New Ways...
43 Capítulo 41
Notas iniciais
Hanamiya’s POV on
Apesar de algumas companhias indesejadas, a viagem deu certo, chegamos inteiros em casa e tudo estava no seu lugar. Ainda me arrependo de não ter arrebentado a cara daquele grandão esquisito, mas tudo bem. Vamos deixar isso pra lá.
Eu acho realmente bom ter um momento em família com os meninos, mas...
— Você está com... Dor de barriga! — Kise gritou empolgado, vendo o ruivo negar com a cabeça.
Que tédio...
— Vontade de ir ao banheiro! — dessa vez foi Takao e o ruivo tornou a repetir seu movimento, continuando sua mímica.
Eles são muito idiotas...
— Vontade de se aliviar! — Kise novamente.
— Acabou o tempo, Akashi. — Midorima falou, desligando o cronômetro em suas mãos. — O que era essa aberração?
— Nossa, como vocês são ruins! — reclamou Akashi. — Eu estava fazendo a melhor performance possível daquele cantor famoso, o Bono!
— Nossa, bem que eu desconfiei que fosse ele. — debochei. — Tamanha semelhança não tinha como não ser notada.
— Vocês são muito ruins no Imagem e Ação! Eu ganho de todos! — o ruivo se sentou.
— Tá bom, tá bom... Você é absoluto. — ironizei, pegando o dado que estava sobre o tabuleiro e jogando.
— Isso, você aprende bem rápido Miya-chan.
— Me cansei desse jogo. — Midorima comentou, cruzando os braços. — Não quero mais jogar.
— Tá com medo, é papai?! — Akashi provocou. — Só porque tá perdendo!
— Aka-chan, você e o Kisecchi que estão em último. — Takao explicou. — Eu e o Shin-chan estamos em segundo.
— Ele tá com medo de perder pro Miya-chan!
— É inegável que a melhor dupla presente nesse recinto é a nossa. — falei, a fim de provocar o de cabelos verdes e o ruivo e apenas vi Kiyoshi afirmando com a cabeça. — Porém, eu concordo com o Midorima, já está um tédio.
— Vocês são muito fraquinhos! — reclamou Akashi.
— Baixa sua bola, tampinha ruiva. — alertou o de cabelos verdes. — Apenas estamos cansados disso.
— Aah, o que nós vamos fazer agora? — choramingou Kise, sentando-se no sofá ao lado de Teppei e agarrando seu braço. — Eu não quero ficar à toa!
— Realmente não tem nada pra fazer Kise... — Kiyoshi acariciou os fios loiros do outro. — Já arrumamos tudo pra vinda dos pais de vocês amanhã...
— Sim... Ah, Kiyocchi! Por que seus pais não vêm? Eu queria conhecê-los.
— Exato Kiyoshi, por que eles não poderão vir? — Midorima reforçou a pergunta. Certo, eu também estava curioso...
— Bem... Aparentemente eles não têm tempo pra esse tipo de coisa. — ele respondeu desanimado. — Eu queria que viessem, mas vão trabalhar.
— Ah, que pena Kiyocchi. — Kise se arrumou no sofá. — Makocchi não irá conhecer os sogros amanhã...
— É... — concordei, indo em direção ao sofá e me sentando ao lado de Kiyoshi. Ele parecia triste. Me encostei em seu ombro, passando um dos braços ao redor de seu corpo. — Tenho certeza que teremos outras oportunidades.
— Sim. — Midorima concordou, sentando-se ao outro sofá. — A propósito, fiquei realmente curioso para saber como serão os pais do Kise pessoalmente.
— Verdade! Não consigo imaginar essa criatura saindo de uma moça bonita como aquela da capa da revista nunca. — comentei, lembrando de uma revista em que a mãe de Kise saíra na capa. Ela era uma mulher realmente atraente, aparentava ser simpática e não parecia ter parido aquela coisa de jeito nenhum.
— Makocchi, ela é a minha mãezinha! Minha deusa! — Kise explicou, gesticulando. — Ela e meu paizinho! Vocês conhecerão os dois amanhã!
— Quero só ver isso... — sussurrei para Kiyoshi que riu. — Akashi, preparado pra conhecer os sogros?
— Eu nasci preparado, Miya-chan.
— Ui.
— Seus pais vêm de novo Shin-chan? — Takao se dirigiu ao de cabelos verdes.
— Sim, mas vocês já os conhecem, não preciso falar sobre eles.
— Sim, todo mundo conhece os pais do Midocchi, até o Seijicchi! — falou Kise. — Seu pai não vem também, não né, Akashicchi?
— Não, não tenho contato. — o ruivo respondeu.
— Uma pena também... — o loiro pareceu desapontado. — E os seus, Takaocchi?
— Eles vêm!
— Como eles são Takao? — Midorima perguntou.
— Bom, meu pai me lembra bastante o seu, Shin-chan. — começou ele. — Até o jeito de falar é parecido... Já minha mãe... Ela aparenta ser mais jovem do que realmente é! Ela é bem legal!
— Vou conhecer os papais de todos vocês! — Kise comemorou empolgado. — E... Makocchi, seus pais vem? Só falta você falar sobre eles!
— Sim, eles virão. — respondi.
— Ayumecchi também vem?!
— Sim Kise, ela vem. — eu ri.
— Uhul! Eu e o Seiji vamos brincar com ela! — ele pulava como uma criança enquanto falava. — Seus pais são legais Makocchi? Seu pai melhorou?
— Sim, eles são legais. — falei, notando os olhares de todos eles sobre mim. — E sim, ele está melhor, agora já pode sair de casa.
— Isso é bom!
— Imagino os pais do Miya-chan... — Akashi se dirigiu a mim. — Se forem iguais a você, eu dispenso a vinda deles.
— Eles não são iguais a mim, Maria. — expliquei no mesmo tom que ele usou.
— Kiyocchi vai conhecer os sogros. — Kise falou e senti Kiyoshi ficar um pouco tenso. — Akashicchi também!
— Seus pais sabem sobre você, Takao? — Midorima perguntou um pouco sério.
— Não Shin-chan... Você é o primeiro menino com quem eu tenho algo sério, então... Nunca precisei conversar com eles sobre isso antes...
— Oh, que gracinha! Shintarou vai ser apresentar pros sogrinhos como o primeiro genrinho. — Akashi debochou.
— Akashicchi, isso não tem graça! — Kise o repreendeu. — Você também será apresentado aos teus sogros, então, se comporte!
Tive que segurar o riso vendo aquela cena. Os outros também, Teppei até desviou o olhar.
— Eu também vou conhecer os meus... — Kiyoshi comentou olhando para mim. — Seus pais sabem sobre você, Makoto?
— Sabem. Já passei pela experiência de apresentar alguém a eles... — respondi um pouco receoso da reação de Teppei, mas ele não esboçou nada negativo.
— Apresentou o Imayoshi a eles? — Midorima questionou curioso.
— Também...
— Quantos namorados você teve, Makocchi?! — o loiro perguntou assustado.
— Calma Kise. — pedi. Ele parecia um pouco desesperado e Kiyoshi já me olhava esperando uma explicação. — Foram dois além do Teppei.
— Saidinho, hein. — Midorima comentou com malícia. — Esses todos foram oficiais ou da noite?
— Dispenso seu deboche, Midorima. — estendi a mão para o outro sinalizando que parasse. — Fiquei com dois rapazes além do Kiyoshi, NA VIDA!
— Huuum, conte-nos mais sobre suas aventuras amorosas, Miya-chan. — falou Akashi. — Não acredito que tenham sido só dois...
— Foram dois e ponto.
— Imayoshicchi e mais quem, Makocchi?
— Kentaro, um amigo de infância... — disse um pouco baixo, Teppei me olhava e eu já estava com vergonha daquele assunto. Devia estar vermelho.
— O que seus pais acharam deles? — Midorima insistiu.
— Não aprovaram nenhum dos dois, mas não fizeram nada que me impedisse de encontrar com eles. — expliquei, tentando não parecer incomodado. — Eles nunca se importaram muito com quem eu tinha esse tipo de relação, se eu me sentisse bem, estava bom pra eles, só pediam pra que tomasse cuidado.
— Pais liberais? Fiquei ainda mais curioso pra conhecer os seus pais, Miya-chan. — o ruivo se mostrou interessado no assunto. Somente ignorei.
— Kisecchi, seus pais sabem sobre você? — Takao perguntou, mudando o foco da conversa.
— Sim. — ele respondeu. — E eles não veem problema.
— Akashi-chan e Kiyo-chan não terão problemas. — o moreno sorriu.
— Aaah, esse papo de vocês tá cansando a minha beleza. — o ruivo falou, se espreguiçando. — Acho que vou dar uma volta lá fora.
— Não, Akashicchi! Vamos fazer algo juntos, pessoal!
— O que você sugere Kise? — Midorima questionou. — Não tenho ideia de como acabar com esse tédio.
— Por que não fazemos uma sessão de filmes? — Kiyoshi sugeriu. — Tenho alguns filmes em um dos quartos em desuso.
— Isso! Eu também tenho alguns na minha mala! — Akashi falou empolgado. Acho que é a primeira vez depois de todo esse tempo morando com ele que o vejo tão animado. — Vou lá pegar.
Após ver tamanha empolgação, eu e Midorima, não pudemos negar. Aceitamos a tal sessão de filmes.
Todos se reuniram no maior quarto com televisão, ou seja, o nosso.
— Oh! — Kise se jogou na cama. — A cama de vocês é realmente boa, Makocchi!
— Sim, então tente não quebrá-la!
— Não vamos caber todos na cama, vamos? Acho melhor pegarmos outro colchão. — Midorima alertou.
— Nããão, Midocchi! Vamos ficar todos aqui! Akashicchi quer filmes de terror, é melhor ficarmos todos juntos! — o loiro se manifestou demonstrando certo espanto. — Assim ninguém morre sozinho!
— Quais filmes iremos assistir? — Takao se sentou na cama também parecendo empolgado.
— Tenho clássicos aqui! — Akashi entrou no quarto com uma bolsa preta. — Podem escolher!
Ele virou a bolsa aberta sobre a cama, revelando muitas capas de filmes diferentes. Não sabia que era um maníaco por cinema...
— Me deixem escolher o primeiro?! — o loirinho perguntou empolgado.
— Sim.
— Huuum... — ele olhou aquele monte de filmes pensativo e fechou os olhos, puxando uma das capas. — Esse aqui!
— Você nem viu o nome! — protestei. — Qual é?
— A maldição do Chucky. — Midorima leu a capa. — Não me parece bom...
— Midocchi, escolha o segundo!
— Está bem. — Midorima se dirigiu a pilha, repetindo o ato do loiro. — Pronto.
— O Ataque dos Tomates Assassinos... Seu dedo é mais podre do que o do Kise... — comentei desanimado.
— Escolha agora, Makocchi!
— Ok... — fechei os olhos e tirei um novo filme. — Espero que não tenha sido uma merda...
— O Sexto Sentido. — Kiyoshi falou. — Me parece melhor que os outros.
— Akashicchi quer tirar agora? — Kise abraçou o ruivo que havia se sentado à cama também.
— Sim. — ele repetiu o que foi feito e puxo a capa para si, lendo o nome. — O Dia dos Namorados Macabro.
— Vocês têm muita sorte...
— Takaocchi e Kiyocchi, só faltam vocês!
— Pode ir primeiro Takao. — Teppei sorriu.
— Ok, Kiyo-chan! — Takao assentiu se aproximando da pilha de filmes e puxando um aleatório. — Terra dos Mortos...
— Kiyocchi, você agora!
Teppei puxou o último filme: Poltergeist – O fenômeno. Ok... Acho que o meu é o melhor... Arrumamos a cama com vários travesseiros, enquanto Kise e Kiyoshi iam fazer pipoca e pegar refrigerante.
Não sei explicar como, mas, couberam todos na cama. Acho que ela é realmente grande... Eu e Teppei ficamos no meio, ele sentado e eu entre suas pernas. Na ponta direita, logo ao nosso lado, Takao estava jogado sobre as almofadas e Midorima apoiava a cabeça em seu peito, enquanto Kise e Akashi se deitaram juntinhos próximos a nossas pernas. Que lindo... Parece até que somos amigos inseparáveis que se conhecem há anos... Que evolução...
O primeiro filme começou. Era realmente horrível, precisei segurar o riso várias vezes. Akashi parecia empolgado, sorria o tempo inteiro, enquanto Kise se encolhia cada vez mais abraçando o loiro. Kiyoshi me abraçava com um pouco mais de força do que no começo. Não acredito que ele está com medo... Midorima, igualmente a mim, parecia segurar o riso e Takao estava assustado também.
O segundo foi o pior de todos! Eu não consegui segurar o riso. Até Takao que aparentava estar borrando as calças de medo no filme anterior riu. Já Kise... Coitado do nosso loirinho... Ele continuava com medo.
E foi assim no terceiro, quarto, quinto e no sexto. Admito, o terceiro me deu alguns sustos, mas nada gritante. Imagino como Kise ficou...
— Devíamos fazer sessão de comédia mais vezes. — debochei, secando uma lágrima imaginária.
— Eu te vi tremendo, Miya-chan! Pode parar de se fingir de macho que todo mundo aqui sabe que você não é! — Akashi riu.
— M-Midocchi... E-eu t-tô com m-medo! — Kise gritou agarrando o de cabelos verdes. — Me protege!
— Kise, você realmente está com medo?
— Kisecchi, não fique assim! — Takao acariciou as costas do loirinho. — Não vai te acontecer nada daquilo.
— Mas e se o meu Pikachu de pelúcia começar a se mexer sozinho? — ele choramingava segurando o braço de Midorima.
— He, Kise, seu Pikachu é o menor dos problemas. — brinquei.
— Makoto, não faça isso. — Kiyoshi me abraçou por trás falando baixinho. — Ele já está com medo, vai ficar pior ainda.
— Ele supera... — sussurrei rindo. — Ouvi dizer que há uma lenda muito assustadora pelas redondezas...
— É? — o loiro soltou Midorima e me encarou com os olhos alargados. — Qual Makocchi? Me conta!
— Mitsuo, o caseiro que me falou... Disse que o Seiji-kun tem muito medo.
— Como é essa lenda? — ele parecia curioso.
— A lenda do... — os meninos já saíam do quarto rindo, deixando-me sozinho com Kise. — Pipoqueiro Fantasma!
— P-pipoqueiro Fan-fantasma?!
— Sim!
— Como é?! — me puxou para sentar ao seu lado. — Me conta!
— Era um velhinho morador da vila, ele tinha um carrinho e ficava todas as tardes vendendo pipoca pras crianças na praça... Todos gostavam dele, era agradável e gentil, mas numa noite...
— Numa noite o que?! — a cada hora seu olhar crescia mais e ele parecia mais assustado. — Me conta Makocchi!
— Ele foi atravessar com seu carrinho para voltar pra casa e não viu um carro que acabava de passar pela esquina, então... BAM!
— O que?! — se levantou num pulo. — O que aconteceu?!
— Ele foi atropelado e, infelizmente, não resistiu aos ferimentos... — eu contava a história usando e abusando de meus dons teatrais. Variando as expressões de suspense a drama. — Mas então, muito revoltado com seu atropelamento e sem saber quem foi o culpado...
— Mas ele não morreu?
— Sim, depois de morto isso, Kise! Não me interrompa!
— Ah, desculpa! Continue.
— Enfim, como sua revolta era grande, ele, o pipoqueiro, a fim de vingar sua morte, vaga pela vila, de casa em casa, à procura de seu assassino.
— Makocchi... — Kise parecia pensativo.
— Hum?
— Você acha que ele virá aqui?! — ele sacudiu meus ombros com desespero. — Ele pode nos pegar!
— Não sei Kise... Mas de hoje em diante, diga ao Akashi para dormir com a tesoura dele debaixo do travesseiro...
— Sim! — ele se levantou e saiu correndo em direção a porta. — Obrigado por me contar, Makocchi!
— Nada, Kise! — sorri vendo aquela cena. Ele é realmente muito inocente coitadinho...
Olhei ao redor. Estava sozinho no quarto. Joguei o travesseiro que segurava sobre a cama e fui de encontro aos outros ainda rindo.
Até que foi divertido.
***
Já passava das dez horas. Eu estava na cozinha guardando as últimas louças, quando Akashi entrou e se sentou a cadeira do canto, passando a me observar, sem dizer uma só palavra. Kiyoshi havia entrado para o banho, Kise jogava videogame com Takao em algum dos quartos e Midorima devia estar lendo em um canto qualquer, nada que me interessasse.
— Qual é o seu problema? — perguntei, olhando o outro parado me encarando.
— Nada... Só estava pensando...
— Não, não quero te pegar, tente com outro. — brinquei. Esse tipo de brincadeira havia se tornado frequente entre nós. Era engraçado. — Kise deve estar te esperando para protegê-lo do pipoqueiro fantasma.
— Seu ridículo! — Akashi respondeu rindo. — Ele tá se cagando de medo por sua culpa agora!
— Que azar, hein Maria... — eu ri.
— Idiota...
Ainda rindo dele, continuei meus afazeres. Apesar de não ter feito praticamente nada o dia inteiro, estava cansado e doido para ir para o quarto logo. Ainda bem que já o arrumei...
— Makoto... — ouvi Akashi me chamar e o encarei, ele tinha o olhar perdido em suas mãos estendidas sobre a mesa. — Posso te pergunta uma coisa?
— Hum? Sim.
— Você já... — iniciou sua pergunta, mas foi interrompido por Midorima que acabara de adentrar a cozinha.
— O que as donas estão fuxicando? — o esverdeado perguntou, seguindo em direção a geladeira, de onde tirou a garrafa de leite e seguiu em busca de um copo sobre a pia.
— Não somos donas e não estamos fuxicando. — respondi, apontando o pano para ele. — E você irá lavar esse copo!
— Está bem, não precisa me ameaçar com o pano de prato. — levou de volta a garrafa para a geladeira e em seguida puxou uma cadeira próxima a Akashi, sentando-se ali. — Sobre o que conversavam?
— Não sei, você interrompeu a Maria quando chegou. — continuei arrumando a cozinha sem dar muita atenção aos dois sentados à mesa. — Devia ser menos curioso.
— Você também é, então, não reclame.
— Cala a boca. — dei os ombros, levando alguns potes de plástico até um dos armários. — Akashi, prossiga. O que você queria saber?
— Você já comeu o Teppei?
Deixei os potes caírem na mesma hora e ao mesmo tempo Midorima se engasgou com o leite e começou a tossir, até que ficasse vermelho. Fui acudi-lo.
— Akashi! Isso é coisa que se pergunte?! — ao recuperar o fôlego e a voz, Midorima questionou indignado.
— Eu estava curioso. — o ruivo respondeu coçando a cabeça. Simplesmente.
— Que curiosidade besta!
— Tudo bem, Midorima. — me afastei um pouco, após me certificar de que ele estava bem e não desmaiaria a qualquer momento, pegando os potes novamente e os guardando. — Eu deixei que ele perguntasse, mas não tinha noção do assunto... Akashi é... Por que quer saber isso?
— Bem, eu... Eu estou com problemas. — ele semicerrou os olhos. — Eu nunca tive nada com homens e...
— Ok, já sei o que houve. — me sentei próximo a eles. — Você nunca teve nada com homens e agora não sabe o que fazer com o Kise, certo?
— Sim... — ele abaixou seu rosto, apoiando-o com as mãos nas laterais da cabeça. — Vocês dois já tiveram experiência antes... Teppei também, mas com ele eu não falaria... Muito menos com o Ryouta!
— Tenho certeza de que ele te ajudaria. — Midorima disse. — O Kise é compreensivo, ele entenderia o seu lado.
— Concordo com o Midorima... Mas se você prefere que nós falemos algo, por mim tudo bem, você quem decide.
— Não costumo falar sobre minhas relações íntimas. — o de cabelos verdes se levantou, indo em direção a pia e lavando o copo que usara. — Se quiser ajuda recorra apenas ao Makoto.
— Era o meu plano desde o começo, Shintarou. — Akashi provocou, porém, não surtiu efeito algum, já que o outro já havia saído do cômodo. — Makoto.
— O que?
— Obrigado...
— Ah, deixa disso. — sorri. — Essas coisas são novas pra você, é normal que se sinta assim, então, quando quiser saber sobre algo pode perguntar, se eu souber, responderei sem problemas.
— Você ainda não respondeu minha pergunta. — me olhou em forma de desafio, contendo o sorriso.
— Quer saber essas coisas, né safadinho? — eu ri com malícia. — Bom, o Teppei não... Nunca tentei...
— Hum... — me olhou desconfiado.
— Sem detalhes, Akashi! — pedi, sentindo meu rosto se aquecer. — Se começar a debochar eu não respondo nada!
— Está bem! Está bem! — ele levantou as mãos em sinal de rendição. — Mas me diga, acha que ele deixaria se você quisesse?
— Você tá muito curioso! O que é isso?!
— Responda Miya-chan, isso não vai sair daqui. — riu.
— Está bem... Acho que sim... Mas isso não vem ao caso nesse momento!
— Tudo bem! Só me fale o básico que eu preciso saber em relação a essas coisas... Eu posso pedir ajuda ao Ryouta se for o caso...
— Ok, falarei. — concordei, me levantando. — Mas não hoje. Já está tarde e amanhã nossos pais vêm aqui.
— Mas...
— Sem “mas”, precisamos descansar, Akashi. — me dirigi para fora do cômodo, sendo acompanhado pelo outro que foi apagando as luzes por onde passava. — Após a visita dos pais, me procure. Prometo que te falo o que for necessário.
— Cobrarei depois, hein. — parei na porta de meu quarto, a segunda porta do corredor, vendo-o passar direto em direção ao seu.
— Pode cobrar. — ri, despedindo-me dele com um aceno.
Ai, ai... Esse Akashi...
***
Entrei no quarto e Teppei já estava deitado.
— Por que demorou Miya-chan?
— Akashi acabou indo me fazer companhia e ficamos conversando um pouco. — respondi, esboçando um pequeno sorriso.
— Ah sim. — ele sorriu, ajeitando-se no seu lado da cama. — Já vai deitar ou vai ler um pouco?
— Vou deitar, não estou com vontade de ler hoje. — assenti, puxando a colcha que já cobria o seu corpo e me deitando sob ela, logo ao lado de Kiyoshi, claro, não sem antes apagar a luz.
— Quer ver TV?
— Não, mas se quiser pode ligar. — me virei de costas para ele, sentindo-o me abraçar.
— Não estou com vontade também. — ele beijou meu pescoço. — Só quero ficar assim com você.
— Então, boa noite Teppei. — virei um pouco meu rosto, logo encontrando o dele e depositei um beijo em seus lábios. — Durma bem.
— Você também Miya-chan. — acariciou meus cabelos, aconchegando seu queixo próximo à curva do meu pescoço. — Eu te amo.
Me assustei um pouco ao ouvir aquilo novamente, mas não posso dizer que não gostei, muito pelo contrário.
***
Sem que pudesse perceber, acabei ficando tempo demais pensando no que Kiyoshi falara juntamente com o que Akashi “propôs”... Será que...? Não... Talvez... Olhei para o relógio no criado mudo, ele marcava quase duas horas... Os outros já deviam estar dormindo...
— Teppei... — sussurrei.
— Hum? — o ouvi resmungar.
— Está acordado mesmo ou mais pra lá do que pra cá?
— Mais pra lá do que pra cá... — riu fraco. — Mas posso acordar, se quiser.
Me virei para em sua direção, sentindo-o descansar uma das mãos em minha cintura.
— Tem algo te incomodando?
— Acho que incomodando não é a palavra certa... — disse, observando seu rosto. O quarto estava bem escuro, a única luz que ali havia era a pequena iluminação da lua que entrava pela janela, mas ainda sim, podia notar sua expressão calma.
Aproximei mais nossos rostos, passando a ponta do meu nariz pelo seu, enquanto fechava os olhos. Colei nossos lábios brevemente, levando uma de minhas mãos até seu cabelo, onde me deixei acariciá-lo. Ele retribuía tudo na mesma intensidade.
— Makoto... — Teppei gemeu meu nome, ao sentir meus lábios em seu pescoço. — Mm...
Sorri contra sua pele. Hum... Acho que eu também posso tirar esse tipo de som dele... Isso é bom.
Continuei dando pequenas mordidas e beijos naquela área, subindo em direção ao seu lóbulo, sentindo-o apertar minha cintura com mais força ao deixar minha atenção ali.
Minhas mãos passeavam livremente por seu peito coberto pela camisa. Aquilo me incomodava um pouco, então me afastei, sentando-me a cama, logo o puxando para me livrar daquela peça, trazendo-o para outro beijo durante o processo.
— Mak... Makoto... — ele me chamou após nos separarmos adquirindo uma expressão sorridente, porém, que carregava confusão. — O que houve com você?
— Eu quero você.
As três palavras foram suficientes para que ele tirasse aquele pano sozinho e me trouxesse para recomeçar o beijo. Suas mãos exploravam meu tórax por debaixo da camisa e cada toque eu sentia um arrepio. Era uma sensação muito boa.
O empurrei, fazendo com que se deitasse, dando certa atenção a sua cintura, arrastando o tecido fino de sua bermuda para baixo e retornando para cima após retirá-lo e sentando-me sobre sua cintura, apoiando uma de minhas mãos em seu peito, deixando a outra brincar com o cós de sua boxer.
— Mas eu quero algo diferente... — ele me olhava corado e assustado. Eu apenas sorria.
— O q-que?
— Eu quero... — antes que pudesse terminar de falar, fui interrompido pelo som da porta sendo arreganhada e um ser loiro correndo em direção a nossa cama, se deitando quase que em cima de Teppei. — Que porra é essa?!
— Makocchi! Kiyocchi! Me protejam! — Kise gritou com desespero, puxando a colcha e se encolhendo encostado ao outro sobre a cama.
— Kise, o que fizeram com você? — Kiyoshi olhou assustado.
— O pipoqueiro quer me pegar! — o loiro respondeu desesperado. — Eu nem fiz nada e ele quer me pegar!
— Que gritaria é essa?! — Midorima e Takao chegaram correndo na porta do quarto e acenderam a luz. Takao apenas com uma samba-canção preta e Midorima com uma camisa de malha branca e um short verde escuro. — Não se pode mais dormir nessa casa?!
— Kisecchi, o que houve?
— Ryouta! — Akashi também veio correndo. Ele vestia uma camiseta preta e um short vermelho escuro. — O que houve?!
— Akashicchi! — o loiro correu em direção ao outro, o abraçando. — O pipoqueiro fantasma tá atrás de mim!
— Pipo... O que? Ryouta, ele não existe.
— Existe sim! Eu fui beber água e ele fez um barulho lá fora! Eu vim correndo e parei de correr só depois de terminar a escada! Pensei que ele não tinha me seguido! — Kise explicava desesperado. Eu segurava o riso e Takao também. Os outros escutavam como se Kise fosse uma criança. — Aí quando eu tava em frente ao quarto do Makocchi, ele fez um barulho lá fora de novo! Eu saí correndo e pulei na cama do Makocchi!
— Ai meu Deus... Por que eu fui contar isso pra essa criatura? — massageei as têmporas. — Kise, o pipoqueiro não está atrás de você.
— Mas então quem fez o barulho, Makocchi?!
— Os cachorros têm brincado bastante durante a noite, devem ter sido eles. — Midorima respondeu. — Kise, não invada o quarto alheio assim.
— Mas Midocchi...!
— Vamos voltar a dormir, amanhã será um grande dia. — o de cabelos verdes terminou, partindo para o seu quarto. — Vamos, Takao.
— Tá bom Shin-chan. — Takao sorriu. — Boa noite, pessoal.
— Boa noite, Takao. — respondi, andando até Kise que continuava abraçado no ruivo. — Kise.
— Hum? — perguntou sem me encarar.
— Por que você tá com medo?
— Porque o pipoqueiro fantasma vai me pegar! — se soltou do outro, gesticulando ao falar.
— Não foi você quem o atropelou, por que ele te pegaria? — soltei a pergunta e ele me olhou desconfiado.
— É... Verdade, Makocchi. — agora ele parecia feliz. — Por que eu to com medo?!
— Porque é um banana! — Akashi cutucou o loiro, que riu. — Vamos lá voltar a dormir, Ryouta! Vê se não causa outra confusão dessas.
— Está bem, Akashicchi! — assentiu Kise, o seguindo e acenando para mim e Kiyoshi. — Boa noite Makocchi! Kiyocchi!
— Boa noite, Kise. — respondemos juntos e rimos depois. — Ai, ai... Esse loiro... — apaguei a luz que Midorima havia acendido e voltei para a cama. — Achei que fosse algo sério.
— Também. — Kiyoshi riu, voltando a se deitar e me puxou num abraço aconchegante. — Você foi muito mau em contar essa história pra ele.
— Não pensei que ele ficaria impressionado assim... Bom, mas agora parece que resolvemos.
— Sim. — ele beijou minha bochecha e se virou para mim. — Ei, antes de o Kise entrar aqui desesperado você disse que queria algo diferente... O que era, amor?
— Bem... — corei, acho que perdi um pouco o clima pra isso... — Era... Ah, esquece.
— Não, eu quero saber o que você queria. — me virei de costas pra ele, que apenas ficou me fazendo carinho e sussurrando em meu ouvido. — Makoto...
— Eu não sei se você vai querer...
— Não custa tentar. — ele se levantou um pouco me encarando. — Vamos Makoto, pode falar... Você não é tímido assim.
— T-tá bem... Eu queria... — fiz uma pausa, buscando coragem para terminar minha frase. — Queria que você me deixasse... F-ficar por cima alguma vez...
— Oh... — ele alargou os olhos em surpresa e depois sorriu. — Só isso?
— Sim. — respondi desviando o olhar. Devia estar corado com certeza.
— Você é um fofinho, sabia? — Teppei beijou minha bochecha e sorriu. — Pode ficar por cima quando quiser, eu não me importo desde que seja com você.
— M-mesmo? — voltei a olhá-lo.
— Sim... Poxa, você nem parece você desse jeito! — riu, me abraçando mais forte. — Não sabia que era tímido com essas coisas.
Eu sorri e o beijei. Sabia que ele entenderia...
Me senti feliz recebendo os mimos de Teppei. Nunca havia sido tratado com tanto carinho e ele me surpreendia a cada momento. Não me arrependo nada em ter cedido alguns meses atrás... Ele me faz bem!
Nos abraçamos e decidimos dormir. Sim, Kise cortou o clima quase que totalmente. Não que isso seja um problema, foi até melhor. O dia seguinte seria cansativo, então, descansar seria o melhor a se fazer.
Deixa que terminamos aquilo outro dia...
Tenho certeza que será ainda melhor.
Hanamiya’s POV off
Fale com o autor