New Ways...
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Akashi’s POV on
Sentado à sacada, abri o livro que tinha em mãos — levado com muito carinho para não desmarcar a página.
Por mais incrível que pareça, todos tinham saído — Makoto foi trabalhar, Teppei disse que iria se encontrar com um amigo, Shintarou recebeu uma ligação de última hora de seu pai o convocando a comparecer em um jantar com uns amigos do mesmo e Kazunari ainda tinha alguns documentos pendentes com relação à troca de apartamentos. Não me importei com nenhuma das atividades, porém, alguém havia ficado e claro que tinha que ser quem? Sim, o Ryouta. Como não tinha nada para fazer fora, ficaria em casa e por mais que quisesse ficar sozinho, ele insistiu tanto que não tinha como recusá-lo.
A casa estava muito silenciosa e peguei-me pensando se o loiro teria morrido ou algo do tipo. Decidi verificar, pois a situação era descomunal. Fechei o livro e levantei-me, mas primeiro passei na cozinha para beber um pouco de água. Chegando ao quarto minutos depois, ele estava lá, sentado na minha cama.
— O que está fazendo ai? — perguntei.
— Te esperando. — ele respondeu sério.
De início, fiquei um pouco surpreso com a resposta dele e confesso que ele estava muito bonito à luz alaranjada da tarde que entrava pela janela, mas não me permiti ao nervosismo. Sentei-me ao lado do mesmo e ele logo tratou de me abraçar.
— A-akashicchi... Eu tenho que te contar algo. — agora ele parecia bastante nervoso, seu coração estava acelerado. — E-eu...
— Vamos, conte logo. — falei, incentivando-o.
Ele me soltou, olhou diretamente para meus olhos e nesse instante achei que algo sério estava acontecendo com ele.
— E-eu gosto de você, Akashicchi. — as palavras foram pronunciadas de maneira rápida, antes de ele esconder o rosto por trás das mãos.
A notícia realmente me pegou de surpresa. Claro, eu não vou negar que também sinto algo, mas ainda não defini o que é. Ele, desde o começo, foi o único que gostou de mim e ficou do meu lado, mesmo depois que o maltratei e eu gostaria de recompensá-lo por isso. As coisas pareciam confusas agora. Muito confusas.
Uma vida pareceu ter passado enquanto eu pensava e, no final, decidi deixar meus sentimentos extravasarem.
Tirei carinhosamente suas mãos de seu rosto e o beijei.
— Eu também gosto de você, Ryouta.
— Sério? Ah! Akashicchi! Não acredito nisso! — ele gritou, animado e já pulando no meu pescoço.
— Sim, é sério. — eu ria.
***
Três semanas se passaram desde que Ryouta havia dito gostar de mim. Após isso, nossa relação parecia mais concreta, por assim dizer. Estávamos mais próximos e tudo estava estranho — parecia que tudo em volta tinha mudado. A cada olhar eu tinha mais certeza de que ele era a pessoa certa para mim — o único que entendia meus sentimentos, coisa que nenhuma mulher — não que eu tenha tido alguma — entenderia.
Ainda não tínhamos contado para os outros que estávamos — de alguma forma — juntos. E ele aceitava isso, sem reclamar. Eu ainda não estava pronto para expor nosso relacionamento.
— Bom dia. — Shintarou disse, entrando na cozinha, acompanhado de Kazunari, e interrompendo meus devaneios.
— Bom dia. — Eu, Ryouta e Teppei respondemos.
Além do meu relacionamento, outro parecia ter mudado. Desde que cheguei à cozinha, Teppei parecia um pouco distante e Makoto ainda não apareceu. Será que tinham brigado? Bem, de qualquer forma, não me importo. Eles que se arrumem.
Era um domingo nublado e todos pareciam estar sendo influenciados pelo tempo, já que ninguém soltava nem uma palavra se quer.
Como não iríamos ter aula, optamos por arrumar a casa — a mesma encontrava-se em estado deprimente. A aparência era de um local que não era lavado por algumas semanas, acredito que por conta do ritmo das aulas — nosso tempo era ocupado muitas vezes por textos imensos, devido ao curso escolhido por cada um. Em tempos como esse era difícil até estudar, tudo se transformava em uma eterna preguiça, mas tínhamos que vencer isso, pelo menos por algumas horas.
—Teppei, você cuida da sala. Shintarou e Kazunari, vocês ficam com os quartos. Ryouta, o banheiro espera por você e eu e Makoto ficamos com a cozinha. — eu disse, buscando uma ordem, assim, o trabalho terminaria em menos tempo.
Todos assentiram e seguiram para suas tarefas. Segui para a cozinha acompanhado de Makoto. Ainda tinham alguns pratos na pia, o fogão estava incrustado de gordura, o chão estava sujo e os armários desorganizados. O garoto de sobrancelhas chamativas pingou algumas gotas de detergente em uma bucha e começou a esfregar a parte de cima do fogão, enquanto eu pegava um pano e ia tirar o pó dos armários, já organizando as coisas. Depois, voluntariei-me para limpar o chão, só para descobrir que iria ter de pegar o rodo. Mas, onde conseguiria um? Pelo que eu saiba, nós não tínhamos um.
— Makoto, nós temos algum rodo ou vassoura por aqui?
— Que eu saiba não, por que não tenta na vizinha?
— A que está grávida? Eu não sei se quero importuná-la.
— Então o chão continuará sujo. — ele disse, dando de ombros e continuando o trabalho com o fogão.
Merda. Teria de ir até o apartamento ao apartamento ao lado pedir.
Passei por Teppei na sala, estava de quatro tentando alcançar algo embaixo do sofá.
— Achei que esse era o papel do Makoto, Teppei. — ri um pouco e ele corou na hora, assustado com a abordagem.
— A-akashi! Não fale assim!
— Não se preocupe, estou de brincadeira.
Não esperei por resposta. Sai em disparada pela porta, queria terminar o quanto antes possível, já passava de duas horas da tarde.
Chegando à porta da tal vizinha, bati. Passados alguns segundos, ninguém veio me atender, então, bati novamente e finalmente escutei barulhos vindos de dentro e uma mulher apareceu — ela tinha cabelos castanhos grandes e lisos, aparentava ser apenas alguns anos mais velha que eu e estava grávida. Uma barriga enorme tomava conta de todo o espaço aberto entre a porta e a parede.
— Posso ajudar? — ela perguntou sorrindo.
— Acho que sim. — retribuí o sorriso. — Será que a senhorita não nos emprestaria um rodo ou talvez uma vassoura, se possível?
— Claro, acompanhe-me. — ela disse, gentilmente, enquanto abria a porta para que eu entrasse.
— Com licença. — tirei os sapatos antes de entrar no apartamento.
Caminhamos por uma sala grande e ela apontava para uma porta bem à frente, quando, de repente, ela gritou. Sim, gritou! E eu levei o maior susto da minha vida!
— A senhora está bem? — perguntei desesperado enquanto me abaixava ao seu lado.
— Acho que vai nascer! — ela gritou.
— Nascer o que minha senhora?! Não pode estar falando sério!
Caralho, o que eu faço? O filho vai nascer! Cadê o pai dessa criança?!Tenho que ligar pra alguém! Cadê? Cadê? Porra, cadê o número daquele filho da puta?!
— Alô? Makoto! Sou eu, Akashi! Preciso de você aqui! Rápido! — eu estava desesperado.
Segurava a mão da mulher enquanto a mesma se contorcia de dor, não parando de gritar.
— Que porra é essa? — Makoto disse ao olhar para dentro do cômodo. — Espera um pouco, vou chamar o Midorima, talvez ele saiba como resolver isso!
— Porra, Makoto! Vai rápido! — eu entrei em pânico. O que faríamos? O parto? Ali? — Tente se acalmar, respire fundo. Um amigo meu está cursando medicina.
Merda. Merda. Merda. Cadê eles?
— Nossa, que situação! O que houve aqui?! — Shintarou adentrou a sala.
— Ela está tendo um filho, idiota! — eu disse.
— Makoto, segure a outra mão dela! Rápido, a bolsa dela estourou e isso pode causar problemas ao bebê! — ele instruiu e foi aí que vi a lambança que se espalhava pelo tapete. Acho que vou desmaiar.
Makoto fez o que foi mandado e na mesma hora, Shintarou começou a tirar a roupa de baixo da mulher.
— Que porr...
— Fique quieto! Preciso me concentrar! — ele parecia nervoso. Suas mãos trêmulas o denunciavam.
Vi quando os outros entraram na sala e Kazunari desmaiando quando viu todo o sangue fluindo pelo chão, tendo que ser segurado pelos outros dois.
Finalmente, em meio ao desespero, eis que se escuta um choro. Não é que Shintarou conseguiu? Nesse ponto, a única coisa que eu escutava era isso, as coisas pareciam um pouco desfocadas e eu suava. Olhei para frente e vi quando o de cabelos verdes entregou o bebê para Makoto e encostou-se no sofá, ajustando os óculos, sujando-os de sangue.
— Ei, você está bem, Akashicchi? — Ryouta perguntou.
— Sim.
— A senhorita tem algum número para o qual podemos ligar... — Teppei falava com a dona, enquanto Kazunari acordava, apenas para desmaiar novamente após ver tanto sangue.
— Olha que bonitinho! Ah, eu quero um! — o loiro dizia, observando o pequenino nos braços do de sobrancelhas fartas.
— Infelizmente, você não pode ter um, Kise. — Makoto respondeu, também olhando para o bebê e adquirindo o costumeiro tom de deboche, ele continuou. — A não ser que Akashi aceite adotar um.
— Vamos, Akashicchi! Por favor! Por favor!
— Fique quieto, Kise. — Shintarou pediu.
Ficamos assim por algum tempo até a ambulância chegar e levar a senhora e o bebê, fazendo Ryouta quase se desmanchar em lágrimas.
— Ei, não fique assim, nós podemos ter um bebê. — eu disse, abraçando-o.
— Sério, Akashicchi? — ele perguntou eufórico como sempre.
— Não.
— Akashicchi! Não seja mal! — ele choramingou, me soltando e indo em direção ao nosso apartamento.
Um bebê... Que piada, Ryouta.
Teppei ficou para limpar o apartamento da dona, já que tinha terminado seu trabalho na nossa sala e o resto.
No fim do dia, após a limpeza do nosso apartamento, estávamos totalmente cansados, então, disputamos pelo primeiro lugar na fila do banho e cada um se dirigiu ao seu respectivo quarto.
Akashi’s POV off
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