New Sekai
2 O baile de formatura
Notas iniciais
espero que gostem do capítulo ^^
beijos
No dia posterior à viagem, o diretor foi até nossa sala. Quase caí para trás quando vi quem o acompanhava. Era ela, a mulher da pousada. Eu, Keitaro e Fujimoto nos entreolhamos. \"Ela deve ter percebido que o espelho estava quebrado e veio tirar satisfações. Meu dinheiro foi todo na máquina, não tenho como arcar com os prejuízos\"
- Peço a atenção de todos vocês. Esta é a senhora Natsumi que nos acolheu na pousada ontem. Ela está aqui porque tem algo a dizer. Natsumi-san, por favor, nos diga o que aconteceu.
- Bem, havia uma sala em especial que não era permitida a entrada de visitantes. Alunos tentaram desobedecer as regras, mas, consegui evitar que entrassem. Porém, quando passei pelo local mais a noite, notei que os tapetes estavam encharcados. Eu não sei o que aconteceu então, gostaria que estes alunos me explicassem. É claro que estamos resolvendo o problema com pessoas especializadas, mas, a invasão não pode ser, de forma alguma, esquecida.
- É realmente um absurdo. Natsumi-san, pode nos apontar estes alunos?
Ela andou entre nós e apontou para mim e para o Keitaro, culpando-nos.
- Podem vir aqui um instante?!
Não chamaram pelo Fujimoto. \"Ele abriu a porta, ele encarnou com o espelho. Espera, ela não disse nada sobre o espelho! E não fizemos nada com os tapetes. O que está acontecendo afinal?\"
Fomos até a sala do diretor. No caminho pensei em como era injusto o Fujimoto não estar entre nós. Keitaro não disse nada.
- Será que eu poderia conversar com os dois em particular, diretor?
- Claro, estarei aqui fora.
\"O que está acontecendo?\" Era só o que passava pela minha mente.
- Sejam honestos comigo. Estiveram lá naquela sala, não foi?
- Sim — disse Keitaro.
- Mas, não fizemos nada aos tapetes! Só tiramos fotos, filmamos e saímos!
- E o espelho, a culpa não foi nossa. O chão tremeu e ele tombou.
\"Ele tinha que falar sobre isso??!\"
- Espelho?
- Droga... — disse baixo.
- Não tinha nenhum espelho.
- Não tinha? — Keitaro surpreendeu-se, assim como eu.
\"Será que alguém esteve lá depois de nós?\"
- Não, não tinha.
- Pode ser que tenham tirado. Alguém mais entra naquela sala, Natsumi-san? — Keitaro perguntava incrédulo.
- Deixe de bobagem menino!Apenas eu e os donos temos permissão de entrar. E aquele tapetes eram peças de colecionador. Se algum estrago maior acontecesse, teriam de pagar caro por isso. Mas, não pensem que ficarão impunes.
- Mas, senhora... — tentei argumentar, sem êxito.
A mulher fez sinal para que o diretor entrasse.
- O diretor ficará responsável pela punição de vocês.
- O clube de fotografia está dispensado durante o resto do ano
- O QUÊ?? — Eu e Keitaro nos surpreendemos com a rigorosa punição.
- E mais... Confiscaremos suas câmeras e todo o conteúdo será apagado.
Eu não podia perder minha câmera. Por que Fujimoto não estava lá?? Não aguentei ouvir calada.
- Diretor! Tinha mais uma pessoa conosco e que não foi chamada.
O homem fitou-me, atentamente. Keitaro expressou espanto, isto não me deteve.
- O Fujimoto também entrou na sala.
O medo de perder meus dados subiu à cabeça. Acabei exagerando nas palavras.
- Ele fez com que entrássemos! Ele até abriu a porta.
- Mizuki... — Keitaro pedia para que eu parasse.
- Ele nos forçou...
- Mizuki!!
- Se não fosse por ele, nada disso teria acontecido!!
Silêncio.
- Mande que venha até aqui — disse o diretor.
Depois disso, o clube de fotografia continuou. Fujimoto ficou um tempo sem ir às reuniões. Me senti responsável. Olhava para o lugar vazio.
- Ele é filho do diretor — Keitaro percebeu minha preocupação e dúvida.
- Hã?
- O Fujimoto é filho do diretor. Talvez por essa razão a mulher não o acusou. Dizem que ele é muito rígido.
- Eu não sabia — baixei a cabeça — E se eu falar com o diretor...
- Não acha que é tarde?
- Tem razão — Olhei para o lugar vazio de novo — Ele não tem vindo às aulas também, né?
- Hunrum.
- Quando voltar, vou pedir desculpas à ele. O que fiz foi errado, né?
- Hunrum.
- Hikari, você está preocupado com ele, não é?
- Ele... Deve estar bem — sorriu gentilmente — Vamos esperar que volte para pedirmos desculpas.
- Mas, fui eu quem o acusou. Você não disse nada.
- Exatamente. Eu não disse nada. Deveria ter intervido.
- No fim isso só causou problemas à todos. Será que conseguimos um bom dinheiro pelo material?
- Ei, já quer procurar mais problemas?
Eu ri e balancei a cabeça negativamente.
- Só brincando.
Depois de algum tempo, Fujimoto finalmente voltou à escola. Usava luvas, o uniforme de forma correta, coisa que nunca tinha visto. A camisa preta de mangas compridas, inclusive a parte que cobria o pescoço, não estava dobrada como de costume. Chegou depois do horário, aquilo parecia não ter mudado. No intervalo, eu e Keitaro fomos até ele, como combinado.
- Fujimo...
- Como está indo o clube, Haruhana?
- Bem. E as filmagens daquele dia?
Com toda aquela confusão, acabamos esquecendo do material que conseguimos naquela casa.
- Nós ainda não tocamos em nada.
- E as fotos?
- Estão guardadas. Mas, Fujimoto, nós queremos pedir desculpas. Aliás, eu queria pedir desculpas por ter causado problemas à você.
- Eu também! — Keitaro exclamou.
Fujimoto pareceu pensar por um instante, com a cabeça baixa. Depois do suspense, ergueu a cabeça e sorriu.
- Desde que eu faça a edição das filmagens.
Suspiramos aliviados.
- Sem problemas — Keitaro disse com um sorriso amistoso.
- E mais uma coisa. Quero que Haruhana vá ao baile como meu par — deu um sorriso ainda mais largo que o anterior.
- Mas hein?! — surpreendi-me e não foi uma surpresa muito boa. Pretendia pedir ao Keitaro, pensava nisso havia um tempo e mesmo assim, não queria contrariar nosso amigo.
- Sem problemas — Keitaro repetiu as palavras anteriores.
- Espera! Como podem decidir as coisas assim sem me consultar? — perguntei irritada.
- Você vai recusar? — os dois falaram juntos, harmônicos.
Senti-me pressionada. Acabei cedendo e aceitei o pedido.
Até me acostumava com a idéia, mas, nada pareceu dar certo no dia do baile. Primeiramente ficamos responsáveis pela cobertura da festa, ou seja, não poderíamos aproveitar muita coisa do baile. Foi a primeira vez que não estava feliz em fotografar.
Minha máquina foi descartada. Deram-me uma digital de altíssima qualidade. Mesmo assim, a manti em minha bolsa por algum caprixo.
Tirei fotos da decoração, das pessoas sorridentes que daqui a uns anos cogitava encontrar em alguma loja de conveniência gordos, com três filhos, mal-humorados e descontrolados. Aquilo me divertia e me confortava.
- Mizuki, cadê seu par? — Keitaro falava, enquanto beliscávamos alguns canapés da mesa.
- Eu não sei. Já faz um tempo que não o vejo.
- É um desperdício.
- O quê?
- Ter você como par e não te dar atenção.
Corei. Keitaro era não só meu melhor amigo, mas, a pessoa que mais me interessava. Era triste pensar que eu podia não vê-lo mais depois da formatura e nunca lhe disse nada sobre o que eu sentia. Tinha medo das coisas ficarem estranhas entre nós, que ele se afastasse. Ele era popular também, e eu, uma nerd que ama uma polaroid de uma loja de antigüidades...
- Mizuki — acabei despertando de meus pensamentos ao ouví-lo.
- O quê?
- Vou procurar o Fujimoto. Não é justo que a gente fique — pegou mais uma empada — aqui dando duro enquanto ele tá aproveitando a festa.
Eu ri e concordei com um movimento de cabeça.
Ele procurou e perguntou às pessoas sobre o paradeiro de Fujimoto e nada. Ele parecia ter sumido de repente.
Cansado de procurar, acabou encontrando com o diretor em um corredor.
- Diretor, o Fujimoto... O senhor o viu?
- Deve estar na sala do clube de fotografia. Disse que ia pegar algumas coisas e depois voltar à festa.
- Hum...
- Volte pro salão. Vou chamá-lo.
- Está bem, obrigado.
Keitaro voltou, mas, o diretor não. A demora era tanta que resolvi ir junto com ele procurar por Fujimoto.
Passávamos pelos corredores vazios da escola. Aquilo era aterrorizante. A iluminação reduzida para economizar. O silêncio que tomava o lugar da música dançante cada vez mais distante. Subíamos as escadas. O segundo andar encontrava-se totalmente negro. Apenas algumas janelas que emitiam a luz lunar iluminava o local. Segurei na manga do terno de Keitaro, temendo que nos separássemos. O interruptor ficava distante. Precisávamos alcançá-lo e seguir mais um pouco até chegar à sala do clube.
- Por que essa sala tem que ficar tão longe? — murmurei.
- Por que ninguém dá a mínima pra nós — riu baixo.
- Aham, principalmente pra você. As garotas então, nem sequer te olham — disse com um tom sarcástico, fazendo-o rir mais um pouco.
Com alguma dificuldade, conseguimos chegar até o interruptor e acendemos as luzes.
- Ele devia estar com pressa pra não ter nem ligado as luzes — suspirei.
- Ou pode ter sido só preguiça mesmo.
Uma brisa repentina nos atravessou. Automaticamente, fechamos os olhos.
- O que foi isso? — disse, um pouco assustada.
- Não sei, não vi.
- Será que foi alguém que passou?
- Não, foi muito rápido. Acho que foi só o vento.
Ignoramos e chegamos à porta. Continuei presa ao Keitaro. Ele girou a maçaneta e abriu a porta lentamente.
- Fujimoto?
A sala também estava escura. Entramos e eu rapidamente liguei as luzes. Ninguém estava lá. Keitaro se preparava para ir embora e deu de cara com Fujimoto, do lado de fora.
- Cara, você me assustou — riu.
- O que estão fazendo aqui?
- Viemos procurar por você.
- O que está fazendo? — minha curiosidade me levou a deslizar as mãos sobre o balcão para procurar algo que explicasse a vinda dele até a sala.
- Eu não tinha editado a filmagem.
- Hã? Era isso? Sabe que não é importante. Temos muito trabalho lá embaixo! — Keitaro colocou a mão sobre o ombro direito do amigo que o fitou com um olhar de indiferença. Keitaro o largou quase que de imediato.
- E você já terminou? — fui até a porta no canto da sala, a sala de vídeo onde costumávamos editar nossas filmagens. Por mais que reclamássemos, a escola nos dava muitos recursos.
- Ainda não! — Fujimoto passou por Keitaro e foi até mim, me parando rente à porta.
- Eu só quero dar uma olhada. Nem cheguei a tocar na câmera!
- Deixa ela ver logo e vamos voltar pra festa, Fujimoto!
- Mas...
Coloquei as mãos sobre os ombros dele e o afastei da porta. Abri com um pouco de dificuldade.
- AAAAAAH!!!!! — gritei horrorizada.
- O que foi? — Keitaro foi até mim rapidamente.
Era a coisa mais horrível que já havia visto. Um corpo em pedaços se encontrava naquela sala. A cabeça repousava sobre o teclado do computador que repetia em ritmo acelerado uma exibição de fotos da pousada. Pelo chão coberto de sangue estavam seus membros dilacerados e os orgãos internos estavam expostos. As paredes brancas com vestígios de sangue, provavelmente manchadas no momento em que o crime aconteceu.
- Diretor... — murmurei.
Continua...
Notas finais
deveria ser o último, mas, acabei deixando dessa forma
sim, suspense de novo o.o
eu confesso que sou paranóica por isso senti um frio na espinha a cada vez que tentava continuar ^^"
imprevistos como queda de energia, falta de criatividade, de tempo, de coragem me acometeram quando precisava escrever
por essas razões, demorei tanto
espero que tenham gostado do capítulo
daqui pra frente é só sangue, eu acho o.o
prometo não demorar muito, por isso, continuem lendo okay?
beijos
aguardem o provável capítulo final (eu acho ó.õ)
até o/
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