Capítulo 16

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Pelos corredores da casa do Grande Mestre, o antigo cavaleiro de Leão, Hikishi, caminhava pensativo e até um pouco irritado. Os anos e a idade podiam tê-lo feito adquirir sabedoria e um pouco de paciência, mas sua personalidade continuava sendo de um leonino. Cabeça quente, explosivo, barulhento, animado e até egocêntrico. Ele não gostava de ser contrariado.

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Mas era justamente isso que Kiki havia feito, e tinha discutido bastante com ele por isso, mesmo não tendo realmente como evitar que aquilo que considerava um erro acontecesse. Afinal, o ariano ainda era o Grande Mestre. Tudo o que podia fazer era sair de mal humor, como uma criança de pirraça, e esfriar a cabeça.

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Então fora o que fizera e agora caminhava pelos corredores, sem muita vontade de voltar ao salão e interromper o estado pensativo em que o companheiro certamente estaria. Foi quando viu a porta aberta no final do corredor em que estava. Parecia haver movimento lá dentro, o que era bem estranho considerando que aquela era uma área restrita.

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Hikishi foi até a sala, deparando-se com uma cena que seria engraçada se não estivesse de mal humor no momento. O cavaleiro de câncer, Murilo, estava com uma máscara de limpeza cobrindo seu nariz e boca, enquanto franzia a testa para um livro velho que segurava com uma mão e a outra estava na cintura, com um espanador de pó. Ele parecia com uma dona de casa em um supermercado, sem nem perceber a presença do outro.

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Hikishi- Olá, Murilo. Arrumando o depósito?

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Murilo- Hm? Ah, bom dia, senhor Hikishi.- Ele pareceu notar o leonino pela primeira vez.- Estou tentando primeiro retirar todos esses livros velhos e arquivos para conseguir limpar as prateleiras, mas está difícil. Tem muita poeira aqui.

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Hikishi- Ah, sim. Esses livros não devem ter sido mexidos por duzentos ou trezentos anos...

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Murilo- Como?! Tanto assim?

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Hikishi- É, nossa geração não tinha muito interesse em livros. Com toda aquela modernização, computadores e tudo o mais. Sinceramente, acho que a Athena passada tomou uma boa decisão quando aboliu esses aparelhos do Santuário. Estávamos ficando um pouco preguiçosos.

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Ele comentava sobre aqueles tempos com uma nota de nostalgia na voz. O outro encarou o livro pensativo.

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Murilo- Então o senhor não saberia do que se trata esse livro? Ele é estranho, sem título nem nada que o identifique, além disso suas páginas parecem grudadas. Eu pensei em jogar fora, mas achei melhor não. E se for uma coisa importante?

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Hikishi- Claro que deve deixá-lo por aqui. Todos os livros desse lugar estão guardados por um propósito, não devemos mexer neles assim.

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Murilo- Tudo bem.- Ele deixou o livro em uma pilha junto com outros volumes antigos.- Agora só tenho que arranjar espaço para o resto dessa prateleira e... Ah, senhor Hikishi eu nem perguntei. O que o senhor veio fazer aqui?

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Hikishi- Nada demais. Só estava caminhando pelo corredor e vi a porta aberta.

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Murilo- Ah. Mas não devia estar com o Grande Mestre? Ele parecia meio preocupado com alguma coisa, acho que precisa de seus conselhos. Ele nem quis me falar sobre o que o estava deixando assim, mas parecia bem sério. Com essa guerra tão próxima, não, acho que ela já começou... Bem, ele deve precisar do senhor.

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Hikishi- Sei muito bem porque ele está daquele jeito. Nós tivemos uma discussão sobre o assunto faz pouco tempo.

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Murilo- E o senhor também não vai me dizer do que se trata? É algo sigiloso por acaso?

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O canceriano parecia genuinamente curioso com o assunto enquanto deixava mais alguns livros na pilha e se virava para o ancião. Hikishi estudou-lhe o rosto, sério.

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Hikishi- Tudo bem, não tem porque guardar segredo de um cavaleiro de ouro. E acho que preciso mesmo falar disso com alguém.

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Murilo- Pois então fale!

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Ele pareceu se animar e apoiou-se em uma mesinha que tinha por ali.

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Hikishi- Sim, mas volte ao trabalho. A história é longa e não quero que perca a manhã toda por minha causa.

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Murilo- Está bem.

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Murilo resmungou, um pouco contrariado. Uma parte dele tinha esperança de poder fugir daquele trabalho chato e poeirento. O leonino deu um sorriso e começou a falar.

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Hikishi- O Grande Mestre resolveu dar uma missão para Escorpião e Sagitário. Ele lhes pediu que procurassem a entrada para o reino de Poseidon que está nos arredores do Santuário e a vigiassem.

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Murilo- O quê?! A Angel e a Alene? Quando foi isso?

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Hikishi- Agora de manhã, logo antes de você chegar, provavelmente, mas por favor não me interrompa.

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O mais velho pediu e o canceriano concordou com a cabeça, mais atento ao que o outro falava.

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Hikishi- Muito bem. Ele deu essa missão, mas eu não concordo com ela. É perigosa e imprudente. Se tiverem sucesso em localizar a entrada, as duas estarão muito perto de Poseidon e todo o seu exército, correndo o risco de serem vistas e capturadas, ou coisa pior. E se não conseguirem, somente desfalcarão o Santuário de mais dois de seus cavaleiros de ouro.

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Murilo- Mas as duas são ótimas amazonas, tenho certeza que elas obterão sucesso e voltarão sem problemas. A Angelina é muito capaz e ninguém conhece os arredores daqui que nem a Alene, a não ser a irmã dela, eu acho.

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Murilo sentiu-se na obrigação de defender as colegas, ganhando um olhar de reprimenda do outro.

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Hikishi- Sim, não duvido da competência delas, mas os marinas e Poseidon não devem ser subestimados. E Kiki sabe muito bem disso.

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O canceriano lhe lançou um olhar curioso, não entendendo de onde ele tirava tanta certeza para falar aquilo. O ancião percebeu isso.

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Hikishi- Foi uma coisa que aconteceu na nossa geração. Durante a guerra contra Poseidon e Hades. Na minha geração, os dois deuses despertaram praticamente ao mesmo tempo e o Grande Mestre sabia que o Santuário não aguentaria enfrentar os dois ao mesmo tempo. Foi então que ele e Athena organizaram uma missão até os domínios de Poseidon para tentar selar um acordo com ele, uma espécie de trégua. E para comandar essa missão, foi escolhida a antiga amazona de aquário.

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Os olhos do ancião pareceram brilhar ao falar nessa pessoa. Murilo percebeu isso, mas achou melhor não comentar. O leonino continuou com a história.

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Hikishi- Seu nome era Melissa e era a garota mais bela de todo o Santuário. Seus cabelos eram da cor do gelo, brancos, quase dourados. Sua pele era clara, um pouco pálida por ter crescido nas terras geladas dos países nórdicos e seus olhos... eram azuis da cor do céu. Eu ainda me lembro do dia de sua partida...

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--Flash Back--

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O dia estava cinzento, coberto por nuvens que prenunciavam os tempos sombrios em que se vivia. Duas pessoas estavam sozinhas na base das escadas zodiacais. Uma era Melissa e o outro era um Hikishi jovem, de cabelos castanhos curtos e arrepiados. Os dois traziam expressões sérias.

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Melissa- Eu tenho que ir, Hiki. Tenho que cumprir essa missão o mais rápido possível.

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Hikishi- Espere, Mel. Eu... essa pode ser a última vez que te vejo.

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Melissa- Você sabe que a vida dos cavaleiros é curta e incerta, mas tomarei cuidado. Não se preocupe, logo voltaremos a nos ver.

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Ela lhe deu um sorriso, mas ambos sabiam que era mentira, podiam sentir isso.

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Hikishi- Eu vou ficar esperando, Mel.

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Ela acenou com a cabeça e já virava-se para ir embora quando o cavaleiro segurou seu braço, tomado por uma súbita coragem. Melissa encarou-o confusa por um momento, mas este foi curto, pois logo Hikishi aproximou seu rosto do dela, beijando-a. Quando se separaram, estavam sem folego.

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Hikishi- Mel, só queria que você soubesse. Eu gosto de você, de verdade, e sei que vai cumprir seu dever como amazona de forma magnífica. E eu também vou fazer a minha parte.

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Ela sorriu, com pequenas lágrimas surgindo do canto de seus olhos.

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Melissa- Eu... também gosto de você. Muito. Cuide-se, Hiki.

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Dito isso, Melissa afastou-se depressa. Se demorasse mais um pouco, a amazona sentia que não conseguiria mais ir embora. O leonino ficou olhando-a se afastar com passos rápidos, até que a aquariana sumiu de vista.

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--Fim do Flash Back--

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O ancião terminou de falar, ficando em silêncio. Murilo ficou esperando que ele retomasse a fala ou fizesse algum outro comentário enquanto continuava com sua tarefa, quase que se esquecido dela. Quando se passaram alguns minutos Hikishi continuou em silêncio, mergulhado no passado, o canceriano achou melhor falar alguma coisa.

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Murilo- Senhor Hikishi?- Ele começou, meio hesitante. O leonino piscou, parecendo voltar ao presente.- E... o que aconteceu depois? Com a Melissa?

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Hikishi- Nunca mais voltou.- Ele disse, com um sorriso triste.- Alguma coisa deu errado por lá, ninguém daquele grupo retornou, na verdade. Quando fomos investigar o que aconteceu, encontramos a entrada lacrada com uma espessa camada de gelo. O maior golpe de aquário. Melissa havia lacrado e destruído a entrada, juntamente com o deus, todo seu exército e ela mesma e seus colegas. Foi uma grande vitória, mas... a que preço?

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Pela primeira vez, Hikishi aparentava toda a idade que tinha. Sua dor era quase palpável e deixava o canceriano sem palavras. Ele até tentou achar alguma coisa para falar, mas não conseguia imaginar de verdade o que o mais velho sentia. Ele nem podia imaginar se alguma vez já amara alguém dessa maneira, embora toda vez que pensasse sobre o assunto, um rapaz de cabelos pretos aparecesse na sua frente.

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Balançou a cabeça, tirando-o de seus pensamentos, agora não era hora para aquilo, ele mal conhecia o cara, não sabia quase nada sobre ele e provavelmente nunca mais o veria novamente.

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Murilo- Eu lamento pelo senhor. Deve ter sido difícil.

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Hikishi- Mais do que imagina. Mas deixe isso de lado, é história antiga, há muito tempo passada.- Ele sorriu, refazendo-se.- Obrigado por me ouvir, cavaleiro. Acho que precisava mesmo era desabafar com alguém.

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Murilo- Ah, sem problemas...

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Hikishi- Agora eu tenho que ir, ainda preciso resolver alguns assuntos com um ariano tão teimoso quanto eu. Trabalhe direito, ouviu?

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Murilo ficou um pouco confuso com aquela fala, mas assentiu com a cabeça e se despediu do ancião. Logo estava novamente sozinho naquela sala, com muito o que fazer e pensar.

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Em um pequeno prédio ao lado dos alojamentos, ficava a enfermaria. Lá eram tratados todos os ferimentos mais sérios, ou seja, o lugar costumava ficar vazio em tempos de paz, quando os cavaleiros apenas treinavam. No entanto, neste momento, o local se encontrava relativamente mais cheio.

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Perto da porta, Guilherme conversava com a enfermeira, garantindo que a amazona de dragão logo estaria bem e preparada para as batalhas.

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Já em um canto, Ketherine encontrava-se deitada numa estreita cama branca. Tinha recobrado a consciência, mas ainda estava fraca para levantar-se, com três costelas quebradas e um tornozelo torcido. Ao seu lado, o cavaleiro de cisne trazia um semblante quase tão fechado quanto da amazona.

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Ele já estava na enfermaria quando Guilherme chegara com Keth. Não tinha assistido à luta propriamente, mas já imaginava, por experiências anteriores, como havia sido. Nenhum dos dois falava, e era em horas assim que Erik sentia a falta do cavaleiro de andrômeda. Lekki sempre parecia saber o que dizer em horas assim, enquanto ele não levava o menor jeito.

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Mas tinha que tentar meter algum bom senso na cabeça da companheira, afinal não lhe custava nada, mesmo que o fizesse pela quinquagésima vez. Um dia aquelas lutas doidas ainda a matariam de verdade, principalmente se Ketherine continuasse com as provocações.. Ericksson remexeu-se na cadeira onde estava, quebrando aquele silêncio.

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Ericksson- Ketherine...

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Ketherine- Ah, poupe-me de seus sermões de como meus treinos com o Alex são insensatos ou imprudentes, cisne.

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Ericksson- Eu o farei de bom grado. No dia em que eles próprios acabarem.

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Ketherine- Não se meta na minha maneira de lutar, Erik. São os meus treinos de lutas tanto quanto os que eu tenho com você.

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Ericksson- Esses treinos que ainda vão levá-la ao fim.

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Ketherine- Eu sei me cuidar. Além disso, o Alex nunca me mataria. Ele prometeu os mestre.

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Ericksson- Não acho que ele tenha muito controle quando luta. Viu como capricórnio destruiu até a arquibancada do coliseu. Soube que felizmente ninguém estava por lá para se ferir.

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Ketherine- Ah, sim. Leão mandou todos embora para fazer alguma tarefa idiota antes...

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A garota parou de falar, olhando para a parde mais próxima. Ericksson sentiu que ela ainda tinha mais a dizer e por isso manteve-se em silêncio. Não teve que esperar muito e Keth voltou a manifestar-se, um pouco hesitante.

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Ketherine- Sabe, não acho que o Alexander seja assim tão descontrolado em batalha. Ele ainda não matou nem feriu ninguém no coliseu hoje... e olha que estava cheio de idiotas lá.

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Ericksson- Pelo que fiquei sabendo, Leão expulsou todos de lá antes. Por que afinal o defende?

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Ketherine- Não estou defendendo aquele idiota! Só não quero as pessoas o ofendendo. Faz parecer que meu mestre, o primeiro, não conseguiu ensiná-lo direito. E me faz parecer desobediente, briguenta e tudo mais também!

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O cavaleiro nada disse daquele raciocínio estranho, apenas levantou a sobrancelha. Eles voltaram a ficar em silêncio, cada um com suas opiniões.

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Na casa de capricórnio, Alexander estava sentado em um sofá na sua sala de estar, parecendo estar de mal-humor. Com os braços cruzados e de olhar sombrio direcionado para o nada, estava mergulhado em pensamentos quando Annemie entrou no cômodo, sem nem se preocupar em pedir permissão ao capricorniano para fazê-lo.

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A taurina também não parecia estar nos melhores dos humores. Ela se jogou no sofá ao lado de Alexander, que a olhou questionando o que fazia ali.

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Annemie- Não me olhe com essa cara, Alexander. Também me cansei de ficar entre aqueles fracotes e agora estou entediada. Sem a Alexia aqui, você é única opção de companhia que me resta.

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Alexander- E quem disse que eu quero a sua companhia, Miney?

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Annemie- Se não quisesse, já teria me mandado embora.

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O cavaleiro preferiu ficar em silêncio do que admitir que a outra tinha razão.

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Annemie- Fiquei sabendo que você teve outra luta com aquela amazona de dragão.

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Alexander- Ah é? E quem foi o fofoqueiro que te falou?

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Annemie- Ninguém precisou me falar. Deu para sentir seu cosmo até de onde eu estava. Então, quantos você machucou dessa vez?

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Alexander- Nossa, que ideia você tem de mim, Miney.- Ele respondeu, irônico.- Além da Ketherine, eu não machuquei ninguém. Nesses tempos, o Santuário precisa de todos os cavaleiros que conseguir. Mesmo que eles sejam uns idiotas fracotes. Ou umas amazoninhas...

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Annemie- Acho que você pode ter razão. Mas não comece de novo com esse papo de amazonas. Não quero ser comparada com aquelazinhas. Você não vai querer brigar comigo, pelo menos não tão perto da sua querida estátua.

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A amazona deu um sorriso debochado e Alexander estreitou os olhos.

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Alexander- Isso foi uma ameaça, Annemie?

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Annemie- Entenda como quiser.

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O capricorniano bufou, sabendo, contra a vontade, que ela tinha novamente razão. Acabou por se levantar de onde estava.

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Alexander- Vou pegar uma cerveja. Você quer?

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Annemie- Claro. Nada melhor do que beber de manhã para afastar o mau-humor.

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Ele afastou-se e foi até a cozinha, enquanto Annemie permanecia no mesmo lugar, aguardando. Pouco tempo depois, ouviu a voz zangada de Alexander e, curiosa, foi até o outro cômodo descobrir o que tinha havido.

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Chegando lá, deparou-se com uma cozinha totalmente revirada, com pratos, talheres, copos, panelas e todos o resto espalhados pelo chão ou qualquer outra superfície. Felizmente, a geladeira parecia intacta, assim como a dispensa que ficava no alto. Mas nenhuma das prateleiras mais baixas tinha sido poupada da bagunça.

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Em meio à todo esse caos, Alexander estava parado, olhando para tudo meio incrédulo e, definitivamente, muito irritado. Tudo isso quase levou a amazona às gargalhadas. Quando conseguiu se controlar, ela falou.

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Annemie- Passou por acaso um furacão por aqui? Não sabia que era tão desorganizado assim!

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Alexander- Cale a boca, Anemie.- Ele disse entredentes, para depois acrescentar consigo mesmo.- Aquele cão sarnento... Se eu o pegar, vai ver só uma coisa...

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A taurina franziu a testa, mas nada disse. O cavaleiro emitia uma aura negra, e Annemie ainda tinha o bom senso se saber quando passaria dos limites. Ela achou melhor deixá-lo sozinho, percebendo que não teria bebida nenhuma, seguindo para sua própria casa. Alexander nem pareceu perceber quando a outra saiu, já estava cheio de situações assim. Aquele cachorro era um problema grande demais para sua paciência.

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Quando Yusuke encontrou Guilherme, ele estava saindo da enfermaria e não aparentava muito bom humor.

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Yusuke- Bom dia, Guilherme.

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O geminiano cumprimentou e o outro não pôde evitar um suspiro. Aquele dia estava se tornando particularmente problemático.

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Guilherme- Ah, Yusuke. Que surpresa encontrá-lo por aqui. Pensei que passaria o dia novamente treinando sozinho em algum lugar isolado.

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Yusuke- Ah, sim. Era justamente o que eu fazia, mas acabei me deparando com um grupo de cavaleiros correndo pela floresta. Foi uma visão bem inesperada.

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Guilherme- Tudo bem, chega disso. Eu sei o que você quer dizer, mas precisei mandá-los fazer alguma coisa bem afastada de onde estavam.

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Yusuke- A luta de capricórnio. Sim, deu para sentir seu cosmo. A garota está bem?

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Guilherme- Vai ficar.

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Yusuke- Que bom. Mas sabe, você não foi um pouco duro com eles? Três voltas ao redor da floresta? Vão levar a manhã toda.

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Guilherme- Eles merecem. Estavam apostando no quanto a amazona acabaria machucada.

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Yusuke- Isso foi cruel... mas a maioria são só aprendizes. Não passam de garotos querendo se divertir.

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Guilherme- Muitos dos cavaleiros de ouro tem a idade deles. Nem por isso eles participam desse tipo de coisa.

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Yusuke- É diferente, você sabe.

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Guilherme- Bem, que seja. Já aconteceu, não tem como mudar.

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O geminiano sorriu perante àquela resposta. Quando Guilherme mudava de assunto daquela maneira, era porque admitia que o outro tinha certa razão no que dizia. Isso era o suficiente por enquanto.

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Guilherme- Bom, parece que eu não vou mais ter que gastar minha manhã com o treino de aprendizes. E você também não vai mais ter seu lugarzinho tranquilo para fazer o que quiser... Então, não quer fazer me acompanhar para vistoriar os outros cavaleiros?

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Yusuke hesitou, sem saber o que responder. Não era um convite que recebia com frequência.

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Yusuke- Sabe, o que os outros cavaleiros pensam de mim. Não acho que seria uma boa ideia aparecer na área comum de treino. Poderia deixá-los... nervosos.

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Ele ainda se lembrava da reação do outro grupo quando o viu. Aquilo não era uma coisa que gostaria de ver novamente.

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Guilherme- Vamos lá, é melhor começar a conhecer as outras pessoas do Santuário desde agora, se quer que parem de te olhar daquela maneira... ou você tem alguma coisa melhor para fazer?

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O leonino insinuou, para ver o que seu companheiro respondia. Os modos esquivos do geminiano não geravam desconfianças somente aos cavaleiros de menor patente. E Guilherme estava preparado para desvendar aquele mistério. Yusuke parecia conhecer as intenções do outro, mas nada demonstrou.

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Yusuke- Não... não tenho. Tudo bem, vamos lá.

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Ele concordou e os dois seguiram em direção à área de treinos.

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A manhã foi passando e os cavaleiros no Santuário continuavam com seus afazeres e atividades. Medeia dedicava todo o tempo a consertar as armaduras. Annemie, já na casa de Touro, passara o tempo todo entediada e pensando em como o lugar ficava chato sem algumas pessoas.

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Alexander gastou algum tempo procurando pelo Alfred, o cão de Ketherine, sem sucesso, aquele animal era bom em se esconder. Depois de ver que sua busca era inútil, o capricorniano trancou-se novamente na sala com a estátua, dessa vez garantindo que ninguém o incomodaria.

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Sakura e Kakeru chegaram ao coliseu deserto e fizeram um pequeno treino, um contra o outro. A virginiana acabou descobrindo que o outro era muito bom também na luta corpo-a-corpo e ficou ainda mais interessada por saber mais sobre o cavaleiro de libra. Os pensamentos de Kakeru eram indecifráveis enquanto se defendia dos ataques da amazona, sempre encarando-a com seu ar sério.

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Guilherme e Yusuke passaram pelo coliseu, observando um pouco a luta entre Libra e Virgem. Aquilo também não era uma coisa que se via toda hora. Mas os dois logo passaram adiante. Não tinha muito o que pudessem fazer por ali. Eles se dirigiram para a arena principal de treinamento. O lugar estava meio vazio, mas o cavaleiros e aprendizes que lá se encontravam, ficaram surpresos e temerosos com a presença dos dois ali, ajudando com os treinos. Não se sabia o que causava mais apreensão, os gritos de Guilherme ou os conselhos gentis de Yusuke.

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Já Murilo, passou toda a manhã fechado naquele depósito, limpando e organizando livros velhos. Ficou pensando sobre a história de Hikishi durante várias horas, mas no fim voltou a ficar entediado daquela tarefa.Quando vieram chamá-lo, era início da tarde e estava quase na hora do almoço.

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Um guarda qualquer veio dizendo que o Grande Mestre o convocava até o salão o mais rápido possível. O canceriano achou aquilo muito estranho, mas foi atender o chamado, com a história da missão dada à Alene e Angelina poucas horas antes voltando à sua cabeça.

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Continua...

Notas finais
Yo, minna-san! o/
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Mais uma semana, mais um capítulo! Espero que estejam gostando de como New Saints está ficando! ;D
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A luta contra Poseidon está entrando em um ponto importante... Mas para as lutas chegarem ainda precisam acontecer umas coisinhas... com alguns personagens.
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Então, para poder chegar à ação mais rapidamente, decidimos que vamos dar prioridade aos personagens e para essas cenas. Por isso alguns personagens podem ficar sem aparecer por um tempo... Desculpem-nos, não era uma coisa que queríamos fazer, mas senão acabaríamos enrolando demais! :-/
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Bem, por enquanto é só... O próximo cap pode atrasar um pouco, não sei... Bem, espero que não, mas quem sabe.
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Até mais! o/