New Perspective
12 Smile - Mikky Ekko
Notas iniciais
Enquanto Julia tentava se lembrar exatamente aonde havia combinado de encontrar Mari e Artur para levá-la para casa, se arrependeu amargamente por ter sequer sugerido que Well ficasse com ela o resto da festa. Talvez nem tanto. Sabia que era capaz de receber um não, e ele fora exatamente o que ganhou, entretanto, também sabia que com Well não haveria arrependimento, já que ele provavelmente a zoaria pelo resto de sua vida.
Tanto faz, pensou, já está feito. Preciso focar em me arrepender do que eu já fiz, não o que eu deixei de fazer. Nesse momento ele deve estar dando umas belas pegadas na Jess, mas eu fico feliz por ela, ela é minha amiga, ela merece... se eu falar isso vezes o suficiente eu acredito.
— Você está falando alto demais. — Alguém falou. Não era uma voz conhecida, pelo menos não ali. Geralmente Julia e Lay conseguiam saber quais eram todas as vozes, já que falavam com a maioria.
— Eu não estou falando. Você não pode provar nada. — Respondeu, enquanto andava pela as beiradas do Lago dos Gansos e tentava não cair. Não se importava mais.
— Verdade. Mas quem está dizendo que eu quero provar alguma coisa?
— John, sua voz desse jeito está pior que os gritos desses gansos malucos ás quartas-feiras. — Ela conseguira reconhecer no momento em que ele foi sarcástico. O que ele era o tempo todo.
Se tocou que ele ouvira o que ela, de alguma forma, falara em voz alta. Sua cabeça mais uma vez fazendo com que ela se confundisse. Isso não era justo, porém, ela não se importava se ele iria contar para alguém, já que não devia nada para eles. Na verdade, tudo o que conseguira pensar naquele momento era em como ele estava bonito daquele jeito, tão beijável quanto Artur de Romeu e em como estava com fome.
Ouvira dizer que Maria tinha feito uns bolos de chocolate.
— Por que saiu comigo se gosta dele? — John perguntou, inclinando a cabeça para o lado. Parecia confuso. Parecia com Julia.
— QUEM DISSE QUE EU GOSTO DELE?
— Você acabou de dizer, Julia. — Ele revirou os olhos.
— Eu não disse exatamente isso.
Esse era aquele momento em que ela passaria a mão no rosto se isso não fosse borrar a maquiagem. Estava tão perdida. Não é nesse momento em que a mocinha desmaia e todo mundo fica em cima dela? Poderia ser agora.
— John, — Disse, andando até ele. — Eu não gosto dele. Eu apenas estava pensando alto. Eu saí com você porque é isto que eu quero. Está vendo? O céu está tão estrelado que se eu quisesse pegaria todas as estrelas e só esticaria o dedo para isso. Os gansos estão quietos e até mesmo as freiras estão rindo. Pense comigo, não é essa a noite para você esquecer de tudo e se sentir eterno? Todas as expectativas, a pressão, as notas, os problemas, todos eles deixados de lado para viver UMA NOITE! Esta é a nossa noite. Me faça essa mesma pergunta amanhã, porque hoje tudo o que eu quero é isto. — Gesticulou para o jardim. — Isto e você.
O sorriso que John tinha no rosto valia todas aquelas verdades que Julia havia dito. Todas as estrelas sorriam quando ele finalmente à beijou no lago dos gansos. Julia também.
O tempo mal havia passado enquanto ela estava ali com ele. O cheiro de perfume caro não chegava aos pés dos olhos cor de mel e cheiro de bala de menta. Ela fazia o máximo para que, durante aquele beijo, não se lembrar que Well provavelmente estaria um veado saltitante quando voltassem para dentro.
Não sabia exatamente quando havia acontecido, mas Renato de alguma forma aparecera ali e o nariz de John estava sagrando. Tudo isso em menos de 5 segundos. Um soco acertou o maxilar de Renato e mesmo assim ele continuava socando John.
Ju não sabia o que fazer. Renato não dissera nada para ela, e apenas continuava a brigar com John. No momento em que John resolvera dar um soco ela finalmente decidiu ser útil em alguma coisa e se colocou no meio. Não fora uma de suas melhores ideias, mas era o que ela podia fazer por seu amigo naquele momento.
O soco doeu tanto quando o esperado.
Ela se encolheu e Renato segurou ela, já que havia acertado no estomago. Foi um momento bem idiota para John arregalar os olhos e Julia começar a tossir. Mal deu tempo de ele falar alguma coisa e Well apareceu.
Os olhos mel estavam quase castanhos e seu rosto estava pálido a luz da lua. Ele não precisou falar nada para que John começasse a se afastar de Julia e Re. A qualquer momento, Ju pensou, a qualquer momento ele vai começar. Ela precisava tirar eles dali agora. Precisava de ajuda.
— MAS O QUE?! — Anna chegou, carregando uma bandeja de gelatinas e com os olhos arregalados. Julia soltou o ar que estava prendendo sem perceber e isso doeu. Ela se encolheu mais.
— Esse babaca, — A maldade das palavras de Renato estava em todos os lugares. — Apostou com os amiguinhos dele que conseguiria sair com Julia nessa noite.
— Isso é verdade? — Perguntou, num fio de voz. Ela iria vomitar a qualquer momento e isso só estava ajudando a acelerar o processo.
— Sim. — Ele disse. A voz estava cheia de arrependimento, porém ela não se importava. Não me importo. Isso acontece quando nos importamos. — Mas...
Well não precisou fazer nada.
Apesar da dor do soco estivesse dando seus primeiros indícios na sua barriga, ela andou na direção dele com toda a coragem que restava dela e projetou um belo soco de direita no olho dele; depois uma joelhada nos países baixos.
***
Lay gargalhava enquanto via seu par dançar com Luan. Amara infinitamente o fato de que eles dançaram juntos na dança dos pares e todas as músicas depois delas, e em todas elas os dois estavam rindo. Jess estava ao seu lado com o sorriso mais feliz do mundo e quase teve um ataque quando viu Mari e Artur entrarem de mãos dadas no salão. Supercombo explodia nas caixas de sons e Debs e Kels dançavam juntas lá em cima.
Lay estava com tanta vontade dar um soco na cara de um certo alguém pelo fato de ter obrigado ela a ficar enfornada naquele sofá com os alunos do primeiro ano e tentava ver se achava Julia em algum lugar, mas tudo o que conseguira foi ver uma Hermione e um Peter Pan se pegando no bar.
Maria, vinda do além, apareceu ao seu lado vestida de Branca de Neve e com um sorriso espetacular em seus lábios avermelhados. Lay não duvidava nada que ela já havia pego uns 5 garotos. E isso era no mínimo.
— Lay, você tem batom aí? — Perguntou, não a olhando nos olhos.
— Seu vestido está rasgado — Jess obviamente estava segurando o riso ao seu lado graças ao estado de Branca de Neve selvagem que Maria estava.
— Longa história. Tem batom? — Ela tinha os olhos inquietos e Lay começou a ri.
— Você comeu quantos bolinhos? — Perguntou, e antes mesmo de saber o que Maria havia feito, percebeu no sorriso dela quando olhou para a porta do salão. — NÃO CREIO!
Maria começou a rir descontroladamente quando a freiras e o Padre João II entraram no salão dançando e indo para o bar. Algumas freiras gritavam e todos no salão riam tanto que superou a música nas caixas de som. Lay achava que não conseguiria mais parar de rir até que Anna, com o rosto franzido e meio risonho, aparecera a chamando.
— Renato brigou. Ele está na sala 190... — Anna mal terminou de falar e Lay já estava na metade do corredor.
***
Depois de ter vomitado pela terceira vez com Mari segurando seus cabelos, Julia se sentou no chão do banheiro e ficou observando enquanto a amiga fazia uma trancinha nos fios soltos da sua trança.
Artur também estava lá, mas não no banheiro. Estava em algum lugar da cozinha procurando alguma coisa para elas comerem. Julia trocara de roupa assim que chegaram em casa e tentava entender direito o que havia acontecido nas últimas 4 horas.
Nunca ficara tão feliz em usar short de lycra e uma blusa malocada do seu irmão.
— Lay ligou. Ela disse que depois que a gente veio embora todo mundo ficou falando das Freiras Dançarinas e da cara de John machucada. — Mari riu. — Ainda não entendi por que você se colocou no meio. Renato sabe se defender até bem demais.
— Eu mal sei como começou a briga, imagine como eu me coloquei no meio. Não espero que Re venha me agradecer, só parecia certo naquele momento. Eles iam se matar ali.
— Queria ter visto. Eu ia começar a gritar que a Física Quântica aprovava aquilo.
— Você detesta Física Quântica, Mariana. — Julia riu. Artur havia dito que ela comeu um bolo que Maria havia levado, então não havia mais nada a ser feito.
— Mas sabe uma coisa que eu amo? Beijar Artur. Meu Deus, nunca pensei que ele beijasse tão bem. Mentira, pensei sim. Superou tudo o que eu esperava. Me senti... um girassol.
— Um girassol? — Julia perguntou, franzido as sobrancelhas.
— O girassol não segue o sol? Não sei, só me senti como se finalmente o meu Sol tivesse aparecido e aquele beijo foi tipo, puta merda.
— Não xingue, Julieta. Aproveite que ele ainda está aí, e que você comeu um daqueles bolos deliciosos da Maria, e faça a festa. — Disse, saindo do banheiro com Mari a seguindo.
Artur estava procurando alguma coisa na geladeira e Mari entortou a cabeça para olhar a bunda dele. Julia riu e ele levantou a cabeça.
— Veja quem resolveu dar o ar de sua graça! — Ele abriu os braços e a abraçou. Julia estava feliz por eles estarem ali, não Well. Anna provavelmente chegaria a qualquer momento com seu hospital em bolsa.
— É a minha casa, acho que alguma hora eu ia aparecer.
— Renato me mandou uma mensagem dizendo que eles vão chegar daqui a 20 minutos.
— São cinco da manhã.
— Por isso que eles chegam daqui a 20 minutos. Dã. — Mari disse e Julia pensou sobre quando o efeito iria passar. Deu de ombros e quando ia para o quarto, a campainha tocou.
— São nesses momentos em que a gente morre.
— Mari, por favor, meu amor. Venha me ajudar a abrir esse Doritos. — Artur disse e Julia teve que rir enquanto ia abrir a porta.
Quem estava do lado de fora sequer deixou ela dizer um oi e já a puxou.
***
Quando eles entraram na estufa, Julia já queria socá-lo na cara. Tinha três motivos concretos para isso:
1°. Ele viu a briga e não fez nada;
2°. Ele estava tão bonito que seu estômago revirava;
3°. Ela não estava conseguindo pensar direito com o cheiro de plantas e bala de menta que estava cercando eles.
— Você tem 5 minutos antes que eu comece a gritar. — Falou. Well revirou os olhos e se afastou, ficando entre as orquídeas e os copos de leite.
— Eles não vão escutar você daqui.
— Você está planejando me matar? — Inclinou a cabeça e as bochechas de Well coraram encantadoramente. — Vampiros podem corar?
— Você vai deixar eu falar ou vai continuar sendo otária assim?
— Estamos na minha estufa, na minha casa, no meu sitio. Se eu quiser sou até o Papa e você não vai poder reclamar. — Ela se sentou na sua mesa e Well olhou para suas coxas.
Agora foi a sua vez de corar.
— Fala logo.
— Como você está?
— Você se importa?
— Eu estou tentando, Julia. Tenta me ajudar um pouco. — Ele disse, nervoso.
— Não pedi para você tentar. Eu estou bem.
Ele riu e Julia quase deu o segundo soco na cara de um menino naquela noite. Seus olhos mel estavam felizes, até. Julia sabia o que havia acontecido graças a Mari que havia a contado no carro.
— Eu disse que ele não prestava. Acabou levando um soco à toa.
— Você é um trouxa mesmo. Me diz uma coisa, por que está aqui ao invés de estar com sua nova namorada? Apostou que ela detestou te beijar. Esse sorrisinho aí só vale para contar vitória, mas no fundo, bem á no fundo, você é igual a John. — Ela sabia que isso iria irritar ele ao extremo, e deu para ver que foi uma jogada de mestre quando seus olhos foram do mel para o castanho em menos de 3 segundos.
— É isso que você acha? — As emoções desapareceram de sua voz e Julia sentiu um frio na espinha quando ele começou a se afastar da porta e se aproximar dela.
— Eu entrei na frente do Renato para ele não levar o soco. Não foi por causa da babaquice dele, mas para proteger meu amigo. Não que você saiba o que é amizade. E sim, é isso que eu acho.
Ele continuava se aproximando perigosamente dela e ela não estava conseguindo formular mais as frases direito.
— O seu erro, Julia, é achar que eu sou um robô que nem seu amiguinho. Que eu não sinto nada, que eu não vejo nada e que eu só sigo ordens. Aprenda, — ele estava agora a centímetros de seu rosto e os dedos tiraram um cacho loiro que caia em seus olhos, roçando levemente em sua bochecha. Ela se segurou para não fechar os olhos. — Eu faço o que eu quero. Eu tenho o que eu quero. E nas minhas coisas, ninguém toca.
— Valeu, Christian Gray.
O sorriso que ele deu antes de beijá-la iria ficar sempre na sua cabeça.
Com uma mão em sua coxa e a outra na nuca, ele colou seus lábios e a beijou com o que parecia ser raiva. Julia passou os braços ao redor de seu pescoço, aproximando ele mais, cruzando as pernas na sua cintura. Nunca ficara tão feliz em ter sentado naquela mesinha.
Ela arranhava sua nuca e ele segurava sua coxa. Não chegava nem perto daquele beijo xoxo com John; era muito melhor. Tudo o que os rodeava havia sumido e alguma coisa havia caído no chão naquela brincadeira. Só havia eles e as flores. Nem mesmo eles mesmos ousaram pensar no que estavam arriscando com aquele beijo. Apenas ficaram ali, se beijando pelo o que pareciam ser horas.
Quando se afastaram, apenas os rostos, ela olhou para os olhos cor de mel. Dentro deles, não havia nenhum indicio de arrependimento, só... possessão?
— Se eu ver você com ele de novo, eu juro que, meu Deus, não respondo por mim. — A voz dele estava rouca e os olhos fechados.
— Eu não sou sua. — Disse. Mesmo com os olhos fechados, ele sorriu.
— É isso que vamos ver.
Ele ia beijar ela de novo, mas Artur fez o imenso favor de entrar naquele momento.
— MAS QUE DROGA É ESSA?
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