New Romantics — Interativa

3 Quando Preconceitos Ainda Existem


Notas iniciais
oi, gente! espero que gostem do capítulo e até as notas, tenho muita coisa para discutir com vocês lá :)

— duas semanas antes.

Kendra vivia tensa, irritadiça e desconfiada. O fardo de ser rainha ficava a cada dia mais pesado. Ás vezes pedia para que Evelyn assumisse logo, mas se arrependia em seguida. Ainda não estava na vez de Evie, e ela queria deixar o reino na maior paz e tranquilidade antes de o passar para a filha.

Sentia saudade de Stephen. Lembra de cada lágrima silenciosa que derramou no enterro, de como abraçou Evan dizendo que tudo ficaria bem quando nem ela mesmo estava. a

Já faziam sete meses, e ainda não tinha ficado tudo bem.

Sempre teve a fantasia de que os dois morreriam no mesmo dia. Estariam velhos, cansados, enrugados, iriam ver todos seus filhos crescidos, já com famílias. A morte de Stephen foi brutal e dolorida, considerando o tempo que demoraram para perceber que eram o amor da vida um do outro e como se completavam.

Lembrou da bala atravessada na cabeça do ex-marido e logo afastou esse pensamento.

Era meio meloso e dramático ver desse ângulo. Ela só estava ocultando todas as brigas, todos os tapas, os choros copiosos ao admitirem que estavam com ciúmes e as promessas. Ah, eles prometiam algo todo dia, ainda em seu tempo de seleção.

Kendra ainda era uma menina insegura. Mal tinha a idade de Evelyn quando se casou com Stephen. Competia com mais trinta e quatro garotas por algo que o dono já dizia ser seu. Mas, do mesmo jeito, fantasiava que ele contava isso para todas as garotas, e que só contava isso porque ela era boba e uma menina pobre. Casta Sete, coitada. Ele devia rir dela.

Imaginava a garota do sonhos dele. Branca. Cabelo bom. Rica. Modelo. Mais baixa que ele. Magra.

Sua auto estima, na época, vivia em frangalhos. Na província em que crescera, Hondurágua, observa que todas as meninas de castas maiores eram limpas, bonitas e seus cabelos eram lisinhos. Nunca foi ofendida por sua cor de pele, mas se sentia exposta por ser negra.

Ainda se lembra da reação de Stephen quando contou como muitas pessoas ainda sofriam preconceitos em sua província pelo peso, condição financeira, cor de pele, coisas que, descobriu quando entrou no palácio, deviam não acontecer mais há muito tempo.

Kendra nunca se sentiu tão feliz e segura quanto no dia em que seu noivado fora anunciado em rede nacional. Todos os anos se ocultando; todas as roupas cheias de poeira que tinha que usar para cuidar do jardim de meninas Dois ricas; todos os risinhos debochados — tudo foi esquecido. Ele a fazia se sentir humana. Comum. Como todos. No padrão. Queria gargalhar alto ao reviver tantas sensações.

Lá estava Kendra, novamente. Não Kendra Schreave, mas Blanchard. A mesma menina de dezessete anos, com o cabelo trançado nas costas e um olhar sonhador. A que passava horas no Salão das Mulheres olhando revistas e comentando com as amigas, e e que não tinha passado por experiências sufocantes nem nada que a fizesse ter vontade de se matar.

Sua própria filha era mais forte.

Mas Evelyn nunca fora abusada. Evelyn nunca fora espancada, brutalizada, marginalizada. Evelyn nunca foi feita de escrava.

Olhou para o espelho, novamente, e sentiu vergonha e nojo de si mesma. Por ter sido rebaixada a vida inteira, e por ter deixado isso acontecer. Por ser insignificante. Por não ter sido uma menina rica, bonita, limpa e brilhante. Por todos os anos chorando no travesseiro para ninguém escutar. Por todas as noites que dormia morrendo de fome.

Então piscou, e voltou a realidade.

Evelyn acabou de fazer dezenove anos, precisamos começar a organizar sua seleção logo. — afirmou Kendra, alinhando seu copo com a marca de café na mesa. Estava inquieta, e seu TOC atiçava cada vez mais a cada palavra que falava. Nem todos os seus conselheiros aprovavam a orientação sexual da filha, e não sabia sem seriam profissionais ou diriam algo sobre.

O ar na sala ficou tenso.

Suspirou. Era muito mais fácil ser rainha quando Stephen estava vivo.

— Com certeza, rainha. — Kendra relaxou a postura quando viu Scarlet assumir a dianteira, com o mesmo tom de voz que atacaria se alguém fosse contra. — Devemos intensificar também o treinamento para Evelyn assumir o trono.

— Deveríamos passar o trono para algum parente mais novo de Stephen, certamente. Agora que todo o país sabe da... opção sexual da princesa, não podemos nem arranjar um casamento ou fazer uma seleção com rapazes. — se pronunciou o conselheiro Morgenstern, rápido como uma bala, afastando um pouco a cadeira da grande mesa para o caso de precisar correr.

— Não entendi. Por que deveríamos negar o direito do trono a Evelyn ou arranjar algum casamento pela sua orientação sexual? — o corrigiu sutilmente, tentando não explodir e expulsar aquele conselheiro de seu gabinete.

— A primeira e maior dúvida, rainha, é: como Evelyn vai produzir herdeiros para o trono, se dois iguais não reproduzem? Além de que não é muito comum e não é bem visto pelos nossos aliados do Oriente Médio. Perderíamos todos nossos contatos.

Sua mão tremeu até a bolsa no colo, agarrando o frasco de calmantes, mas desistindo de pegar um.

— O Oriente Médio precisa mais de nós do quê o contrário. Além disso, conselheiro, existem vários meios: inseminação artificial, adoção. Essa conversa não é realmente necessária. — Scarlet falou com a voz rude, querendo ir para assuntos menos polêmicos e que não dependiam da opinião direta deles.

— Não podemos nos dar ao luxo de perder contatos. Illéa já foi uma...

— Eu lhe respeito, conselheiro, por estar aqui desde o tempo do Rei Johnson. Stephen apreciava muito a sabedoria dele, e eu também. Mas o tempos mudaram, e a questão de como Evelyn vai ter um filho é apenas do interesse dela. A única coisa que posso lhe dizer com certeza é que ela terá filhos, pois é capaz de fazer tudo pelo bem do país. Se não concorda com isso e vai continuar com julgamentos que, apesar de desnecessários e fáceis de ignorar, são desgastantes, a porta está aberta e o senhor pode não voltar, pode ter certeza que não fará falta. Na verdade, todos os que não concordam podem sair. — Kendra se levantou e abriu a porta do gabinete, fazendo gestos com as mãos para caírem fora. Os únicos três conselheiros homens saíram, e ela fechou a porta com força, gargalhando, sendo acompanhada pelo resto das conselheiras.

Estavam com ela desde que tinha assumido o cargo de rainha, e era reconfortante estar rodeada apenas por pessoas que poderia confiar plenamente.

— Essa foi apenas a batalha, amigas. Ainda não ganhamos a guerra. — e sentou-se novamente, voltando a atenção para seus papéis.

Notas finais
sobre a kendra: ela sofreu muito na vida. queria ter escrito um capítulo com mais de duas mil palavras, mas a última parte dele já estava pronta, e eu tive um ataque de choro enquanto escrevia a primeira parte, então parei e deixei a parte mais leve. sério, eu estou tentando abordar todos os preconceitos do cotidiano deixado de fora nas fanfics. me doeu muito isso da kendra, ela sempre viveu nas sombras, subestimada :( e faltam 6 selecionadas para a seleção finalmente começar! divulguem para o papai, para a mamãe, para o amiguinho, quero chegar ao capítulo oito já com todas selecionadas! um beijo, ainda estou me doendo por ter feito isso com a kendra :(
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.