ao lado do menor.
— Não me sinto à vontade em lugares altos. — respondeu enjoado, e desviei o olhar quando passou a devolver o café da manhã na cidade abaixo.
Que merda, Dimi! Avise antes de vomitar, seu vaco!
Poucos instantes depois pousávamos naquela mesma cidade.
Sacudi a cabeça enquanto pulava para o chão. Aí, notei aquele pequeno dragão novamente, dessa vez, escondido na cauda de Riku.
— Qual o nome dele? — perguntei para o dragão gigante que nos havia levado até ali. Um dragão branco! Nunca vou deixar de me maravilhar com essa visão.
Ajudei os outros dois a descer, e fiquei observando admirada enquanto Riku voltava à forma humana, e se sacudia — provavelmente pra se acostumar à mudança, como eu bem conhecia a sensação —, antes de responder:
— Dele? — okay, isso foi uma pergunta. — Ah, o dragão? Draco. É meu irmão por parte da mãe. — sorriu se abaixando para acariciá-lo.
— Ele vira gente?! — animou-se Luna. Ela é mais curiosa que uma criança!
— Não. Ambos os pais eram dragões. — ah. Bem, um dragãozinho mais novo seria super fofo...
— Entendo. — desanimou, voltando sua atenção para Dimi, que ainda passava mal. Em seus olhos, pude ver uma falsa preocupação, que me fez rir de leve.
Ficamos descansando, e eu consegui me aproximar um pouco do pequeno dragão, que apenas era meio... Tímido, mas bem curioso, depois de se acostumar, e fiquei sentada ao seu lado um tempão, brincando com ele, quando um cheiro se aproximou.
Levantei-me rapidamente, olhando ao redor. Não sabia diferenciar o cheiro, essa cidade possui muitos cheiros misturados, então era difícil dizer o que se aproximava, mas algo vinha aqui.
Estava para correr quando duas coisas me atingiram de uma vez só. Uma, a voz de todos os meus amigos, que gritavam meu nome. A outra foi algo corpóreo — um corpo que se chocou ao meu e me jogou no chão.
Achei ser um animal, mas estava errada. Não saberia dizer qual sua espécie, mas era selvagem. Os cabelos eram mal cortados, curtos e bagunçados. E, apesar de sua pele ser clara, estava pintada como se fosse de uma tribo. Ela pulou para longe, atacando outro ser — uma elfa, para ser mais exata — que passava por ali. Ouço um grunhido, o que me despertou ainda mais a minha curiosidade.
Comecei a avançar para a floresta quando lembrei dos outros. Aí, parei por uma fração de segundo, olhando para eles:
— Volto logo! — avisei, antes de deixar a sensação costumeira me apossar.
Espasmos e dor de corpo mudando de tamanho depois, corri floresta a dentro seguindo o cheiro daquela coisa.
Já me perguntava onde ela havia se enfiado, além de me perguntar o porquê de eu ter feito isso, quando ouvi um animal.
— Por que segue Lian? — Lian? Quem diabos é Lian? Procurei ao redor, e finalmente achei a selvagem em cima de uma árvore, me encarando com as costas arqueadas. Ela agia como um felino assustado, ou seja, pronta para o ataque.
— Então esse é seu nome? — respondi, agradecida por entender felinos (bem, eu sou um felino, seria estranho se eu não soubesse!). — Lian. Por que nos atacou?
— Eu tenho fome. — respondeu rosnando, e quase rugindo. — Vocês presas. Passaram meu caminho!
— Bem, eu não sou comida! — grunhi, mas também ri um pouco. — Nem meus amigos. Mas, se quiser comida, eu posso te ajudar.
Ela rugiu dessa vez, e me preparei para o ataque quando ela pulou para o chão. Ela ficou agachada no chão, rosnando levemente, e eu passei a andar em círculos ao seu redor, farejando e atenta a qualquer movimento seu.
Ficamos nisso por minutos inteiros antes de ela se jogar em mim, me arranhando. Mas, se a questão é briga de garras, eu tenho minhas vantagens. Deixei crescer as garras, e lhe enfiei no ombro, rosnando em seu rosto enquanto lhe arranhava. Ela se debateu, e fugiu, mas eu não a deixei correr, avançando em sua direção em minha velocidade máxima, lhe agarrando pelas pernas com uma mordida e lhe derrubando com meu corpo.
— Pare de fugir. — ordenei irritada. — Se você quer briga, eu brigo com você. Se quer comida, caço com você.
Ela grunhiu e me encarou ainda debaixo do meu corpo. Então, parecendo incrivelmente humanoide por uma vez, sorriu — mesmo que fosse um sorriso com presas à mostra, ainda era o gesto mais humano que ela já mostrou —, e me pegou de surpresa.
Eu nem sei o que exatamente ia fazer ou falar, mas eu ia fazer algo, quando de repente paralisei. Mesmo no meio da floresta, eu podia sentir perfeitamente o cheiro dos meus companheiros...
E a Luna tinha desaparecido.
Pulei de cima dela, e comecei a rosnar. Girei para correr de volta, quando ela grunhiu:
— Lian quer comida. Você prometer, então eu ir com você!
A encarei. Ela estava decidida, e eu não iria negar ajuda, mas se ela atacasse meus amigos...
— Se quiser vir, venha. — rosnei enfim. — No entanto, me conte o que sabe. Mas, se você atacar meus amigos, você irá se arrepender.
Ela grunhiu em concordância, e, se eu estivesse na forma humana, teria sorrido.
Após alguns minutos de corrida depois, voltávamos a onde eles estavam. E os dois, discutindo, nem notaram a falta da Luna! Grunhindo, voltei à forma humana para falar com eles.
— Seus idiotas! — gritei acertando um tapa na cabeça de cada um. — Riku, você é lindo e um amor, mas cadê seu olfato de vampiro, porra?!
O dito cujo me encarou de cenho franzido, até olhar ao redor e se dar conta.
— Opa. — murmurou surpreso. Grunhi.
— Ótimo. Vocês estavam aqui e não viram quando a Luna simplesmente SUMIU! Que lindo! Eu, de longe, notei antes de vocês! — sim, eu estava meio irritada. — E eu estava BRIGANDO!
Quando Dimi me olhou parecendo magoado foi que eu percebi que eu não deveria descontar neles. Suspirei fundo, e tentei regular a respiração. Quando finalmente me acalmei, um grunhido suave da Lian me chamou a atenção.
— Cadê a garota? — perguntou de pé (bem, o mais ereta que consegue ficar, pelo menos) atrás de mim.
— Ela sumiu. Deve ter sido levada. — rosnei de volta. — Você vai me ajudar a pegá-la de volta.
— Hm... Você entende ela? — perguntou Dimi confuso, olhando de mim para ela.
— Bem, ela fala como um gato. Eu sou um felino, Dimitri. — revirei os olhos para ele, rindo. — De qualquer forma, ela irá nos ajudar. E vocês dois... — estreitei os olhos.
— Claro que eu vou ajudá-la! — se prontificou Riku fazendo uma leve reverência, e segurando minha mão com força. — Farei tudo para pagar minha dívida com vocês. E peço desculpas por não ter notado ela sumindo.
— Desculpas aceitas. — suspirei. — Dimi?
— A Luna é nossa amiga. Claro que eu vou junto! — ele respondeu ultrajado.
Acho que o fato do Dimitri ter se encolhido foi devido ao meu sorriso...
— “Apenas mulheres permitidas”. — li em voz alta olhando pela janela do lugar de onde vinha o cheiro da Luna. — Hm... Isso vai ser... Difícil assim.
Girei para encarar o resto do grupo. Lian é do sexo feminino, pelo que eu sei, mas não parece muito... Agora, Dimi e Riku...
— Vocês vão usar vestidos. — concluí na mesma hora em que o pensamento veio à minha mente. — Serão as damas mais lindas que eu puder produzir.
Só de pensar no Riku com um vestido ao invés de sua calça tradicional (que é linda, com uma perna de cada cor e desenhos de rasgos em cada um...) eu tive de sorrir. Ele ficaria lindo! Que cor combina com ele? Roxo, talvez?
— Não mesmo! — gritou Dimitri.
— Alto demais! — chiei, olhando para dentro do local novamente. — Abaixa o tom, Dimi!
— Pois bem! Eu não irei usar um vestido, nem pensar! — grunhiu ele em resposta, virando a cara.
— Achei que você quisesse salvar a Luna. — debochou Riku, recostado à parede ao meu lado. — Você disse que iria ajudar.
— Você concorda em usar um vestido?! — espantou-se Dimi encarando meu vampiro-dragão.
— Se isso ajudar, sim, eu uso. A Luna é interessante. — ele sorriu. — Além do mais, eu não sou igual você. Seu orgulho é mais importante que sua amiga?
Dimitri ficou nos encarando de boca aberta. Dei um risinho e virei para olhar meu dragão de novo... Que andava calmamente em direção à cidade.
— Lian, venha! Vamos arranjar roupas! — rosnei chamando nossa nova companheira. — E você, Dimi, dê um jeito.
Sorri e passei a correr atrás do vampiro que já usava sua super velocidade para se distanciar.
Foi engraçado andar por lojas femininas com o Riku a tiracolo, e muitas vezes eu tive de abafar o riso, quando ele perguntava assombrado como se usava alguma coisa. Já havíamos passado por algumas quando um vestido finalmente me fez parar e encarar o nosso “problema”. Abri um sorriso enorme ao vê-lo fazer uma careta. Parece que ele também viu.
— Ele é lindo, não é? — cantarolei chegando por trás dele e o empurrando até o pedaço de tecido que lhe seria seu agora. — E é toooooooodo pra você.
— Não tem um... Maior não? — murmurou e tive o prazer de vê-lo corar. Apertei seu ombro com piedade, que logo foi destruída pela minha resposta.
— Não, não pra você.
Um lamento baixinho escapou de seus lábios e eu ri.
Peguei o vestido, sapatos de salto alto, e algumas joias. Para um, pronto. Depois voltei a circular a loja, encontrando rapidamente outros dois vestidos que cairiam bem para nossa missão. E pronto.
Aí olhei para meus pés, e soltei um lamento parecido com o do Riku.
Merda, salto alto?
A “moça” na minha frente era incrivelmente boa o suficiente para passar despercebida do fato de ser um homem. Incrível como aquele cara gostoso consegue virar uma dama linda, não? Acho que tudo é questão de vestimenta... Até o Dimi pareceria mulher com um vestido roxo tomara-que-caia cheio de babados e longo, salto alto e pérolas. Principalmente se tivesse o cabelo longo do Riku — que era incrivelmente macio, mesmo parecendo ter sido pintado (mas eu perguntei: a parte vermelha do interior é natural). E uma maquiagem também ajuda.
— Qual seu nome? — perguntei delicadamente, repassando nosso treino.
— Eu sou Rika, muito prazer. — ele sorriu parecendo envergonhado. E talvez esteja. Ele era realmente bom em falsete, afinal.
— Muito prazer. — respondi entusiasmada.
Será que ele me bateria se eu dissesse que só dei essa ideia porque eu queria vê-lo de vestido?
— Agora que estamos prontas... — encarei a selvagem, que agora até parecia decente, com um vestido de praia e rasteirinhas. — Vamos ao ataque!
— Você quis dizer, recuperar a Luna, não...?
Arreganhei um sorriso para meu querido dama. Traduzi o chamado para Lian, que grunhiu em resposta, mas não exatamente se pronunciou. Ela não parecia ter gostado de sapatos tanto quanto eu.
Pela Luna. Isso é pela Luna!
Suspirei e comecei a caminhar ladeada pelas duas garotas até aquele... Bordel? Nos cafundós de Jó, onde nossa amiga estava presa.
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