New Ways...
28 Capítulo 27 Parte 2
Notas iniciais

— Socorro! — era a única coisa que ouvia vindo da sala. Havia deixado Midorima brincando com Shiro enquanto terminaria de fazer o almoço. Há mais ou menos meia hora ele gritava socorro, não me manifestei, sabia que ouviria uma palestra, não fiz nem mesmo questão de ir checar o que estava acontecendo. — Makoto, me ajude, ele quer me matar!
Terminei os últimos preparativos da mesa e dei uma última olhada no forno para ver quanto tempo faltava para a lasanha ficar pronta. Huuum... Acho que ficará pronta até o resto do pessoal chegar.
Fui em direção à sala e ao entrar no recinto vi uma das cenas mais engraçadas de toda a minha vida.
Midorima estava deitado no sofá com os braços cobrindo o rosto, enquanto Shiro estava sobre ele, abanando o rabinho e tentando alcançar seu rosto de alguma forma com as patinhas.
— He, he sempre soube que você adorava ele, Midorima. — ri, encostando-me à parede próxima ao sofá.
— Apenas cale a boca e tire essa coisa peluda de cima de mim! — reclamou ele enquanto tentava se levantar e continuei parado rindo da cena — Makoto!
— Tá bom, tá bom! — ainda rindo concordei em ajudá-lo e andei até os dois, pegando o cãozinho no colo. — Apenas se acalme.
Retirei Shiro de perto dele e me sentei ao tapete.
— Tem pelo até na minha alma! — disse Midorima enquanto se sentava, batendo alguns pelos imaginários que, segundo ele, o estavam incomodando. — Não tomo conta dele nunca mais!
— Vai ficar sem lasanha.
No mesmo momento em que terminei a frase, como se tivesse ouvido um chamado, Kise abriu a porta correndo.
— Eu ouvi lasanha?! — perguntou o loiro de forma alegre, abraçando Midorima. — Midocchi! Que bom que você levantou! Você está melhor? Como você está?
— Estou bem sim Kise, pode me soltar. — pediu Midorima ajeitando-se no sofá. — Onde estão os outros?
— Aah, estão subindo as escadas, eu vim correndo porque queria saber como você estava! Pelo visto o Makocchi não te matou.
— Kise, quanta maldade! — reclamei, me fingindo chateado e Midorima riu.
— Ele jogou água em mim duas vezes e como se isso ainda não bastasse, ele me agrediu. — falou Midorima.
— Makocchi! Por que você fez isso?! — Kise perguntou indignado. — Tadinho do Midocchi!
— Ele me irritou. — respondi, soltando Shiro e me levantando. — Se reclamar vai ficar sem lasanha também, Kise!
— Que cruel Makocchi! — rimos e fomos para a cozinha esperar os outros para o almoço.
***
— Você vai ficar bom logo, Midocchi. — Kise falou. Estávamos sentados a mesa, comendo. — Ainda mais que o Makocchi parece estar cuidando direitinho de você.
— O Makoto cuidou bem de você enquanto estávamos fora, Shin-chan? — dessa vez foi Takao quem se manifestou e não pude deixar de dar aquela olhada sugestiva para Midorima. — Vocês parecem ter se dado bem, ele até fez a lasanha que você pediu.
— Sim, ele foi muito simpático. — respondeu Midorima e juro que senti um leve tom de hesitação quando ele disse isso, mas ignorei. — Demorei, mas consegui negociar a lasanha.
— Média para conquistar um aumento salarial. — falou Akashi despreocupado. Já me acostumei com esse jeito dele por isso não liguei e continuei quieto. — Seu pai pagaria muito bem se ele cuidasse de você.
— Não diga isso Akashicchi! O Makocchi não é interesseiro! — me defendeu Kise. A partir daí vi que as coisas não continuariam boas como estavam, uma vez que Midorima me olhou desconfiado.
— É claro que não Akashi, o Makoto faltou aula para poder ajudar o Midorima e nunca iria pedir algo em troca! — igualmente Kise, Kiyoshi me defendeu. Continuei em silêncio. Sim, eu não havia feito nada por interesse, portanto, não valeria a pena me estressar. Quero apenas ver o que Midorima falará, espero que ele não seja idiota o suficiente pra acreditar nisso.
— Será que não? — Midorima perguntou e o encarei. — Agora eu entendi tudo... Ah, é bem a cara do meu pai fazer isso.
— Fazer o que Midocchi? — o loiro perguntou.
— Quando eu era criança o meu pai pagava um assessor dele para cuidar de mim quando estava doente. — explicou Midorima, aparentemente magoado pela atitude do pai e logo depois alterando um pouco o tom de voz. — E agora o assessor é você né, Makoto?! Será que ele te pagou quanto para me bajular só para não ter que vir me visitar?!
— Nada, seu pai nem sabe o motivo da minha falta, nem deve saber também que você está doente, se sabe foi porque avisei a sua mãe. — eu falei com maior naturalidade que consegui, apesar de não ter gostado de o Midorima ter duvidado de mim. — Eu não sou o tipo de pessoa que faz as coisas por interesse Midorima.
— Imbecil, além de ser um imbecil é um traíra! — ele se alterou ainda mais e se levantou, continuando parado no mesmo lugar enquanto me encarava.
— Midorima, não se envenene com o que o Akashi falou! — Kiyoshi, que estava do lado do esverdeado se levantou, tentando acalmá-lo.
— Midocchi, o Makocchi foi inocente ao te ajudar!
— A partir de hoje eu cuido dos meus problemas, não quero ter que depender de ninguém! —Midorima falou ignorando completamente os dois. Imbecil, mal agradecido!
— Mas Shin-chan...! Para de pensar besteira e peça já desculpas pro Makoto! — Takao foi até o mais alto, tentando fazê-lo reconhecer que não deveria acreditar no Akashi e vi que não adiantaria.
— Não precisa Takao, pelo jeito o Midorima prefere acreditar nas invenções dos outros. — falei encarando Akashi e me levantei também.
— Por que falou aquilo Akashicchi?!
— Eu não falei por mal. — respondeu Akashi, levantando as duas mãos ao lado do rosto. — Por favor, não transformem isso em um circo.
— Já estou satisfeito. — Midorima falou, retirando-se da cozinha. Eu ainda não consigo acreditar que depois de tudo que conversamos hoje ele tenha se deixado levar pelo o que o Akashi disse.
— Creio que você também esteja satisfeito, não é Akashi? — perguntei, encarando-o sério e me direcionei ao quarto, fechando a porta do mesmo, mas ainda escutando a conversa dos outros na cozinha.
— Makocchi, volte aqui! — chamou Kise. — Akashicchi, peça desculpa aos dois!
— Vou lá ver se o Midorima está bem, ficou tão nervoso que pode ter outro problema de pressão. — Takao falou e pude ouvi-lo passando em frente ao meu quarto.
— Satisfeito Akashi? Era isso que você queria? — ouvi a voz do Kiyoshi questionando o ruivo.
— Não pensei que era pra tanto, depois me desculpo com os dois. — Akashi respondeu.
— Mas até você resolver se desculpar a Terceira Guerra Mundial já começou! — Kise falou com certo desespero. — Eles pareciam estar se dando bem!
— Não exagere Kise. — Akashi falou impaciente.
Eles continuaram discutindo e resolvi não prestar mais atenção no que estava acontecendo. Deixei que continuassem falando e resolvi não me meter. Já que o Midorima quer assim, assim será.
Deitei-me em minha cama e fitei o teto por alguns minutos pensando sobre o que havia acontecido. Será que Midorima pensa mesmo que eu cuidei dele por interesse? Deve pensar.
Estava tão imerso em pensamentos que acabei dormindo sem perceber e só fui acordar mais tarde com Kiyoshi me chamando para jantar.
— Nossa, eu dormi tanto assim? — perguntei assustado, fazendo-o rir.
— Você nem percebeu que dormiu né?
— Não... — respondi me espreguiçando ainda deitado. — A janta já está quente?
— Sim. — ele respondeu sentando-se ao meu lado.
— Quem esquentou? — perguntei um pouco assustado, já que geralmente sempre sou eu quem faz ou esquenta a comida.
— Akashi, ele quer se redimir com você. — me respondeu sorrindo. — Você está bem?
— Acho que... Acho que sim. — falei. — O Midorima ainda tá passando mal?
— Não sei, ele não saiu do quarto a tarde inteira. — explicou, parecendo um pouco chateado. — Takao falou que ele tá deitado desde a hora do almoço.
— Apesar de tudo, eu espero que ele esteja bem. — sentei-me, ficando de frente para ele, percebendo que ele me encarava sem nem mesmo piscar e tinha um pequeno sorriso. — O que foi?
— Hum? Ah, nada. — ele riu, parecendo um pouco nervoso e corou levemente. — Só lembrei de uma coisa.
— O que? — perguntei, olhando-o curioso.
— Nada.
— Me fala Kiyoshi.
— Aquela vez que nós saímos... — começou ele fitando um ponto qualquer do quarto.
— O que tem?
— Você está igual aquela vez.
— Estou? — perguntei semicerrando os olhos e ele assentiu. — Ah, para de viajar e vamos comer!
Rimos juntos e seguimos para a cozinha. Ao chegar lá, Takao disse que Midorima estava sem fome e por isso não nos acompanharia. Bem, se ele quer morrer de fome, que seja assim.
Após terminarmos o jantar, brinquei um pouco com o Shiro, tomei um banho e voltei para o quarto. Estava bastante desanimado, já era tarde e não teria mais nada que eu pudesse fazer além de dormir, no dia seguinte teria que ir para a faculdade. O resto do pessoal também havia se recolhido e nada de Midorima sair para comer. Não me importei, deitei em minha cama e tentei não pensar na briga de mais cedo. Demorei um pouco para dormir, consegui apenas depois de conversar um pouco com Kiyoshi, que insistia em pedir pra que eu deixasse Shiro dormir conosco. Pela primeira vez eu deixei e tivemos que dormir de porta aberta e finalmente não houve briga entre nós dois, até nos demos um pouco melhor hoje.
***
Eram aproximadamente duas da manhã, estava um calor infernal dentro do quarto e Shiro não parava de pular em minha cama, o que acabou me acordando.
— Shiro! — o repreendi, tentando não alterar o tom de minha voz para não acordar o Kiyoshi. — Fica quieto!
Mesmo chamando sua atenção, o cãozinho não sossegou. Continuou pulando em minha cama e descendo, dessa vez latindo.
— Shiro, eu vou te colocar para fora do quarto! — repeti o ato e ele continuou agitado. Vi Teppei se mexendo um pouco na cama e tentei acalmá-lo de novo. — Vai acordar o Kiyoshi, Shiro!
— Hum... Miya-chan? — ouvi Kiyoshi perguntar. — O que houve?
— Acho que o Shiro tá incomodado com algo... — respondi e com a baixa luz que vinha da janela pude perceber que ele iria se sentar. — Volte a dormir, vou ver se ele está com fome ou algo assim.
— Tudo bem... — assentiu ele, virando-se para a parede e se ajeitando entre os lençóis.
Abri a porta do quarto levando Shiro para a sala. Ele continuou inquieto, pulando de um lado para o outro. Fui em busca de suas vasilhas de ração e água, colocando-as em frente ao pequeno, mas ele nem mesmo ligou para isso, se manteve desesperado.
— Shiro... O que está acontecendo? — perguntei, sentando-me ao sofá e permanecendo sem resposta dele, que tentava de qualquer forma chamar a minha atenção. — Calma Shir... Que barulho é esse?
Me atentei para um barulho muito estranho e alto que vinha do lado de fora da porta, não conseguia identificar o que era, então resolvi me aproximar da porta. Isso parece... Fogo? Com certo desespero, peguei as chaves e abri a porta apenas para ter certeza daquilo que desconfiava. Era fogo. Em direção ao elevador, o corredor inteiro pegava fogo e estava quase em nossa porta. Não consegui pensar em absolutamente nada! Aquilo parecia estar vindo do elevador e... O que eu estou fazendo? Preciso acordar os outros!
— Kiyoshi! — gritei enquanto corria de volta para o quarto, sempre acompanhado por Shiro. — Kiyoshi, acorda!
— Hum? Miya-chan... Eu estou com son...
— O prédio tá pegando fogo! Precisamos sair daqui! Rápido!
— O que?! — ele me olhou confuso. — Você teve um pesadelo Miya-chan?
— Kiyoshi! — o segurei pela gola da camisa e ele me encarou assustado. — Você acha que eu estaria aqui gritando com você se não fosse sério?! Levanta! Vou chamar o Akashi e o Kise, chame o Midorima e o Takao, precisamos sair daqui! Chame-os e saia! Nos encontramos lá embaixo!
Ao ver que eu estava realmente sério, Kiyoshi se levantou indo fazer o que eu havia pedido, enquanto fui alertar os outros dois.
— Akashi! Kise! Acordem! — os chamei enquanto batia na porta. — Temos que sair daqui!
— Que gritaria é essa a essa hora da manhã, Miya-chan?! — perguntou Akashi, abrindo a porta do quarto totalmente descabelado e com cara de sono. — O seu marido aqui é o Kiyoshi! Se quer fazer algo de madrugada chame el...!
— O prédio tá pegando fogo!
— O que?! Você está...?
— O prédio o que?! — Kise apareceu na porta desesperado. — Meu Deus! O Midocchi! Alguém salve ele!
— Kiyoshi foi chamá-los, Kise. — avisei olhando em direção ao último quarto do corredor. Ele provavelmente precisaria de ajuda pra descer... — Vamos sair daqui.
— Mas e...? — ele iria questionar novamente e o interrompi.
— Nos encontramos lá embaixo, pegue seu celular e vamos embora!
— Tudo bem! Vamos Akashicchi!
Os dois me obedeceram e saímos do apartamento indo em direção às escadas. Shiro nos acompanhava, era como se estivesse nos guiando até a saída. Não éramos os únicos que fugiam do fogo, os outros estudantes que moravam por lá também corriam, todos desesperados a fim de salvar suas vidas. A cada hora ficava mais quente e surgia mais fumaça. Nós três procurávamos andar sempre juntos, mesmo no meio da confusão. Aquela escada nunca me pareceu tão longa... Ao lembrar que havia deixado os outros três, mas principalmente, ao lembrar que havia deixado Kiyoshi para trás, senti um aperto enorme no peito... Não Makoto, agora não é hora para desespero, ele ficará bem!
Enfim saímos do prédio. Uma multidão havia se aglomerado em volta dele, juntamente com policiais, bombeiros e até mesmo ambulâncias. Eles tentavam de qualquer forma isolar a área para que ninguém mais se machucasse, enquanto aqueles que saíam do prédio eram atendidos.
— Makocchi, os outros não estão aqui... — falou Kise olhando em volta.
— Vamos olhar direito Kise. — respondi, tentando não demonstrar o medo que sentia por não tê-los encontrado.
— Akashicchi, nos ajude a procurar.
— Vou olhar nas ambulâncias. — o ruivo falou e assentimos. — Se os achar eu ligo, preste atenção no celular Kise.
— Ok Akashicchi, tome cuidado.
***
Alguns minutos haviam se passado. Akashi nos ligara falando que não os encontrou em nenhuma das ambulâncias. Pessoas ainda saíam do prédio, mas o movimento vindo de lá de dentro estava começando a cessar. Os bombeiros já se mobilizavam para tentar conter o incêndio. Eu estava praticamente surtando. O que aconteceu com eles?! Onde eles estão?! Será que já saíram?!
— Makocchi... — Kise me chamou com a voz baixa e um pouco embargada. — Você acha que... Que eles...
— Não! — respondi sem nem mesmo deixá-lo terminar de falar. — Eles vão sair do prédio!
— Makocchi, se acalme. — ele pediu ainda com a voz baixa, me envolvendo com seus braços e me aconchegando em seu peito, como numa tentativa de me acalmar. — Se tiver acontecido algo com eles... Nós... Nós teremos que ser fortes...
— Kise... — falei, virando para encarar o loiro e ao ver que ele me fitava com lágrimas nos olhos, não pude me conter, assim como ele, deixei que elas caíssem. — Não...
Abracei o loiro e deixei aquela agonia que sentia se esvair juntos com minhas lágrimas. Eu não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Não conseguia. Tudo o que eu queria era poder vê-lo mais uma vez. Era vê-lo saindo por aquela porta, acompanhado por Takao e Midorima. Uma dor enorme tomou conta do meu peito e eu me sentia um pouco tonto.
— Ryouta, eu não os encontrei em lugar algum... — pude escutar a voz de Akashi, que acabara de chegar.
— Sabemos Akashicchi... — Kise respondeu, enquanto afagava meus cabelos.
Permaneci imóvel. Apenas sentindo o abraço do loiro numa tentativa falha de me acalmar. Eu deveria ter feito as pazes com ele ontem... Deveria tê-lo falado o quanto ele é importante para mim e o quanto eu gosto dele... Me arrependo tanto por isso... Ele sempre fez tudo para me agradar e eu nunca retribuí... Fiquei assim com Kise por algum tempo, até que o ouvi me chamar.
— Makocchi. — Kise me chamou e ignorei. Não queria conversar, não queria falar nada com ninguém e muito menos olhar ao meu redor. Ele insistiu, tirando um dos braços de volta do meu corpo. — Makocchi, olha ali!
— O que é, Kise?! — perguntei um pouco impaciente olhando na direção para onde ele apontava.
Kiyoshi. Era ele. Estava passando pela porta, segurando um dos braços de Midorima em volta de seu pescoço, enquanto Takao segurava o outro. Andavam com um pouco de dificuldade, Midorima não havia comido nada a tarde inteira e ainda estava fraco devido à dengue, precisando do auxílio dos outros dois para se deslocar.
Bem lentamente eles se aproximaram de nós. Kiyoshi ainda segurava Midorima, quando foi surpreendido por mim. Como se estivéssemos sem nos encontrar a anos, praticamente pulei em seus braços dando o abraço mais apertado que pude, ainda tendo tempo para ouvir uma reclamação do Midorima e a risada de Takao, que provavelmente deu mais apoio para o primeiro.
— Miya-chan... O que foi? — perguntou ele de forma inocente, tentando puxar meu rosto, que estava encostado em seu peito, para encará-lo. — Miya-chan, você está chorando? — não o respondi. Eu não queria falar, simplesmente abraçá-lo era tudo o que eu precisava. Ele retribuiu o abraço, abaixando-se um pouco para que pudesse sussurrar em meu ouvido. — Miya-chan, está tudo bem, não precisa chorar, eu estou aqui com você.
— Teppei... — o chamei, ainda sem encará-lo e na mesma intensidade de sua fala. — Nunca mais me deixe sentir isso... Eu pensei que você tinha...
— Não se preocupe. — respondeu ele, acariciando meus cabelos e depositando um beijo em minha testa. — Eu estou bem, estou aqui com você.
Me mantive abraçado com ele. Não queria soltá-lo. Precisava mais daquela aproximação, porém, ele teria que passar por atendimento médico, uma vez que ficou exposto à fumaça por muito tempo.
Fomos todos atendidos, mesmo alguns de nós não precisando, os enfermeiros e médicos falaram que era melhor prevenir.
Após isso, nos encontramos perto do prédio, que já tinha seu incêndio contido. Havia muitas pessoas ao redor ainda, principalmente alunos que se perguntavam o motivo do acidente e como seria a vida daqui para frente.
Eu estava sentado em um banco um pouco distante com Shiro. Prestava atenção no prédio e pensava em tudo o que aconteceu naquele local... Creio que sentirei saudades... Estava tão distraído que nem notei a aproximação repentina de Kiyoshi, que sentou-se ao meu lado, passando um de seus braços pelos meus ombros e me puxou para perto de si.
— Está pensando em que? — ele perguntou sorridente.
— Acho que sentirei saudades daqui... Pra onde será que iremos? — questionei sem encará-lo.
— Não sei... — virei meu rosto em sua direção. — Mas, independente do lugar, se eu estiver com você, estarei bem.
Ele sorriu e corei, porém, não desviei o olhar. Uma hora ou outra eu teria que admitir.
— Teppei... — o chamei.
— Hum?
— Você me perdoa?
— Ham? Pelo o que Miya-chan? — perguntou, parecendo um pouco confuso.
— Por ter sido um imbecil. — respondi, vendo-o rir um pouco. — Por não ter confiado em você.
— Miya-chan...
— Por nunca ter falado o quanto você é importante pra mim e o quanto eu gosto de você. — continuei. Ele me olhava assustado. — Você me perdoa?
— Makoto... — ele se virou para frente e logo pensei que ele diria não. — Eu já havia te perdoado antes mesmo de você me pedir...
Sorri. Estava realmente feliz com as palavras dele.
Sem nem mesmo me importar se havia alguém nos olhando, me aproximei dele, segurando seu rosto com ambas as mãos e o beijei. Fazia tanto tempo que não sentia o toque dele, tanto tempo que ao entrar em contato com sua pele, pude sentir meu corpo se arrepiar.
— Teppei... — o chamei, ainda em meio ao beijo. — É melhor... Hum... Pararmos...
— Não... — cessou brevemente o beijo e me encarou. — Eu to com saudade de você Miya-chan...
— Eu também estou Teppei... Mas depois vamos ter mais tempo pra isso...
— Está bem... — falou ele, com semblante triste.
— Ei... — puxei levemente seu rosto para que ele voltasse a me olhar e selei nossos lábios novamente. — Não vai mais precisar sentir saudade agora.
— Fico feliz por ouvir isso. — Kiyoshi sorriu e o acompanhei.
— Kiyocchi! Makocchi! — ouvimos Kise nos chamar. — Midocchi perguntou se vocês aceitam passar a noite em um hotel aqui perto por hoje?
Não tínhamos escolha. Aceitamos o hotel e seguimos junto com os outros. Felizmente, a garagem onde deixávamos os carros não fora afetada pelo fogo e pudemos seguir utilizando-os.
Bem... Só espero que tudo se resolva...
Hanamiya’s POV off
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