Notas iniciais
Olá pessoas! :B Mais um capítulo pra vocês! u.u/ Eu ia postar mais cedo, mas peguei pra revisar e demorei mais tempo do que pretendia! T_T Enfim, boa leitura a todos! u.u

Hanamiya’s POV on

Eu abri os olhos. Havia acabado de acordar e sentia uma coisa estranha.

A luz do quarto estava baixa e pude perceber que ainda era noite, mas ainda sim estranhei a quantidade claridade presente no recinto.

Senti algo molhado em meu pescoço e só assim percebi que havia um homem sobre mim. Um homem bem grande. Logo pensei ser Kiyoshi e não me importei, deixei que ele continuasse com as carícias que distribuía por aquele local e segurei suas costas nuas.

Estava certo de que era Kiyoshi, mas não conseguia ver seu rosto, ele não me dava espaço para tal e mesmo assim continuava com o que estava fazendo.

— Makoto. — ele me chamou em um sussurro e quando ia responder, ele me chamou novamente. — Makoto. — na segunda vez pude perceber que sua voz estava estranha. Estava diferente e parecia não pertencer a Kiyoshi.

— Oe, me deixa ver seu rost... – exigi enquanto o empurrava e quando consegui ver o rosto daquele que me prensava contra a cama, quase enfartei.

— Makoto.

— Midorima?!

***

Acordei com o coração disparado, completamente ofegante e suado. Kiyoshi, que antes parecia dormir tranquilamente ao meu lado, estava assustado e me encarava.

— Miya-chan, está tudo bem?

— Sim... — respondi. — Foi só um pesadelo...

— Você está bem mesmo? — insistiu Kiyoshi vendo que me levantava e ia atrás das minhas roupas jogadas pelos cantos do quarto e depois me vestia. — Miya-chan?

— Estou Kiyoshi. — terminei de vestir minha calça. — Não se preocupe, foi apenas um pesadelo.

— Hum... ­— falou, enrolando-se em um dos lençóis que antes nos cobriam e indo a procura de suas roupas também. — E você quer me contar o pesadelo?

— Huuum... Melhor não. — respondi, me aproximando dele, segurei seu rosto e depositei um selinho. — Vou fazer o café, ok?

— Ok...

Fui em direção à porta e ao abri-la, quase enfartei novamente.

— Mi-mi-mi-mi-midorima?! — havia realmente me assustado.

— Está treinando sua voz, Makoto? — perguntou ele, seguindo em direção à sala. — Escolha outro horário para fazer isso, ainda está de manhã.

Ufa, ele não percebeu que havia ficado nervoso e com vergonha, provavelmente estava corado.

— Bom dia Makocchi! — falou Kise sorridente. — Está corado, Kiyocchi fez algo?

— N-não! — protestei e senti alguém me abraçando por trás e depositando um beijo em minha bochecha.

— Miya-chan! Por que não quer me contar o pesadelo? — era Kiyoshi. Ele perguntou isso de forma manhosa fazendo Kise soltar uma risadinha.

— Kiyoshi, me solta! — ordenei e Kise passou a gargalhar seguindo para a sala. — E fique quieto Kise!

— Makoto, estou esperando o meu café!

E assim se seguiu uma nova manhã naquele apartamento. Um pouco diferente das outras, já que agora tínhamos um novo companheiro de quarto, mas tão agitada quanto elas.

Fomos para a universidade, agora sem muita reclamação, já que Kazunari se propunha a dirigir no lugar de Midorima, ele e Kise ficariam responsáveis pela nossa locomoção. Tenho que lembrar de agradecê-lo por isso depois. Nos despedimos no lugar de sempre e marcamos de nos encontrar ali mesmo ao término das aulas para almoçarmos juntos como havíamos acostumado.

— Ei Makoto, quem é aquela ali indo para a sala com o Teppei? – perguntou Akashi, apontando para uma moça que andava ao lado de Kiyoshi, enquanto conversava alegremente com ele. Ele sorria e também parecia animado. Ela era baixinha e magra, sua pele era clara e seus cabelos castanhos, até o pescoço apenas. Trajava uma blusa simples branca, uma saia jeans um pouco acima do joelho e um tênis preto.

— Não sei. – respondi tentando ignorar a cena, mas aquilo me incomodou. Apenas fiquei em silêncio e segui para a minha sala.

Não conseguia prestar atenção na aula, aquilo havia ficado na minha cabeça.

***

A aula terminou e descobri que teria sido mais produtivo se eu não tivesse vindo, praticamente não prestei atenção.

— Makocchi! Akacchi! —gritou Kise ao ver que nos aproximávamos do ponto de encontro.

— Oi. —Akashi se pronunciou. —Cadê o Shintarou, o Kazunari e o Teppei, Ryouta?

— Hum, não sei. — respondeu o loiro pensativo. — Pensei que eles já estariam aqui.

Suspeito, Kiyoshi sempre é um dos primeiros a chegar...

— Yo! — uma voz atrás de nós anunciou sua presença. EraTakao. — Vamos?

— Onde está o Kiyoshi? — perguntou Midorima. Desviei o olhar, ainda estava com vergonha daquele sonho constrangedor.

— Também não sabemos Midocchi!

— Ele devia nos avisar sobre atrasos. — reclamou ele. — Já está dois minutos atrasado.

Ok, isso é estranho. Ele sempre é o primeiro a chegar aqui...

— Pessoal. —falei chamando a atenção dos outros. — Eu vou atrás do Kiyoshi, se quiserem ir para casa, nos encontramos lá depois.

— Tudo bem, vamos embora. — assentiu Midorima, virando-se em direção ao carro. — Não demore muito Makoto.

— Está bem.

— Fique com o meu carro, Makocchi! — disse Kise, me entregando a chave de seu carro. — Nós vamos no do Takaocchi.

Me despedi de todos e fui em direção ao prédio do curso de Educação Física. Chegando lá, perguntei para um homem que estava na portaria se as turmas já haviam sido liberadas, ele disse que não sabia, já que as aulas daquele dia foram realizadas na quadra do campus. Segui para o local que me foi indicado, onde vi várias pessoas saindo, supus que eram os alunos da Educação Física e não deu outra, de fato eram eles.

— Com licença... — tentei falar com um rapaz que vinha em minha direção, mas ele passou direto. – Você poderia me ajud... — tentei novamente, dessa vez com uma moça e ela repetiu o ato do rapaz. Perdi a paciência. — Será que ninguém nessa porra tem educação?!

Decidi que entrar na quadra à procura de Kiyoshi seria o melhor a se fazer, então o fiz. Alguns alunos ainda saíam e tive de me desviar deles enquanto passava pela entrada. Ao conseguir entrar, avistei, bem ao fundo, Kiyoshi sentado em banco. Havia um rapaz ao seu lado, este tinha cabelos negros curtos, usava óculos, pele branca e trajava roupas típicas de quem frequenta academias. Olhei melhor e pude perceber que aquela moça de mais cedo também estava lá. Ela estava ajoelhada próximo à perna de Kiyoshi e enrolava uma espécie de faixa na mesma. Será que aconteceu algo?

— Kiyoshi? – falei ao finalmente me aproximar deles. Ele me olhou surpreso, como se não esperasse jamais que eu fosse até lá. – Aconteceu alguma coisa?

— Miya-chan? — ele se levantou e pareceu sentir dor durante o processo. — O que faz aqui?

— Você estava demorando e os outros queriam ir para casa. — expliquei. — Falei que viria atrás de você e que eles poderiam ir.

— Aah, sim. — ele sorriu.

— Teppei-kun, quem é esse? — perguntou a mulher que agora estava sentada ao lado do rapaz no banco. Ambos me olhavam.

— Aah, me desculpem. — disse Kiyoshi ao perceber que não nos havia apresentado. — Riko, Hyuuga, esse é o Makoto Hanamiya, aquele que falei com vocês.

— Aah, prazer Hanamiya-kun! — falou a garota se levantando e vindo em minha direção. — Me chamo Riko Aida.

— Prazer. — respondi sem demonstrar simpatia e olhei para o rapaz que ainda estava sentado.

— Yo. — ele me cumprimento de forma simples. — Junpei Hyuuga.

Ele me fitava de forma suspeita e eu o fitava de forma seca. Eu não sei o motivo, mas parece que ele não foi muito com a minha cara e admito, é recíproco.

— Eles são da minha sala, Miya-chan. — explicou Kiyoshi como se tentasse acabar com o clima tenso que pairava no ar. — Riko estava me ajudando a terminar de colocar a faixa, mas eu já estava indo. – ele deu um sorriso e afagou levemente meus fios negros. — Obrigado por me esperar.

Hyuuga lançou um olhar nada amigável ao ato de Kiyoshi e achei aquilo muito estranho. Se o Teppei falou sobre mim, ele deve saber o que acontece entre nós dois, certo? Qual é o problema desse cara?

— Riko, Hyuuga, obrigado por ficarem aqui comigo, eu já vou, os meus colegas de quarto devem estar nos esperando para fazer o almoço, certo Miya-chan?

— Sim. – respondi sem cerimônia. Queria sair dali.

— Ok Teppei-kun. — Riko disse. — Bom final de semana para vocês.

— Para você também, Riko. — Kiyoshi respondeu indo em direção a saída da quadra. Me despedi fazendo um sinal com a cabeça e o segui. — Bom final de semana Hyuuga!

— Bom. — respondeu simplista. Me lembrou alguém... — Mais tarde eu te ligo para resolvermos aquilo.

— Tudo bem. — Kiyoshi assentiu e continuou andando para fora dali... O que seria "aquilo"?

Voltamos para o ponto de encontro onde se localizava o carro do Kise.

— Midorima deixou o Kise te emprestar o carro? — brincou Kiyoshi.

— É...

— Você está bem, Miya-chan? — perguntou ao sentar-se no banco do motorista. Ele insistiu que dirigiria, então, não me preocupei em impedi-lo.

— Estou. — respondi sem vontade, encostando-me ao banco e olhando para o lado de fora. – Qual é o problema com o seu joelho, Kiyoshi?

— Não é nada grave, não se preocupe. — ele tentou me tranquilizar, mas aquilo não me convenceu. O fitei com a cara fechada e ele pareceu entender o recado. — É sério, não se preocupe.

— Você pode me falar o que é pelo menos?

— Eu jogava basquete durante o fundamental e o médio, ao longo desse tempo, meu joelho foi acumulando danos e às vezes dói bastante após as aulas práticas. — explicou Kiyoshi. — Eu gosto de esportes, então, jamais pararia de praticar por causa disso.

— Mas isso não pode prejudicar você? — perguntei demonstrando mais preocupação do que deveria e ele sorriu com isso.

— Eu faço o tratamento de forma correta e não jogo basquete com frequência, então não.

— Hum, entendi.

***

Após isso o caminho até o apartamento foi silencioso. Eu queria entrar no assunto daquele quatro olhos desgraçado, mas me controlei. Kiyoshi pensaria que estou com ciúmes e bem... Eu não estou com ciúmes... Certo?

— Makocchiii! Kiyocchi! — comemorou Kise ao perceber que havíamos entrado. – Makocchi, eu e o Takaocchi já cortamos as coisas para você! É só fazer o almoço!

— Obrigado Kise e Takao. — agradeci e fui em direção ao meu quarto para guardar minhas coisas.

Hoje seria meu primeiro dia trabalhando com o pai de Midorima, não queria me atrasar, então, me apressei para fazer o almoço. Após, tomei um banho e fui.

***

A primeira vista gostei do meu novo emprego, não tive que fazer quase nada hoje, apenas me foi apresentado o setor onde eu ficaria e explicado o que eu teria que fazer. Não achei nada complicado, muito pelo contrário, tenho certeza de que conseguirei cumprir minhas tarefas. Resumindo, não poderia pedir um emprego melhor, já que o salário também é bom. Sou grato ao Midorima e sua família pelo resto da minha vida.

Estava subindo as escadas do prédio — jamais usarei aquele elevador de novo — quando o celular vibrou em meu bolso.

— Está chegando, Miya-chan?

Era Kiyoshi. Ele sempre se preocupa em perguntar onde estou ou se estou chegando, o que estou fazendo... Apesar de achar desnecessário, gosto um pouco desse “mimo”.

— Sim, já estou subindo as escadas.

— Aah, que bom! Bem... Será que você... Você quer... Sair comigo hoje? Sabe, só dar uma voltinha...

Ele está com medo de me convidar para sair? Podia ver seu rosto corado em meus pensamentos e ri disso.

— Eu quero sim, Kiyoshi.

— Mesmo??? *----*

— Sim.

Havia chegado ao apartamento e abri a porta dando de cara com Kiyoshi sentado no sofá. Este sorria sem motivo e estava corado.

— Que cara de bobo alegre é essa? — perguntei parando em frente a ele, vendo-o se levantar e ir até mim, me abraçando. — Oe Kiyoshi! O que é isso?!

— Obrigado Miya-chan. – ele agradeceu. Pude sentir rua respiração quente em meu pescoço.

— Pelo o que?

— Você aceitou sair comigo... Eu estava meio receoso em te chamar... Pensei que não aceitaria...

— De onde você tira essas coisas? — questionei e ele me soltou. ­— Hoje é sexta, eu não tenho nada para fazer e sua companhia me agrada. Por que eu recusaria?

Ele paralisou nesse momento, me olhava surpreso e mais corado ainda.

— Kiyoshi...? — balancei minha mãe em frente ao seu rosto.

— Obrigado Miya-chan! — me surpreendeu, abraçando-me novamente e fazendo-me cair sobre o sofá com ele por cima de mim. Que felicidade é essa?!

— Já falei para não me agarrar do nada! — reclamei e ele afrouxou o abraço, mas continuou sobre mim. — Onde estão os outros? Midorima terá um filho pela boca caso nos veja dessa form...

— Já falei para não fazerem essas coisas em qualquer lugar, principalmente na sala! — eu e minha boca enorme. Midorima chegou à sala e reclamou como de costume, dando uma palestra sobre: dez motivos para não fazermos esse tipo de coisa na sala. “Eu não permito” entrou em, pelo menos, sete da lista.

Enfim, após as reclamações, tomei outro banho e me arrumei para sair com Kiyoshi. Kise falou que precisava ir ao shopping comprar algumas coisas e nos acompanhou junto de Takao, que iria apenas para fazer companhia ao loiro. Midorima e Akashi preferiram ficar em casa, não me surpreendi.

— Makocchi e Kiyocchi vão ter um encontro? — perguntou Kise nos olhando com a curiosidade estampada no rosto. Corei. — Resolveu admitir que gosta do Kiyocchi, Makocchi?

— Cale a boca, Kise! — rosnei em reprovação e ele riu. Takao nos olhava confuso.

— Vocês são namorados? — perguntou o moreno que andava ao lado de Kise. O shopping era perto de casa, então resolvemos ir andando mesmo.

— Não!

— Sim.

— Ok, já entendi. — Takao se deu por vencido ao ver que respondemos juntos, porém, coisas opostas. — Não precisam explicar nada.

— Eles se gostam, Takaocchi. – Kise sussurrou para o outro, mas consegui ouvir. — Mas o Makocchi não admite isso.

— Kise!

— Então foi isso... — começou Kazunari se mostrando pensativo.

— O que?

— Ontem eu acordei de madrugada e escutei uns ruídos estranhos vindo de um dos quartos de fora, nem mesmo suspeitei disso. — completou ele com a mesma expressão pensativa, me fazendo ficar totalmente vermelho e Kiyoshi corar levemente. — O que foi? Não precisam ficar com vergonha! Mas devo admitir que vocês me deram um susto.

— Pelo menos ele não fez igual ao Midorima, né Miya-chan? — Kiyoshi falou parecendo sem graça.

— O que o Midocchi fez?

— Ele tentou abrir a porta.

— Sério?! — Takao perguntou de forma sacana enquanto gargalhava.

— Sim. — respondi. — Se tivesse aberta eu não me responsabilizaria por trauma nenhum.

— Trauma? Midorima é virgem?

— Você ainda tem dúvida? — ri.

— Nossa. — afirmou Takao assustado. — Não imaginava isso.

— Você era o único. — falei, desviando o rosto, ainda estava um pouco constrangido com o assunto anterior. — Podemos mudar de assunto?

— Makocchi tem vergonha, Takaocchi.

— Não sei por que, todo mundo aqui sabe o que vocês fazem. — Takao falou em tom de deboche. — Não adianta negar que vocês são um casal, Mako-chan!

— Cale a boca! — me irritei e saí andando mais a frente deles, podendo ouvir Kiyoshi me chamar. Ignorei e continuei o trajeto

— O que deu nele? — ouvi Takao perguntar e Kiyoshi falar que viria atrás de mim.

Continuei andando e senti Kiyoshi segurar meu braço.

— Miya-chan... — ele me chamou. — Não precisa ficar bravo por isso...

— Não estou bravo, Kiyoshi. — respondi, soltando-me dele e continuei andando ao seu lado. Preferi não entrar no assunto novamente. — Onde você quer ir?

— Bem... Eu não havia planejado nada... — explicou parecendo nervoso. Penso que ele tem medo de falar qualquer coisa que seja comigo. — Só dar uma volta com você mesmo... Quem sabe sentar em algum banco da praça e conversar...

— Ótimo. — afirmei, assustando-o e o puxei pelo braço. — Vem aqui.

***

Estávamos sentados no banco mais afastado da praça. Era um local legal, a luz era baixa, algumas árvores que estavam em volta davam um aspecto calmo ao local, juntamente com o movimento que era bem pequeno, ou seja, o local perfeito para um casal ficar sozinho... Sim, casal...

— Olha lá, uma estrela cadente! — falou Kiyoshi com bastante animação. Olhávamos o céu, que estava lindo, muito estrelado e a lua estava enorme e iluminava tudo. Posso dizer que não precisaria de luzes naquela praça se a lua ficasse daquela forma todos os dias. — Faz um pedido!

— Kiyoshi, eu não acredito nessas coisas... — falei, fitando-o como quem perguntava "é sério que você acredita nisso?".

— Por favor, Miya-chan! — Choramingou ele. — Por favor! Só hoje!

— Você tem que parar de andar com o Kise!

— Miya-chan. — continuou choramingando e me olhando com cara de cachorro abandonado. — Só hoje! Pra me agradar, Miya-chan! Por favor!

— Ai! Está bem! — me dei por vencido e ele soltou um sorriso de orelha a orelha.

— Feche os olhos e peça.

— Tá. — assenti, fechando os olhos e fazendo o tal pedido. — Pronto.

— Agora não pode contar pra ninguém, tá bom?

— Ok. — concordei, rindo da cara de bobo alegre que ele fez.

— O que foi? — perguntou com certa inocência.

— Nada. — respondi ainda rindo e ele me olhou desconfiado. ­— É que é engraçado você falando assim.

— Aah, não é nada. — fez um pequeno bico e ficou me encarando com cara de aborrecido. Não resisti, dei um selinho rápido no biquinho fazendo-o me olhar surpreso e se estivesse mais claro, com certeza poderia vê-lo corado. — Miya-chan...

— O que foi? — perguntei sorrindo. — Não gostou?

— Não é isso, é que... Estamos na rua, alguém pode ver... Pensei que se incomodasse com isso.

— Ah, relaxa. — falei, dando de ombros e me encostando ao banco, enquanto fitava o céu estrelado. — Mesmo se alguém ver, o que importa?

Nesse momento, ele sorriu e ficou me encarando por algum tempo. A noite estava realmente agradável para um passeio, acho que ele não poderia ter escolhido noite melhor.

— Makoto...

— Hum? — perguntei sem olhá-lo. Estava muito concentrado olhando as estrelas.

— Já faz um tempo que... Bem... Eu quero te fazer um pedido... — ele falou, chamando minha atenção. Parecia nervoso e hesitava em falar. — Bem...

— Fala, Kiyoshi. — me virei e o encarei.

— Eu queria saber... Se... Se você quer... Ser... Meu...

— Seu...? — o incentivei a continuar. Tinha uma leve desconfiança do que se tratava. — Seu o que, Kiyoshi?

— Meu... Meu nam... – no momento em que ele conseguiu a coragem que precisava para terminar o pedido, eis que seu celular começa a tocar. Droga! — Espere um pouquinho, Miya-chan.

Ele atendeu ao telefone e pude perceber que era Kise através das suas respostas.

— Ok, até mais tarde. — falou Kiyoshi encerrando a chamada e guardando o celular no bolso novamente.

— Era o Kise?

— Sim, falou que ele e Takao já estão voltando para casa e perguntou se deveriam nos esperar.

— Ah sim, fez bem em falar que não. — afirmei. — Não estou apto a olhar a cara do Takao ainda.

— Imaginei que você não iria querer mesmo. — ele riu e acariciou levemente o meu rosto. — Miya-chan...

Ele ficou me encarando por um tempo, o que estava me deixando sem graça. Não sei por que, mas eu sempre me sinto muito envergonhado quando ele faz essas coisas. Olhei ao redor para verificar se não havia ninguém próximo a nós e percebendo que não havia, o dei outro selinho, que logo se transformou em um beijo calmo, enquanto ele ainda acariciava minha bochecha e agora tinha a outra mão em minha cintura.

— Termine o que você começou a falar antes do telefonema do Kise. — pedi ao interromper o beijo.

— Tudo bem... — assentiu ele. — Eu queria saber se... Você quer ser meu... Namorado? – repetiu, fechando os olhos com força ao pronunciar a última palavra.

Fiquei em silêncio por algum tempo apenas observando a reação dele.

— Miya-chan! Responde por favor! — ele choramingou parecendo muito envergonhado e tive que segurar para não rir. Permaneci em silêncio. — Está bem, esquece isso! Finge que eu nunca disse isso!

— Por quê? — perguntei e ele me fitou surpreso. — Quer retirar o seu pedido?

— N-não! — respondeu rápido e de forma desajeitada. Não resisti, soltei uma risada baixa. — O que foi Miya-chan? Por que está rindo?

— Você é muito bobo! — falei sorrindo e me aproximando um pouco, enquanto mexia em alguns de seus fios. Ele me fitava ainda mais confuso. — Eu aceito.

Juro que pensei que ele desmaiaria. Kiyoshi ficou sem reação, parecia em choque, com os olhos levemente arregalados e os lábios entreabertos.

— Kiyoshi? — me aproximei um pouco mais e passei minha mão em frente a seus olhos, igualmente a cena que se passou na sala hoje mais cedo. — Kiyoshi, você está bem? Me responde.

— Makoto, você poderia repetir o que acabou de dizer? Por favor. — foram as primeiras palavras que emitiu ao voltar de seu pequeno choque.

— O que? — perguntei confuso. — Que eu aceito seu pedido de namoro? — ri e ele assentiu. — Eu, Makoto Hanamiya, aceito ser seu namorado, Teppei Kiyoshi.

— Isso é sério, Miya-chan? — Kiyoshi continuou insistindo em perguntar se eu falava sério. Ele ainda parecia não acreditar, parecia não conseguir acreditar. Eu, sinceramente, não sei o motivo de tamanho drama, mas tudo bem, não vou implicar com ele. — Quero dizer, você aceita mesmo?

— Sim Kiyoshi, eu aceito.

— Miya-chan... — chamou-me pela vigésima vez naquela noite e sem que eu esperasse, me abraçou. — Você me deixou tão feliz Miya-chan, obrigado...

Fiquei quieto apenas retribuindo o abraço. Não tinha o que dizer.

— Você quer voltar para casa? — ele perguntou sem desfazer o abraço. — Ou quer ficar aqui mais um pouco?

— Tanto faz. — respondi, desfazendo o abraço e o encarando. — O que você quer fazer?

— Qualquer coisa desde que eu esteja com você. — sorriu.

Eu tinha ficado feliz por aceitar essa ideia, mesmo que ache o Kiyoshi um pouco... Grude, não custa tentar... Eu acho...

***

Chegamos a casa e ao abrir a porta demos de cara com uma situação... Incomum.

— Takao olha onde você encosta essa sua mão! — reclamou Midorima, que tinha uma perna passando por baixo da de Takao, a outra livre apoiada no círculo azul, um dos braços apoiados no pescoço de Kise e o outro sustentando todo o seu peso por baixo de suas costas, uma no círculo vermelho e outra no amarelo em um tapete estendido ao chão.

— Não é minha culpa se sua bunda está onde não devia! — retrucou Takao, que estava quase subindo em Midorima. — Akashi, ande logo com isso ou eu vou cair em cima de alguém!

— Esse jogo é tão divertido! — afirmou Kise, que parecia o mais confortável, mesmo estando em uma posição constrangedora... De quatro. — Akashicchi, qual é o próximo?

— Pé direito no verde. — ditou Akashi, após rodar uma pequena roleta que tinha em mãos. — Oh, vocês chegaram! Como foi o encontro?

— O que é isso? — perguntei curioso, vendo Midorima se mover de maneira desajeitada em busca de alcançar um dos círculos verdes com seu pé direito.

— Twister! — respondeu Kise com a empolgação costumeira. — É muito divertido Makocchi! Você tem que jogar!

— Eu passo, Kise. — fechei a porta e andei até a cozinha para pegar um copo d’água. — Vocês não têm nada pior pra fazer não, hein?

— Na verdade, sim, mas esse foi o único jogo que o Midorima quis. — Takao explicou adquirindo uma feição de tédio. — Não tivemos escolha.

— O Midorima quis esse, é? — ri, debochando da escolha suspeita do de cabelos verdes, que me lançou um olhar de reprovação. — Se assustariam se eu dissesse que isso não me surpreende?

— Cale-se, beata da meia-noite. – ordenou Midorima e todos, inclusive a mim, o encaramos sem entender o motivo do apelido. – O que é?

— Beata da meia-noite, Midocchi?

— Sim, nunca conheci ninguém mais religioso do que o Makoto quando entra para o quarto com o Kiyoshi à noite. — ele explicou e entendi do que se tratava. Aaah, filho da pu...

— Súplicas a Deus, Makoto? — Akashi riu. — Não sabia que você era desses.

— Você prestou tanta atenção que escutou até o que não existiu, Midorima? — falei, ignorando o ruivo e ri com certa malícia. Ele me olhou um pouco surpreso. — Bem, quem cala consente.

Fui em direção ao meu quarto, ainda conseguindo ouvir a conversar dos idiotas jogando aquele jogo — igualmente — idiota na sala.

— Midocchi, você tá me amassando!

— Minha perna deu câimbra! Socorro!

Tsc...

***

Eu estava com preguiça. Me deitei e nem mesmo me dei o trabalho de mudar de posição, apenas afundei meu rosto no travesseiro macio.

Após alguns minutos, ouvi Kiyoshi entrando no quarto e senti ele se sentando próximo a mim.

— Você tá chateado, Miya-chan? — ele perguntou, afagando meus fios negros.

— Não... — respondi, sentando-me e fitando o mais alto a minha frente. — Ei, Teppei...

— Hum? — se surpreendeu por tê-lo chamado pelo primeiro nome. — O que foi, meu amor?

— Deita um pouco aqui comigo? — pedi, batendo uma das mãos no pedaço de colchão vazio ao meu lado e ele sorriu, corando levemente.

— T-tem... Tem certeza?

— Sim. — respondi e ele atendeu ao meu pedido. — Você não precisa ficar perguntando se eu tenho certeza se fui eu quem pediu, Teppei.

— Mesmo? — Kiyoshi perguntou sem perceber e sorriu ao ver que havia feito exatamente o que eu pedi para não fazer. Riu e o acompanhei. — Me desculpa, eu me distraí.

— Percebi. — concordei, sentando-me ao seu lado e logo em seguida, em seu colo. O beijei calmamente e ele retribuiu da mesma forma, enquanto acariciava meu rosto com uma das mãos e deixava a outra repousando em minha cintura.

Sem demora, me debrucei sobre seu tórax, fazendo-o deitar e comecei a distribuir pequenos beijos pelo seu pescoço e clavícula desnudos, percebendo, pela primeira vez, que o mesmo se arrepiava se eu estava próximo demais, coisa que achei adorável.

— Quer dormir comigo hoje?

— Dormir...? – perguntou com tom de quem tinha segundas, terceiras ou até quartas intenções, enquanto fechava minimamente os olhos e soltava leves suspiros.

— Sim, dormir!

Ele soltou uma risada abafada e respondeu:

— Eu adoraria... Hm... Miya-chan... Hm... Posso mesmo dormir com você?

— Kiyoshi! — chamei sua atenção, parando o que antes estava fazendo e sentando-me novamente sobre sua cintura. Ele havia feito de novo. — O que eu acabei de falar sobre ficar perguntando se pode e blá, blá, blá?

— Me desculpa, eu esqueci novamente... — se desculpou, sentando-se junto a mim e abraçando-me, descansando seu queixo na curva do meu pescoço. Comecei a mexer em seus cabelos. — Miya-chan...

— Hum?

— Eu gosto de você.

Travei. Eu não sabia se deveria dizer. Não conseguia dizer, então, preferi ficar em silêncio e continuar daquela forma com ele.

Alguns minutos se passaram e ele quebrou o abraço, puxando meu rosto de encontro ao seu rosto e me beijando. Nos deitamos novamente e ele inverteu nossas posições, ainda me beijando. Depois, desceu para o meu pescoço e quando começava a abrir minha blusa para continuar descendo, seu celular tocou assustando a mim e a ele.

— Puta que pariu! Essa porra sempre toca na hora errada! — reclamei, virando-me de costas para ele, que ia conferir do que se tratava. — Atenda essa merda logo!

— Desculpa Miya-chan. — ele pediu novamente e mexeu no aparelho, levando-o até a lateral do rosto. — Alô, Hyuuga? — dito esse nome, me sentei e o encarei, ele pareceu ter ficado com medo na hora em que me pegou fitando-o. — Aconteceu alguma coisa? — perguntou ele. Eu ainda prestava atenção para ver se entendia algo sobre o assunto do qual eles tratavam. — Aah, aquilo? Me lembrei. — "aquilo" novamente... — Sim, sim, eu posso! — confirmou ele, sorrindo. — Huuuum, três da tarde? Está bem. — ficou em silêncio. — Está bem, até amanhã Hyuuga! — até amanhã? Amanhã é sábado! — Tchau.

Ele encerrou a chamada, guardou o celular na bolsa ao lado de sua cama e me olhou, percebendo que o encarava.

— O que foi? — perguntou com ar inocente... Você não me engana, eu sei que você não é inocente!

— Digo eu. — falei. — O que ele queria?

— Aah! — ele sorriu. — Hyuuga me chamou para sair logo no começo da semana, eu falei que veria e ele falou que me ligaria. — fiquei em silêncio e ele percebeu que havia algo de errado. —O que foi, Miya-chan?

— Nada! — respondi alto, mostrando que aquilo havia me deixado irritado e acabei o assustando. — Nada mesmo! — repeti e me deitei virado para a parede.

— Makoto... O que foi?

— Nada Kiyoshi.

Senti o colchão se afundando rente as minhas costas e logo senti ele me tocar.

— Makoto, você não está com ciúmes... Está?

No mesmo momento em que ele terminou a pergunta me virei completamente vermelho e falei:

— C-c-claro que não! — gaguejei, droga. Ele sorriu e apertou minha bochecha.

— Que fofo, Miya-chan! — parecia realmente feliz e me deu um beijo na bochecha. — Nunca pensei que você sentiria ciúmes de mim.

— Oe, qual é o seu problema?!—perguntei enquanto era amassado por seus braços. — Teppei, me solta!

— Não quero. — ele falou, me deixando boquiaberto. Que porra está acontecendo aqui?! Desde quando eu perdi o controle da situação?! — Eu quero te abraçar.

A maneira como ele falou isso foi tão bonitinha que não resisti, o deixei fazer o que queria. Deitamos abraçados e assim ficamos, em silêncio.

— Miya-chan...

— Hum?

— Você não precisa ter ciúmes de mim com ninguém. — falou e puxou meu rosto para olhá-lo. — Eu gosto só de você, está bem? Só você, só quero você.

— ... — não respondi nada, apenas me deitei encostado a seu pescoço e adormeci sentindo seu cheiro.

***

Ao acordar, ele me observava.

— Bom dia amor. — ele sorriu. — Dormiu bem?

— Sim. — disse simplista. — Por que essa cara de bobo logo cedo?

— Estou feliz. — Kiyoshi me puxou lentamente e me beijou. — Você me deixou feliz.

— Pare com essas coisinhas. — falei ao terminar o beijo e me levantei, começando a arrumar a cama. — Eu ainda não quero papo com você.

— Ainda Miya-chan? — perguntou ele enquanto choramingava.

— Sim, ainda não esqueci que você vai deixar de ficar aqui hoje para sair com o seu "amigo".

— Eu já falei que não precisa ter ciúmes, Makoto. — ele se levantou e andou até mim. — A única pessoa que eu quero é você.

— É, mas quem me garante que ele não tem segundas intenções? — perguntei dando ênfase à palavra "ele".

— O Hyuuga?!

— Não, o Papa.

— Miya-chan! —reclamou ele. — O Hyuuga não quer isso! Ele é meu amigo! Ele só quer aj...

— Aah, eu também te considerava "amigo" e olha como estamos hoje! — retruquei enquanto dobrava o último lençol. — Eu não fui com a cara dele e gostaria que você não ficasse saindo com ele, só isso, você quem decide.

— Miya-chan...

— Decida! — o encarei sério. — Pode sair com ele se quiser, mas não espere que eu te trate da mesma forma depois disso.

Terminei de falar e saí do quarto, até que ele decida, esse assunto está encerrado para mim.

Hanamiya's POV off

Notas finais
Obrigada por ler! :3