New Ways...
36 Capítulo 34
Notas iniciais
Midorima’s POV on
Amanheceu e a luz do sol cobria o meu rosto, pois o cretino do Takao acabou se esquecendo de fechar a cortina ontem à noite. Finalmente o domingo chegou e espero aproveitar bastante esse dia. Enrolei um pouco na cama, me levantei e fui tomar o meu banho. Este não demorou, pois estava um pouco frio e a água do chuveiro não colaborou muito. Saí do banheiro e quando abri a porta dei de cara com o Takao que, instantaneamente, selou um beijo em minha boca.
— Bom dia, Shin-chan! — o desejei a mesma coisa. — Vejo que está animado, até acordou cedo.
— Nem um pouco, perdi o sono e não consegui dormir de novo.
—Que tal irmos à vila? Prometi levar o Seiji para tomar sorvete na praça e você pode ir conosco.
— Nem pensar, não saio com aquela criaturinha de jeito nenhum. Eu quero paz e, também, preciso estudar um pouco, o nível de dificuldade do curso começou a aumentar e preciso dar conta.
— Eu te ajudo, sei algumas coisas sobre os animais. Eles e os seres humanos têm coisas em comum, minha ajuda pode te servir. — falou com certo orgulho.
— Sabe sobre genética? — perguntei esperançoso.
— Nem um pouquinho, eu não cheguei nessa fase do curso ainda. — respondeu com decepção. — Eu queria te ensinar alguma coisa pelo menos. Ah! Quer aprender a andar de bicicleta? Isso eu posso te ensinar tranquilamente.
— Não, pra quê eu iria querer aprender a andar de bicicleta? — perguntei com desanimo.
— Para poder andar de bicicleta, talvez?!
— Vá tomar o seu banho, Takao. — falei saindo, mas ele me puxou pelo braço.
— Toma banho comigo? — pediu esperançoso.
— Não, acabei de tomar banho agora. — respondi, me soltando.
— Então pelo menos me deixe te ensinar a andar de bicicleta, aproveitamos e passamos algum tempo juntos. Eu... Você... A bicicleta... Nós dois juntos... E aí?
— Vá tomar o seu banho, Takao. — continuei a andar.
— Vou ensinar a Sheila então! — retrucou com um tom um pouco elevado.
— Quem é Sheila? Por que você conhece essa mulher? — me virei e questionei pausadamente para dar a chance dele se redimir.
— Sheila é uma amiga minha de faculdade. Ela me pediu para ensiná-la a andar de bicicleta. É uma loirona, você tem que ver. Usa uns shortinhos curtos. — debochou e eu suspirei para não matá-lo.
— Você quer ensinar a Sheila a andar de bicicleta? — que raiva, ouvir aquilo me irritou muito. — Pode ir, vá lá. Você vai ter que voltar mesmo e é aí que nos veremos.
— Shin-chan, pare! Era só uma brincadeira, eu não conheço ninguém com este nome. — continuei o ignorando. — Shin-chan, por favor, era só uma brincadeira.
— Você estava brincando? — me virei esboçando um leve sorriso.
— Sim, é claro.
— Então também vou brincar contigo. Você ajuda a sua loirona e eu vou à casa do meu amigo Kagami. Sabe o Kagami? Aquele homem alto, forte e ruivo, então, ele é muito atraente.
— Nem pensar! Midorima, eu te mato se você for a casa daquele brutamonte ruivo. — Takao estava muito irritado, mas não liguei pra isso. — Não quero nem pensar em te ver lá.
— A diferença entre nós dois é que eu não brinco. Vou marcar de sair com ele, penso em ir a um lugar bem discreto. — andei em direção ao telefone e ele me puxou pelo braço de novo.
— Nem pense. — continuei a andar após me soltar. — Shin-chan, por favor, não! Não me traia, eu não posso viver sem você! — declarou fazendo toda uma encenação. O Takao costuma ser muito dramático. — Eu tomo chumbinho se você for! Sou capaz de me jogar da sacada ou pular na frente de um trem!
— Você irá morrer e eu vou continuar vivo e, adoravelmente, com ele. — peguei o celular. — Prometo levar flores pro seu túmulo.
— Shintarou Midorima Takao, você não vai ligar para ninguém. — ele até acrescentou o sobrenome dele. — Estou falando sério, você não vai querer me ver bravo contigo. —realmente falou sério.
Comecei a digitar e a cada tecla o olho dele arregalava mais. Ele começou a suar e o seu rosto ficava cada vez mais vermelho.
— Midorima! — apertei o nono número e fiz um suspense básico para apertar o botão para ligar. — Nem mais um movimento. — apertei. — Me dá isso! — saltou em cima de mim e eu acabei derrubando o celular no chão.
— Me solta, Takao! — falei o empurrando.
—Você não vai ligar para nenhum homem não! — gritou pegando o celular e olhando o número. — Shin-chan, por que tem a foto da sua mãe no número? — perguntou com certa dúvida.
— Porque eu estava tentando ligar para minha mãe. — tomei o celular. — Você é muito ciumento, nem para a minha mãe eu posso ligar.
— Mas... Você disse que iria marcar para sair, pensei que fosse agora. — ainda estava muito confuso para poder entender alguma coisa. — Pode ligar pra ela, mas só para sua mãe. Não ligue pro Kagami não, Shin-chan, por favor. — ele me olhou de um jeito que eu hesitei. Os olhos dele estavam cheios de lágrimas e aquilo acabou comigo.
— Eu não vou ligar para o Kagami, só falei aquilo para te irritar.
— Eu sabia! — gritou e me deu um abraço muito apertado. — Eu sabia que você não iria me trocar.
— Tá, Takao, pode me soltar agora, eu não vou te trocar por ninguém.
— Shin-chan, posso te ensinar a andar de bicicleta? — droga, ele se lembrou disso.
— Tá, mas vá tomar o seu banho logo, mocinho. — ele sorriu e correu para o banheiro.
Ele venceu. Fiquei pensando em tudo o que havia acontecido e cheguei à conclusão de que o Takao realmente gosta muito de mim. A reação dele foi incrível, ninguém nunca reagiu assim por mim antes, acho que nunca sentiram ciúmes de mim. Me sinto até mais importante agora e preciso repensar a minha relação com ele, talvez eu possa ser um pouco mais amigável ou carinhoso. Deixei os pensamentos e fui me arrumar, pois logo tinha que descer para tomar o café da manhã com o resto do bando.
***
— Bom dia, Midocchi! — Kise nos saudou quando chegamos à mesa. — Vocês dormiram bem?
— Muito bem. — Takao respondeu e o Kise respondeu dizendo como havia sido a noite dele.
— Bom dia, Kise. Dormi muito mal, mas isso não importa agora. Fico feliz, pelo menos, em saber que você dormiu bem e é isso que importa. — o loiro sorriu.
— Seu quarto estava movimentado. — Akashi falou. — Andaram brigando?
— Não! — respondi.
—Sim! — Takao respondeu.
— Sim ou não? — o Makoto perguntou rindo.
— Não! — respondi.
— Sim! — Takao insistiu em responder isso.
— Nós não brigamos, Takao. — expliquei. — Apenas tivemos uma discussão de relacionamento e isso não interessa aos outros.
— Pra mim isso é quase a mesma coisa, mas está bom. — respondeu após bebericar um pouco de café.
— Isso me interessa muito. — Akashi disse sorrindo. — Gosto de polêmica.
— Não, isso não te interessa Akashi. —enfatizei.
— Vou ensinar o Shin-chan a andar de bicicleta hoje. Ele depois de muito custo aceitou o meu convite. Vocês querem ir também?
— É claro! — Kise respondeu. — Vai ser muito legal! —os outros também aceitaram.
— Podemos ir após o almoço? — Kiyoshi deu a ideia e aceitamos. — Tenho certeza que o Seiji ia gostar de ir também e a mãe dele só deixa depois da refeição.
— Claro Kiyo-chan!
***
À hora do almoço havia chegado. Comemos, papeamos um pouco e começamos a arrumar as nossas coisas para o passeio. Estou um pouco aflito, pois andar de bicicleta me dá um pouco de medo. Eu me lembro das vezes que eu tentei e não deu muito certo, sempre me machucava ou quebrava a bicicleta.
— Você está pronto, Shin-chan? — Takao perguntou, entrando no quarto.
— Não, vamos cancelar o passeio, estou com dor de cabeça. — tentei fugir do compromisso.
— Toma um comprimido e vamos, logo vai passar.
— Está doendo muito. Ai! — dramatizei um pouco. — Parece que a minha cabeça vai estourar.
— Pare de drama, eu sei que você só está fazendo graça para não ir. Pensei que fosse um homem de palavra, mas me enganei profundamente. Não precisa ter medo de andar de bicicleta, até os mais idiotas conseguem se equilibrar em cima de uma.
— Eu sou um homem de palavra, mas não gosto de bicicletas.
— Gosta sim, você só está com medo de cair. Eu prometo que te ajudo caso algo dê errado, podemos parar também se você não gostar.
—O Seiji irá conosco?
— Sim, ele já está lá embaixo nos esperando para ir. O pai dele tirou as rodinhas da bicicleta e isso o animou muito. Até ele sabe andar e você não.
— Ele teve quem o ensinasse, eu não. Meus pais nunca tinham tempo e a minha babá não tinha muita idade para gastar energia me ensinando a fazer isso.
— Por isso eu vou te ensinar agora. Andar de bicicleta vai ajudar a te relaxar, os ventos baterão em seus cabelos verdes e aposto que você vai gostar disso. — paramos de conversar e saímos do quarto e fomos à sala.
***
— Nossa! Que demora Midocchi. — o loiro falou ajeitando o seu capacete. — Pensei que teria que buscá-los lá no quarto.
— Fica frio, Kise. Estávamos conversando sobre algumas coisas.
— Vamos logo antes que chova. O tempo está carregado e não sabemos quando vai começar a chuva. — Kiyoshi disse.
— Tio Verdinho! — Seiji entrou correndo na sala. — Podemos tomar sorvete enquanto andamos de bicicleta?
— Tá, mas não vamos demorar muito. — o pequeno sorriu e correu para buscar a bicicleta. Terminamos de nos arrumar e saímos de casa.
— Shin-chan, você só precisa montar na bicicleta com cuidado e pedalar bem devagar.
— Essa parte eu sei, só não consigo me equilibrar em cima desse negócio.
— Se quiser eu peço as rodinhas pro meu pai, tio Verdinho. Ele tirou da minha bicicleta e pode por na sua. — rimos após ouvir aquilo. O garoto era muito prestativo, mas muito inocente. Eu nunca sairia na sua usando aquelas rodinhas.
— Não precisa, aos poucos vou me acostumando.
— Você está indo bem, Midocchi. O começo é a parte mais difícil, depois tudo fica tão natural que você nem percebe mais que está pedalando.
— Sua casa não tinha bicicletas não, Midorima? — Makoto perguntou.
— Eu tinha uma, mas era de criança. Nunca me interessei muito por isso, meus pais me faziam estudar muito e não tive muito tempo.
— Shintarou, eu acho que você é um único ser na Terra que não sabe andar de bicicleta. Ah! Me esqueci... Você nunca precisou! Poderia montar nas costas dos seus empregados para ir a qualquer lugar. — Akashi debochou.
— Sinceramente, creio que os meus funcionários não me aguentariam. Vou falar de novo, nunca aprendi porque não tive muito interesse.
— Tio Verdinho, você tem namorada? — de onde esse garoto tirou isso agora?!
— Não, por quê? — retribui a pergunta.
—Você é todo certinho, parece até a minha mãe. — cretino! Isso tirou algumas risadas dos outros garotos. — É sério, a minha mãe só fica dando ordens e não se diverte nunca.
— É mesmo! O Shintarou parece muito a sua mãe, Seiji. — Akashi debochou. — Fala para ela tomar cuidado com as saias no varal, o seu tio Verdinho adora saias.
— É sério? Eu posso pedir para ela te dar algumas. — continuou falando besteiras.
— Não. O seu tio Akashi é um idiota, não dê atenção para as baboseiras que ele fala.
— Não fale assim do Akacchi, Midocchi. — Kise o defendeu. — Ele só estava brincando.
— Eu também. — sorri de forma irônica. — Até que andar de bicicleta não é o fim do mundo.
— É divertido, você até que está se equilibrando bem. — Takao comentou sorridente. — Podemos tomar sorvete naquela lanchonete ali? — perguntou apontando para uma lanchonete de esquina.
A vila até que não era estranha, a praça central era rodeada pelo pequeno comércio local. Em uma das pontas ficava a sede do governo local, ao lado esquerdo a delegacia e bem próximo a escola primária. Os edifícios tinham o mesmo estilo de interior, tudo lembrava o campo e o modo de vida do mesmo.
— Eu quero sorvete de chocolate com calda de morango. — Seiji pediu já saindo de cima de sua bicicleta. — Tio Verdinho, pede para por confetes e jujubas no meu. Ah! Pede também para por bastante calda.
— Tudo bem, Seiji. — entrei e fiz o pedido. O garotinho ficou sentado em uma das mesinhas esperando junto de Kise e Makoto, o restante me seguiu e logo voltamos com todos os pedidos.
— Que delícia, tio Verdinho! — o ruivinho disse ao provar o seu sorvete. — Faz tempo que eu não como um sorvete gostoso assim.
— Não exagere, você se empanturrou de sorvete lá em casa outro dia. Fiquei sabendo que até assaltou a geladeira à noite. — o Seiji corou e sorriu, ele não sabia que já tinha sido descoberto.
— Eu peguei só um pouquinho. — justificou, gesticulando com uma de suas mãozinhas.
— Um pouquinho?! — Makoto interveio em meio a risadas amigáveis. — Você comeu meio pote de sorvete, até pensei que iria passa mal depois. Garoto, você tem um estômago de urubu.
— Só falta comer pedra. — Takao reforçou. — Nem sei como você consegue ficar magrinho desse jeito.
— O carinha daquele dia voltou. — Akashi falou apontando para o moreno de óculos que estava parado em pé no outro lado da rua. Era o ex-namorado de Makoto.
— Não façam movimentos bruscos, talvez ele não nos veja. —Makoto brincou.
— Eu me lembrei, ele é filho de um amigo de partido do meu pai. — eu disse, arrancando caras de espanto dos outros.
— O que? —perguntaram em coro.
— Ele é filho de um deputado do partido do meu pai. O que vocês não entenderam agora? — perguntei, pois me fitavam como se eu estivesse falando algo de outro mundo.
— Você nem falou nada naquele dia, nós nem imaginávamos que se conheciam. — Makoto explicou, provando um pouco do seu sorvete.
— Eu só me lembrei depois e isso nem faz diferença, pois não nos gostamos mesmo.
— O pai é estranho igual ao filho? — Kise perguntou.
— Não, mas é um bajulador nato. Papai ajudou a financiar a campanha dele e acabaram se tornando parceiros agora.
— Ele se parece com você, Midorima. — Kiyoshi finalmente se pronunciou. Havia ficado um pouco calado, creio que pela aparição do outro.
— Meu pai diz a mesma coisa, mas somos muito diferentes. Ele tem cabelo preto, é feio e não tem a menor classe. Essas são as primeiras coisas que nos diferem, tem mais, mas não quero ficar o resto do dia citando.
— É sério que você não se lembrava dele, Shin-chan?
— É caramba! Faz tempo que nos vimos pela última vez. Nós éramos crianças na época, ele costumava ficar com a mãe dele no interior e só o pai que ia lá em casa. O Makoto o conhece melhor que eu, não é, Makoto?
— Cale a boca, Midorima. Não quero falar disso agora, vamos tomar o nosso sorvete e voltar ao nosso passeio que ganhamos mais. — o moreno protestou, voltando a dar atenção ao pote a sua frente, como se fosse a coisa mais interessante do mundo.
— Ele se parece com você, tio Verdinho. — Seiji repetiu a mesma coisa que o Kiyoshi disse. O sorvete deve ter o entretido tanto que nem percebeu que aquilo já havia sido falado.
— Sim, agora termine o seu sorvete e vamos embora. — respondi acariciando levemente a cabeça dele. — Se quiser podemos pedir mais um para você ir comendo no caminho.
— Pode ser de chocolate com calda de morango? — perguntou com os olhos brilhando.
— Sim, já esperava que você fosse pedir este mesmo. — falei e leve esboçou um leve sorriso.
— Ei, Hana-chan! — vimos Imayoshi se aproximar. Era só o que faltava... — Oh! Shintarou, você de novo?
— Me chame de Midorima. — respondi. — Fico surpreso por te me reconhecido.
— Não há mais ninguém aqui no país com o cabelo igual ao seu. — disse esticando a mão para me cumprimentar. — Não falei nada naquele dia devido ao mau clima.
— Bom, acho que você não veio aqui para falar comigo. — o cumprimentei olhando para Makoto de soslaio.
— Vocês podem ficar. — Makoto falou um pouco corado, ao perceber que comecei a me levantar e fui seguido pelos outros, menos Kiyoshi. — Não precisam sair, fiquem aqui. — puxou o Kise pelo o braço e o segurou por algum tempo. — Fique aqui também Kise.
— Tá bom, Makocchi. — o loiro também corado.
Ficamos em silêncio, apenas encarando os dois.
— Então, vão ficar olhando para cara um do outros ou vão conversar? — Kiyoshi perguntou um pouco tenso.
— Eu estava passando pela rua, estou morando não muito longe daqui, então os vi e quis saber como você está, Hana-chan. Não pudemos conversar direito na última vez.
— Estou bem, muito bem. — respondeu segurando uma das mãos de Kiyoshi, enquanto o mesmo aproveitou para passar seu braço por trás do corpo do primeiro, o puxando para si num abraço. — E você?
— Muito bem, mas o que fazem aqui? Nunca pensei que veria pessoas como o Shintarou nesse lugar.
— Nem eu. — respondi. — Viemos morar em uma chácara que fica próxima ao vilarejo.
— Qual o nome da rua? — Imayoshi perguntou curioso.
— Não sei... — Makoto respondeu rápido. — Não fica muito perto, mais ou menos uma hora daqui.
— Você e o de cabelo castanho namoram? — perguntou fitando o Kiyoshi. Parecia analisar cada detalhe.
— Sim, mas agora precisamos nos despedir, pois estamos indo embora. — retrucou Makoto e começou a sair até que o Imayoshi continuou, segurando seu pulso.
— Você sempre teve bom gosto para homens, eu quem o diga. — Kiyoshi se irritou e estava pronto para falar algo, mas Makoto fez sinal para que se acalmasse, soltando-se do outro. — Ah, loiro! O Haizaki não para de falar em você.
— Por que ele fala tanto de mim? — o Kise perguntou de forma inocente.
— Sei lá, te achou conveniente. — respondeu em tom de ironia. — Quem sabe se qualquer dia desses, ele aparece lá para te fazer uma visitinha.
— Acho que não será possível. — Akashi quem respondeu dessa vez. — Vamos ficar pouco tempo na chácara, logo vamos embora.
— Pensei ter ouvido que vocês moravam lá. — Imayoshi insistiu.
— Sim, mas só por um tempo. Se nos dá licença, vamos embora agora. — subimos em nossas bicicletas e saímos. O Imayoshi ficou nos observando enquanto saíamos e após um momento tirou o celular do bolso e ligou para alguém.
— Inferno! Nunca mais voltaremos nessa vila! — Akashi praguejou em voz baixa.
— Vão passar o resto da vida se escondendo? — perguntei.
— Não, somente uma boa parte dela. — Makoto declarou. — Não tenho nenhuma vontade em vê-lo novamente...
— Bate nele, tio Makoto! — Seiji pediu, arregalando os olhinhos e levantando uma das mãos. — Ele me pareceu mau!
— Não vale à pena, Seiji. Nem tudo se resume a pancada. — Makoto respondeu. — Eles só merecem desprezo.
A conversa prosseguiu até que percebemos que começara a chover. Corremos e nos escondemos debaixo de uma marquise de um pequeno prédio.
— Vamos ter que ficar aqui até a chuva passar. — Kiyoshi alertou. — A nossa rua vai se encher de barro.
— Imagino, mas depois vamos ter que passar do mesmo jeito. — Akashi lembrou.
— Enrolamos demais no centro, devíamos ter ido embora antes. — eu disse. — Não tenho ideia de quando essa chuva vai passar.
— Podemos ir correndo na chuva, tio Verdinho. É divertido!
— É claro que não, garoto. Você quer pegar um resfriado? — perguntei.
— Sim, é bom que eu falto a escola amanhã. — respondeu.
— Menino esperto. — Akashi falou. — Até um menininho é mais esperto que você, Shintarou.
— Fique quieto, mau exemplo. Ficaremos aqui até a chuva passar e depois vemos o que se pode fazer. Já alerto: o Seiji não vai ficar andando no barro, pois ele está sob a nossa responsabilidade e o pai dele nos mataria se algo acontecesse.
— Me deixa brincar no barro, tio Verdinho? Não vou ficar dodói não.
— Nem pensar, o tio Makoto vai te levar no colo. — joguei a bomba para ele.
— Eu?! Já viu o peso desse garoto? — Makoto perguntou indignado.
— Tio Makoto, me leva de aviãozinho?
— O tio Makoto vai televar até de cavalinho se você quiser. — respondi por ele.
— Então o tio Verdinho vai levar a sua bicicleta, Seiji. — Makoto declarou, já pegando o menino no colo.
— Pronto, já está tudo decidido então. O Midocchi leva a bicicleta e o Makocchi vai te levar de cavalinho...
— Ei! — um chamado interrompeu o loiro. — Os senhores querem entrar? — uma senhorinha abriu a porta principal e nos chamou.
— Não é necessário, daqui a pouco a chuva vai passar e vamos embora. Muito obrigado do mesmo modo. — respondi.
— A chuva vai demorar, é melhor vocês se abrigarem aqui. Os garotos bonitos como vocês não podem ficar tomando chuva. — é... Me sinto indiretamente bolinado...
— Não é necessário, senhorinha, daqui a pouco a chuva vai passar. — o loiro respondeu desta vez.
— Que desfeita, eu faço um cafezinho para vocês. Eu ficaria muito feliz em recebê-los em minha casa, estou muito sozinha ultimamente.
— Olha a chuva já está diminuindo! — Akashi falou esperançoso. — Podemos ir agora.
— É claro que não, ainda está chovendo para vocês saírem agora. — a senhora insistiu. — Entrem meninos.
— Muito obrigado, talvez na próxima vez. — falei e saímos correndo pela chuva. Corríamos empurrando a bicicleta, pois o asfalto estava com um pouco de lama.
— Ei! Fiquem! — a senhora continuou chamando e acenando.
— Ela quer o nosso corpo nu. — Akashi falou rindo. — Aposto que nem o Seiji escaparia da solidão dela. — rimos, mas o Seiji não atendeu muito bem o sentido daquilo.
— Nunca mais vamos voltar aqui. — alertei. — Os moradores dessa vila são loucos.
— Você vai ficar fugindo agora, Midorima? — Makoto ironizou.
— Fique quieto e corra, daqui a pouco vai voltar a chover de novo.
— Vocês estão correndo rápido demais! — Kise gritou. — As minhas pernas estão doendo.
— Algum problema Kise? — parei para ver o que havia acontecido com ele.
— O meu joelho está me matando. Midocchi. Acho que não vou poder correr. — se queixou do joelho. A chuva voltava lentamente e ao poderíamos deixá-lo ali.
— Kiyoshi, você pode levar a bicicleta do Seiji pra mim? —perguntei e ele assentiu. — Kise, dê a sua bicicleta a alguém e monte na minha, vou te empurrar.
— Ok, Midocchi, muito obrigado! — os olhos do loiro brilharam e aquilo me deixou feliz. Realmente estava sentindo dor então o coloquei sobre a minha bicicleta e fui empurrando-a lentamente para que ele não precisasse andar.
— Vocês podem ir à frente, eu fico aqui com ele. — sugeri.
— Shin-chan, fique dentro daquela loja com ele e o Seiji. Vou correndo pegar o carro e volto para buscar vocês, a chuva já está apertando.
— É uma boa ideia Takao. Viu ficar aqui, mas tenha cuidado, a pista está escorregadia.
Eles seguiram correndo e nós três entramos em uma padaria e ficamos esperando.
— Está doendo muito, tio Kise? — Seiji perguntou passando a mão levemente no joelho do Kise.
— Sim, mas logo vai passar. Obrigado por perguntar. — o pequeno sorriu levemente e se sentou ao lado do loiro.
— Vou pedir um pouco de gelo para você. Querem alguma coisa para comer enquanto esperamos? — perguntei e eles negaram. Fui e peguei uma bolsa de gelo com a dona da lanchonete e para retribuir o favor comprei algumas coisas para tomarmos o café mais tarde.
— Vai doer um pouco, mas é necessário. — coloquei a bolsa sobre o joelho dele. — Daqui a pouco o Takao vai chegar e te levamos ao hospital para ver o que foi isso.
— Não precisa. — falou com um pouco de esforço. — Está doendo, mas não deve ser nada.
— Mesmo assim vamos lá ver o que é.
— Não precisa Midocchi, estou bem.
— Não seja teimoso, loiro, vamos lá e pronto. — ele sorriu levemente e abraçou o Seiji com um de seus braços.
— Outro dia voltamos para você brincar aqui na praça, tudo foi muito corrido e nem deu tempo de brincarmos no parquinho.
— Sim. — Seiji concordou esboçando um leve sorriso e apoiando a cabeça no ombro do Kise. — Tio Kise, que bom que vocês vieram morar no casarão. Eu nunca me divertir tanto como nas últimas semanas.
— Fico feliz por saber disso. Vamos nos divertir muito mais ainda. — o loiro acariciou levemente a cabeça do pequeno.
Fiquei em pé na porta da padaria, mas pude ouvir tudo aquilo que eles conversavam. Os dois eram muito carinhosos, talvez seja pela inocência de ambos. Kise é um meninão e o Seiji um menininho. Ficamos esperando por mais vinte minutos e logo o Takao chegou. Ele saiu do carro com um guarda-chuva e levou um a um para dentro.
—Podemos passar no hospital para levarmos o Kise? — perguntei ao Takao.
— É claro, vamos deixar o Seiji em casa e podemos ir lá. — O trajeto até o casarão foi silencioso, exceto quando o Kise sussurrava por estar sentindo dor. Deixamos o Seiji e fomos ao hospital da vila.
— Já fiz a sua ficha, Kise, agora é só esperar. — me sentei no banco ao lado do loiro.
— Será que eles vão arrancar a minha perna, Midocchi? —o loiro perguntou assustado.
— Acho que não. — respondi esboçando um leve sorriso para ele. — Deve ser só uma torção mesmo, você correu muito e isso afetou o seu joelho.
— Ryouta Kise. — o médico chamou depois de alguns minutos e ele entrou sozinho no consultório.
Ficamos esperando por vinte e cinco minutos e ele saiu da sala com uma faixa em seu joelho.
— Foi só uma torção mesmo. Tirei um raio X e o médico me pediu um pouco de repouso.
— Se apoie em mim. — Takao passou um dos braços do Kise sobre o seu ombro e o ajudou a ir ao carro. Entramos e seguimos para o casarão.
— Você precisa repousar agora, Kise. Nada de ficar correndo por aí. — alertei.
— Pode deixar, prometo cuidar da minha torçãozinha, Midocchi! — sorriu e seguimos para casa.
Fiquei feliz por saber que não era nada tão grave assim.
Os outros nos encheram de perguntas sobre o que havia acontecido ao chegar a casa, principalmente Akashi, que ficou satisfazendo as vontades do loiro durante a tarde toda.
Ah, até que não foi ruim o passeio apesar do imprevisto.
Resolvi tomar um banho para depois ir tomar café da tarde com os outros, assim como fazíamos todas as tardes.
Midorima’s POV off
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