New Side

6 Escuridão


A dor faz de todo iguais, por isso ele permitiu. Somos tão fortes, quanto somos frágeis.

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Ela estava em pé trêmula no meio de uma rua vazia. Sophia não se lembrava de ter visto alguma vez aquele lugar antes. A rua era estreita, as paredes eram pontudas e o asfalto estava um pouco desgastado.

Seu corpo inteiro ficou paralisado e seu estômago se revirava. Nada que ela havia visto podia ser considerado real, Sophia se sentia louca.

—Mas que porra?! -O grito fez o jovem azulado se virar para encara-la.

—Hey. Não grite, estamos no meio da rua. -A voz aveludada acariciou os ouvidos da garota, era um alívio para o zumbido que antes escutava.

A menor se virou para o outro e tentou compreender o que estava acontecendo. Ela sentia que a qualquer momento iria vomitar e talvez desmaiar, desejou que nenhum dos dois acontecessem.

—O que acabou de acontecer?! -Ela gritou esganiçada novamente. Seus olhos estavam arregalados. -Nós estavamos na sala, e de repente tudo ficou uma loucura, eu tava de cabeça para baixo, não, o teto estava, ou o piso. Ah meu deus! -Sophia tentava ondernar o que virá, ela até conseguiria se algo tivesse feito sentido.

A explicação mais plausível para ela, era que tudo não passava de um sonho. Com esse pensamento ela deu um leve tapa no próprio rosto.

—Não faça isso! -O maior a repreendeu, sua face enrugada em irritação. -Não surte, você vai entender tudo em breve. Antes precisamos chegar até a casa de um amigo. Ele nos dará o que comer e onde dormir. Aqui não é seguro.

Assim que o jovem de voz sedosa falou a garota percebeu que o céu estava mais escuro do que ela se lembrava. Estava de dia, como em poucos minutos estava anoitecendo?

—Onde estamos? Como viemos pra cá?! -A cada pergunta que ela fazia sua cabeça começava a girar, era como se tudo tivesse acongecido por um truque. Em um segundo ela estava em uma sala de aula, no outro ela estava em uma rua estranha. Ela sentia vertigem.

—Estamos na Capital Sul. Não muito longe do destino de transporte. Temos que recarregar nossas energias, no seu caso a sanidade, para que possamos viajar. -Assim que terminou de falar escutou um bufar da menor. Ela não estava acreditando no que o outro falava.

—Como saímos da ponta norte da Capital, para a sul em um piscar de olhos?! Pare com essa besteira e me leve para casa. -Ela pôs as mãos nos joelhos e inclinou a cabeça para baixo. Seus olhos ardiam assim como sua garganta, ela queria se dobrar em choro ali mesmo. -Ah que merda.

—Venha Sophia, levante, temos que sair daqui. -O maior pôs uma mão em seu ombro tentando a puxar para que pudessem se mover dali, mas a menina se afastou. Ela estava tremendo de medo, suas pernas estavam bambas desde que estava no colégio, ainda temia. Como podia o acompanhar se nem o conhecia?

—Não confio em você. Eu preciso ir para casa, não toque em mim. -Começou a caminhar em direção a esquina da rua, mas não chegou muito longe.

Em um segundo estava cara a cara com o azulado. Sua face bonita e estressada a centímetros de distância, um doce aroma exalava dele. Sophia percebeu que ele queria falar algo, porém em um segundo tudo se transformou novamente em caos.

—Se abaixe! -Ao mesmo tempo em que o azulado gritou, um som de algo cortando o ar a fez olhar rapidamente para o lado.

Vindo em sua direção um vulto vermelho, algo girando, talvez um frisbee, pensou Sophia. Ela percebeu que estava enganada quando viu o objeto vir bastante próximo da parede, e ao invés de mudar de curso ao colidir, ele atravessou a superfície solida.

Esse frisbee é afiado demais para um cachorro.

Sophia soltou um ofego de susto e surpresa ao mesmo tempo em que fôra puxada para baixo. Seus joelhos cedendo ao puxão em seu braço fazendo seu quadril colidir com o asfalto.

—Minha nossa! O que foi isso?! -Sophia olhou para cima e viu de longe três figuras escuras, pareciam capas sem um corpo dentro, mas quando apertou os olhos viu que eram pessoas. Muito bravas por sinal. Elas estavam tão cobertas em escuridão, que os poucos raios solares que ainda vinha do céu, não topavam em seus corpos.

—Temos que correr. -O garoto ao seu lado a levantou pelos braços e assim que Sophia se colocou de pé, a puxou para correrem na direção contrária às três personificações da escuridão.

Sophia sem pensar correu na direção que o maior a puxava. A garota estava tentando não tropeçar nos próprios pés, cada passo que dava ela sentia as pernas cada vez mais pesadas.

Arriscou uma olhada para trás e viu que a lâmina cortatante de antes vinha em sua direção. Se jogou para o lado e se bateu com o azulado. Ele inabalado a segurou pelo braço e a puxou para uma outra rua virando a esquina.

Sophia sentiu seu corpo ser deslocado bruscamente para o lado e estava novamente de frente com o maior. O cenho dele estava franzido e seus lábios bem desenhados se mexiam rapidamente em um sussuro inaudível.

A menina assistiu com medo o outro ter seus olhos mudados de cor. Antes azuis lípidos, agora de uma cor cristal. Sophia queria correr, mas seu corpo estava preso entre o garoto e a porta da casa em que se escondiam.

Percebeu então que a mão do menino estava erguida, o grosso anel brilhava novamente. Sophia sentiu o ar mudar, era como se ele estivesse paralisado. Ela ainda podia respirar normalmente, mas não sentia o ar correr pelos braços ou pelo rosto como antes.

Ela viu uma movimentação atrás do ombro do maior, capas negras. Haviam passado por eles dois, viu três vultos consecutivos. Não os acharam ali, e Sophia sentiu um alívio por isso.

Já basta ter um bonitão me seqüestrando, agora três capas pretas atrás de mim. Que dia delicioso. Preciso postar no Twitter.

—Eles já foram. Venha temos que correr. -O menino a puxou pela mão na direção que tinham vindo.

—Correr de novo? Ah não. -A menina não pôde evitar resmungar enquanto começava a correr junto do outro.

Ela estava certa de que não havia mais ninguém atrás deles, mas ao entrarem na esquina seguinte um dos estranhos estava parado de costas para eles. Sophia sentiu um arrepio medonho atravessar seu corpo.

Os dois recuaram juntos tentando não fazer barulho, mas a capa se virou. Sophia quis gritar de terror, o faria, se não tivesse ficado paralisada.

O sangue escorria da boca do ser a frente deles, os olhos negros, rachaduras desciam pelo rosto. Sophia sentiu seu corpo inteiro entrar em pânico, as lágrimas descendo pelo rosto.

—Chore minha preciosa. Faça enquanto ainda pode. -A horrível criatura gargarejou com o sangue entre seus lábios. Sophia estava com ânsia de vômito, seu queixo tremia assim como todo seu corpo.

O garoto a puxou para que corressem por outro lado, mas lá estava outro rosto sangrento. Sophia olhou a otra saída e também estava bloqueada.

O maior levantou o anel brilhante e tentou se concentrar, mas ele se sentia esgotado. Ele não conseguiria tira-los dali e sua chances de conseguir atacar um dos três sem que ficasse machucado ou deixasse que Sophia se machucasse eram poucas. Ele não estava achando uma saída e foi quando escutou sua salvação.

—Ah me poupe! -Uma voz feminina falou alto fazendo o garoto sorrir aliviado.

Sophia escutou um som alto de chuva, como se uma tempestade tivesse passado por ali em apenas um segundo. E como mágica os aterrorizantes seres haviam evaporado.

Agora no lugar que antes era uma figura sombria estava uma garota muito bonita. De olhos grandes e violetas. Ela parecia uma deusa de cabelos ruivos.

—Por que toda vez que eu te vejo, você está na merda? -A menina riu bem humorada, lábios rosados e dentes branquissimos.

—Oi maninha.

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Notas finais
Estou morta de dores, mas não podia deixar de postar. Passou da sexta, mas foi bem perto. Até sexta que vem!