New World
3 Primeiro dia, primeiras impressões
Notas iniciais
— Então, Frank, eu terei de passar esses dois meses fora do país, tratando de negócios com sócios europeus. Meu outro filho ficará no comando da empresa, e como ficará sobrecarregado, precisará de um auxílio. Mikey não poderá dar conta de tudo. Pois sua faculdade tomará um tempo dele. Você poderia ser o auxiliar de Gerard enquanto eu não estarei presente — Donald ajeitava sua gravata e logo colocava as mãos nos ombros de Frank, fazendo o menor se assustar e sorrir amarelo. — Seu pai me disse que esse será seu primeiro emprego, aliás, Mikey lhe dará todas as instruções necessárias para executar seu trabalho. Estou indo viajar em poucas horas, e mais tarde, mande um grande abraço para Frank. Gosto muito de seu pai, sabia? E, ah, pode começar hoje mesmo!
E o mais velho se foi, despedindo-se de Mikey e indo a outras salas, deixando Frank a sós com o maior. O silêncio instalou-se na sala de Mikey, fazendo o menor pigarrear e o outro ajeitar a armação de seus óculos. O mais alto desviava o olhar para a camisa do menor, e após alguns minutos de silêncio, Frank estava se irritando.
— Percebi que gostou da minha blusa. — Falou o menor rindo baixo.
— Ah... É, hm... É interessante. — A falta de jeito do maior fez Frank rir divertidamente.
— Você gosta?
— De quê? — Mikey franze o cenho ainda tímido.
— De ver lésbicas se beijando — Frank rolou os olhos, enquanto o outro arregalou os seus para o menor, que ria. — Como de quê? De Metallica, ué.
— Ah... — Mikey ria constrangido. — Eu nunca escutei.
— Você o quê? Nunca escutou Metallica? — Frank falava como se fosse algo impossível. E Mikey balança a cabeça negativamente. — Cara, se eles vierem para Jersey, pode ter certeza que vou te levar no show deles.
Mikey e Frank se divertiam falando de bandas, o menor empolgava-se. Ambos riam de umas piadas que surgiam meio à conversa. Falaram de música, carros, hobbies, livros. Mikey, que ao se conhecerem se mostrava tímido, estava se sentindo bastante à vontade com Frank. Eles nunca imaginaram que poderiam se dar tão bem. Um bom tempo passara, horas apenas jogando papo fora, e eles conversavam sobre viagens feitas. Logo, a porta se abre, entrando um rapaz alto, aparentemente mais velho que Mikey, mas que não deixava de possuir traços faciais infantis. Tinha um olhar infantil e uma boca com lábios finos e bem rosados. Sua pele era pálida ao extremo, mas suas bochechas levemente coradas entravam em contraste com o negro de seus cabelos repicados até um pouco acima de seus ombros. Estava com uma blusa social com os dois primeiros botões abertos e um blazer preto, calçava jeans e sapatos sociais. Frank, boquiaberto com a beleza do cara não muito magro, não deixou de notar todos os detalhes do ser que se apresentava em frente à porta do escritório de Mikey, este apenas erguias ambas as sobrancelhas e o Gerard tinha o cenho franzido confuso por não saber quem era aquela pessoa ao lado de seu irmão.
— Mikey, vamos almoçar? — Falou Gerard olhando para o irmão confuso pela presença de Frank.
— Ah... Bem, com licença... Eu vou indo almoçar também e...
— Frank, venha conosco. Assim conhece logo Gerard — Sorria para Frank, que arregalou os olhos ao ver que aquele homem seria o qual para quem iria trabalhar como auxiliador, e voltou seu olhar para seu irmão. — Gerard, este é Frank, o seu novo auxiliador enquanto papai estará viajando pela Europa. Ele pode ir almoçar conosco?
— Por mim tudo bem. Assim podemos nos conhecer e posso lhe mostrar como funciona aqui na empresa.
— Sim! Essa tarde explicarei para ele tudo que é preciso para executar bem seu trabalho.
— Ótimo — Gerard seguia até o elevador, Frank e Mikey fizeram o mesmo. — No seu carro ou no meu, Mikey?
— Vamos no seu, deixei minhas chaves no escritório. — Gerard rolou os olhos com o constante esquecimento do irmão com coisas.
Ao chegarem no estacionamento, Frank direcionou o olhar em busca do carro de seu mais novo chefe — o que imaginou que seria um belo carro —, até o bip da destrava do carro ser acionada e os faróis do automóvel de Gerard acendeu num pisca, fazendo Frank encontrar o carro do maior com o olhar. O pequeno simplesmente não podia acreditar no que via, piscou seus olhos diversas vezes, para ver se não estava com alguma alucinação, e até arriscou se beliscar algumas vezes. Mas seu plano de vingança teria ido totalmente por água abaixo. Frank pensava nas formas de tentar se vingar do cara, mesmo ele sendo seu chefe. O pequeno pensou em ser um péssimo auxiliar. Mas, por mais que não admitisse, precisava desse emprego. Queria ter seu próprio dinheiro e virar independente. Talvez esse seu emprego fosse os primeiros passos em busca de seu carro e apartamento próprio. Podendo fazer o que quiser quando atingisse a maioridade. Sua carteira de motorista estava criando teias de aranha em seu guarda-roupa. Não sabia a quantia de seu salário, mas pela empresa possuir um grande porte, talvez não seja dispensável, pelo contrário, poderia ser bem útil para conseguir sua liberdade das casas dos pais, melhor dizendo: seu pai. Frank poderia morar muito bem com sua mãe, mas só ela. Seu pai, a cada dia que se passava, se tornava mais irritante ao olhar do filho.
Mikey sentou-se no banco passageiro dianteiro e Frank no banco traseiro. O silêncio dominou o ambiente do carro, enquanto este estava preso num engarrafamento. O mais novo apenas observava pela janela o trânsito parado. Mikey olhava para frente, como se houvesse algo muito interessante ali. E Gerard continuava atento ao trânsito que movia-se lentamente, o que mexia com sua paciência, que era mínima em qualquer circunstância. Para quebrar o silêncio constrangedor no carro, Mikey arriscou ligar a rádio. Mas Gerard o impediu.
— Então, enquanto o trânsito não se mexe, por que não adiantamos nossa conversa de como funcionará na empresa? — O mais velho olhava para o irmão, ao seu lado, e direcionava o olhar para o mais novo no banco traseiro. — Frank, eu gosto de pontualidade. Às 7 horas a empresa já está aberta. Prefiro que chegue 20 minutos antes, assim podemos nos organizar melhor.
— Se-sete horas? — Frank não conseguia associar suas férias com acordar seis da manhã para chegar ao seu trabalho 40 minutos depois. Não pensaria numa possibilidade e jogar todas suas férias fora.
— É. Como disse, gosto de pontualidade — O mais novo assentiu ainda meio desanimado por ter que acordar tão cedo. — E... Bom, a empresa é bem rígida com as regras. Eu preciso que possua um visual estável para receber clientes.
— Há algo errado na forma da qual eu me visto? — Frank se sentiu ofendido. Sempre se vestira assim, podia evitar seus tênis sujos. Mas não queria livrar-se de seus jeans surrados e desbotados.
— Não, Frank... Gerard só está dizendo que os clientes são exigentes com os funcionários.
— Vista-se como quiser. Fora da área de trabalho. — Gerard mantinha a atenção no trânsito que permanecia parado. Mikey tinha percebido o clima entre o irmão e seu mais novo colega de trabalho. E tentou descontrair o ambiente.
— Frank, você me parece jovem, quantos anos tem? — Falou olhando para trás, em busca de ver Frank. Seu irmão permaneceu quieto, mas não deixou de erguer uma sobrancelha e olhar rapidamente para trás. Frank mexia em seu piercing no lábio, enquanto Mikey o olhava.
— 17. Você também não me parece velho, Mikey. E você?
— Nossa. É bem novo — Mikey riu. — Tenho 19. E quantos anos você daria para Gerard? — O pequeno franziu o cenho com a pergunta e ficou receoso em responder. Para ele, Gerard tinha uma beleza incrível. Uma mistura de menino-homem. Sua maturidade física e expressões sérias o davam um ar elegante de homem, mas seu olhar infantil e voz delicadamente suave o faziam parecer uma criança inocente que tem medo do escuro. Frank não conhecia Gerard, só sabia seu cargo na empresa e primeiro nome. Mas o pequeno acreditava que através de tua sua seriedade e desempenho comercial, havia um rapaz sensível e temeroso. Frank não sabia o porquê do interesse em conhecer melhor seu chefe, pois nunca havia acontecido antes.
— Ahn... Eu não sei. Acho que algo por volta dos 23 — Mikey arregalou os olhos para o pequeno, o que fez este se socar mentalmente, e Gerard riu. Frank tinha certeza que falara besteira.
— Mas como você sabe? Como adivinhou?
— E-eu não sei. O físico dele... Ah, Mikey, foi um chute.
Finalmente o trânsito conturbado começara a esvaziar, dando passagem aos carros para continuar seu caminho. 20 minutos haviam passado, mas ninguém percebera. Mikey, Frank e Gerard pararam num restaurante, como o pequeno não tinha levado nada quando seu pai o chamou, Mikey pagou seu almoço, fazendo Frank prometer que pagaria no outro dia. Na volta, para sorte deles, o trânsito não estava um caos. E levaram menos de 5 minutos até a empresa. Pela tarde, Mikey explicou o necessário para Frank. Presenteando-o com três canetas e uma agenda para se organizar. Mostrou sua bancada, alguns metros em frente à sala de Gerard. Explicou horários de entradas e saídas de seu expediente, e disse que aos sábados trabalharia até meio-dia. O que fez Frank o olhar incrédulo, pois haveria de acordar cedo nos finais de semana. Por um lado, o mais velho entendia, seu colega era apenas um garoto e esse seria seu primeiro emprego. Então, após liberar Frank para sua casa, pediu a Gerard para conceder alguns atrasos. O mais velho ainda hesitou em aceitar, mas acabara cedendo. E lembrou-se de como era na idade de Frank, tais lembranças que preferia esquecer. As cicatrizes que estas deixaram eram magoadas ao voltarem a rondar na cabeça de Gerard. Que prefere fingir que nada aconteceu. O segredo que sua família guardava; o risco fatal que esse segredo causava em toda humanidade fazia-lhe sentir um monstro e ter repugnância de si.
— Gerard? — Mikey entrou em sua sala. Já era tarde da noite e todos os funcionários haviam ido para suas casas.
— Oi, Mikey. — Falou num suspiro.
— Vamos? Sabe que é perigoso para as pessoas nós ficarmos sozinhos rondando pela madrugada em Jersey.
— Eu sei. Mas eu consigo me controlar.
— Mas eu não, Gee. Não totalmente. É por isso que eu preciso deixar essa empresa. E Frank virou mais um motivo. — Mikey disse olhando para baixo ao lembrar-se de Frank.
— É, eu sei. Vai ser difícil para mim também. — E os irmãos saíram da sala, logo após saíram da empresa.
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