Notas iniciais
Olá pessoal! :D Mais um capítulo aqui! Esse também será dividido em dois devido ao tamanho, esperamos que gostem! :3 Boa leitura a todos!

Hanamiya’s POV on

Abri os olhos e demorei um pouco pra reconhecer onde estava. Ah, ainda não me acostumei com a casa nova. As cortinas do quarto estavam fechadas, o que dava a impressão de que ainda estava escuro. De olhos fechados, tateei o colchão ao meu lado a procura de Kiyoshi e não o encontrei... Droga, onde será que ele foi? Levantei-me e fui em direção ao banheiro à procura dele e nada. Ele deve ter descido. Voltei para o quarto e peguei a primeira roupa que achei, não poderia sair andando pela casa de boxer, mesmo não falando comigo ainda, tenho certeza de que Midorima teria um filho pela boca. Terminei de me vestir e saí pelo corredor. A casa estava estranhamente silenciosa. Logo pensei que Teppei teria ido comprar algo para o café e Kise ainda estivesse dormindo, porém, pelo o que pude ver, os outros quartos já estavam abertos... Onde será que está todo mundo?

Ao terminar de descer as escadas, ao longe, vejo uma figura pequena, ou melhor, um vulto bem pequeno correndo em direção a cozinha. Gelei. Casa antiga e vulto não combinam e não me agradam. Balancei a cabeça de um lado para o outro a fim de espantar o pensamento idiota que ali rondava e resolvi ir verificar o que era. Talvez fosse apenas coisa da minha cabeça... Ainda estou sob efeito do sono.

Comecei a me aproximar da cozinha lentamente, a ausência dos meninos ainda me incomodava e eu já pensava na possibilidade de sair correndo caso fosse preciso. Continuei o trajeto até lá e ao chegar três perguntas passaram por minha cabeça: Quem era aquela criança? Por que ela estava pendurada de cabeça para baixo em cima da geladeira com papel na boca? E por que o Kiyoshi preparava o café como se nada tivesse acontecido ao invés de ajudá-la?

— Oh, você acordou Miya-chan! — falou ele se aproximando de mim e me deu um beijo rápido. — Pensei que ainda estivesse dormindo.

— Teppei... — o chamei apontando lentamente para o ser pendurado na geladeira pelos joelhos. — O que é isso...?

— Aah, esse é o Seiji, filho do caseiro. — respondeu normalmente, continuando com o preparo do café. — Ele era bem menor quando eu vinha aqui.

— Tá, mas por que ele tá... Sabe, assim? — perguntei observando que o menino mexia os braços.

— Ele roubou os óculos do Midorima e acordou o Kise enchendo a cara dele de creme dental com a ajuda do Akashi. — explicou. — O primeiro pediu para que eu desse um jeito.

— E o jeito foi pendurá-lo na geladeira?

— Sim, ele não consegue simplesmente ficar quieto. — respondeu coçando a cabeça. — Não tive escolha.

Ri da forma como ele estava sem graça... Que fofinho.

— Por que não tentamos conversar com ele, Kiyo-chan? — perguntei, voltando-me para o garotinho. Ele era ruivo, menos do que o Akashi, mas tinha os cabelos vermelhos, seus olhos eram verdes e a pele bem branquinha, tão branca quanto a minha ou até mais. — Venha aqui, Seiji-kun.

O tirei da geladeira, colocando-o novamente ao chão. Ele cuspiu o papel e começou a rir.

— Ki-chan, isso foi divertido! — ele ria sem parar, enquanto andava na direção de Kiyoshi e levantava os bracinhos. — Faz de novo!

— Opa, nada disso. — falei, me aproximando dos dois. O garotinho me olhou como se reprovasse o que acabara de falar. — Vamos tomar café agora.

— Ki-chan... — Seiji chamou Kiyoshi com os olhos semicerrados e a cara fechada, apontando para mim. — Quem é ele?

— Esse é o Makoto, Seiji-kun. — respondeu Teppei, passando um dos braços pelos meus ombros e me puxando pra mais perto dele. — Ele é meu namorado.

Após ouvir o resto da frase, Seiji me olhou desconfiado e depois olhou para Kiyoshi ao meu lado.

— Mas vocês dois são meninos... Isso não tem problema? — perguntou curioso.

— Não. — Kiyoshi respondeu sorridente. — Nós nos gostamos, você acha que há algum problema nisso?

— Huuum... Acho que não, mas... Não sei né? — afirmou o ruivinho, levando uma das mãos ao queixo. — Vai que tem.

Crianças me divertem. São cruéis, mas... Me divertem.

— Não há problema algum. — comentei também, confirmando o que Teppei havia falado e continuei. — Agora vamos comer, você tá com cara de fome.

Ele hesitou um pouco, mas depois assentiu. Talvez eu consiga a confiança dele, pelo o que vi, não parece ser um garoto fácil.

Seguimos para a sala de jantar, a mesa já estava praticamente arrumada, faltando apenas o café e o bolo que Kiyoshi comprara mais cedo a fim de agradar Midorima.

— Onde estão os outros, Teppei? — perguntei e quase na mesma hora Kise apareceu gritando.

— Kiyocchiiiiii, olha como minha cara ficou! — choramingou ele, apontando para o próprio rosto que estava vermelho como um tomate. Tive que segurar o riso e de forma nada discreta e totalmente o oposto do que eu fizera, Seiji começou a gargalhar descontroladamente, enquanto apontava para Kise. — Eu estava tão bem dormindo na cama nova e olha o que ele me fez, Makocchi!

— Você tá com vergonha, Kise? — debochei, fazendo o garotinho gargalhar mais ainda e Kiyoshi começar a rir, enquanto o loiro fazia um bico enorme.

— Makocchi, não seja mau!

— Pare de chorar, Ryouta. — falou Akashi ao chegar ao cômodo. — Ha, ha até que você fica bem de vermelho.

— Akashicchi, a culpa é sua também!

— Ninguém mandou você dormir demais. — explicou Akashi. — Eu tinha um tubo de pasta de dente na mão e sua cara tava tentadora, o menino foi apenas um empurrão.

— Tão cedo e as tias já estão fuxicando. — aquele que eu menos queria ver naquela casa anunciou sua chegada.

— E você sempre bem humorado de manhã, não é Shintarou? — perguntou Akashi, sentando-se ao lado de Kise.

— Sim, sempre acordo disposto para o diálogo. — respondeu, sentando-se à ponta oposta a que eu estava.

— Onde está o Takao, Midorima? — Teppei perguntou.

— Ele havia dito algo sobre ir conhecer os cães do caseiro. — respondeu o de cabelos verdes enquanto arrumava seu café. — Penso que tenha ido junto ao cão Shiro.

— Bom dia família! ­ — assim como Kise, quase na mesma hora em que foi citado, Takao passou pela porta bastante animado.

— Wow, o que aconteceu com você? — questionei após tomar um pouco de meu café.

— Cachorros, Mako-chan! — ele respondeu, puxando a cadeira ao lado de Midorima. — Cachorros têm esse poder!

— Jurava que era o Midorima quem havia tirado a calça jeans na hora de dormir. — como quem não quer nada, Akashi se manifestou e Midorima, que bebia um pouco de café, acabou se engasgando.

— Mas que deselegante! — disse Midorima ao se recompor. — Não vê que tem uma criança no recinto?

— Ki-chan, não entendi. — Seiji falou. — Por que o tio de cabelo verde tirou a calça?

— Nada Seiji, apenas coma. — Kiyoshi tentou fazer o menino perder o interesse no assunto, mas foi totalmente em vão.

— Tio verdinho, você e o Takao-chan são namorados? — surpreendendo a todos, o ruivinho perguntou, fazendo Midorima se engasgar de novo, dessa vez sendo acudido por Takao.

— Si... — Takao ia responder, mas foi cortado por Midorima.

— Não, é claro que não! — afirmou Midorima recompondo-se novamente. — Alguém tire essa criança daqui.

— Mas você ia tirar a calça pro Taka...

— Alguém tampa a boca dessa criança! — falou Midorima interrompendo o garotinho dessa vez. — Meu Deus! De onde ele saiu?! Essas crianças de hoje em dia...

— Seiji-kun, termine seu pão que depois do café o Ki-chan irá brincar com você. — disse, a fim de terminar aquele assunto antes que Midorima começasse a reclamar pelos quatro cantos da casa.

— Está bem! — concordou empolgado, voltando a tomar seu café e pude reparar que Midorima me encarou.

Assim o café continuou. Após todos terminarem e ajudarem a arrumar a bagunça, Kise e Kiyoshi resolveram ir para a piscina junto de Takao e Seiji. Teríamos uma semana sem aula, então, não vejo problema em aproveitar. Como sempre, peguei um livro e sentei em um das cadeiras perto da piscina, claro, mantendo uma distância segura e fiquei observando os outros enquanto lia. Assim como eu, Midorima não entrou na piscina, ficou na rede que estava na varanda lendo um livro qualquer de Medicina. E Akashi, bem, ele aproveitou para sentar um pouco no gramado e escutar suas músicas.

Algum tempo depois, muito entretido em minha leitura, escuto ao longe Takao e Midorima conversando.

— Mas Shin-chan, só um pouquinho!

— Não, eu não quero Takao!

— Então vou te pegar no colo, coloque o livro ali!

— Não se atrev... Takao! — olhei para ter certeza do que estava acontecendo ali e sim, Takao havia pegado Midorima no colo e o carregava em direção à piscina. — Takao, me ponha no chão agora!

Todos riam diante daquela cena, inclusive eu. Mesmo sendo o Midorima, até que era algo engraçado.

— Relaxa Shin-chan! — disse Takao, ao chegar à beirada. — Você é um homem ou um rato?

— Eu vou matar você se me jogar!

— Vai valer à pena! — afirmou o moreno enquanto ria e soltava o mais alto dentro d’água, arrancando risadas ainda mais altas de todos.

Fiquei olhando aquilo e rindo junto, morar com eles era realmente divertido, mesmo com os pequenos conflitos... Acho que aprendi a gostar deles, inclusive do Midorima.

— Miya-chan. — estava tão imerso em pensamentos que nem notei a aproximação de Kiyoshi, este estava ao meu lado.

— Ai, você tá molhado Kiyoshi. — falei, ao sentir o corpo gelado dele se encostando ao meu. Ele havia sentado ao meu lado na espreguiçadeira.

— Tá pensando em que? — perguntou, depositando um beijo em minha bochecha e um breve carinho em meus cabelos.

— Nada. — o fitei e logo olhei para os outros dentro da água.

— Huum, sei. — ele comentou, dessa vez me abraçando.

— Você tá me molhando!

— Ué, essa é a intenção. — ele riu, puxando-me para mais perto de si. — Ou você achou que só o Midorima que iria levar um banho à força?

— Não se atreva! — Kiyoshi me pegou no colo, de forma desajeitada, já que eu tentava me prender à cadeira. — Teppei, me solta!

— Com uma condição.

— Qual?

— Largue o livro e a cadeira. — respondeu ele sorrindo de forma sacana. — Miya-chan, é só água.

— Eu não quero me molhar! — reclamei, fazendo o que ele me pediu com certo receio, vendo-o andar até a borda da piscina.

— Querer não é poder, Miya-chan.~ — dizendo isso, ele se jogou na parte funda da piscina, comigo no colo.

Vou matar esse idiota.

***

Estava tudo escuro. Eu escutava alguns ruídos, mas não conseguia identificá-los. Resolvi abrir os olhos apenas para ver a superfície ao longe. Aah, ele realmente havia me jogado... Isso vai ter troco.

Sem perceber, comecei a ser puxado para cima. Olhei para tentar descobrir o que me carregava e pude ver que era Kiyoshi. Ele sequer havia me soltado.

— He, he, he! Todo mundo tomando banho! — ouvi a risada de Akashi ao alcançar a superfície. — Que gracinha!

— Venha também, Akashicchi! — chamou Kise. — A água está muito boa!

— Sim, Akashi. — agora era Kiyoshi quem tentava convencê-lo. — Será divertido, venha!

— Eu dispenso, deixa pra outra hora. — respondeu ele, começando a andar em direção a espreguiçadeira onde antes eu estava.

— Aaah, mas vai entrar sim! — falei, indo em direção a escada. — Todo mundo foi jogado, você não ficará livre disso!

— Há, há! — ele riu novamente. — Tudo bem, Miya-chan! Mas antes... Você terá que me pegar!

— Isso é um desafio? — perguntei, desconfiado.

— Entenda como quiser. — respondeu e após, mostrou a língua e saiu correndo em direção ao jardim.

Outro idiota que eu vou matar! Mas... Primeiro, quero jogá-lo na piscina!

***

Sentia a água morna tocando minha pele. Praticamente me fazia arrepiar. Era algo realmente relaxante. Estava de olhos fechados, apenas me deixando desfrutar daquela sensação boa, quando ouvi batidas na porta do banheiro.

— Makoto, é o Teppei.

— A porta está aberta, pode entrar. — respondi sem me dar o trabalho de abrir os olhos.

— É bom ter um banheiro só nosso, né? — perguntou ele animado. — Posso entrar aqui enquanto você estiver no banho.

— Ei, não vá se acostumando, pervertido. — falei e pude ouvi-lo rir. — Só deixei aberta porque você sairia da piscina e não seria bom ficar molhado ao vento depois disso. Apenas entre e tome seu banho.

— Deixei o Seiji com o Akashi, ele está reclamando até agora por você tê-lo jogado na pis... O que você disse? — questionou ele, parecendo um pouco surpreso. — Eu... Eu posso tomar banho com... Você, Miya-chan?

— Sim, mas já disse para não se acostumar. — respondi, abrindo a porta do box para encará-lo. — É apenas hoje e pela ocasião que eu falei!

Após ouvir isso, ele abriu um sorriso enorme e eu me enfiei embaixo do chuveiro novamente enquanto o aguardava.

Me virei de costas para a entrada do box, apoiando minhas mãos na parede, enquanto meu corpo ficava exatamente sob o jato d’água que saía do chuveiro. Estava com o rosto abaixado e só percebi que Kiyoshi havia entrado quando vi seus braços rodeando minha cintura e senti minhas costas se encostando ao peito dele num abraço aconchegante. Seus lábios tocaram meu pescoço e, como de costume, me arrepiei. Tá, essa sensação é melhor do que a da água quente...

— No que está pensando? — ele sussurrou em meu ouvido. Sua voz estava sedutoramente rouca e ele depositou um novo beijo próximo àquele local.

— N-Nada... — respondi, sentindo suas mãos passeando pelo meu peito, acariciando toda a área. — Mm...

— Sabe Miya-chan... — ele começou a falar, enquanto tocava meu corpo e deixava alguns beijos em meu pescoço e ombros. — Eu estava pensando... Nós ainda não matamos a saudade direito...

— Aah... ­— gemi em resposta ao seu toque.

—... Se é que me entende. — mesmo de costas para ele, eu praticamente podia ver que carregava um sorriso malicioso nos lábios.

— O que aconteceu... Mm... Com você? — perguntei e ele virou meu rosto levemente para que pudesse encará-lo. Ele sorria. — Você não era assim.

Já sabia que eu estava perdido. Jamais resistiria àquilo, então... Apenas deixei que ele fizesse o que queria. E bem... Não me arrependi.

Só espero que os outros não percebam depois...

***

Estava no quarto e terminava de vestir minhas roupas enquanto secava meus cabelos.

— Parece que vai esfriar. — falou Kiyoshi, que acabara de sair do banheiro com a toalha enrolada em sua cintura. — Talvez demore para podermos entrar na piscina de novo.

— Que bom, não quero ser jogado novamente. — respondi, sentando-me a cama. — Não faça mais aquilo, entendeu?

— Vai dizer que não foi divertido? — ele sorriu e se aproximou de mim, sentando-se ao meu lado. — Até tomamos banho juntos depois e... Foi a parte mais divertida, em minha opinião.

— Você não era desse jeito. — disse, olhando-o desconfiado e ele riu.

— Sempre fui. — respondeu ele, acariciando meus cabelos, enquanto se aproximava mais, depositando um beijo em minha bochecha. — Só não havia te mostrado antes.

— Sei... — eu ri. — Se vista logo, você tá molhando o lençol com essa toalha, e também, pode ficar resfriado.

— Eu to com preguiça, Miya-chan! — deitou-se a cama, enquanto fazia manha. — Deita um pouco aqui comigo.

— Não enquanto você não se vestir e se livrar dessa toalha molhada!

— Então me ajuda. — pediu ele, tentando parecer inocente, coisa que não funcionou, enquanto se espreguiçava ainda deitado. — Estou com muita preguiça, Miya-chan.

— Você não é criança! — falei e ele me olhou com aquela cara de cachorro pidão que só ele sabe fazer. — Aah, caralho... Tudo bem então, pegarei sua roupa, mas você se veste!

Fui fazer o que ele havia pedido, antes que desistisse de vez e deixasse o idiota pegar uma gripe. Ele sorriu o tempo inteiro enquanto me observava durante o trajeto.

— Você é um amor, sabia Miya-chan? — ele pegou as roupas em minhas mãos e começou a se vestir.

— Sei, eu deveria ganhar um prêmio por ainda não ter socado a sua cara.

— Miya-chan, não seja cruel. — choramingou ele e depois voltou com o sorriso. — Pronto, já fiz o que me pediu, pode deitar comigo um pouquinho agora?

— Posso pensar... — respondi, enquanto via Kiyoshi se deitando e quando ele protestaria... — Estou brincando! Essa cama é de casal, você poderia chegar pro lado? Eu vou acabar caindo.

— Seria engraçado. — falou ele, fazendo o que eu pedi.

— Tão engraçado quanto eu socando sua cara.

— Você tá agressivo hoje, Miya-chan. — me puxou para seu lado, aconchegando-me em seu corpo. — O que houve?

— Nada. — afirmei, repousando meu braço em seu peito e depositei um beijo onde estava ao meu alcance próximo ao seu pescoço.

— Sei... Você ainda tá irritado por causa do Midorima, né?

— Nem pensei nele, quero esquecer isso. — respondi, virando para encará-lo. — Se ele acha que eu fiz por interesse, o problema é dele, eu to em paz comigo mesmo, minha parte eu cumpri.

— Que bom que você pensa assim... Eu acredito que o Akashi tenha feito sem pensar, só não sei por que o Midorima deu crédito àquilo.

— Porque é um imbecil. — respondi com total naturalidade, fazendo Kiyoshi rir. — É sério! Eu passei a manhã inteira com aquele animal, tentando deixá-lo bem a qualquer custo, até tentei fazê-lo rir e ele me vem falando que foi por interesse.

— Você tentou fazê-lo rir?

— Sim, ficamos conversando. — lembrei da conversa que tivemos aquele dia, até que foi uma manhã divertida. — Foi uma conversa saudável, não brigamos em momento algum e nem tentamos nos matar.

— Aah, vocês haviam começado a se dar bem... Poxa...

— Sim. — concordei. — Vamos parar de falar disso Teppei, não me agrada.

— Tudo bem, amor. — sorriu e deitou-se virado para mim, puxando-me para um abraço. — Enfim, você está muito quieto desde que saímos do banho... O que foi?

— Eu só... Estava pensando...

— No que?

— Estou tão feliz e... Aliviado que você esteja bem... — falei e pude ver que ele tomou uma expressão surpresa. — Não sei o que faria se alguma coisa tivesse te acontecido no incêndio... Só hoje eu percebi como realmente seria se você não estivesse aqui comigo agora... Eu ficaria muito mal... Não quero sentir aquilo nunca mais, Teppei...

— Não se preocupe, eu não vou deixar, está bem? — afagou meus cabelos, enquanto sorria. — Eu estou aqui com você.

Ouvindo aquela última frase, acabei adormecendo devido ao carinho que me era dado e acordei apenas algumas horas depois, com um ser estranho — vulgo Kise — se jogando sobre mim e outro ser estranho — vulgo Maria... Ops, Akashi — batendo panela ao lado da cama.

— Kise, qual é o seu problema?! — perguntei, tentando tirar o loiro de cima de mim, o que não surtiu efeito nenhum, ele continuou lá. — Kise!

— Makocchi, sorria! — ele me olhou, levando uma das mãos a minha bochecha e forçando um sorriso. — A vida é bela! Be happy!

— Makoto, o Teppei não está comparecendo da forma que você deseja, não é? — perguntou o ruivo com um sorriso malicioso no rosto. — Seu mau humor não melhora nunca.

— O que vocês dois estão fazendo aqui? — questionei, ignorando Akashi, enquanto me sentava e era abraçado por Kise. — Cadê o Kiyoshi?

— Kiyocchi está lá fora brincando com o Shiro e o Seicchi. — Kise respondeu, puxando Akashi para sentar ao seu lado. — Ele disse que ficaria com pena de te acordar e pediu pra eu fazer isso, o Akashicchi acabou vindo junto.

— Mandou vocês me acordarem? E ainda diz que tem pena de me acordar... — reclamei mais para mim mesmo do que para eles. — Tudo bem, por que me acordaram então?

— Vamos abrir o salão de jogos! — respondeu Kise, fazendo uma pequena comemoração. — Kiyocchi disse que tem uma mesa de sinuca! Bem, eu não sei jogar sinuca, mas me parece divertido!

— E claro, eu adoraria jogar uma partida contra você, Miya-chan. — dessa vez foi Akashi quem se manifestou.

— Isso é jogo de bêbado, Maria. — ri. — Não sabia que era chegado nessas coisas.

— É algo que dá pra passar o tempo. — deu os ombros. — Aah, falando em bêbado, nós não terminamos aquele desafio de quem bebe mais, eu não me esqueci disso.

— Então pode esquecer, não quero beber daquela forma nunca mais. — respondi. — Até hoje não sei o que houve aquele dia...

— Foi engraçado, apesar de tudo. — falou Akashi. Tenho que concordar com ele.

— Sim.

— Foi muito divertido! — Kise, que parecia meio perdido, agora revelara sua opinião. — Seria legal se fizéssemos de novo.

— Pode esquecer isso também. — falei, levantando-me e indo ao banheiro para lavar o rosto. — Vamos descer porque o Teppei deve estar nos esperando com o Seiji-kun.

Os dois concordaram e seguimos para o andar de baixo.

***

— Ki-chan! Vem me peg... Ah! — foi o que ouvi, antes de sentir algo pequeno batendo contra o meu corpo e indo ao chão depois.

— Makoto, segura ele! Ele quer fugir! — logo atrás, veio Teppei, que parecia ter corrido uma maratona. Atendi ao seu pedido e peguei o garoto no colo, mesmo contra sua vontade. — Leve ele pro salão de jogos, Miya-chan, vou procurar o Midorima e o Takao. Aqui está a chave.

Ele deixou a chave no bolso da frente de minha bermuda e saiu para chamar os outros, enquanto eu, Kise, Akashi e Seiji fomos para o salão. O menino se debatia a todo o momento em meus braços, falando que queria sair, que ia me matar, enfim, coisas de criança.

Chegamos em frente a uma grande porta. Bem grande mesmo. Parecendo até aquelas portas de fazendas antigas. Lá era o salão de jogos.

— Akashi, pegue a chave no meu bolso. — pedi, sentindo o menino começar a escorregar em meus braços. — Rápido porque ele tá caindo!

— Pego. — ainda tentando segurar Seiji, sem que eu pudesse esperar, senti uma apalpada bem saliente em um local inapropriado. — Nossa!

— Akashi! — me virei para encará-lo e ele ria. — Tá no outro bolso!

— Aqui? — novamente, senti uma apalpada em minha traseira. Meu rosto havia começado a ficar quente e o filho de quenga ria mais ainda.

— Akashi! — o chamei e ele me olhou como se nada tivesse acontecido. — Para de apertar minha bunda, caralho!

— To só procurando a chave.

— Tá no outro bolso!

— Huuuum, aí na frente... — debochou ele, chamando a atenção do loiro e do ruivinho, que agora olhavam aquela cena deprimente. — Será que tá aí?

— Acha logo essa porra e para de me assediar! — o apressei. Kise parecia um pouco pensativo olhando aquela cena. E quieto demais. Estranhei muito essa atitude.

— Que assédio, Miya-chan? ­Só to fazendo o que você pediu.

— No outro bolso! — falei, senti sua mão fazendo o caminho do bolso sobre a minha coxa esquerda e pegando a chave.

— Oh, achei!

— O que foi, Miya-chan? — ouvi Kiyoshi perguntando, enquanto chegava ao cômodo com os outros dois. — Eu te ouvi gritando.

— Você não mandou matar esse diabinho ainda não, Kiyoshi? — Midorima perguntou, apontando para Seiji, que agora entrava no salão que Akashi abrira.

— Shin-chan, não fale assim. — Takao falou. — Ele é atentado, mas é um anjinho.

— O que? Não dá pra ser as duas coisas ao mesmo tempo, Takao. — o de cabelos verdes disse, arrumando seus óculos.

— Dá sim. — teimou o moreno. — Você é.

— Uuuuuui. — pude ouvir a voz de Akashi que já estava dentro do cômodo. — Sempre soube que o Midorima era desses, os quietinhos são os piores.

— Fique na sua, tampinha ruiva.

Após as discussões que sempre aconteciam independente do momento ou do ambiente em que estávamos, fomos olhar o que havia no salão de jogos. Claro, a mesa de sinuca foi o que mais fez sucesso. Akashi me desafiou como havia prometido. Ficamos bastante tempo jogando, tanto tempo que nem percebemos que havia escurecido e que alguém precisava fazer comida. Midorima não participou dos jogos, apenas ficou sentado olhando e Takao, Kise, Kiyoshi e Seiji brincando com um jogo qualquer. Tudo estava normal, até que sem mais e nem menos, a luz se apagou.

Notas finais
Obrigada por ler! *---*