New Ways...
27 Capítulo 27 Parte 1
Notas iniciais
Hanamiya’s POV on
O relógio despertou às oito. Sim, um pouco tarde para quem tem aula de manhã, mas hoje era um dia... Incomum. Hoje teria uma missão, missão essa que apenas eu naquele apartamento seria capaz de cumprir... Cuidar de Shintarou Midorima. Por que apenas eu seria capaz de cumprir? Simples, tenho uma irmã mais nova e sempre cuidei dela quando esta estava doente, enquanto os outros nunca precisaram passar por nada parecido. Penso que não, isso não será muito diferente de cuidar de uma criança... Talvez um pouco mais difícil.
Terminei de partir algumas frutas e as coloquei em um potinho que estava sobre uma bandeja juntamente com um copo de suco, peguei a mesma e segui rumo ao último quarto do corredor.
— Midorima. — bati levemente na porta e como não obtive resposta, a abri. — Estou entrando.
O quarto estava pouco iluminado, apenas alguns feixes de luz passavam pelas frestas da janela. Me aproximei de sua cama e pude perceber que o mesmo ainda dormia profundamente. Coloquei a bandeja na cama vizinha e me aproximei novamente dele.
— Ei Midorima. — me abaixei. — Midorima, acorde.
Ele apenas se movimentou um pouco, porém, permaneceu dormindo. Levantei-me novamente e fui até a janela do quarto, abrindo-a. Ele repetiu o ato anterior, resmungando um pouco.
— Você não poderá ficar dormindo o dia inteiro. — falei. — Vamos, sente-se, trouxe seu café da manhã.
— Eu não quero comer... — ele respondeu baixo, virando-se para a parede. — Me deixe em paz.
— Tudo bem, eu te deixo em paz, mas só depois que você comer algo. — afirmei, pegando a bandeja novamente e voltando-me para o outro para apenas ver que ele ainda não havia atendido ao meu pedido. — Midorima, por favor...
— Não quero comer! Me deixe em paz!
Dessa vez ele se levantou um pouco enquanto falava, virando-se para mim com uma expressão negativa além de aumentar seu tom de voz. Aah... Esse moleque mimado...
— Midorima! — segurei por entre os cobertores e com uma precisão que eu não sabia que tinha, acabei conseguindo pegar a gola de sua blusa, puxando-o para um pouco mais perto de mim, fazendo-o me encarar. — Olha aqui, se você pensa que eu queria estar aqui te fazendo companhia e tentando te fazer comer pro seu estado não piorar, você está muito enganado, só estou fazendo isso a pedido de sua mãe, então, tem como você colaborar?! Faça isso pela sua mãe que está preocupada com você, não porque eu estou pedindo!
O soltei e me dando uma última olhada desconfiada, ele se sentou.
— Como falou com a minha mãe?
— Eu não sei se você lembra, mas eu trabalho com seu pai, logo tenho facilidade em contatar um dos dois. — respondi pegando a bandeja e colocando na cama dele. — Está aqui, coma pelo menos um pouco, se não conseguir não precisa comer tudo.
Ele pegou o pequeno pote com frutas e o garfo e me encarou.
— Como sabe que eu gosto disso?
— Perguntei pra sua mãe.
— Por que fez isso?
— Eu já sabia que seria difícil te fazer comer algo, precisava saber algo que você gosta pelo menos. — respondi. — Agora pare de fazer perguntas e coma um pouco.
Como eu pensei, será como cuidar de uma criança...
Ele começou a comer as frutas, bem devagar. Terei que ter paciência, e também, não o culpo, para quem passou mal a noite inteira até que ele está bem agora.
— Por que está fazendo isso? — ele perguntou.
— Hum?
— Por mim... Por que está me forçando a comer e dizendo que irei melhorar caso o faça? — explicou ele. — Sempre pensei que você me odiava e que nem mesmo ligaria se eu estivesse mal ou não.
— Midorima, odiar é uma palavra muito forte. — falei sentando-me à cama de Takao. — Você tem seus momentos e o que eu sinto em relação a você varia conforme esses momentos, não é como se eu realmente odiasse você, ainda mais depois do que você fez por mim.
Assim que terminei de falar ele me olhou surpreso. Logo depois, voltou com sua expressão de costume e continuou a comer devagar. Lembrei-me da preocupação de Takao ao sair de casa, o mesmo passou a noite inteira acordado com Midorima após o médico se retirar dizendo que ele estava com dengue. Lembrei-me também do que acontecera logo depois do retorno de ambos para casa. Será que...? Não, não pode ser.
— Midorima... — chamei sua atenção e ele me olhou. — Posso fazer uma pergunta? É meio indiscreta, mas isso me deixou um pouco... Curioso.
— Faça. — assentiu ele enquanto continuava comendo.
— Não precisa responder se não quiser. — alertei e ele fez sinal para que eu continuasse. — Aquilo que o Takao disse ontem...
— Não é verdade. — Midorima respondeu antes que eu pudesse terminar a frase. — Ele está falando demais.
— Tudo bem... Mas você me parece estar devendo.
— O que?
— Uma pessoa que não tem algo pendente sobre o assunto não responderia antes mesmo de eu terminar a pergunta. — expliquei e ele pareceu corar, enquanto desviava o olhar. — Olha, você não precisa ter vergonha disso.
— Aonde você quer chegar com essas perguntas? — questionou ele me encarando com o semblante fechado.
— Você está bem falante hoje, não? — ri e ele continuou me encarando. — Eu já disse, apenas fiquei curioso com aquilo que o Takao disse ontem, até porque achei estranho algo do tipo vindo de você.
— Ninguém é de ferro... Mas o Takao bem que exagerou. — soltou ele, deixando-me um pouco confuso.
— O que quer dizer?
— Quero dizer que é melhor você me trazer um copo d’água.
— Claro, depois que você me contar o que aconteceu ontem para o Takao fazer aquela revelação. — provoquei. Eu não pretendo forçá-lo a dizer nada, mas... Quem sabe, né? — Te trago quantos copos d’água quiser.
— Não quero mais, mas bem que aceito um suco bem gelado. — disse ele ainda tentando fugir do assunto. — E larga de ser curioso, você não é do tipo de gente que se interessa pela vida dos outros.
— Realmente, isso é verdade. — tive que concordar com ele, nunca fui de me interessar no que acontece com os outros. — Mas, Midorima, você é um ser peculiar, nunca te imaginei em um relacionamento ou algo assim, por isso a curiosidade.
— Vou te responder. — afirmou ele me deixando um pouco surpreso. — Apesar de achar que você está querendo saber sobre a potência do Takao. Se interessa por ele?
— O que?! — perguntei boquiaberto. Como assim?! — Não! Você tá louco?!
— Quer saber se ele beija bem?
— Mi-Midorima! — o segurei pelos ombros ainda assustado. — Você... Você não está falando sério, está?!
— Não. — ele desmentiu, fazendo com que me sentasse novamente, suspirando, de certa forma, aliviado. Nunca imaginei Midorima falando uma coisa dessas.
— Nunca mais faça isso!
— Ele beija bem, você deveria provar algum dia desses.
— Midorima!
— Tudo bem... — ele falou. Parece ter se dado por vencido. — Não aconteceu nada ontem, nós só conversamos e ele ficou cheio de ilusões... O máximo que ocorreu foi um beijo roubado numa sorveteria no mesmo dia que o cão Shiro apareceu. — ele terminou de explicar, deixando-me surpreso, não da forma como estava antes, mas me deixou surpreso e pelo visto, isso é visível. — Ele me pegou desprevenido e não pude negar e nem impedir o beijo dele, Takao ainda que pequeno é rápido, ele é mais ágil do que eu.
— Imagino como deve ter sido o “beijo”... — falei, frisando a palavra beijando e acrescentando aspas. Não deve ter demorado nem dois segundos e ele ainda chama de beijo. — E você gostou?
— Não, não sei, nunca beijei outra pessoa para poder comparar os beijos. — ele falou.
— Sim, eu sei, mas você gostou da sensação de ser beijado?
— Foi muito rápido, eu nem senti direito, só sei que estava gelado.
— Gelado? — perguntei.
— Sim, ele tinha acabado de tomar sorvete.
— Aah... Entendo... — falei e logo em seguida sorri, coisa que parece tê-lo deixado confuso. — Ele parece gostar realmente de você. — ele desviou o rosto. — Isso é bom, Midorima.
— Não sei, não vai desgrudar de mim nunca mais.
— Se você também gostar dele isso não será um problema, será?
— Não faça perguntas difíceis. — protestou ele e não pude deixar de rir. — O Takao é prestativo, atencioso, carismático, alegre, bondoso, educado, inteligente, acho que ele merece alguém melhor do que um simples mortal como eu.
— Se o Takao que tem todas essas qualidades não merece você, acho que eu deveria desistir de vez do Kiyoshi... — sussurrei para mim mesmo e após, continuei. — Você deveria tentar, Midorima.
— Eu não sou gay, Makoto. — falou ele parecendo irritado.
— Não disse que você é gay, disse que você deveria tentar apenas. — expliquei melhor. — Você gosta dele, não gosta?
— Não sei... — respondeu um pouco mais baixo do que de costume. — Estou com sede.
— Não muda de assunto!
— Makotooo, quero água!
— Eu vou pegar sua água, mas ainda não terminamos a conversa! — falei enquanto saía do quarto. Não duvido nada ele simular um desmaio pra fugir dessa conversa.
Fui até a cozinha para pegar o tão pedido copo d’água dele e assim que retornei, este estava deitado de olhos fechados, como se simulasse um desmaio. Filho da mãe... Não pensei duas vezes e joguei um pouco da água que trazia em mãos no rosto dele.
— Seu filho de uma mãe...
— Namie Hanamiya é o nome dela. — ri e sentei-me onde estava antes. — Aqui está sua água.
— Obrigado. — ele agradeceu pegando o copo de minhas mãos e sorvendo um pouco do líquido. — Te perdôo porque está me ajudando.
— Pode falar, está adorando a minha companhia. — brinquei e ele sorriu levemente. — Viu?! Está até sorrindo!
— Não estou sorrindo, é espasmo. — debochou ele. — É uma leve irritação no meu maxilar, isso é muito comum, você tinha que ver as coisas que eu aprendi no curso.
— Midorima, cala a boca e volte pro assunto!
— Que absurdo! Isso é jeito de falar com um doente? — manha. O nome disso é manha. — Não respondo mais nada.
— Aah, para!
— Está ficando tarde, cadê os meninos? — ele mudou de assunto de novo.
— Midorima, são dez horas da manhã, eles só chegam meio-dia.
— O que você vai fazer de almoço hoje?
— Comida e nem mais uma pergunta! — afirmei, chegando mais próximo dele. — Quem faz as perguntas aqui sou eu, uma vez que posso contar pro Takao que você o ama tão loucamente que não para de falar nele.
— Makoto, você não pode me chantagear porque também tem o rabo preso. — começou ele. — Você também enrola o coitado do Kiyoshi que faz tudo pra te ver feliz. — ele continuou falando e eu apenas o encarava. — Se esquece das rosquinhas recheadas que ele traz especialmente para você todo dia de manhã? Ele está tão na sua, mas você também é orgulhoso demais pra admitir isso, talvez seja essa sua sobrancelha enorme que não te deixe ver isso! Você tinha que ter é vergonha de ferir os sentimentos do Kiyoshi!
— Midorima... — não aguentei, tive que me manifestar.
— Você tinha que ver o estrago que está fazendo na vida do Kiyoshi com essa paranóia de não querer dar aquilo que ele quer!
— Midorima...
— E mais, você tinha que admitir... — push, joguei a água que restara no copo na cara dele para me deixar falar.
— Você fez isso de novo?
— Sim, você não me deu escolha. — suspirei. — O Kiyoshi e eu estamos namorando.
— Desde quando? — ele perguntou assustado. — Makoto, você está bem?
— Desde quando conversamos e decidimos nos unir.
— Acho que a febre está me fazendo ter alucinações. — falou, levando uma das mãos até a testa.
— Para com isso, você nem está febril! Você fala desse jeito, mas também não age de maneira diferente! Fala de mim, mas é o precursor de todo orgulho desse mundo!
— Não seja vaidoso Makoto, você deveria dar mais valor ao Kiyoshi, o menino é bom e merece. — afirmou ele e na hora não pude acreditar que era Shintarou Midorima falando aquilo.
— Eu deveria gravar isso pra ter mesmo certeza de que é o Midorima que eu conheço quem está falando. — disse boquiaberto.
— Eu não sou tão ruim assim, fazem uma má imagem de mim.
— Ninguém te acha ruim. — falei, chamando a atenção dele. — Apesar de ser orgulhoso demais, todos te admiram.
— Makoto... — me chamou pensativo. — Se eu morrer cuide dos outros por mim.
— Midorima, você nem está tão mal assim! Mal estou eu para estar ouvindo seus conselhos amorosos!
— Posso não ter tido muitos relacionamentos, nenhum, mas detenho muito conhecimento, meu caro. — criando uma pose superior que achei engraçada, ele continuou. — Sei de muitas coisas.
— Takao deve ter tido um trabalhão pra te beijar, pelo o que eu sei, sua boca estava cheia de teias de aranha. — ri.
— Que absurdo! Takao nem teve tanto trabalho assim... — Midorima falou adquirindo um leve rubor em suas bochechas. — Eu até que deixei...
— Ahaa! Você deixou! Eu sabia que não tinha sido tão inocente! — quase me levantei pulando ao falar isso. Estava rindo e me sentindo vitorioso por arrancar algo do tipo do de cabelos verdes. — Midorima, eu bem que desconfiava que você escondia o ouro debaixo desse disfarce politicamente correto!
— Deixa disso.
— Somos homens, não precisa esconder nada de mim.
— Tudo o que eu disser aqui permanece aqui? — perguntou ele um pouco pensativo.
— Sim... Depende... — pensei mais um pouco. — Ok, sim.
— Posso contar?
— Sim. — assenti em tom de expectativa.
— Eu te acho um chato. — respondeu ele com expressão de tédio.
— Eu sabia que você faria uma de suas piadinhas.
— É sério, eu te acho um chato. — confirmou parecendo inocente. — Você interrompeu meu sono e agora quer dar uma de psicólogo.
— Dar uma de psicólogo? Eu quero é receber conselhos e não dar conselhos. — expliquei. É, acho que meu caso é pior do que eu pensei.
— Então eu quem sou o psicólogo? — ele perguntou surpreso e assenti. — Está bem, vamos então, você precisa pegar o Kiyoshi de jeito e dar aquele beijão louco...
— Midorima... Não esses conselhos, quero algo mais recatado e não uma palestra sobre o Kama Sutra. — afirmei, levando a mão à testa.
— Makoto, do fundo do meu coração, eu só tenho uma coisa a te dizer.
— Diga, então, por favor.
— Se você gosta do Kiyoshi, invista nisso, se não gosta, deixe-o em paz.
— Eu... Eu apenas me preocupo com aqueles malditos amigos dele... — admiti um pouco receoso. — Não gosto de nenhum deles.
— Kiyoshi não está nem aí para eles, se estivesse ele te diria, com toda certeza. — ele afirmou defendendo o outro e metade de mim queria concordar, enquanto a outra metade continuava relutante. — E também, ele não é do tipo de pessoa que trai.
— É, acho que você tem razão, eu nunca tinha parado para pensar nisso. — é... Isso é verdade... Apesar de conhecê-lo há pouco tempo, penso que Kiyoshi realmente seja alguém confiável... O problema são os amigos...
— Eu sei que tenho razão, sempre tenho. — respondeu adquirindo novamente aquela pose superior que me fez rir novamente. Menino humilde...
Ele ainda estava comendo suas frutas. Acho que consegui distraí-lo um pouco pelo menos e ele acabou esquecendo-se da manha de antes.
— Midorima nem pense em dizer nada disso para alguém! — alertei. Se essa conversa vazasse, eu não teria paz por um bom tempo.
— Então, podemos negociar... — disse ele com um leve sorriso maldoso.
— Nada de negociação, uma só palavra e você morre! — falei recolhendo as coisas para voltar para a cozinha e preparar o almoço, logo o resto do pessoal chegaria. — Melhor, te dou purgante ao invés de analgésicos!
— Eu com certeza seria o maior prejudicado se esta conversa se espalhasse, imagine só, Midorima e Makoto trocando conselhos sentimentais, seria ridículo para mim.
— Para nós, me zoariam eternamente.
— Por quê? — semicerrou os olhos em minha direção.
— É vergonhoso pedir conselhos amorosos para você, um cara que sequer namorou! — eu expliquei arqueando uma sobrancelha.
— Abusado! Eu... — parecia indignado e comecei a rir.
— É brincadeira Midorima, muito obrigado pelas coisas que disse! — sorri. Ele me ajudou, vou repensar minha situação com o Kiyoshi.
— Disponha quando puder, agora vá fazer uma deliciosa lasanha para comermos no almoço! — falou ele, ajeitando-se em sua cama e fechando os olhos.
— Lasanha é coisa do passado, quem tem dengue precisa comer coisas leves. — provavelmente acabei com suas esperanças.
— Lasanha é leve. — disse ele, encarando-me com um olhar de cachorro pidão. — Claro em comparação a uma feijoada completa.
— Boa tentativa! Vou fazer um frango grelhado com uma salada. — disse e quando percebi que ele abriria a boca pra reclamar de novo, continuei. — Porque sim.
— Eu deveria ter dado maus conselhos para compensar a sua ingratidão. — me olhou indignado.
Eu ri. Nunca pensei que poderia ter uma conversa agradável com ele.
— Pensando bem, desisti do frango grelhado. — falei, levando uma mão ao queixo, adquirindo expressão pensativa. — Vamos comer repolho cozido com tomate... Ou sopa de legumes.
— Não, nem pensar, isso me dá ânsia de vômito, meu estômago treme só de ouvir a palavra repolho.
— Vai tremer ainda mais quando sentir o gosto. — debochei e ele virou com cara de nojo.
— Acho que seria melhor ter morrido. — reclamou ele e não pensei duas vezes, corri e dei um tapa leve em sua boca. — Já não basta à água e agora me agride? Covarde, batendo em doentes!
Virei minha mão para ele e simulei uma boca com a mesma. Após isso, sentei-me novamente... Vejo que teremos que negociar o menu do almoço.
— Quer ficar de jejum hoje?
— Quero uma lasanha. — ele continuou teimando e eu suspirei. — Bem pesada.
— Ok, mas com uma condição. — falei e ele fez sinal para que eu continuasse. — Shiro precisa de um companheiro para todas as horas!
— Dispenso, prefiro comer terra. — pareceu desanimado e eu ri.
— Feito, vou buscar um pouco no vaso de plantas da sacada! — me levantei rindo.
— Não, quero lasanha! — teimou ele, soletrando depois. — L-A-S-A-N-H-A!
— Teria uma se soubesse negociar. — falei expressando um sorriso debochado e ele me pareceu pensativo.
— Meia hora com o cachorro e nem mais um segundo!
— Meia hora, meio pedaço de lasanha.
— Uma hora inteira, mas ele precisa estar preso em algo. — tentou ele novamente e apenas ignorei. — Tá, ele pode ficar solto, pode urinar em tudo, pode latir, morder, miar, relinchar, mas quero a minha lasanha!
— Feito, com muito queijo! — concordei e já ia me retirando do quarto quando ele me chamou novamente.
— Makotooo!
— O que foi agora?
— Também quero coca para acompanhar. — pediu gentilmente.
— E sorvete? — propus e os olhos dele pareceram brilhar.
— Seria maravilhoso.
— Não, apenas salada de frutas por ser leve. — cortei o brilho no olhar dele e segui para o corredor, ainda conseguindo escutar uma última reclamação.
— Tudo bem, pelo menos estou no lucro com a lasanha.
Ai, ai esse Midorima... Ele realmente me diverte. Cheguei à cozinha e comecei os preparativos da tão pedida lasanha. Creio que os outros vão querer me matar por fazer lasanha para o Midorima, mas é melhor fazer isso e ele comer do que fazer outra coisa e ele continuar de estômago vazio.
Nunca pensei que teria aquele tipo de conversa com ele... Midorima até consegue ser um cara agradável, não sabia disso... Continuei em meus devaneios quando senti algo caindo sobre o meu pé e fazendo um barulho irritante ao bater no chão. Como se fosse um pato de borracha.
— Mas que porr... Shiro! — chamei o nome do cãozinho, que me deu uma olhada, abanando o rabinho e depois foi atrás do brinquedo que havia trazido até mim. — Aah, você quer brincar? Espere um pouquinho, tá bem?
Ao ouvir minha resposta, ele continuou me olhando com o brinquedo na boca e depois o soltou no chão e empurrou em minha direção.
— Shiro-chan, agora eu não posso... — falei relutante, eu queria brincar com ele pelo menos um pouquinho, mas agora não podia. — Vou chamar um amigo pra você, espere um pouco.
Fale com o autor