New Sekai

3 Escuridão


Eu me pergunto por quanto tempo fiquei ali parada vendo aquela cena escabrosa. Senti

náuseas, por pouco não gorfei lá mesmo. Uma síncope me acometeu e acordei no

corredor em frente à sala do clube de fotografia.

- Foi só um pesadelo... — murmurei enquanto olhava para os lados tentando encontrar

alguém.

As luzes esmaeceram. Parecia que a qualquer momento a escuridão tomaria conta

daquele lugar e eu não queria estar lá quando acontecesse! Principalmente sozinha!

Apoiei as mãos no chão e levantei.

- Kei? Fujimoto? — olhei para os lados e tentei ouvir qualquer som, mas só ouvi o

eco da minha voz.

As luzes se apagaram completamente. Instintivamente corri para a sala e entrei,

fechando-a em seguida.

"E se não foi um sonho?" Meu corpo inteiro estremeceu ao pensar naquela

possibilidade. Dirigi-me ao interruptor a fim de acender a lâmpada. Nada aconteceu.

- Deve ter sido uma sobrecarga... Kei? Você está aí? Fujimoto? Droga, não trouxe o

celular — forcei a vista tentando enxergar algo através da escuridão — Não adianta!

- suspirei — Não consigo ver nada!

Estava com medo. Sentia que algo muito ruim estava acontecendo. Desejava com todas

as forças que Keitaro aparecesse e me confortasse em seus braços. Se ao menos

estivesse com meu celular...

De repente, vi um flash.

- Tem alguém aí? — perguntei e me aproximei. O feixe de luz vinha da brecha da porta

prateada, não que eu pudesse enxergar qualquer cor naquele escuro, mas conhecia

aquela sala como à palma da minha mão. Era a sala de edição.

Coloquei a mão envolta da maçaneta fria. Hesitei. "E se for verdade?"

- Fujimoto? Você está aí? — juntei toda a coragem que tinha e abri a porta.

Vi a escuridão, em seguida mais um flash que quase me cegou, mas ninguém tirava as

fotos. Outro flash e então eu pude ver o bastante.

Gritei. Gritei como nunca havia gritado antes... Tão forte a ponto de sentir a

garganta arder.

Era verdade.

A porta da sala do clube se abriu. Perdi o fôlego.

- Mizuki? — a voz conhecida ao mesmo tempo que me confortou, me trouxe ainda mais

agonia — Você está aqui? Estava procurando por você...

- Fujimoto?

- Sim. Consegue chegar até a porta? Vamos para o salão com os outros!

- Fujimoto... O diretor...

- Eu sei. Não tocou em nada, né? Já chamaram a polícia.

- Não foi você... certo?

- Acha que eu seria capaz de matar meu próprio pai?

- Bem... Não.

- Venha, vamos pro salão! Tem um assassino por aqui, não podemos bobear!

Relutei, mas no fim cedi. Ele segurou meu rosto com as mãos:

- Não deixaria que nada acontecesse a você.

O que havia de errado com ele?

- Obrigada..

Segurou minha mão e convidou-me a seguí-lo pelo corredor escuro.

Queria chegar logo, queria ver o Kei. Precisava dizer que o amava, mesmo que ele não

sentisse o mesmo por mim. Depois de todos aqueles sentimentos que a noite havia

proporcionado, até mesmo a rejeição dele seria agradável, desde que pudesse estar

perto dele. Porque ele me faz sentir segura. Só ele me faz sentir bem.

Estávamos quase chegando no ginásio, quando ouvi a voz de Keitaro.

- Mizuki? É você? — a voz vinha do banheiro masculino.

- KEI! Sou eu!

- Graças a Deus está bem... — parecia aliviado.

- Sai daí e vem pro ginásio com a gente! É perigoso aqui!

- Eu tô preso aqui!

- Como assim preso?

Fujimoto soltou minha mão:

- Vai lá pro ginásio que eu resolvo isso.

- Mas...

- Mulheres são proibidas aqui — ele riu apontando para a porta.

- Mas, tem um assassino em algum lugar! Temos que ficar juntos!

Ele suspirou e abriu a porta.

- Vem!

Entramos no lugar que parecia não ter sido afetado pela falta de energia.

- Por que aqui tem luz e lá fora não tem? — perguntei intrigada.

- Kei? Onde você tá? — Fujimoto perguntava enquanto adentrava — Mizuki, feche a

porta!

- Por quê?

- Feche!

- Certo — fechei.

Procuramos por Kei no banheiro, mas aparentemente não havia ninguém.

- Eu não entendo. Ele disse que estava aqui!

- Pode ter ido embora pela janela — Fujimoto cogitou.

- Assim de repente?

- Ah, sei lá.

- Você não parece muito preocupado com ele.

- Eu só quero te levar a salvo pro ginásio, mais nada!

- Você sabe de algo que eu não sei?

Ele olhou para o lado.

- Não.

- Tem certeza? — o encarei.

- Tenho! Mas vamos sair daqui! Não tô gostando desse lugar...

- Nem eu.

- Er, Mizuki... Antes de irmos... Eu queria te dizer uma coisa!

- O quê?

Ele se apoiou na pia e no momento seguinte se afastou:

- Ai — apertou as mãos com uma expressão sofrida no rosto.

- Você tá bem? — aproximei-me dele e analizei as mãos machucadas.

- Sim, só senti uma pontada por causa da umidade.

- Quando você se machucou?

Ele passou a mão na cabeça envergonhado e a manga do paletó desceu. Seu braço também

estava machucado.

- O que foi isso?

- Ah, não é nada demais — sorriu desajeitado.

Baixei a gola da camisa e vi mais um sinal de corte.

- Onde você se cortou?

- É uma longa história... Precisamos ir!

- Eu quero saber... O que houve?

- Não importa agora.

- É claro que importa! Você tá todo machucado!

- Olha, vamos embora... Alguém pode vir...

- Foi o seu pai?

Sua expressão ficou séria de repente.

- Isso não importa. Ele está morto.

- Foi por causa daquele dia na pousada, não é? Ficou dias sem vir pra escola. Agora

eu sei porquê.

- Eu não quero falar sobre isso!

- Por que você não queria que entrássemos na sala de edição naquela hora? Você o

matou, não é mesmo? Você matou o diretor. Porque não aguentava mais as agressões e

humilhações dele!

- NÃO! CALA A BOCA! — ele me deu um tapa.

Levei a mão à bochecha vermelha incrédula. Ele voltou a apertar a mão dolorida.

- Se não foi você, quem foi? — perguntei ainda em choque.

- Você não ia acreditar...

- Por que não tenta explicar?

Uma luz forte surgiu e se foi rapidamente. Mais um flash. Procurei a fonte da luz,

mas me deparei com o espelho do banheiro e logo tudo ficou escuro.

- Temos que ir para o ginásio! — ele disse, voltando a pegar minha mão — É perigoso

ficarmos sozinhos!

O medo voltou a tomar conta de mim. Saímos de lá em direção ao ginásio. Quanto mais

corríamos, parecíamos mais longe da saída. Mais do que nunca eu precisava encontrar

o Kei. Se algo acontecesse a ele, eu morreria!

Continua.

Notas finais
Desculpem a demora infinita x.x não consegui terminar a história nesse capítulo então aguardem pelo próximo que, se tudo der certo, será o final!
E, deixo dito que nunca mais escrevo fic de terror! A luz foi embora de novo enquanto eu escrevia u_u hunf!
enfim, espero que tenham gostado desse capítulo
mudei muito a minha idéia inicial ^^ espero surpreendê-los - ou não.
beijos!obrigada por lerem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.