New Ways...
29 Capítulo 28
Notas iniciais
Midorima’s POV on
Finalmente chegamos ao hotel, toda aquela confusão me deixou cansado e preciso urgentemente descansar um pouco. O prédio não era muito grande, pois só recebia viajantes que passavam pela rodovia principal que corta o norte da universidade. Os meninos já haviam escolhido o quarto deles e só sobraram o Takao e eu escolhermos um para nós.
— Olá, gostaria de ver a relação dos quartos vagos. — falei me dirigindo a recepcionista que estava sentada atrás da bancada.
—Olá, boa noite! Desculpe-me senhor, mas só nos restou o quarto máster, pois aconteceu um incêndio na cidade e muitas pessoas acabaram procurando os nossos serviços.
— E como é este quarto, tem duas camas de solteiro? — perguntei para conseguir mais informações.
— Não, é uma suíte de casal, é a mais cara e por isso não tem muita procura.
— Vamos ficar com esse! — Takao falou com um leve sorriso.
— Mas... Mas... — hesitei em responder, pois não tinha a menor vontade e coragem de dormir na mesma cama que ele. — Ok, já que não temos mais nenhum quarto, vamos ficar com este mesmo. — peguei o cartão que abre a porta e fomos nos encontrar com os outros que estavam sentados próximos aos elevadores do prédio.
— Vamos subir Midocchi? — Kise perguntou.
— Não, acho que prefiro dormir aqui na recepção. — mostrei desanimo.
— Pare de graça, vamos subir. — Takao afirmou. — Vamos dormir no quarto máster do hotel.
— Xii... — houve alguns risinhos por parte dos outros garotos quando ele falou.
— Algum problema? Só sobrou este quarto. —justifiquei.
— Não precisa explicar Midorima, nós só estamos brincando com você. — Kiyoshi se manifestou.
— Vamos subir logo então, quero dormir muito. — Takao interveio.
Subimos para os nossos aposentos. O do Makoto ficava no penúltimo andar e o do Kise e o meu ficavam lado a lado no último piso.
— Que lugar grande! — Takao se expressou maravilhado com o tamanho do local. — Olha Shin-chan, olha o tamanho desta cama!
— Que bom, assim podemos dormir bem espaçados.
— Eu queria o meu travesseiro que eu abraço para dormir, Shin-chan. Acho que ele queimou com o fogo no incêndio.
— O fogo não deve ter acabado com tudo, algumas coisas poderão recuperadas ainda. — falei tossindo um pouco, pois o efeito da fumaça ainda não tinha passado por completo.
— Acho que não vou conseguir dormir bem sem ele. — ele se mostrava preocupado com a falta de seu travesseiro da sorte.
— Pare de bobeira, tome um banho quente e tente relaxar um pouco.
— Podemos usar a hidromassagem? Ela é tão legal. — exclamou com brilho nos olhos.
— Você pode usar, prefiro ir dormir mais cedo.
— Shin-chan, vem comigo, não quero ficar sozinho! Por favor!
— Tudo bem, mas não quero ficar por muito tempo.
Tomei um rápido banho e entrei na hidro, Takao fez o mesmo e entrou logo em seguida.
— Shin-chan... — Takao cessou o silêncio e me chamou. — Você vai sentir falta do apartamento? Sabe, para onde podemos ir? Não é viável passar o resto da graduação morando aqui neste hotel.
— Vamos arrumar um novo apartamento e, respondendo a primeira pergunta, eu até que gostava de lá, mas, infelizmente, não podemos voltar até que reparem tudo.
— Eu liguei para os meus pais e eles estavam querendo vir para cá, mas falei que estava tudo bem e eles ficaram um pouco mais tranquilos e cancelaram a viagem.
— Não se preocupe. — tentei conter o estresse. — Relaxe Takao.
— Não consigo! Você inalou muita fumaça e a qualquer momento pode passar mal, não posso ficar indiferente e tranquilo com tudo isso. Nossa casa queimou! Você doente! A falta abrigo! Ainda quer que eu fique calmo?!
— Eu estou bem, os médicos já me examinaram e também fui medicado, fique tranquilo homem.
— Você sabe o que me deixaria mais tranquilo Shin-chan? — perguntou mudando o olhar, ele me pareceu um pouco pretensioso com aquilo.
— O quê? — perguntei desconfiado.
— Você sabe, quer mesmo que eu pronuncie com todas as letras? — olhou ainda mais pretensioso.
— Vamos mudar de assunto, este já está me deixando tenso... — fui interrompido por uma rajada de água que veio em minha direção, Takao me jogara para me calar.
— Me deixa falar Shin-chan! — pediu um pouco nervoso.
— Não, quero dormir sem ouvir isso...
— Eu quero... — insistiu mais um pouco.
— Não! Não fale mais nada, eu não quero ouvir. — falei tapando os ouvidos com as mãos.
— Quero dormir para ficar mais tranquilo. — falou indiferente.
— Dormir? Hum, pensei que era outra coisa, ufa! — que alívio que era apenas isso.
— O que você pensou que eu iria pedir? — perguntou desconfiado e tentando me desconsertar.
— Quer dormir no chão? — tentei fugir do assunto.
— Quer que eu lhe jogue mais água? Fala logo Shin-chan! — me pressionou ainda mais. — Run!
— Agora vai ficar me ameaçando? Cresce mais um pouco para fazer isso, baixinho!
— Não sou baixinho, você que é alto demais e, ainda que baixo, sou mais forte e corajoso que você.
— Você é mais forte que eu? Só pode estar brincando comigo. — debochei.
— Sim, se lembra de quando você pulou em cima de mim para me bater e no final só me fez cócegas? Se lembra de quando tive que matar uma barata no banheiro porque você tinha medo dela? Se lembra de que te peguei no colo por mais de uma vez? Se lembra de quando xinguei o vizinho porque ele estava mexendo com você?
— Pare de ficar se lembrando disso, é apenas passado e não tem muita importância agora.
— Posso mostrar minha força agora se quiser! — Takao largou seu tom amistoso e ficou de pé na banheira me encarando.
— Novamente me ameaçando? — perguntei
— Sim e não, prefiro dormir naquela cama enorme. A culpa foi toda sua. — falou sentando-se novamente na banheira. — Você começou me chamando de baixinho e fracote.
— Eu te chamei de baixinho, mas não de fracote, o segundo ficou implícito. — ironizei.
— Vou te surrar lá fora, deixa só você comigo! — Takao se levantou para olhar o celular e voltou para banheira em seguida.
— Vamos sair daqui, já estou cansado de ficar olhando essa água! — banheira de hidromassagem é legal, mas dá um tédio de ficar lá por muito tempo.
— Você esperou eu entrar de novo para falar isso? — Takao resmungou. — Tá Senhor “Sabe Tudo”.
— Tá, baixinho! — ironizei provocando um olhar destrutivamente forçado, ele não sabe se fingir de mau.
— Shin-chan, você sabe lutar judô?
— É claro que não, não gosto de esportes violentos. Por que pergunta isso?
— Judô não é um esporte violento! Você sabe lutar karatê?
— Não. Por que está me perguntando isso agora? — que raiva, odeio quando não me respondem.
— Se você não sabe lutar nada, por que diabo está me irritando? Não tem medo do perigo extremo não? Creio que isso seja falta de cuidado com a própria vida. — falou ainda tentando ser mau, mas como sempre só me fez rir.
Tomei novamente um banho, me vesti com meu pijama e fui tentar ler um livro enquanto não estava com sono suficiente para dormir novamente.
— Shin-chan! — Takao gritou.
— O que é? Não vê que estou lendo?! — falei com toda má vontade desse mundo.
— Pare de ler essa porcaria. —a criatura puxou o livro da minha mão e lançou contra a cama. — Olha isso, saiu a sua foto no jornal ao lado do seu pai.
— Nossa! Uma bela foto. — falei pegando a revista da mão do Takao. — Meu pai realmente quer apelar para ganhar essa eleição.
— Em que o seu pai está apelando? — perguntou confuso.
— Usando a foto de um cara lindo para ficar bem com os eleitores, principalmente as eleitoras.
— Não gostei. — revidou tomando a revista. — Não quero que seu pai fique publicando suas fotos para as eleitoras verem. Ah! Você se acha muito também, a foto até que ficou boa, muito boa, mas nem é pra tanto. — não dei muita importância para o que o Takao disse e corri para pegar novamente o meu livro na cama.
— Você tem mau gosto Takao... — o celular dele me interrompeu.
— Tenho não, em geral eu só escolho coisas boas e, creio eu, que você deveria ter cuidado com o que fala. — falou se dirigindo ao aparelho que estava carregando em cima do criado mudo.
— Por que eu deveria de ter? — perguntei.
— Eu escolhi você! — respondeu e em seguida pegou o telefone o que me deixou aliviado, pois tenho medo do que ele iria falar em seguida.
— Minha mãe me ligando há esta hora para saber onde estou hospedado. Ela disse que insistiu, mas só conseguiu falar comigo agora.
— Você não precisa me explicar nada, não é do meu interesse isso.
— Shin-chan, vamos dormir? — perguntou ignorando o que eu disse anteriormente.
— Acho que já está na hora, mas cada um num lado da cama. — o preveni, mas acho que será inútil.
— Tudo bem, mas costumo ser sonâmbulo.
— E eu costumo dormir armado. — ironizei já deixando novamente o livro e indo me deitar. — Amanhã precisamos ir urgente a uma loja comprar roupas novas, não posso ficar usando roupão pelo resto da vida.
— Shin-chan, você já gostou de alguém de verdade? — perguntou já deitado na cama.
— Sim, gosto dos meus pais e eles são de verdade... Ou pelo menos eu acredito que sejam.
— Não falo neste sentido, mas no outro. — se enrolou enquanto explicava.
— Boa noite, Takao. — falei me virando, mas fui interrompido por um selinho traiçoeiro que ele me deu.
— Boa noite, Shin-chan! Durma bem e se quiser pode me abraçar durante a noite. — deu um leve sorriso e apagou a lâmpada do abajur.
Eu até que gostei, mas nunca iria demonstrar isso então preferi não fazer nenhum comentário para não prolongar mais o ocorrido.
***
Maldito celular, tocando a esta hora da madrugada. Takao se revirou um pouco e atendeu, trocou poucas palavras e pulou na cama.
— Shin-chan, acorda! Olha a hora, já é meio-dia. — chamou enquanto me balançava.
— Tá! Já vou me levantar. Pensando bem, me deixe dormir mais um pouquinho.
— Shintarou Midorima! Levante ou eu mesmo te jogo para fora da cama! — engrossou a voz para tentar me convencer. — Isso ou te pego no colo para descer para o almoço.
— Não. Já vou me levantar, preciso tomar um banho antes de descer.
— Rápido Shin-chan! — correu para trocar de roupa e, enquanto isso tomei um banho rápido e me vesti com a mesma roupa que eu cheguei no hotel.
Descemos sem dizer muitas palavras e logo encontramos os meninos sentados em uma mesa no restaurante.
— Atrasados. — Kise alertou. — Na próxima busco os dois. — esboçou um leve sorriso ao dizer.
— Conseguiram descansar? — Kiyoshi perguntou.
— Não, dormi muito pouco. — respondi sem emoção, afinal estava muito cansado para falar. Ao terminar de pronunciar eis que chegou uma garçonete para recolher os pedidos.
— Boa tarde! O que os senhores vão querer? — perguntou com uma simpatia estranha, ela direcionou o olhar principalmente para o Takao que estava no meu lado. Todos pediram e ela nos deixou por um momento.
— Que mulher linda. — Takao fez uma leve observação em voz alta, o cretino também reparou que ela o observava.
— Realmente. — Akashi continuou e os outros meninos, menos eu e Makoto que parecia não prestar muita atenção, concordaram.
— Nem tanto. — afirmei, não vou permitir que o Takao ficasse se engraçando com ninguém, afinal um dia jura gostar de mim e no outro dá bola para qualquer uma. — Não tem a menor classe, postura e com certeza deve ter inúmeros defeitos, mas só esconde para arrancar uma boa gorjeta dos garotões idiotas que devem frequentar este hotel.
— Hum... Acho que tem uma pitada de despeito ou ciúme rolando por aqui. — Akashi afirmou e o Makoto esboçou um sorriso irônico. Oh, ele estava prestando atenção sim... Cretino.
— Impressão sua, não tem motivo para sentir inveja dela, tampouco esbanjar elogios. — respondi ainda seco.
— Eu acho... — Takao começou a falar, mas o interrompi.
— Você não acha nada, Takao. Perdi a fome, vou subir. — o loiro segurou o meu braço.
— Midocchi, você não está totalmente recuperado da dengue, então precisa se alimentar direitinho! Se quiser peço para mudar de garçonete para não te irritar ainda mais. — o loiro se ofereceu, mas demonstrei indiferença pela mulher.
— Ela está voltando com os nossos pedidos. — Kiyoshi anunciou. A funcionária colocou prato a prato com destreza sobre a mesa.
— Espero que gostem dos pedidos! — tentou ser simpática e foi recompensada com um sorriso bobo dos outros meninos. — Ainda precisam de algo?
—Sim. — falei.
— Do que precisa senhor? — perguntou cinicamente.
— Preciso que nos deixem a sós, por favor. — ela assentiu e saiu rapidamente, mas antes sorriu novamente para o Takao.
— Shin-chan, você não precisava ter sido tão grosseiro com a moça, ela não tem culpa do seu mau humor. — Takao a defendeu.
— Ela não precisa de defesa e também não fui mal educado. —comecei a almoçar e não dei mais atenção para as advertências. Kiyoshi e o Kise pareciam irritados com a minha atitude, mas, por algum motivo, preferiram não discutir comigo.
— Minha mãe nos ofereceu a nossa casa de campo para morarmos. Ela deve ficar a mais ou menos uma hora e meia da universidade. — Kiyoshi falou. — Podemos ficar nela até acharmos um novo apartamento mais próximo
— Muito bom. — Akashi se manifestou. — Não dá para morar num hotel para sempre, ainda que longe, valerá a pena por enquanto.
— Todos concordam? — Kiyoshi perguntou e todos concordaram com a ideia, afinal não havia nenhuma ideia melhor até o momento.
— Preciso ir a uma loja, pois a maior parte das minhas roupas foram queimadas. — trágico.
— Ok, Midocchi, podemos ir a uma loja mais tarde. — Kise concordou.
Uns vinte minutos se passaram e todos já haviam terminado de almoçar. Os meninos agora conversavam sobre futebol e aquilo estava me deixando entediado.
— Se me dão licença vou subir para descansar um pouco. — falei tirando o guardanapo do colo e me levantando. — Mais tarde nos veremos.
— Eu acho que vou ir com você. — Takao também se levantava. — Dormi muito bem à noite, mas quero descansar mais um pouco.
— Tudo bem, já estamos indo para os quartos também. — Kiyoshi falou enquanto saíamos da mesa.
— Sua mãe sabe que estamos hospedados neste hotel? — Takao me perguntou enquanto estávamos andando.
— Sim, eu mandei uma mensagem com o endereço e os contatos do hotel. Ela quer me ver o quanto antes, creio que deva vir aqui hoje ou amanhã.
— Será que finalmente vou conhecer a sogrinha? — perguntou olhando para o outro lado. Por um tempo desviei o olhar, mas não o respondi mal, quer dizer, nem o respondi. — Eu faço essas piadinhas, mas não quero que você se irrite.
— Não me irrito facilmente, você sabe disso.
— Eu sei o contrário, você é uma panela cheia de pressão que estoura com a maior facilidade. — sei que é verdade, mas rebati por um tempo até que me achei idiota por estar discutindo aquilo.
Takao ficou em silêncio até chegarmos ao quarto, ele se mostrava pensativo, não sei bem o que pensava, mas garanto que não seria nada bom pra mim se ele continuasse pensando.
— Pode entrar. — falou abrindo a porta e me dando passagem. — Dizem que dá sorte deixar os outros entrarem primeiro que você em algum lugar.
— Nunca ouvi falar disso.
— Dá sorte, pois se o lugar tiver um cachorro raivoso, ele vai morder o bobo que entrou primeiro. — deu uma leve risada e eu até que correspondi. Inteligente, mas nem um pouco educado.
— Takao, você já pensou em ser menos bobo? — perguntei já sabendo qual seria a resposta.
— Sim, mas acabo gostando de ser assim. Ser normal é chato demais, por isso curto a vida, sou louco, brinco com os outros. Aliás, minha melhor diversão é te irritar. Você precisa ver a sua cara quando está irritado, é muito engraçada.
— Nem ligo, já sabia que a sua diversão era fazer isso comigo.
— Nem pego muito pesado contigo, no ensino fundamental eu era pior. Já coloquei corretivo na borracha do meu colega, colei chiclete na cadeira da professora, armei uma bombinha e joguei no banheiro feminino e mais um monte de coisas. O que faço com você é fichinha perto do que fazia com as outras pessoas.
— Você era um terrorista isso sim. Por que fazia isso?
— Porque era engraçado, ué. Ver as pessoas irritadas me faz rir, você especialmente me faz rir muito por dentro e por fora, mas tenho medo.
— Um rapaz terrorista como você tem medo de que? — perguntei prestando mais um pouco de atenção.
— Nada, deixe isso pra lá. — falou tentando se esquivar, Takao parecia triste e desanimado e por isso fugiu do assunto.
— Takao, fala. — insisti. — Agora você me deixou curioso.
— Te deixei curioso, que milagre. — afirmou levando as mãos a cabeça e coçando levemente o cabelo. — Foi uma das poucas vezes que eu consigo despertar a sua atenção por algum tempo.
— Também não é assim. — falei tirando os meus sapatos para me deitar na cama. — Eu, ainda que muitas vezes me arrependa, acabo sempre prestando a atenção nas coisas que você faz. Sei de todas as vezes que me irritou ou, até mesmo, me fez rir.
— Você está falando sério Shin-chan? — perguntou ainda desanimado.
— Pior que sim, ainda que me arrependa às vezes. Vamos, me conte o que desistiu de falar.
— Eu brinco com você, mas tenho medo que se irrite de verdade. Não tenho muitas oportunidades de me comunicar com você e temo que elas se diminuam por alguma coisa que eu fale contigo. Não achei a garçonete bonita, tampouco simpática. Só falei aquelas coisas para te irritar e te deixar com ciúmes. Eu queria te dar um sinal de alerta e fico feliz por ter visto com os meus próprios olhos a sua reação de ira, creio que isso seja bom pra mim.
— Takao...
— Eu sei! Eu sei. — me interrompeu. — Ainda que não corresponda, não vou ceder. Pretendo continuar insistindo sempre e creio que você não vai aguentar por muito tempo.
O olhei um pouco pensativo, realmente ele é uma pessoa muito corajosa. Takao agora se deitava virando de costas para mim, parecia um pouco sonolento. Estou a cada dia mais confuso, minha cabeça parece se encher a todo o momento de incertezas e isso me deixa louco. Ele, por incrível que pareça, mexe comigo, mas não sei direito como reagir àquilo tudo. Tenho muitas dúvidas meu Deus, me ajude a resolver tudo isso. Tenho medo de me enganar ou me arrepender por ter ou não ter agido.
***
— Midocchi. — Kise falou me balançando um pouco.
— Como é que você entrou aqui? — perguntei após levar um susto em ver aquele garoto loiro em frente aos meus olhos.
— Takaocchi abriu a porta pra mim, ele está tomando banho para irmos ao shopping. Você está bem para sair?
— Sim. Há quanto tempo você está aqui me observando? — perguntei desconfiado e já sentando na cama.
— Há mais ou menos cinco minutos, isso porque estou tomando conta de você enquanto o Takaocchi se arruma.
— Tudo bem. Os garotos ainda estão no prédio?
— Sim, estão se arrumando também. Ajeitei as minhas coisas mais cedo para poder ajudar o Takaocchi a cumprir a difícil tarefa de cuidar de um homem tão chato quanto você.
— Valeu Kise, suas palavras são animadoras.
— É brincadeira, Midocchi. Fiquei pensando a tarde inteira no Pikachu que você me deu de aniversário.
— E o que tem ele? — perguntei tentando entender um pouco mais.
— Ele morreu. Tentei ajudá-lo, mas não consegui tirá-lo do quarto. — uma lágrima descia do rosto do Kise no momento em que ele falava, realmente ficou muito triste pela queima do coleguinha de pelúcia dele.
— Ele vai voltar, creio que ficou fazendo companhia ao travesseiro da sorte do Takao. Em breve eles voltam para vocês.
— Será?! — fez uma pergunta sem esperar por minha resposta, mas ficou um pouco mais esperançoso ao ouvir aquilo. — Olha o Takaocchi já tá vindo, vou para o meu apartamento, pois não posso deixar o Akashicchi sozinho por muito tempo. — deu um leve sorriso e correu até sair do quarto.
Após o Kise sair do quarto e antes do Takao vir para o local onde a cama ficava, peguei o meu celular e liguei para um dos assessores do meu pai e pedi a ele para enviar alguém ao prédio com o intuito de encontrar um ursinho de pelúcia do Pikachu e um travesseiro com o símbolo do Super-homem desenhado. A princípio ele riu, mas disse que enviaria alguém para procurar esses acessórios nos apartamentos, pois muitos objetos haviam se salvado do fogo e tinha chance desses itens estarem inclusos nesse grupo. Senti-me bem após fazer isso, fiquei pensativo por alguns minutos e logo fui surpreendido com a aparição do Takao bem em frente à cama me pedindo para me arrumar depressa.
— Shin-chan, só falta você se arrumar para irmos ao shopping. Se quiser peço para os meninos irem à frente e depois eu te levo quando você estiver pronto.
— De onde você tirou esta roupa? — perguntei, pois o Takao não a tinha quando chegamos aqui.
— Comprei numa loja aqui perto do hotel enquanto você dormia e, aliás, dormiu por quase cinco horas. A sua roupa está passada em cima do balcão do banheiro.
— Você comprou um conjunto pra mim? Sério? — perguntei surpreso.
— Sim, você não poderia ir ao shopping mal vestido, então comprei uma roupa bem bacana para você. — reagi com surpresa, tenho medo do resultado.
— Vou tomar um banho e já volto. — corri para o banheiro e vi o conjunto, realmente o Takao tem muito bom gosto e pelo jeito já sabe de todas as minhas medidas.
Demorei uns vinte minutos para ficar pronto e depois fui para o shopping que ficava a alguns minutos do hotel. Trocamos algumas palavras no caminho, Takao se arriscou a cantar algumas músicas e eu como sempre torcia para chegarmos logo. O trânsito estava horrível e demoramos muito para achar uma vaga para o carro.
— Finalmente uma vaga. — Takao afirmou com alívio, já que ficamos dez minutos procurando um lugar para deixar o carro.
— Que bom, vamos nos apressar para dar tempo de irmos às lojas.
— Lojas? Shin-chan, você não está pensando em comprar o shopping inteiro não, né?
— Sim, vou comprar quantas roupas forem necessárias para eu ficar bem. Perdi todas do apartamento e preciso renovar o meu guarda-roupa.
— Você não precisa de muito, vamos rápido para dar tempo de ir ao cinema depois. Quero ver o novo filme que acabou de lançar. — falou com certa esperança.
— Você pode ir, eu vou ir ver as lojas.
— Não, você vai vir ver o filme comigo. Posso fazer o sacrifício de deixar você escolher um filme e amanhã voltamos aqui e vemos o que eu quero, que tal?
— Não, vou focar somente nas lojas hoje, talvez eu até possa voltar aqui amanhã para ver esse filme que você quer.
— Ok, vamos lá escolher as suas roupas. Você me ajuda a escolher as minhas também? — pediu e concordei.
Andamos e entramos nas lojas. Em cada uma compramos pelo menos uma coisa, sendo roupas, calçados e acessórios.
— Caramba, chegamos ao shopping há meia hora e já estamos cheios de bolsas.
— Creio que vamos ter que ir ao carro guardar essas e depois voltamos para ver as outras. — falei. O meu braço já estava doendo de tanto segurar as bolsas.
— Até que fazer compras com você não é tão chato assim. — Takao deixou escapar.
— E por que seria chato? Tenho muito bom gosto para escolher as coisas — perguntei e eu mesmo respondi.
— Tem mesmo. — concordou e ao mesmo tempo vimos os outros meninos de longe entrando em uma loja.
Após alguns minutos chegamos ao carro e deixamos as sacolas lá. Ao retornarmos ao shopping uma descarada veio puxar assunto com o Takao
— Olá, você é daqui e estuda na universidade? — ela parou na nossa frente e se dirigiu a ele.
— Sim, por que pergunta?
— Eu queria tirar algumas dúvidas com um veterano, pois sou novata aqui e não sei de quase nada. — a loira descarada insistiu em falar com ele.
— A universidade tem uma secretaria e vários guias, você pode procurá-los. — sugeri de uma forma muito simpática, simpaticamente irônica, mas ela não se importou e continuou.
— Do que você precisa? Talvez eu possa te ajudar. — Takao perguntou.
— Se você nos dá licença, precisamos estar em outro lugar agora. — falei o puxando pelo braço, mas o tonto continuou parado no mesmo lugar conversando com ela.
— Você poderia deixar o seu amigo conversar comigo? Está me atrapalhando. — falou um pouco alterada, creio que tenha percebido que não fui com a cara dela e pelo jeito foi recíproco.
— Takao, você vai ou fica? — perguntei da forma mais firme que consegui.
— Eu vou com você Midorima. — Midorima? Midorima? Ele nunca me chamou assim.
Saímos e de longe pude ouvi-la gritar o quanto sou grosseiro e que queria ver o Takao novamente algum dia desses.
— Por que você ficou irritado Shin-chan?
— Shin-chan? Pensei que você me chamasse de Midorima, é claro, isso quando estamos perto de alguém estranho. — falei um pouco alterado.
— A menina só estava pedindo ajuda, eu tinha que ajudá-la. — respondeu demonstrando inocência, mas ele bem que babou ao vê-la. — Você está com ciúmes Shin-chan? — deu um leve sorriso.
— Não. Por favor, tente não falar comigo por alguns dias. — que raiva, ele fez isso de novo.
— Mas Shin-chan, eu não fiz nada. Eu... — Takao finalmente percebeu que me irritei de verdade e se calou.
Ficou em silêncio por um bom tempo, escolheu suas roupas sozinho e de vez em quando me olhava buscando conseguir algo comigo. Ficou assim por tanto tempo que acabou sumindo pela loja e não o vi por alguns minutos, até que retornou correndo com um sorvete na mão.
— Olha o que eu comprei para você Shin-chan! É de chocolate com calda de morango, granulado e jujubas.
— Hum... — murmurei pensativo, não vou desprezar o feito dele porque seria muita falta de consideração ainda que ele mereça. — Muito obrigado. — falei pegando a tacinha com o sorvete. — Vou pagar as contas e podemos ir embora.
— Tudo bem Shin-chan, vai lá. — falou saboreando o seu sorvete.
Demorei uns cinco minutos e fui para junto do Takao que esperava sentado em um banquinho do lado de fora da loja, perto da entrada. Este já havia terminado o doce e papeava com alguém pelo celular, acho que era com o irmão mais novo dele.
— Podemos ir. — falei e ele logo se levantou guardando o celular no bolso.
— Você está um pouco pálido, Shin-chan. Está tudo bem? — perguntou enquanto estávamos andando pelos corredores.
— Só um pouco cansado e com algumas dores pelo corpo. — respondi, mas não estava doendo tanto assim.
— Quer que eu busque o carro e traga ele aqui na porta para você não precisar andar muito?
— Não precisa, vamos andando até o carro mesmo. — Takao estava tão prestativo que pegou as bolsas da minha mão e foi correndo para o carro, mas não percebeu que vinha uma moto em sua direção quando atravessou em uma das ruas. Um barulho e um tombo. Ficou caído por um tempo e eu fui correndo para ver se ele estava bem. — Takao! Takao! Você está bem? — perguntei me ajoelhando ao lado dele. Todas as bolsas ficaram jogadas no chão até que um dos seguranças do estacionamento as recolheu.
— Acho que vou morrer Shin-chan! — disse, virando o rosto para o lado.
— Não, olhe pra mim! — aumentei o tom e virei o rosto dele para o meu lado.
— Estou brincando com você, Shin-chan. Só tenho algumas dores. — explicou tentando se sentar e esboçando um leve sorriso. Isso me tranquilizou um pouco, meu coração estava pela boca de tanto susto.
— Bobo, sente alguma dor mais forte em algum lugar?
— Acho que só a minha moral que está doendo muito, o resto está tudo bem. — limpou as mãos e tentou se levantar.
— Fique sentado. Não faça nenhum esforço ainda. — disse, o sentando novamente. — Não sabemos se você está realmente tão bem quanto fala.
— É sério Doutor Shin-chan, estou realmente bem. Só algumas dores pelo corpo, mas nada muito grave.
— Jura? Você está falando a verdade? — perguntei por precaução.
— Juro de dedo. — levantou o mindinho. — Me deixa levantar, por favor! Preciso te levar para o hotel. Você precisa mais de atenção do que eu no momento.
— Nada disso. Pode levantar, mas eu vou ir dirigindo agora. — falei provocando um olhar assustado dele.
— Se você dirigir, nós dois é que vamos nos acidentar. — brincou, um pouco surpreso. — Estou sentindo dor, mas não estou morto. Quem vai dirigir sou eu e não se fala mais nisso. — levantou, acenou para o cara da moto que estava próximo de nós e saiu andando para o carro. O motoqueiro ficou ao nosso lado todo tempo. Ele não teve culpa, pois foi o Takao que atravessou de repente.
— Takao! Me espere. — peguei as sacolas com o segurança e corri atrás dele. Todos ficaram nos olhando, pois não acreditavam que ele já estava bem o suficiente para correr. — Não seja imprudente, garoto. Deixe-me dirigir.
— Relaxa, Shin-chan. Estou bem o bastante para te enfiar dentro desse carro se for preciso. — esboçou uma cara de mau.
—Tudo bem, pode dirigir, mas tome cuidado, não pretendo morrer cedo.
— Sempre tomo cuidado. Olha ali! — falou apontando para um aglomerado de pessoas que estavam na saída do estacionamento. — Vou fazer um boliche agora com o carro.
— Eu ficaria com medo se não te conhecesse.
— E conhece? — perguntou já dando a partida e ligando o carro.
— Nem um pouco, mas sei que não é louco para fazer isso. — respondi e ele sorriu.
— Você está melhor agora, Shin-chan? Precisa de alguma coisa?
— Estou bem. Preocupado, mas bem. Quero chegar logo ao hotel para ficar mais tranquilo. — fomos e logo chegamos. Subimos com todas as sacolas e ao sair do elevador dei de cara com o chato e ingrato do Makoto. Ele sequer olhou para mim e virou as costas indo para o quarto do Kise. Creio que ele esteja com raiva, mas não ligo para birra de criança. Detesto pessoas falsas.
— Não gosto do que está acontecendo. — Takao comentou abrindo a porta do quarto para eu entrar. — Você deveria pedir desculpas para o Makoto e fazer as pazes logo.
— Não. Nunca farei isso. Ele me enganou e só me ajudou por interesse. — me irritei ao ouvir o Takao falando isso, ele realmente está do lado do Makoto.
— Shin-chan, você foi muito mal educado com ele. Você se esqueceu de que ele ficou a manhã inteira cuidando de você?
— Não, mas isso teve um preço.
— Como você sabe? Para tirar tudo a limpo sugiro que ligue para o seu pai e pergunte se ele recebeu algum dinheiro para cuidar de você. Faça isso e tire suas conclusões após o ouvir negando isso.
— Esqueça isso. Meu pai nunca iria admitir. E você deveria ficar do meu lado e não do lado dele. Traidor!
— Eu deveria te bater. Não acredito que você diz essas coisas ridículas. Não estou contra ou a favor de ninguém, só quero que toda esta história se resolva e vocês voltem a conversar logo.
— Takao, acho que vou ver se tem algum quarto que ficou disponível. — ameacei, me dirigindo à porta, mas ele me puxou pelo braço.
— Eu não vou insistir mais. Fique aqui, prometo que não falarei mais nada. Não por hoje. — desisti de sair e fui tomar o meu banho.
***
— Shin-chan. Sua mãe ligou e mandou você fazer as pazes com seu coleguinha. — avisou quando eu estava saindo do banheiro.
— Você prometeu que não iria falar mais sobre isso. Que droga! Só quero um pouco de paz. — isso me deu tanta raiva que joguei a toalha que estava secando meu cabelo no chão. — Se quiser agradar o Makoto, vá lá dormir com ele!
— Calma, Shin-chan! Eu só estava brincando contigo.
— Não quero brincadeiras, não sobre o Makoto! Respeite pelo menos isso. — deitei na cama e virei para o lado oposto ao do Takao. Minha tranquilidade fora interrompida ao sentir cutucões no meu ombro.
— Shin-chan. Shin-chan. Não precisa ficar bravo deste jeito. — sussurrou, mas o ignorei inicialmente. A peste é tão peste que ao perceber que foi ignorado me virou bruscamente para o lado dele e colocou o rosto em frente ao meu. — Não vou te deixar dormir até que me perdoe.
— Não e vá logo dormir! — me irritei ainda mais.
— Então passaremos a noite inteira acordados. — falou e se deitou ao meu lado. — Não seja bobo, Shin-chan. É só dizer que me perdoa e te deixo dormir.
— Eu te perdoo. — falei na esperança de ficar em paz.
— Obrigado, mas você não vai dormir mesmo assim.
— Mas... Mas, você prometeu seu... Seu... — fiquei até sem palavras de tanta raiva.
— Eu costumo mentir às vezes. Não quero que durma com toda esta raiva, quero que perdoe de verdade. Você não precisa pedir desculpas para o Makoto, só não o odeie.
— Não o odeio, só tenho aversão por ele.
— É quase a mesma coisa e você sabe disso. Tudo na vida tem um preço e o do seu sono é o perdão ao Makoto. Pronto, falei. — esboçou um sorriso e fitou os meus olhos.
— Eu perdoo o Makoto. Perdoo de verdade, mas como tudo na vida tem um preço... Eu paro de falar com você para sempre e volto a falar com o Makoto. — fiz a proposta.
— Ai não, Midorima. Você está querendo me ferrar agora? Dá um tiro que é melhor. Pensando bem, acho melhor eu ir dormir e te deixar quieto. — consegui. Finalmente ele vai me deixar em paz para poder dormir.
Takao realmente não me perturbou mais. Dormi bem e logo acordei com o despertador berrando no quarto. Quando levantei percebi que estava sozinho, Takao deve ter ido a algum lugar e me deixou só, ainda bem. Eram dez horas da manhã e eu me dirigi ao banheiro para tomar o meu banho. Não demorei nem dez minutos e já estava arrumado para descer e tomar o café da manhã.
Desci os dez andares do hotel pelo elevador e me dirigi a uma confeitaria que ficava bem em frente ao prédio, pois não queria me encontrar com nenhum dos garotos ainda.Pedi um suco e uma fatia de torta e fiquei assistindo ao telejornal matinal pela televisão do estabelecimento. Acabei de comer e fui andar um pouco em um parque que ficava no quarteirão. Crianças correndo para todos os lados, jovens namorando àquela hora e um monte de passantes, tudo aquilo me irritava muito. Não tenho a real certeza de que realmente gosto. Acho que me irrito demais com as coisas e preciso me resolver.
— Oh tio, você não quer comprar uma balinha, ai, para me ajudar não? — um menino me perguntou. A aparência do garoto me assustou. Tão jovem e tão sofrido. Que bom que nunca tive que trabalhar assim para conseguir dinheiro.
— Quanto é? — perguntei para ele ir embora logo.
— Um real cada uma. Tem de laranja, morango e... — o interrompi.
— Pegue esta nota e vá brincar por ai. — dei o equivalente a quase cinco caixas daquela. O garoto arregalou os olhos e me agradeceu insistentemente. Assenti e ele saiu correndo com a caixa na mão.
Não sei se fiz bem, talvez o garoto esteja sendo explorado pelos pais. Refleti mais um pouco e conclui que foi melhor ajudá-lo, não sei se ele realmente precisa vender balas para ajudar no sustento da família dele.
Voltei a caminhar para o hotel até que fui surpreendido pelo Kise que correu em minha direção.
— Onde você esteve Midocchi? Pensei que tivesse sido sequestrado ou acontecido algo pior com você. — chegou perto e começou a caminha ao meu lado. — Eu até pensei em chamar a polícia, guarda nacional e o exército para te recuperar.
— Quis andar um pouco pela praça, precisava espairecer um pouco. Ah, sou grandinho e já sei andar pela rua sozinho.
— Mas, você está dodói ainda. Tomou seus remédios hoje?
— Kise, eu estou bem. Pode confiar no que eu digo. Não sinto mais nada desde ontem à noite antes de dormir.
— O Takaocchi está desesperado atrás de você. Pensou que tinha ido embora depois que brigaram ontem.
— Vontade é o que não me falta. Estou farto de tudo e estou pensando seriamente em aceitar o apartamento particular que minha mãe me ofereceu.
— Não. Você não pode fazer isto com a gente. Mesmo sério nós gostamos de você, por isso não pode ir embora agora. Por favor!
— Não vou embora, talvez não agora. Preciso resolver alguns problemas antes.
— Você quer que nos mudemos para a casa do Kiyocchi logo? Este hotel está te incomodando?
— Tanto faz. Decidam e eu aceito qualquer coisa. Talvez lá eu consiga a paz que eu procuro.
— Então suba para arrumar suas coisas. Os meninos já estão arrumando as deles e logo após o almoço podemos partir para casa. A viagem é um pouco longa. Ah! — ele mesmo se interrompeu. — Vá e tome os seus remédios mocinhos, já deu a hora da segunda leva.
— Você está parecendo a minha mãe falando desse jeito. Eu já falei que estou bem e pronto.
— Midocchi, um homem de preto veio aqui e deixou uma caixa em seu quarto. Ele disse que é uma entrega para você e escreveu um bilhete, toma. — me entregou. — Guardei para ninguém ler o seu recado.
— Venha comigo! — corri puxando o loiro pelo braço até o elevador. Subimos e continuamos correndo para o quarto.
— O que foi, Midocchi? — perguntou sem entender nada o que estava acontecendo.
— Olha! — exclamei arrancando as fitas que fechavam a caixa e quando consegui abrir ergui o tão amado ursinho de pelúcia do Kise. — O seu Pikachu!
— Meu Deus, ele está vivo mesmo! — se aproximou de mim.
— Sim, pedi para um dos assistentes do meu pai ir buscá-lo no apartamento. Ele não queimou com as outras coisas... — fui calado por um forte abraço do loiro.
— Você é o melhor que nós temos Midocchi! Muito obrigado. — continuou me apertando e quando me soltou abraçou fortemente o ursinho que estava um pouco empoeirado.
— Que amor todo é esse aqui? — perguntou Takao que agora entrava no quarto.
— O Pikachu está vivo, o Midocchi o recuperou pra mim! — Kise respondeu.
— Toma, este é o seu. — disse, tirando a almofadinha da sorte e entregando para o Takao?
— É sério isso, você conseguiu trazê-la de volta? — perguntou a pegando da minha mão.
— Eu não, mas o assistente do meu pai. Você iria ficar muito infeliz se ela não voltasse e isso de alguma forma me afetaria muito.
— Muito obrigado Shin-chan. — me abraçou tão forte quanto o loiro. — Muito obrigado mesmo!
— Chega! Vamos arrumar as nossas coisas para sairmos desse lugar logo.
— Sim senhor! — o loiro falou e saiu correndo para o seu quarto.
— Tudo o que você fez foi muito bacana, Shin-chan. Eu sempre soube que você não era tão amargo assim. — Takao falou.
— Que bom que você pensa isso de mim, não sabe como isso é gratificante. — esbocei um leve sorriso.
Arrumamos tudo muito depressa, pagamos a conta do hotel e fomos para os carros. A viagem é longa e precisamos dela para chegar à casa de campo da família do Kiyoshi. Como sempre saímos só o Takao e eu no mesmo carro e, como sempre de novo, ele insistia a tentar cantar as músicas que tocavam no rádio. A minha sorte é que hoje o tema era mais calmo do que o de ontem e não tive que ficar ouvindo os berros agudos dele.
Duas horas se passaram...
— Finalmente chegamos! — falei abrindo o vidro do carro e olhando para além dele. Um grande portão escondia o interior da chácara. A vizinhança era formada basicamente por outras casas de temporada e pequenos sítios familiares. Um ponto de civilização em meio a uma mata densa, mas bem atraente. Morros encobertos por grandes árvores formavam o horizonte ao nosso redor.
— Vamos entrar. — Kiyoshi falou chegando próximo ao meu lado, assenti e sai do carro,
— Que lugar lindo! — Kise se expressou.
— Faz muito tempo que não venho aqui. — Kiyoshi lembrou. — Passei boa parte da minha infância nesse lugar. Vamos entrar logo! Quero matar a saudade. — correu e destrancou o portão. Takao e Makoto entraram com os carros e nós caminhamos até o hall de entrada do casarão.
— Quantos quartos tem esse lugar? — perguntei ao dono da casa.
— Ao todo são três, fora os quartos da casa do caseiro e os que usamos como sótão. Por quê? — Kiyoshi respondeu e perguntou.
— Precisamos dividir. Ah! Podemos manter as mesmas duplas por quarto, que tal? — Akashi propôs.
— Sim, vamos ficar do mesmo jeito. O Makoto e eu vamos usar o quarto principal que era dos meus pais. Vocês podem escolher os dois quartos que sobraram, eles são do mesmo tamanho e ficam um ao lado do outro, então não tem muito problema. Ambos têm duas camas de solteiro, mas podemos mandar trocar por camas de casal se quiserem.
— Por mim tanto faz, Kiyocchi. Akashicchi e eu ficamos em qualquer quarto, mas acho que vamos comprar uma cama de casal para nós.
— Por mim também. — Takao falou. — Vou seguir sua ideia e comprar uma para nós também, isso, é claro, se o Shin-chan quiser.
— Pode comprar, mas podemos manter pelo menos uma cama de solteiro no nosso quarto. — falei. — Existem lojas, mercados ou qualquer coisa do tipo nessa vila?
— Eu acho que sim, Midorima. — respondeu Kiyoshi. — Faz algum tempo que não venho aqui, mas pelo menos quando era mais novo tinha. Ah! Tem uma confeitaria muito boa no centro.
— Vou subir para colocar as coisas no quarto e depois conversamos mais. — vou conhecer o meu novo paradeiro. Acho que terei algum trabalho para deixá-lo bem aconchegante. Falei e subi as escadas junto com as bagagens e o Takao, que também não deixa de ser uma mala, quer dizer, um mala.
Midorima’s POV off
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