New Ways...
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Midorima’s POV on
Ainda bem cedo eis que se ouve uma terrível música formada por um mistura de barulhos feitos por gatos, tudo muito desafinado. Logo pensei... Quem é o idiota que se atreve a ouvir algo tão escabroso assim? Não demorou muito e o idiota apareceu. Kise abriu a porta do banheiro e correu para desligar o seu celular que estava despertando.
— Será que não tinha uma música pior para você colocar como toque não? – uma voz sonolenta cujo o autor não foi possível identificar, falou.
— Ahh me desculpem me esqueci de desativar o despertador. – disse Kise mostrando constrangimento.
Não tem jeito, agora vou ter que me levantar e me unir a estes seres.
— Alguém aqui sabe fazer capuccino? —perguntei em voz alta já vestindo meu roupão e saindo do meu quarto.
— Claro, o senhor quer que eu leve para seu quarto com algumas bolachas? – ironizou Makoto também respondendo em tom de voz alto. – Nem comida tem nessa casa e o outro querendo capuccino.
Aos poucos todos saíam de seus quartos e se dirigiam para o sofá, afinal tínhamos que decidir como que se dividiriam as tarefas. Kise usava um pijama de frio, a calça e a blusa eram brancas com estampa cheia de ursos azuis... Não comentarei, é o Kise. Kiyoshi estava com uma blusa branca e calça preta, ambas de malha. Akashi vestia um pijama de calor na cor azul escuro. E Makoto uma blusa de malha verde com um short, também de malha, preto. Vestimentas normais para seres peculiares como eles. Exceto Kise, é claro.
Quando todos estavam sentados no sofá, começamos a divisão de tarefas.
***
O estranho do Makoto foi designado para lavar as louças, fazer a lista de compras e cozinhar, até porque ele era o único que tinha um pouco de noção sobre culinária e também se propôs a aceitar tal tarefa, dizendo que não comeria nada em que nossas mãos tivessem tocado. O Kise ficou responsável por secar as louças, limpar o chão e tirar o pó da casa. O Kiyoshi assumiu a missão de varrer a casa, levar o lixo para fora e juntar todas as roupas sujas e separá-las para a lavagem. O Akashi terá que auxiliar na cozinha picando os ingredientes, guardar as louças e lavar o banheiro. Sobrou para eu lavar as roupas, ir ao mercado e guardar as compras, gostei das minhas tarefas até porque vou ficar um tempo fora do apartamento.
Por incrível que pareça não houve brigas e ninguém saiu alvejado daquele sofá, mas surgiu um problema, pois a casa não tinha mantimentos então foi decidido irmos a uma lanchonete tomar o café da manhã e depois irmos ao mercado para fazermos as compras juntos.
Dada a solução começamos a nos arrumar, pois não poderíamos sair de pijama na rua do campus. A lanchonete ficava a duas quadras do nosso prédio e o mercado ficava um pouco mais longe, mais ou menos uns quinze minutos de caminhada da mesma. Até o Kise conseguir a autorização para dirigir dentro da cidade comunitária teremos que andar a pé. Os táxis do campus eram terríveis, tínhamos que ligar com duas horas de antecedência para marcar a partida e ainda existe a possibilidade deles não aparecerem. Já os ônibus nem se fala, pareciam à casa de uma velhinha que dá doces em dia de São Cosme e São Damião de tão lotados, eu nunca me atreveria a enfrentá-los, então fomos caminhando mesmo.
— Ah, vamos apostar uma corrida e ver quem chega primeiro a lanchonete. – disse Kiyoshi entusiasmado.
— Beleza, quem chegar por último é um ovo de codorna. – disse Kise saído correndo.
— Por que quem chegar por último seria um ovo de codorna? – perguntou Kiyoshi coçando a cabeça. Enquanto isso Kise corria desesperadamente sozinho pensando ser seguido pelos outros, quando deu por si ficou decepcionado e parou de correr pensando estar se passando por bobo.
Quem em sã consciência sai na rua correndo daquele jeito? Por que aquele infeliz era tão burro daquele jeito? E por que quem chegasse por último seria um ovo de codorna? Isso não faz sentindo algum! Essas são as perguntas que fiz para eu mesmo responder, depois de pensar um pouco acabei me sentindo ainda mais estúpido que o Kise por estar dando tanta atenção ao fato.
— O que este ser humano toma para ficar assim? – perguntei buscando encontrar uma resposta.
— A pergunta correta seria o que ele não toma. – afirmou Makoto dando ainda mais credibilidade ao meu discurso. – Você deve estar pensando que todos nós somos iguais a ele.
— Realmente estou. – afirmei concordando.
— Não me ofenda, não sou imbecil desse jeito. – disse Akashi com certa revolta após ouvir o que eu disse, foi a primeira vez que se manifestou durante a caminhada inteira.
— Ei, parem de ofender o Kise. – afirmou Kiyoshi demonstrando certa pena. – Ela é meio lento, mas é legal.
— Ninguém disse que ele é ruim, dissemos que ele é estranho. – rebateu Makoto e assenti. – Ah e pare de defendê-lo, sua área é Educação Física e não Direito!
— Vocês são lerdos demais, desse jeito só vamos lanchar amanhã. – gritou Kise sentado em um banquinho em frente à lanchonete.
Kiyoshi correu e decidiu nos esperar junto de Kise. Ele parecia não se divertir muito enquanto andava conosco.
Após alguns minutos finalmente todos chegaram, escolheram uma mesa com seis lugares e se sentaram esperando a garçonete vir buscar os pedidos, esta por sua vez anotou todos e pediu um tempo até que os lanches sejam preparados.
— Hum, este sanduíche é muito bom. – afirmou Kise com a boca cheia. – Podemos pedir mais?
— Peça, é você quem irá pagar. – respondeu Makoto da forma mais direta possível.
— Eu não trouxe muito dinheiro, acabei deixando minha carteira em casa e a maior parte ficou nela. – exclamou Kise ainda mastigando. Que horror! De onde saiu esse cidadão?!
— Peça mais o que quiser, não se preocupe, eu pago. – afirmei.
Neste exato momento todos pararam e olharam para mim, talvez ninguém pudesse acreditar que um dia eu faria algo assim para alguém e ainda mais para o Kise. Se ele estivesse tomando algo acabaria cuspindo tudo em mim de tanta surpresa.
— Não precisam me olhar desse jeito, esta é a única maneira de deixar o garoto em silencio. — expliquei. Essas pessoas não entendem as táticas alheias. – Enquanto ele come, eu tenho paz.
— Aaaaah, muito obrigado amigo. – disse Kise me abraçando, até tentei me esquivar, mas ele foi mais rápido. Consegui sentir o gergelim que ele mastigava caindo sobre meu braço, era realmente muito nojento, mas eu tive que manter a compostura e aguentar até o abraço terminar.
Pedi mais um lanche para o rapaz e esperamos até que ele terminasse de comer. Após isso pagamos a conta e voltamos a caminhar, mas dessa vez até o mercado. Novamente andando, fomos todos juntos e a maior parte do caminho em silêncio, por parte minha, de Hanamiya e Akashi, já os outros dois conversaram alegremente e brincaram um com o outro até o final do percurso. Demorou em média vinte minutos, nada muito além do previsto, metade da manhã já tinha se passado e precisávamos comprar alguns alimentos para o apartamento pelo menos até o próximo final de semana.
Chegamos e logo todos se separam para pegar as coisas. Kise tratou de pegar os frios e doces, Kiyoshi pegou os cereais e Makoto foi até o açougue escolher as carnes. Akashi e eu escolhemos as verduras, frutas e legumes. Foi uma catástrofe, mas penso que conseguimos escolher bem os alimentos.
— Olha Midocchi! Olha, podemos comprar este iogurte aqui? – pediu Kise com um olhar de gato pedinte, enquanto saltitava.
— Compre o que quiser, vá lá escolher os seus doces.
Tudo estava nos carrinhos e só faltava pagar a conta no caixa, esta ficou razoavelmente cara, mas iria ser dividida para os cinco.
Pronto tudo comprado, mas ninguém pensou que teríamos que voltar com este monte de bolsas para o apartamento.
— Como vamos fazer para carregar este monte de bolsas e andar este percurso todo? – perguntei tentando achar uma solução.
— Olhem, uma Kombi. – afirmou Kise. – Podemos pedir carona.
Pela primeira vez presenciei um momento de inteligência de um Neandertal. O garoto tinha dado uma ideia excelente, só faltava agora ir pedir a ajuda do dono da mesma.
A Kombi era azul e um tanto quanto enferrujada, mas seria útil no momento.
— Com licença, o senhor poderia me fazer um favor? – perguntou Kiyoshi.
— Depende, o que deseja? – disse o velho barrigudo dono da Kombi que parava de limpar o vidro da mesma para dar atenção a eles.
— O senhor poderia nos levar para o nosso apartamento? Estamos com muitas bolsas e seria ruim ir carregando a pé. – pediu Kiyoshi com muita educação e delicadeza.
— Sabe o que é, estou um pouco ocupado...
Interrompi o velho e lhe ofereci uma generosa quantia de cinquenta reais pelo serviço. Por milagre, de repente todas as ocupações do mesmo se acabaram e ele disponibilizou seu veículo para nos levar até o nosso apartamento.
Todos nos mobilizamos para colocar as coisas na Kombi e fomos para o apartamento, ainda havia muita coisa para fazermos e um almoço para preparar. Iríamos comer pela primeira vez a comida de Makoto, tomara que ela não nos mate.
***
Tudo arrumado e fomos embora, ficamos espremidos entre as compras e eu mesmo mal conseguia me mexer, ainda bem que não demorou nem cinco minutos e já estávamos na portaria do prédio. O velho nos ajudou a levar as compras até o elevador e nós revezávamos para subir e deixar tudo na cozinha. Dalí em diante era meu dever de guardar tudo e deixar os mantimentos organizados.
— Makocchi e Akashicchi, comecem já a cozinhar para nós. – disse Kise com certo deboche, não queria irritar ninguém, só descontrair um pouco o ambiente.
Os responsáveis pela comida começaram a cozinhar enquanto os outros limpavam a casa, arrumavam os móveis e resolviam um pequeno problema hidráulico que apareceu na pia do banheiro. Kiyoshi sabia um pouco sobre isso e rapidamente resolveu o imprevisto.
Passaram-se duas horas e o almoço estava pronto, Makoto preparou uma lasanha com molho branco, a primeira vista não estava nada mal, agora preciso sentir o gosto.
— Huuuuum! Minha nossa, Makocchi me casarei com você! – brincou Kise enquanto mastigava. – Que delícia!
— Não fiz nada demais e não quero me casar com você. – disse Makoto arqueando uma sobrancelha.
— Que seja pelo menos meu cozinheiro então! – disse Kise ainda com a boca cheia. Ele não perde esta mania de falar desse jeito.
— Coma Kise, só coma. – falei tentando encerrar o assunto. A lasanha estava realmente deliciosa, mas eu não daria o prazer de elogiá-la na frente de todos.
— O que você achou da lasanha Midorima? – Kiyoshi me perguntou. Não poderia mentir, acho que terei de abrir uma exceção.
— Muito boa, realmente eu não imaginava que o Makoto soubesse cozinhar.
— Há, há. – Makoto deu uma risada muito estranha que me deixou assustado por um momento. Ser humano estranho. – Nunca esperei ouvir um elogio da sua parte. – disse dando uma garfada na lasanha.
— E não espere novamente. – afirmei não dando muitas esperanças a ele, afinal se elogiar demais daqui a pouco vai começar a se achar uma estrela.
De repente Akashi se levantou da mesa e foi até a geladeira pegar mais suco. Seu movimento foi tão brusco que conseguiu tirar a atenção de Kise e o fez derrubar seu garfo no chão.
— Que droga, derrubei meu garfo! – choramingou Kise se levantando para pegar outro.
— Fique tranquilo, eu pego para você. – Kiyoshi se levantou ainda mais rápido e pegou o talher e entregou a seu colega que se sentou novamente.
— Alguém quer suco? – perguntou Akashi com a jarra na mão.
— Deixe-a em cima da mesa Akashi, por favor. – disse Kiyoshi. – Será mais fácil de pegar.
Akashi colocou a jarra na mesa e se sentou novamente em seu lugar.
— Precisamos rapidamente de um carro. – eu disse.
— Eu tenho! – afirmou Kise levantando uma das mãos. – Meus pais me deram um quando completei dezoito anos.
— Você tem carteira Kise? – perguntou Kiyoshi.
—Sim e dirijo muito bem. Midocchi você não tem um carro não?
— Não, não tenho habilitação. – respondi rapidamente tentando me livrar do assunto.
— Estranho, quando você abriu sua carteira na lanchonete eu vi algo que se parece com uma habilitação. – disse Kise sem muita atenção.
— Deve ter visto errado. – tentei disfarça e voltar para outro assunto.
— Huuum... O Kise é bobo, mas não é cego. – retrucou Makoto com um sorriso malicioso no rosto. – Conte-me como é ter medo de dirigir.
Maldito, descobriu meu segredo tão rápido.
— Não tenho medo, na verdade, eu não preciso dirigir.
— Por que não Shintarou? – Akashi me perguntou com um tom irônico. Por que ele tem que chamar dessa forma?
— Tenho quem dirija pra mim, desde pequeno eu saía com meus pais ou com o motorista deles, então nunca precisei. – disse tentando acabar com o assunto o mais rápido possível.
— Midorima, gostaria de te ver dirigindo então. – disse Kise.
— Não temos um carro. – afirmei em uma nova tentativa de cessar aquele assunto desagradável.
— Semana que vem meu pai vem trazer o meu, eu deixo você dirigir ele.
Maldito! A cada minuto só está me complicando mais!
— Vamos comer em silêncio, isso faz bem para digestão. – disse Kiyoshi. Ele me ajudou, hihi, me ajudou muito. É o único que me ajuda.
Durante o restante do almoço nada se foi dito, apenas se escutava os grunhidos da lasanha sendo mastigada por todos. Após a refeição Makoto reconheceu os talheres e louças para lavá-los, não era minha obrigação, mas eu o ajudei um pouco com a tarefa. Após o término da lavagem, Kise secou e Akashi se levantou do sofá e foi guardar todas as vasilhas utilizadas, ele até que tinha jeito, mas era um pouco lento demais e guardou alguns recipientes nos lugares errados. Enquanto eles trabalhavam, eu descansei um pouco e comecei a ler um livro de introdução da minha disciplina do curso de medicina.
Midorima’s POV off
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