New World
5 Reencontro
Notas iniciais
Então, esse provavelmente será o último capítulo da semana. ): Vou ralar muito e não terei tempo para nada. Mas eu prometo que irei compensar postando dois ou mais capítulos de uma só vez! *-*
E ah, obrigada pelos reviews! Sou eternamente grata a cada uma de vocês, são minha inspiração! UAHUAH Então é isso, boa leitura. ♥
A semana passou voando, de modo geral, foi tranquila na maioria dos dias na grande empresa. Frank evitou falar com Gerard o máximo que pode, mas este sempre tentava puxar assunto com o mais jovem, que tornava o diálogo o menor possível. Mikey assistia tudo com uma ponta de preocupação, pois via seu irmão ficar mais desanimado com a falta de atenção que Frank lhe concedia. O tão ansiado — por Frank — final de semana. O garoto iria um descanso, pois a semana inteira havia acordado cedo. Ao lembrar de que também teria trabalho ao sábado, Frank desanimou. Mas sorriu ao também lembrar de que trabalharia poucas horas de seu expediente.
Para passar o tempo da noite de sexta-feira, resolveu conectar-se a internet. Entrou num site de notícias onde havia sido confirmados quatro shows do Metallica nos EUA. Um deles seria em Trenton, New Jersey. Onde morava. Não hesitou em ligar para Zacky, pois sabia que Metallica era a banda favorita do amigo. Sabia que iria surpreender-lo, pois havia mudado de número e Zacky não sabia que Frank voltara da clínica de reabilitação.
— Alô? — Uma voz sonolenta atendeu ao telefone.
— Zaaaacky! Foi mal te acordar, mas cara! Que saudade de ouvir sua voz! — Frank não conseguiu segurar sua emoção ao ouvir a voz do amigo. Como sente falta!
— F-F-Frank? — Do outro lado da linha, Frank podia jurar que Zacky deu um pulo de qualquer lugar que ele estava. — Ah, eu não acredito! FRANKIE! ONDE VOCÊ ESTÁ? PORRA, MANO. QUE SAUDADE! VEM, VAMOS SAIR. ONDE EU TE PEGO? — Não podia conter sua euforia.
— Ei, cara, vamos com calma! — Frank riu. — Olha, amanhã tenho trabalho bem cedo, então, não vou poder sair. Mas eu tenho ótimas notícias.
— Você trabalhando? Ah, meu Deus. Quem é você e o que fez com meu Frankie? — Falou o amigo rindo dando ênfase na palavra “meu”. — Desembucha a notícia.
— É... Obrigação. Trabalho de férias, sabe? Mas é bom assim que consigo meu próprio dinheiro. Bem, você sabe quem vem pra nossa cidade? — Frank queria fazer suspense, mesmo sabendo que é péssimo nisso.
— Quem? — Falou o amigo com indiferença na voz.
— Simplesmente, METALLICA!
— Você só pode estar querendo me matar de parada cardíaca — Zacky riu não contendo seu entusiasmo. — Quando vai ser?!
— Próxima semana. Está perto.
— Precisamos de nossos ingressos, Frankie.
— Pior que eu estou duro, cara. Minha quinzena só chega depois.
— Droga. Eu vou ver se peço ao meu pai. Mas eu vou nesse show, nem que eu trabalhe como flanelinha. — Zacky riu e Frank fez o mesmo.
— Eu simplesmente não duvido. E também não duvido como me arrastaria junto para sua invenção.
— Oh, é bom não ter dúvidas mesmo — Ambos riram, e Frank ouviu Zacky ser chamado por seu pai. — Ih, Fran, eu preciso ir. Meu pai perturbando.
— Ah, tudo bem. Vai lá. E domingo iremos sair, okay?
— Pode deixar! — Frank estava prestes a dizer tchau, mas Zacky se adiantou. — Fran...
— Ahn, oi?
— Te amo. E hm, tchau. — Frank percebeu a falta de jeito do amigo.
— Também, Zacky. Até mais.
— Até. — E desligou.
A noite de Frank se tornou melhor por ter ouvido a voz do melhor amigo depois de tanto tempo. O pequeno estava impressionado em como conseguiu passar meses sem conversar com Zacky, talvez a vontade de cheirar o seu antigo amado pó fosse maior na época, suprindo a saudade que sentia de Zacky.
Linda já chamava o filho para o jantar, não demorou muito e Frank já estava de volta a seu quarto. Como estava exausto! Deitou na cama e ficou olhando para o teto de seu quarto, apenas refletindo coisas sem sentidos sobre o seu dia-a-dia. Não demorou muito para o sono chegar e o livrar de seus devaneios.
Frank acordou entusiasmado pela manhã, talvez por ser sábado e seu expediente ser menor. E também seu anseio pelo domingo o inquietava. Apenas agora se deu conta de como sentia falta do amigo, procurava imaginar como ele estava e como os outros colegas qual mantinha contato estavam.
Pela manhã, nada foi diferente dos outros dias. Frank tomou um café da manhã rápido e foi para o trabalho de carona com seu pai. Aos sábados, Mikey disse que o movimento na empresa era fraco. O que fazia a possibilidade de Frank ser liberado mais cedo aumentar. O tempo passou voando e já era quase uma da tarde. Mikey e Frank passaram a maior parte do tempo conversando, quando o mais velho diz que está com fome e ambos saem para almoçar, Frank estava faminto.
— Mikeeeey! Quase que me esqueço! — Frank fala de boca cheia, fazendo o amigo o olhar assustado.
— Primeiro come, Frank. Depois você me fala. — E assim Frank fez.
— Tem algo marcado próximo final de semana?
— Não... Eu acho. Por quê? — Mikey terminava de tomar sua Coca-Cola.
— Show do Metallica, meu amigo — Frank ria animado ao tocar no assunto, Mikey o olhou desconfiado. — Você vai comigo, não vai? Eu chamei um amigo que ama a banda pra ir conosco e...
— Frank. — Mikey o interrompeu. E o mais novo apenas o olhava. — Eu posso levar Gerard comigo?
— Seu irmão? Meu chefe...? — Frank arregalou os olhos. — Eu não acho que seja uma boa ideia... Não entenda mal, apenas acho que um cara culto como ele não vá gostar de um show de Thrash Metal.
— Eu não gosto de ir para lugares sozinho. Nós sempre estamos juntos nos cantos... — Frank o olhou erguendo uma sobrancelha. Tal proximidade era meio suspeita na cabeça do pequeno. Mesmo sendo irmãos.
— Ah... Tudo bem... Pode leva-lo. — Falou o pequeno com receio. Mikey sorriu em resposta, qual Frank retribuiu, mesmo está achando uma péssima ideia Gerard os acompanhar. Iria passar uma imagem péssima para seu chefe, afinal, ele era culto, sério e mais velho que todos do “grupo” e nunca viu Frank fazendo coisas indevidas.
Após o almoço, Mikey voltou para a empresa e Frank foi para sua casa, pois seu expediente havia acabado. O sábado permaneceu calmo. Frank adormeceu a tarde inteira e passou a noite jogando seu videogame. Após o término do expediente, Mikey e Gerard foram para sua casa , onde o mais novo ainda tentava controlar seus impulsos diante de qualquer cheiro agradável. Gerard o preparava pacientemente. Mas, ao fim de seu treino, foram para a sala de estar, onde o mais velho lia um livro e seu irmão via TV. Com o silêncio, Mikey aproveita para puxar um assunto com o irmão.
— Gee, Frank nos convidou para ir ao show de uma banda próximo final de semana. — Falava enquanto passava os canais de sua TV, entediado.
— Que banda? — Falou sem desviar a atenção de seu livro.
— Metallica, eu acho. Você conhece? Ele me disse que eu não podia morrer sem ir ao show deles. — Ria este enquanto lembrava da possibilidade de morrer, como o amigo havia dito.
— Hm... E por que ele quer que eu vá? — Gerard desviou a atenção para Mikey. — Achei que estava chateado comigo.
— Na verdade, eu pedi para te chamar e ele disse que estava tudo bem. — Disse enquanto brincava distraidamente com o estofado da sala. — Você sabe que não gosto de ir a lugares assim lotados. E você também sabe o motivo.
— Tudo bem, maninho. Eu vou com você. E quem sabe, assim, você consiga ter total controle de si e não agir por seu instinto. E eu posso me acertar com Frank, também. Se ele fosse um pouco menos cabeça dura. — Ria para si o mais velho ao lembrar-se do tamanho orgulho do pequeno.
O tão esperado domingo chegou, Frank não se deu conta de como havia acordado tarde. E a primeira coisa que lhe veio à cabeça foi ligar para Zacky. E assim o fez.
— Zacky? — Frank estava com a voz rouca e baixa, por ter acordado há instantes.
— Frank? É você?
— Quem mais seria?
— Eu sei lá, poderia ser a Samara com essa voz rouca de morto. — Ria Zacky com a piada.
— Sete dias. — Falou Frank tentando imitar a personagem.
— Eu não tenho medo de você, Samara. Até que você é gatinha.
— Porra, Zacky. Seu tarado do parque e pedófilo! — Frank ria e xingava o amigo, que só ria das besteiras também.
Os dois ficaram jogando conversa fora por um bom tempo. Até que marcaram ir na praça pela noite, matar saudades, paquerar e beber. Falar besteiras e tudo o mais. Zacky era a pessoa que realmente não poderia faltar na vida de Frank. Os dois começaram a se arrumar bem cedo, até com um certo exagero, pois ainda faltavam duas horas para o horário marcado na praça, mas Zacky e Frank se conhecem muito bem para saberem que ambos chegariam lá com horas de antecedência. Assim aconteceu.
Frank foi andando até a praça que era o ponto de encontro de seus amigos antes de se envolver com drogas. Quando Frank se tornou dependente, brigara feio com Zacky e depois que foi transferido para a escola de recuperação, não teve chances de pedir perdão. Zacky sabia que Frank passava por uma situação difícil, então preferiu não cobrar o perdão do amigo, aceitou a coragem do amigo a enfrentar seu vício como o próprio pedido de perdão. E também, sabia que quando Frank voltasse sóbrio, não iria deixar o orgulho tomar de si. Ao contrário de seu melhor amigo, Zacky não era um jovem orgulhoso. Zacky finalmente chegou à praça. Quando pôde avistar um rapaz não muito alto, com um moletom preto e calça justa preta. Cabelos repicados, porém caídos aos olhos numa franja. Era Frank.
— Ah, droga... — Zacky não conseguiu conter as lágrimas ao ver seu amigo ali, tão próximo. Não hesitou em correr até Frank e envolver seus braços com força ao redor de seu corpo. Tal ato assustou Frank que estava observando o movimento da praça distraidamente, até o fez ofegar, mas Zacky não ligou e continuou preso ao amigo, que resolveu virar-se para Zacky e retribuir o abraço desengonçado. Não podia conter o largo sorriso ao ver seu amigo ali, junto a ele. As pessoas na praça os olhavam torto, mas eles ignoraram completamente e aproveitaram o abraço por longos instantes. — Eu não acredito que você está tão próximo de mim, Frankie.
— Eu também não, Zacky. É bom demais para ser verdade... — Frank sabia que o amigo estava chorando, pois vez ou outra, ainda em seus braços, o maior deixava soluços abafados escaparem. Frank lutou para suas lágrimas não caírem, mas acabou desistindo. “Ah, que se foda. Eu o amo.” Pensou.
Finalmente, podiam olhar para a cara um do outro, e ficaram ali, se admirando por longos segundos. Quando Zacky começa a rir quebrando o clima entre eles.
— Okay, essa é a hora que a gente se beija? — Ainda ria e Frank erguia uma sobrancelha com uma cara assustada. Mas não deixou de refletir sobre o assunto. “Não seria uma má ideia ficar com Zacky. Ele é até que bem bonito.” Pensou Frank quando se deu conta que mordia seu lábio inferior sem dar resposta a Zacky, que o olhava assustado. “Não, Frank! Você enlouqueceu? Você fica com meninas, apenas.” Chacoalhou a cabeça tentando livrar-se desses pensamentos quando se deu conta da cara que o amigo o olhava, logo riu.
— Você precisa ver sua cara agora. — Frank ainda ria meio nervoso por Zacky não mudar sua feição.
— Você precisa ver a sua cara, isso sim. Que medo de você me olhando assim. Andou dando e não me contou nada? Olha, não tenho preconceito com gays, Frank. Irei aceitar isso do meu amigo... Eu sempre soube mesmo. — Debochava da cara do amigo. Mas, no fundo, Zacky queria que fosse verdade. Menos a parte de Frank andar dando por aí.
— Cala a boca! Quem começou a falar de nós nos beijarmos foi você! — Frank dá um soco bem de leve no ombro do amigo, que ainda ria para descontrair o assunto. — Ok, chega de conversas gays. Mas me diga, o que vamos fazer?
— Eu preciso de álcool. Sinto falta de encher a cara com você, sinto falta de nossas músicas de bêbados e tudo o mais. — Zacky falava relembrando dos momentos que conseguia lembrar deles bêbados e não conteve o riso ao fazê-lo.
— É... Mas acho que não é bom eu beber no domingo à noite. Tenho trabalho amanhã, e isso fode tudo mesmo! — Falou o menor fazendo uma cara desanimada.
— Ah, que merda, Frankie. Você não pode faltar? — Falou o amigo formando um bico tristonho em seus lábios.
— Claro que não! Eu já estou meio “assim” com meu chefe... Ele gritou comigo, e enfim... Ainda vou pedir adiantamento para comprar o ingresso do show... — Frank se interrompeu ao lembrar do show. — Por falar nisso já comprou o seu?
— Já! Meu pai liberou uma grana. Mas ele disse que eu tenho que pagar depois.
— É... Zacky, eu chamei um amigo para ir conosco. Tem algum problema? — Falou Frank meio receoso por temer a reação do amigo.
— Ah, amigo, é? Tudo bem, pode leva-lo. Eu conheço?
— Ele é da empresa... E, hm, irmão do chefe. — Frank suspirou. — Ele vai levar o irmão.
— Espera... — Zacky ficou raciocinando por alguns segundos. — FRANKIE, SEU CHEFE VAI COM A GENTE PRO SHOW DO METALLICA? MAS QUE MERDA É ESSA? CARA, UM VELHO BARBUDO E RABUGENTO ALI NOS PERTUBANDO PRA DEPOIS CONTAR TUDO PARA SEU PAI E NUNCA MAIS TE DEIXAR SAIR?
— ZACKY! Por favor! Gerard é novo. Tem 23 anos, apenas. E seu irmão 19. E se quer saber, ambos são bem bonitos. — A última frase Frank pronunciou bem baixo. Mas Zacky pode ouvir.
— Você está muito estranho... Nunca foi de achar homem bonito, Frank... Eu, hein?!
— Eu acho você bonito, Zacky. Satisfeito? — Frank percebeu o amigo corar, logo um sorriso foi tomado por seus lábios com a reação do maior.
Estes ficaram jogando conversa fora até altas horas da noite sem nenhum uso de álcool ou algo ilícito, quando Frank se deu conta que estava tarde, se apressou em se despedir do amigo e ir embora para casa. Já era quase uma da manhã, Zacky ofereceu carona para Frank, mas este recusou dizendo que morava ali perto.
Após andar alguns quarteirões, se arrependeu de ter recusado o convite do amigo. As ruas estavam frias, escuras e vazias. Frank involuntariamente se abraçou com ambos os braços para tentar cessar o frio. Nada feito. A madrugada de Jersey era triplamente mais fria que a noite. Mas ficou pensando em que faltava apenas alguns quarteirões para chegar em casa.
Sempre no caminho da praça para sua casa, Frank tinha que passar em frente de um bosque da cidade. Um bosque antigo que, pela manhã, era perfeito para um passeio com a família. Mas apenas poucos arriscavam entrar ali de noite, pois ocorriam boatos de quem entrava lá depois das seis da tarde, jamais conseguia sair. E que os espíritos estavam todos despertos pela noite. Claro que Frank nunca acreditou nessas lendas urbanas. Mas podia ouvir uns ruídos vindo do tal bosque. “São apenas animais, Frank.” Os ruídos vinham de longe, mas o jovem podia perceber que estes estavam se aproximando. Por mais que não queira admitir, Frank estava assustado e apressou o passo. Quando se deu conta, já estava correndo para tentar chegar em casa. Como era inverno, as folhas das árvores caiam, na correria, Frank não pode deixar de escorregar entre as folhas e cair inteiramente dentro do bosque escuro em meio as árvores.
— O que diabos é isso? — Estava escuro, mas uma luz que não sabia de onde vinha o fazia ver sua mão banhada de sangue. Frank deixou-se tomar pelo medo. Queria apenas sair dali.
Notas finais
Então, até o final de semana, fofas! Mereço reviews?
Xoxo!
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