New Ways...
44 Capítulo 42 Parte 1
Notas iniciais
Midorima's POV
Finalmente amanheceu. As cortinas do quarto voavam por conta da força do vento da manhã. O dia já se iniciava bem nublado e um pouco frio. Me levantei para fechar a janela, mas algo me tirou a atenção, Takao estava todo encolhido na cama tentando driblar aquele friozinho. Naquela forma ele me parecia bem indefeso, quase igual ao Seiji, claro, quando o mesmo estava dormindo, pois, quando está acordado, parece mais a reencarnação de algum demônio. Bom, há muita coisa para se fazer e não posso perder muito tempo. Peguei uma coberta, joguei-a sobre o corpo dele e depositei em sua face um beijo terno que não interrompeu o seu sono, fechei a janela e desci para a cozinha para começar a arrumação da casa. De longe já pude ouvir a voz do Makoto e do Kise brigando logo cedo.
— Makocchi, deixa eu fazer o café, por favor!
— Não, Kise, você vai fazer a maior zona aqui. Não podemos bagunçar ainda mais a casa. À tarde vou ter que ir lá comprar as coisas para o jantar e você vai comigo para me ajudar a trazer as bolsas.
— Por favor, Makocchi! — falou tentando fazer o olho do gatinho, mas parece que não amoleceu o coração do Makoto.
— Amanhã você faz, Kise. Vai lá acordar os outros garotos. Tira aquela cambada de vagabundos da cama.
— Deixe o Takao dormir! Ele não teve uma boa noite hoje. Acordou várias vezes de madrugada preocupado com a vinda dos pais dele. — expliquei entrando na cozinha. — Acordou várias vezes de madrugada preocupado com a vinda dos pais dele. — Kise acenou com a cabeça e correu para chamar o resto do bando.
— Por que o Takao está tão nervoso? — Makoto perguntou.
— Ele não se dá muito bem com o pai dele e tem medo que o velho arrume alguma confusão.
— Velho? Quanto amor ao seu sogrinho.
— Nem o conheço, mas já o amo demais... Só que não. — suspirei. — Não tenho nenhum prazer em conhecer alguém que seja parecido com meu pai, só estou ansioso mesmo para conhecer a mãe dele.
— A senhora Takao me parece bem legal mesmo, também estou ansioso para... — eis que um grito o interrompeu.
— Ryouta! Seu vagabundo! — uma voz parecida com a do Akashi surgiu no ar. Subimos para ver o que estava acontecendo e quando entramos no quarto eis que o tampinha ruiva estava ensopado.
— O que você fez, Kise? — perguntei mesmo já imaginando a resposta.
— Eu chamei ele várias vezes, mas não deu certo, então, joguei um pouco de água nele. — respondeu colocando uma das mãos na cabeça e esboçando um leve sorriso.
— Um pouco?! — Makoto perguntou rindo como de costume. — Maria tá que é água pura.
— Vou te matar, seu cretino! Quem mandou me acordar a esta hora? — o molhado perguntou.
— O Makocchi! — o loiro apontou uma das mãos para o Makoto, mas Akashi não desviou o olhar do companheiro.
— Mas pelo jeito a ideia de jogar a água não foi dele, né?!
— Não. — esboçou o mesmo sorrisinho de sempre, mas não adiantou. Akashi saltou pra cima dele e o jogou na cama.
— Vocês estão brigando ou se agarrando? — perguntei, pois não estava dando para saber muito bem.
— Estou tentando matar ele, me dá licença?
— Está?! Me parece que vocês estão fazendo outra coisa. — o Kise estava deitado entre as coxas de Akashi que, por sua vez, estava erguido sobre ele com as duas mãos no cabelo do loiro.
— Até que é bom ficar assim. — Kise falou enquanto ria daquela situação.
— Por que está rindo? Era pra estar chorando! — o tampinha gritou.
— Pare com isso, Maria, é nítido que você não coloca medo em ninguém mais. Acho melhor encontrar outro jeito de matar o Kise, esse me parece mais que estão se amassando na cama. — logo após o Makoto falar eis que aparece no quarto uma figura com a cabeça coberta por uma coberta.
— O que está acontecendo aqui? Me deixem dormir mais, está muito cedo. — a voz do Takao estava tão fraca por conta do sono que foi difícil até entender as palavras. — Shin-chan, vem mimir comigo, vem.
— Eita! O amor está no ar hoje. — Makoto debochou enquanto puxava a coberta do Takao.
— Tá com inveja, Makoto? O Kiyoshi não está comparecendo? — perguntei.
— Epa! Ouvi o meu nome. — falou o de cabelo castanho após chegar ao quarto. — É festa do pijama aqui? Por que o Akashi está molhado? Mijou na cama?
— Hehe! Que engraçado, Teppei. — o tampinha ironizou. — É melhor tu voltar pro seu quarto e levar sua donzela contigo, ela está muito debochada hoje.
— Quer terminar o que começou? — Makoto perguntou.
— Não quero testemunhas! — o ruivo respondeu já saindo de cima do Kise. Esse não parava de rir da situação.
— Shin-chan, vamos logo! Tá muito frio. Deixa eles se agarrem aí e vem mimir comigo.
— Nops, o café tá quase pronto lá embaixo e ainda temos muitas coisas pra fazer. Essa casa parece um ninho de rato. Precisamos deixar ela apresentável para, pelo menos, tentar causar um boa impressão para nossos pais. — Takao não se deu por vencido e me agarrou me enrolando ao cobertor junto com ele.
— Só mais dez minutos. Anda, não seja mau comigo. Por favor! Só mais dez minutos! — não resisti e acabei voltando para cama com ele. Os outros meninos ficaram no quarto com o Akashi e o Kise.
— Nada mais do que isso! — não adiantou eu falar, pois acabei ficando deitado por quase uma hora e meia.
***
— Princesas! — Akashi falou entrando em meu quarto. — É hora de acordar! As coisas não vão se arrumar sozinhas lá embaixo e o café já deve ter ficado frio.
— Não enche! Vamos descer daqui a uns minutinhos. — Takao respondeu ainda com a voz de sono.
— Quantos? — o ruivo perguntou.
— Uns cento e vinte minutinhos. Só isso. — acabou de falar e voltou a deita a cabeça em meu ombro.
— Acho que vou ter que usar o mesmo método que o Ryouta com vocês dois.
— Não se atreva! — adverti. — Se fizer isso vamos te jogar pela janela.
— Sou igual a um gato, bobão, caio de pé. Se não se levantarem em dez minutos eu volto com o balde. É bom que vocês dois aproveitam e já tomam uma banho de uma vez.
— Pode jogar água, vou ficar aqui com o Shin-chan do mesmo jeito.
— Vamos levantar, Takao. Já ficamos demais aqui. Você disse que só seriam dez minutos e já estamos mais de uma hora e meia deitados. É difícil dizer isso, mas o tampinha tem razão. É a primeira vez que isso acontece, então, temos que aproveitar.
— Eu sempre tenho razão. — ele concordou adquirindo uma pose de superior. — Cale a boca e se levante. Vocês não têm empregados aqui.
— Bem que eu queria, seria tudo mais fácil. — seria tudo de bom ter alguém que coloque esse lugar em ordem. Me levantei, mas o Takao continuou deitado olhando para o meu rosto e fazendo biquinho com a boca.
— Só mais um pouquinho, Shin-chan. Eu nunca te pedi nada.
— Anda, levanta! Vamos! Vamos! Depois que a casa estiver arrumada você pode voltar a dormir.
— Me leva no colo? — pediu enquanto esticava os braços em minha direção. — Por favor!
— Aff, que nojo. Essa melação toda a essa hora da manhã. — o ruivo falou enquanto esboçava uma expressão de asco com a face. — Vou até vomitar.
— Você não é a pessoa mais indicada para falar sobre melação. Estava todo saidinho com o Kise hoje mais cedo. — revidei.
— Eu estava tentando matar ele!
— Sim, claro. Matá-lo de tanto amor. Você não engana mais ninguém, o Kise neutralizou esse seu lado psicopata. Se bem que nunca teve, só fazia pose de machão mesmo, no fundo é uma florzinha.
— Pegue essa florzinha e enfia no seu...
— Opa! Olha o respeito. Takao, vai deixar ele falar assim comigo?
— Tô com tanta preguiça, acho que vou sim. Depois eu acerto as contas com ele. Agora volte para cá, Shin-chan, preciso de você aqui comigo. — não dá pra se sentir protegido perto do Takao. Ele não mata nem uma mosca.
— Takao, se você não levantar agora já vai se preparando para passar a noite lá na sacada.
— Por quê? — perguntou se sentando na cama e olhando pra mim. — Ah não! Quero dormir aqui contigo! Não faz isso comigo!
— Porque eu estou mandando. Pare de fazer corpo mole e venha tomar café. Se não vier já sabe. Eu sempre cumpro o que falo.
— Aff... Tá bom, o senhor quem manda. — se levantou e descemos para tomar café.
O resto da manhã foi bem agitado. Mudamos alguns móveis de lugar, lavamos os banheiros, tiramos poeira da casa, limpamos o jardim, a varanda, enfim, arrumamos a maior parte da casa. Só faltava agora escolher o cardápio do jantar e ir comprar os ingredientes.
— Lasanha! Eu voto em lasanha! — Kise gritou levantando sua mão esquerda. Estávamos sentados na copa enquanto o Makoto preparava o almoço.
— A votação ainda nem começou, Kise, sossega aí. — Makoto respondeu lá da cozinha. — Temos que saber primeiro se todos os convidados gostam das opções.
— Meus pais adoram. — Takao disse enquanto se aninhava em meu braço.
— Os meus também, é uma boa opção. — concordei.
— Acho uma boa ideia. — Kiyoshi votou.
— Pra mim pode ser até arroz com feijão. — Akashi falou com certo desânimo enquanto jogava uma bolinha para o alto. — Qualquer coisa serve.
— Quero torta de limão com sorvete! — eis que uma pessoinha surge no recinto. Seiji entrou correndo com uma pipa na mão.
— Isso serve como sobremesa. — Kiyoshi riu. — Precisamos votar no jantar primeiro.
— Acho que a opção lasanha já venceu. Alguma objeção? — perguntei e ninguém apresentou. — Então está combinado. Para sobremesa fazemos então a torta que o Seiji pediu e mais alguma coisa?
— Pudim de leite condensado! — Kise sugeriu.
— Boa ideia. — Takao concordou.
— Rabanada, bolo de brigadeiro, beijinho, pé de moleque, paçoca...
— Kise! Não estamos fazendo uma festa de criança para ter tudo isso. Só precisamos de duas opções. — Makoto o interrompeu e Kise abaixou a cabeça como se estivesse magoado, mas logo levantou e voltou a sorrir como sempre.
— Não grite com o tio Kise! — Seiji disse se mostrando realmente bravo. — Eu também quero esses doces.
— Viu? Ele concorda comigo.
— Vocês dois são igualmente crianças. Não dá pra levar em consideração o que falam. — Akashi debochou.
— Tenho quase o seu tamanho, tio Akashi. Daqui a pouco serei maior que você.
— O que isso tem a ver?
— Você que será a criança perto de mim. — por essa o Akashi não esperava. Todos rimos e ele ficou todo vermelho de raiva.
— Vem aqui, vou rasgar essa sua pipa. — disse Akashi, já se levantando para ir atrás do garoto.
— Socorro! — Seiji correu em direção a cozinha e Makoto o ajudou.
— Deixe ele em paz Akashi e vá lá fora pegar um pouco de hortelã para eu fazer um suco.
— O Miya-chan não vai te proteger o tempo todo, Seiji... Alguma hora vai estar sozinho.
— O tio Takao me protege! Ele não vai deixar você fazer nada de mau comigo.
— Sim, pode deixar! — Takao concordou ainda se aninhando em meu braço. — O Akashi-chan só late, ele não morde ninguém.
— É um animal manso, Seiji-kun, não se preocupe. — Kiyoshi falou passando a mão na cabeça do garoto que já estava de volta a sala.
Aquela briguinha durou por mais algum tempo e logo voltamos aos nossos afazeres. Makoto e Kise foram ao mercado comprar as coisas. Kiyoshi e o Akashi foram a adega escolher as bebidas e eu e o Takao ficamos com a parte da ornamentação. Essa, por sinal, ficou incrível, claro, pois fui eu quem organizou. Colhemos rosas no jardim e as colocamos em vários jarros pela casa. Cada cômodo foi decorado por rosas de cores diferentes.
— Cheguei! — Makoto falou já entrando na sala principal.
— Finalmente. Compraram tudo? — perguntei.
— Sim. Comprei os doces que o Kise e o Seiji pediram.
— Onde o loiro está?
— Deixou as bolsas na cozinha e saiu para brincar com o garoto, daqui a pouco ele volta.
— Foi muito bom. Nessa fase da organização é melhor deixar o Kise bem distraído longe de casa.
— Onde está o Takao?
— Foi tomar um banho, mas disse que não iria demorar. Vamos te ajudar a picar as coisas quando ele voltar.
— Onde está o Kiyoshi?
— Foi com o tampinha comprar alguns vinhos na adega da cidade vizinha. Não devem demorar também. Se demorarem é até melhor, seria bom manter o humor negro do Akashi longe dessa casa por um tempo.
— Humor negro? Ele está bem colorido agora. Não percebeu que está até cuspindo borboletas quando vê o Kise?
— O deboísmo do Kise é contagioso, conseguiu amolecer até aquela pedra que o Akashi chamava de coração.
— Enquanto o Takao não chega vem me ajudar na cozinha. Vamos começar a adiantar as coisas para ficarmos livres para nos arrumar à noite. — ele foi à cozinha e eu o segui.
Chegando lá cada um pegou uma faca e já começamos a descascar os alhos e picar algumas ervas para fazer o tempero.
— Qual é a personalidade da sua mãe, Makoto?
— Ela é muito tímida, fala pouco e baixo e se veste de um jeito muito simples. Ela não gosta muito de chamar atenção. É atenciosa, carinhosa, trabalhadora, entre outras coisas.
— Ela é chata igual a você?
— Não sou chato. — disse enquanto mexia nos ingredientes. — Eu só não faço muita questão de ser legal. — explicou. — Parece a mesma coisa, mas não é. Chato é você que fica me perguntando isso.
— O Shin-chan não é chato, ele é um amorzinho. — Takao falou entrando na cozinha. — Demorei, mas cheguei. Sentiram minha falta?
— Sim, sentimos sua falta na hora de picar a cebola e o alho. — Makoto ironizou.
— Eu não senti. — respondi recebendo em troca um beijo no rosto. — Seu sono passou?
— Mais ou menos, mas agora estou bem melhor. Acho que aguento até o final do jantar. Enquanto estava lá em cima a minha mãe me ligou. Ela disse que virá, mas que vai se atrasar um pouco. Meu pai tem uma reunião antes de vir para cá.
— Ele poderia não vir. — pensei alto.
— O que você disse? — Takao questionou olhando para mim.
— Estou muito ansioso para conhecê-los. — menti.
— Ah sim. Você vai, espero que goste deles. Espero também que meu pai não faça nenhuma vexame e que nem encha o seu saco.
— Fique tranquilo, pode deixar os vexames com o meu pai. — receber ele nunca foi legal. — Minha sorte é que minha mãe virá e vai domar ele.
— Será que ele vai gostar de mim, Shin-chan?
— Não, ele não gosta de ninguém. Fique tranquilo, a culpa não é sua. — ele esboçou um sorriso meio forçado, estava bem ansioso.
— Espero agradar pelo menos sua mãe. Todos disseram que ela é legal, estou ansioso para vê-la.
— É fácil agradar a mãe do Midorima, ela é legal. Nem sei como essa coisa pode ter saído dela.
— Ela teve o maior prazer em me ter.
— Em meter? — Takao perguntou rindo. Makoto o acompanhou, mas eu continuei sério.
— O que você disse? — olhei para o rosto dele.
— Nada! — ele abriu aquele sorriso de orelha a orelha e eu não resisti. Não consegui continuar sério e acabei sorrindo também. — Eu só estava brincando contigo. Não fique bravo.
— Você deveria trabalhar como comediante.
— É sério, Shin-chan? Acha que tenho talento?
— Não, não tem nenhum. Morreria de fome em um ou dois dias. Você é péssimo. Sabe alguém ruim? Então, é você.
— Te amo! — falou olhando para mim com os olhos brilhando e fazendo biquinho com a boca.
— Também te amo, mas não fique fazendo essa chantagem emocional.
— Aff! Quanta melação aqui. Vocês dois estão parecendo o Kise e a Maria.
— Shin-chan, você está sentindo cheiro de inveja aqui? — Takao perguntou enquanto se levantava e olhava ao seu redor.
— O pior que estou, mas não sei muito bem de onde vem. Acho que está vindo desse ser repugnante que está sentado na minha frente.
— Pensando bem acho que o Midorima deveria ser comediante junto com o Takao, os dois nasceram um para o outro e tem até a falta de graça em comum.
— Já pensou em se matar, Makoto? Cara, você não sabe o tamanho do favor que faria para nós todos..
— Não faria não! — Kiyoshi entrou na cozinha me interrompendo.
— Ai! Que susto, Kiyoshi. — falei me levantando rápido e olhando na direção dele. — Na próxima vez deveria bater antes de entrar.
— Onde eu deveria bater? Aqui não tem porta, só tem um arco que liga a copa a cozinha.
— Mesmo assim. Faça então pelo menos um barulho para avisar que está chegando. Sei lá. Coloca um sino no pescoço e vai balançando.
— O Kiyoshi não faz o tipo da vaquinha mimosa, esse papel seria mais adequado ao Miya-chan. — Akashi comentou entrando também na cozinha. — Não se irrite, foi só uma piada. Você não serve para ser uma vaca.
— Ele serve para ser o que? — Takao perguntou.
— Acho que um veado ou algo do tipo. — Akashi disse com deboche e todos riram, claro, menos o Makoto.
— Caramba, você não sabe o quanto estou ofendido com o que você disse. Poxa, vou até pular da sacada lá de cima.
— É sério? Você vai mesmo fazer isso? — Akashi perguntou com os olhos brilhando.
— Não. — Makoto falou secamente. — Você não vale a minha vida.
— Sim, eu valho mais. Tu teria que se matar e me dar um dinheiro para completar.
— Acho que essa briguinha já deu. Vamos parar com isso e cada um vai arrumar o que fazer. — interferi.
— Acho que vou dormir um pouco! — Takao afirmou alegremente recebendo em troca um olhar de desprezo de todos.
— Vamos ficar arrumando casa enquanto você, o rei de tudo, dorme? É claro que não. — Makoto falou indignado.
— Eu acho injusto o Takao ir lá pra cima dormir sozinho. — comentei.
— É claro que é. — Kiyoshi falou. — Ele também precisa ajudar aqui embaixo.
— Por achar injusto que ele durma sozinho, posso ir lá dormir com ele.
— Ha,ha,há! Bobinho! — Akashi disse. — Os dois senhores vão ficar aqui para nos ajudar.
— Estás muito enganado, meu jovem. Enquanto você gastava as solas dos seus sapatos andando lá no mercado eu fiquei aqui picando esse monte de alho. Estou fedido e nem sinto as pontas dos meus dedos.
— Para de frescura, você só picou uma cabeça. Não demorou nem dez minutos. — Makoto disse.
— Passei dezoito anos da minha vida sem picar alho. Estou mal acostumado. Essa cabeça pra mim já é muito. Se me dão licença, preciso descansar.
— Nada disso. — Kiyoshi disse enquanto me sentava de novo na cadeira. — O senhor ficará aqui conosco. Você também, Takao.
— Minha presença é tão importante assim? Pensei que me odiavam. Eu sou chato, reclamo muito, tenho mau humor... Deixem-me ir e ficarão em paz pelo resto do dia.
— Realmente, é tudo isso, mas pelo menos pode ajudar a picar as outras coisas. — Makoto assentiu. — Podemos fazer o sacrifício de te aguentar mais um pouco.
— Vocês são chatos. Chatos! Sabiam disso? Eu não atrapalho os momentos de romance de vocês. — Takao gritou.
— Romance? Eu queria dormir, Takao. Pensou que eu faria o que?
— Ué, só teria nós dois. Eu e você no quarto escuro. Debaixo das cobertas...
— Calado! — interrompi. — Você não deveria ficar falando isso aqui. — puxei a orelha dele. — Vamos ser zoados eternamente agora.
— Ai! Me desculpa, Shin-chan! Eu retiro o que disse!
— Para com isso, Midorima. Vai arrebentar o lóbulo do garoto. — Makoto falou e larguei a orelha do Takao. — Todo mundo sabe que vocês dois ficam nessa saliência toda no quarto. Já cansamos de ouvir vocês à noite.
— Que absurdo! Takao e eu nunca fizemos nada. À noite nós só dormimos.
— Isso não é muito bem uma verdade, Shin-chan. Pelas minhas contas acho que fizemos umas quatro vezes por semana.
— Takao! — gritei.
— Quatro vezes?! Caramba! Não sabia que o fogo de vocês era tão grande assim! — Akashi debochou. — Daqui a pouco vai queimar essa casa aqui também. Espero que as paredes aguentem o fogo de vocês dois.
— O Takao só serve para queimar o meu filme mesmo.
— Desculpa, mas você estava mentindo, Shin-chan.
— Desculpo, mas fique contente por dormir o resto da semana na sacada.
— Não! Shin-chan! Logo hoje que eu estava tão animado pra dormir contigo.
— Gente, eles vão fazer hoje de novo! — Akashi exclamou de forma debochada.
— Meu Deus! Takao, cale a boca! Vou arrebentar a sua cara.
— Que amor selvagem, né, Kiyoshi?! Você e o Miya-chan são assim também? — Akashi perguntou.
— Sim, você também. Hoje já de manhã você tava montado no Kise na frente de todo mundo. —Makoto respondeu pelo outro. — Pelo menos nós e o Midorima fazemos no nosso quarto à noite. Você e o Kise estavam se amando na frente de todo mundo.
— Eu já disse que tava querendo matar ele!
— Não foi o que pareceu, Akashi-chan! — Takao falou enquanto se aninhava em meu braço tentando se desculpar.
— Pro inferno o que vocês pensam. Me digam o que tenho que fazer e pronto.
— Não pode falar pavão’, tio Akashi! — eis que uma voz infantil ecoou lá de fora. — É feio.
— Eu não falei pavão. — Akashi disse pensativo. — Falei?
— Acho que o Seiji quis dizer “palavrão”. — Kiyoshi explicou enquanto ria.
— Agora tenho que aguentar um fedelho me controlando.
— Não temos culpa que ele é mais educado que você, Akashi. — falei.
— Midorima, vai tomar no...
— Tio Akashi! — a voz ecoou novamente.
— Aah! — Akashi suspirou e saiu da cozinha.
Ficamos conversando por mais algum tempo e logo cada um foi procurar o que fazer. Daqui a poucas horas o jantar vai acontecer e espero que dê tudo certo. Se sair como o planejado não há como dar nada errado. Combinamos de não iniciar assuntos polêmicos e nem dar prosseguimento a eles caso alguém inicie um.
— Essa roupa ficará boa em mim? — Takao perguntou me mostrando uma calça preta, uma blusa listrada de preto e branco e um All Star de couro branco.
— Sim! É uma ótima combinação. Ainda não sei como me vestir. Pensei em usar aquele conjunto novo que comprei naquela loja aquele dia.
— Você ficará perfeito com ele. Poxa, acho que vou até escolher outra roupa pra poder ficar tão bem quanto você.
— Para. Esse conjunto ficará muito bom em você. Sério mesmo.
— Midocchi, você viu onde está a minha calça azul? — o loiro perguntou.
— Ontem ela estava no varal, hoje eu já não sei. Vê se o Kiyoshi sabe, ele que estava mexendo lá fora ontem.
— Sabe onde está minha blusa preta com bolinhas vermelhas?
— Não. Tu também não sabe onde está nada, Kise.
— Ah! Eu esqueci onde coloquei. — falou esboçando um sorriso de vergonha. — Sabe do meu tênis azul?
— Kise, vai lá no seu armário e escolhe alguma peça que tem lá. Deixe esses itens para usar outro dia, claro, se encontrar eles.
— Sim, senhor! Vou lá. — correu para fora do quarto.
— Como que o Kise não perdeu a cabeça? — Takao perguntou rindo.
— Acho que ele não sabe que tem uma, pois nem usa mesmo.
— Tadinho, Shin-chan! Que maldade. — riu após dizer.
— Gente, alguém me ajuda aqui! — Makoto gritou e fomos ver o que era.
— O que aconteceu? — Akashi perguntou chegando junto comigo e o Takao na cozinha.
— O forno não quer ligar. Tem gás e tudo mais, mas não quer acender.
— Vish. Como vamos assar a lasanha? — Takao perguntou.
— Tenta usar o micro-ondas. — sugeri.
— O tabuleiro é muito grande. Se eu dividir em dois tabuleiros vai virar uma melecada. — Makoto respondeu.
— O forno à lenha cabe, mas precisamos acender ele. Eu, particularmente, não tenho muita prática com isso e nem temos lenha. — Kiyoshi falou. — Se alguém for comigo posso tentar encontrar lenha por aí.
— Akashi, vai lá com ele. — Makoto falou.
— Por que eu? — o tampinha questionou.
— Vai lá e não reclama. — falei. — Vamos ficar aqui dando apoio ao Makoto.
— Eu não preciso de apoio, Midorima.
— Precisa sim. Precisa de alguém que te anime, te motive, te elogie...
— Vai ficar arrumando pretexto para não ir? — Akashi perguntou.
— Sim, não vou me enfiar no meio do mato para catar lenha a esta hora da noite.
— São seis horas da tarde, nem está tão escuro assim.
— Akashi, obedeça o Makoto e pronto. Ele é o homem da casa agora.
— Ah é? Sou o homem da casa?! — Makoto perguntou rindo. — Então, Midorima, vá lá com eles.
— Não, você acabou de sofrer um impeachment. Não preciso obedecer você.
— Tá. É melhor eu ir com o Kiyoshi que ficar ouvindo essa baboseira toda. Avisem o Kise que fui lá. — finalmente ele se convenceu e foi.
— Isso, bom garoto. — brinquei recebendo em troca uma cara feia do tampinha ruiva. — Já estou acostumado com sua cara feia, não me assusta mais. — bom, agora recebi um dedo do meio. — O meu é maior, meu bem.
— O tamanho não importa, o que importa é a intensidade. — Makoto brincou, segurando o riso, enquanto mexia no forno.
— Cale a boca, tamanho importa sim. — falei. — Você sabe que importa.
— Ui, pelo jeito tu gosta dos grandes. — o moreno continuou falando do mesmo jeito.
— Gente, vamos mudar de assunto antes que eu fale alguma bobagem e o Shin-chan fique de mal comigo.
— Quero acabar com tudo isso antes que minha mãe chegue. Quero passar um tempo com ela. — Makoto comentou enquanto lavava alguns pratos para usarmos no jantar.
— Poderíamos arrumar uma empregada, seria tudo mais fácil. — sugeri.
— Ficaria muito caro, não tenho condições de pagar.
— Nós temos, Mako-chan, você não precisaria se preocupar com nada.
— Não, eu não me sentiria bem com isso. Não quero ficar nas costas de ninguém.
— Para de drama. — falei. — Nem é tão caro assim.
— Eu voto não. Vê com os outros e me falem o resultado depois.
— Kiyoshi vai seguir seu voto, então, temos dois votos contrários e dois votos a favor. Posso influenciar o Kise a votar a nossa favor e ficaremos a frente. — disse pensando num jeito de convencer o Kise.
— Convencer o Kise é fácil, difícil é convencer o Akashi. — Makoto expôs.
— O Kise-chan vai dar um jeito de convencer ele à noite. — Takao deu a boa ideia. Não sabia que ele era tão inteligente assim.
— O Midorima herdou essa mania ruim de político do pai. — Makoto fez uma careta. — Pensei que você fosse diferente.
— Eu sou, mas uso meus métodos a meu favor. — sorri.
— Então use esses seus métodos para secar toda essa louça aqui e colocar lá na mesa. Rápido. — obedeci o moreno e sequei tudo com a ajuda do Takao.
A hora foi passando e logo escureceu. Os outros garotos já estava arrumados e esperavam nossos convidados na sala principal. Akashi estava como sempre indiferente a situação. Makoto e Kise estavam bem ansiosos para receber seus pais, mas o Takao me pareceu ansioso para que seus pais não venham. Ele passou o dia todo aflito temendo que seu pai arrume alguma confusão. Se ele arrumar não seria novidade, pois já estamos acostumados com chiliques de pais preconceituosos. O meu já conseguiu deixar os meninos habituados a um show de preconceito e, sinceramente, não tenho tanto medo assim do pai do Takao. Seja como for, ele não será pior que o meu.
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