New Orleand , witches
1 Adotadas
Tessa
—- Acorda logo , cachinhos dourados -- falou alguém me empurrando bruscamente e me fazendo cair de cima do beliche da cama , o bom é que com o barulho do meu corpo contra o chão com certeza acordou o restante do quarto .
Olhei pra cima e Sherry estava rindo da minha cara , sentada na beira do beliche , ela pulou e aterrissou em cima da minha mão , fazendo com que todos no quarto falassem " wou " , me contorci de dor um pouquinho , ela saiu de cima da minha mão e saiu do quarto .
Me levantei segurando a mão e esfregando-a quando o J.K veio em minha direção -- Você está bem ? -- perguntou ele.
—- To , só deve ter torcido um pouco -- respondi , incerta .
—- Não foi isso que o barulho de ossos quebrando disseram -- respondeu ele . J.K era meu melhor amigo do Matric Orphanage , ele era uma das outras vinte e nove pessoas com quem eu dividia o quarto ( e quando digo quarto quero dizer uma sala grande lotada de beliches ) , ele dorme na parte de baixo da minha cama e tinha chegado no orfanato no mesmo dia que eu a dez anos atrás .
—- Isso pode ter sido coisa da sua cabeça -- falei , rindo um pouquinho . Ele pegou meu braço , eu me afastei um pouco com a dor , ele examinou a minha mão e levantou uma sobrancelha pra mim . Sabia oque ele iria dizer -- Não .
—- Ah , para Tessa . Tem que fazer pelo menos um curativo , isso ta quebrado -- afirmou ele , ainda segurando minha mão .
—- Não ta não .
—- Ta sim .
—- Não , não ta .
—- Tessa , ta sim .
—- Não , não ta !
—- Ah é ? Mexe a mão .
Eu bufei, puxando a minha mão e a segurando em cima de meus peitos -- Eu não vou deixar você brincar de médico com a minha mão , J.K .
Ele riu -- Sou a única pessoa que pode fazer isso , para de palhaçada -- ele me puxou e nos sentamos em sua cama , ele tirou de debaixo dela um rolo de tala ( não me pergunte onde ele consegue essas coisas ) e esticou todos os meus dedos , o que me fez sentir muita dor , ele reparou -- Desculpe -- falou ele , e logo continuou . Quando terminou de enrolar a tala na minha mão , ele a soltou e me deixou admirar seu " trabalho " -- Ficou bom ?
—- Não sei -- respondi me levantando -- Tenho que trocar de roupa se não Sherry me mata . Literalmente . Alias , por que estão nos apressando tanto ?
—- Uma nova família vai vir pra adotar .
—- É , mas normalmente adotam crianças -- falei , dando de ombros e me apoiando na escada que leva pra cima do beliche .
—- A faixa etária que o casal falou que queria era entre quatorze e dezesseis anos -- respondeu . Eu sorri radiante e ele retribuiu o sorriso com um olhar encantado . Eu nunca entenderia esse cara . Sai do quarto e fui em direção ao banheiro com o uniforme do orfanato em mãos .
Sherry
Já tinha chamado a Cachinhos Dourados há mais de meia hora e, pra piorar tudo, outro garoto também tinha sumido, quase dei um soco numa garota que me mandou ficar calma, Kessedie pôs a mão em meu ombro e olhou nos meus olhos sorrindo .
—- Fica calma, sua trança vai se desfazer se você continuar nervosa desse jeito . -- Ela me encarou.
—- Tá, Tá, Kiss, agora vai ajeitar essa saia antes que eu te dê um soco. -- Bufei e ela riu da minha reação, ajeitando a saia em seguida .
Posso ser má e implicante, mas eu odeio quando uma criança perde a chance de ser adotada por estar dormindo ou mal arrumada, sei como é triste ficar sozinho e sei como é ter uma família, eu já tive uma, eu era a mais novinha, vim pra cá a cinco anos, ao auge dos meus onze anos, as garotinhas dessa idade daqui são sorridentes e fofas, mas nunca tiveram a sorte de ter uma família, isso me deixava realmente irritada, mas eu me acostumei com o lugar, é bem aconchegante e até divertido, ás vezes.
Tessa chegou alguns minutos depois com o J.K e dei graças a Deus por eles terem chegado alguns minutos antes de o casal entrar. Ele era alto, estranhamente pálido com os cabelos pretos penteados graciosamente para trás , um bigode fino e uma testa gigante. Ela tem uma graciosidade que só pode ser descrita como " sombria " , cabelos pretos e compridos , nariz fino e sobrancelhas puxadas para cima , estava com batom vermelho e um vestido preto tão comprido que chegava a arrastar . Os dois eram estranhos e com uma aparência quase mortífera , mas ainda eram uma família .
Eles olharam para Tessa, a mulher olhou tão fixamente para ela que tenho quase certeza de que ela ergueu uma sobrancelha para a mulher, depois delas ela olhou para mim, pude ver meu reflexo em seus olhos cinzas, ela sorriu pra mim de uma forma macabra e eu tentei sorrir, mas acho que saiu mais como uma careta, ela pediu pra conversar com a Tessa, mas segundos antes Hope entrou na sala pedindo desculpas pelo atraso, eu tinha me esquecido da Hope....
Hope
Estava atrasada de novo , sai correndo em direção ao sala aonde iria encontrar um casal , mesmo eu sabendo que não seria adotada , como eles dizem ¨ sou muito velha ¨ , cheguei na sala , abri a porta e todos olharam pra mim odeio ser o centro das atenções , percebi que o casal já estava lá , pedi desculpas pelo atraso , e fiquei ao lado da Tessa , o casal me olhou de cima e baixo , tão estranho que me deu até medo , eles pediram pra conversar comigo ,Tessa ia protestar- até por que ela era a mais nova , devia ser a primeira- ,mais o casal olhou para ela com um olhar amedrontador , guiei eles para uma sala , como já tinha feito muitas outras vezes , entramos em uma sala que tinha apenas uma mesa de metal , e três cadeiras , duas de um lado da mesa e uma do outro .
—-Podem se sentar . -- Falei e eles se sentaram de um lado e eu sentei do outro
—- Qual é o seu nome querida ? -- Perguntou a mulher sorrindo .
—- Hope , e os de vocês ? -- Perguntei educadamente .
—- Meu nome é Amy , e esse é o meu marido Jonh Miller -- ela falou -- Me fale um pouco de você !
—- Antes de vim pra cá morava com meus pais , quando eu fiz dois anos , meus pais morreram em um incêndio , passei um ano com minha tia mais ela me maltrata , e um dia ela se cansou de mim e me mandou para esse orfanato , fui adotada três vezes , as três vezes aconteceram coisas estranhas . -- falei .
—- Quais coisas estranhas ? -- Dessa vez foi o homem , quer dizer , Jonh que perguntou .
—- Coisas estranhas normais . -- Falei dando de ombros .
—- Você pode chamar aquela menina que estava ao seu lado ? -- Amy pediu educadamente .
—- Claro . -- Falei sorrindo , fui em direção da porta e sai .
Tessa
—- Então , como você se chama ? -- perguntou Amy educadamente , cruzando as mãos por cima da mesa , enquanto seu marido fumava um cigarro encostado na cadeira , ele reparou .
—- Fuma ? --perguntou ele , erguendo seu cigarro pra mim . Balancei freneticamente a cabeça em sinal de negativo .
—- Er ... eu me chamo Theresa -- respondi depois de algum tempo encarando as unhas enormes da mulher .
—- Theresa ... que lindinho -- falou John -- Como recebeu seu nome ?
—- Eu ... vim pra cá com quatro anos , não me lembro de nada antes , falam que tive perda de memória , então cheguei aqui deixaram eu escolher um nome pra mim -- respondi .
—- Por que esse nome ? -- perguntou Amy , me analisando de cima a baixo , ela torceu o nariz .
—- Não sei , simplesmente veio na minha cabeça .
—- Os médicos falaram algo quanto a isso ? -- perguntou John .
—- Não sei , eu tinha quatro anos somente .
—- Você não sabe de nada ? -- perguntou Amy , levantando uma sobrancelha pra mim . Odiei isso . Levantei uma sobrancelha pra ela também , ela então suavizou o olhar , um pouco surpresa , acho .
—-Bom , fale um pouco mais sobre você , estamos curiosos -- falou John , com um certo sarcasmo na voz .
—- Ainda bem que estão , por que tenho uma vida muito agitada e cheia de adrenalina . Vão ficar aqui mais algumas horinhas certo ? -- falei , fazendo gestos com a mão , claramente usando meu dom do sarcasmos .John desencostou da cadeira e ficou na mesma posição que sua esposa , o que me assustou um pouco . Cheguei pra trás na cadeira .
—- Tudo bem -- falou ele , fiquei um pouco apreensiva , pra mim ele iria me dar um bronca ou algo do tipo -- Pode começar .
—- Ah ... -- eu fiquei um pouco nervosa , esfreguei minha mão esquerda freneticamente -- Ah , eu vim pra cá com quatro anos , tive perda de memória ...
—- Já sabemos disso -- John me cortou , grosso -- Conte mais detalhes .
—- Tenho um melhor amigo chamado J.K , ele é bom em tudo que faz , eu tenho muita sorte por ter ele . Provavelmente somos primos ou algo assim . Nossos pais morreram no mesmo acidente de carro , e nós dois fomos os únicos sobreviventes , pelo menos é isso que falam -- nessa hora pude notar que eles se entreolharam disfarçadamente , não sabia se isso era bom ou ruim -- Eu fiz muitas amizades no orfanato , falam que sou muito legal e ....
—- Pude notar -- dessa vez foi Amy que me cortou -- que está com a mão quebrada . Como a quebrou ?
—- Uma menina mais velha pulou na minha mão e ...
—- Ela está bem ? -- perguntou Amy .
—- Sim , o pé dela não se machucou quando se chocou com a minha mão -- respondi , eles novamente trocaram um olhar discreto e rápido . Fiz merda . Mas depois John riu disso , e olhou pra mim dando gargalhadas .
—- Muito bem , muito bem . Gosto disso -- falou ele . Gosta do que , exatamente ? , pensei , e perguntei algo bem próximo disso . Não , foi exatamente isso . Ele riu fraco de novo e respondeu -- Essa coragem e ingenuidade . Me ganhou com isso .
Amy entrelaçou seu braço no dele e sorriu , apoiando sua cabeça em seu ombro . Eu sorri também .
—- Como assim ? -- perguntei , com um sorriso de orelha a orelha .
—- Pode chamar por favor a ... Ahn , acho que é Cherry -- falou John , e depois sussurrou pra Amy sem mover a boca -- Ela é minha maior aposta .
Eu fingi que não escutei -- A Sherry , tudo bem , vou chama-la -- falei , me levantando e indo até a sala onde ela estava esperando ansiosamente em pé .
Sherry
Entrei com meu melhor sorriso e sentei na cadeira, a mulher me encarou com seriedade e o homem deu uma tragada no cigarro sorrindo em seguida.
—- Olá querida, sou Jonh, -- ele me encarou nos olhos, me senti estranha e desviei os olhos para a esposa dele -- Essa é Amy, minha esposa.
—- Olá, Sou Sherry. É um prazer conhecer os dois! -- Virei a cabeça para o lado, colocando as mão por cima da mesa .
—- Você quem quebrou a mão de Tessa? -- O homem perguntou ainda sorrindo, não sei se ele tinha gostado ou não, mas não parecia assutado ou com raiva .
—- Foi sim, mas não foi minha intensão . -- Desviei os olhos para as minhas mãos.
—- E qual foi sua intensão, exatamente ? -- a mulher finalmente disse alguma coisa além de me encarar .
—- Eu queria só assustá-la, queria que ela acordasse. -- olhei para os dois e eles se entreolharam rapidamente.
—- Por que você fez isso, sendo que ela podia tirar sua chance de ser adotada ? -- Amy se inclinou mais sobre a mesa e pareceu curiosa .
—- Ah, bem... eu não gostaria de ser adotada sabendo que outra pessoa poderia estar no meu lugar, se alguma amiga minha fosse adotada, eu não ia invejá-la ou algo assim, só ficar feliz por ela....-- dei de ombros e o homem sorriu se encostando na cadeira, a mulher sorriu só um pouquinho e se levantou
—- Já podemos ir, sabemos quem vamos adotar. -- a mulher não olhava diretamente pra mim, creio que se referia a Hope, ela era realmente uma gracinha .
Eu agradeci e sai da sala, Kessedie veio falar comigo, contei o que aconteceu e ela riu se sentando no pátio comigo.
Hope
Ouvi barulho da porta da sala sendo aberta , olhei pra porta e vi Sherry e o casal passando , Amy e Jonh sorriam , Sherry saiu da sala , e o casal foi falar com a diretora do orfanato , eu estava sentada no canto com fones de ouvido , cinco minutos se passaram , a diretora e o casal estavam vindo em nossa direção , a diretora estava sorrindo e o casal também , levantei , tirei o fone , e todos que estavam sentados fizeram o mesmo .
—- Crianças ... -- Falou a diretora .
—- Crianças não -- sussurrou Tessa pra mim , eu ri um pouco mas fiquei com vergonha de responder . Parece que a diretora ouviu .
—- Adolescentes , -- falou ela , então virou a cara pra mim -- melhorou , Hope ?
Eu fiquei pálida e gaguejei um pouco , Tessa tomou a dianteira .
—- Muito -- respondeu ela , sorrindo . A diretora a ignorou .
—- Bem , todos podem voltar pra suas atividades normais . Menos , é claro , Theresa , Hope e Sherry -- falou ela . Minha boca caiu . Eu fui adotada ? Eu e Tessa nos levantamos e nos dirigimos pra sala com nossos novos pais , enquanto a diretora ia procurar por Sherry . Quando John fechou a porta e sua esposa Amy estava sentada confortavelmente no sofá , nós nos sentamos no outro sofá , do outro lado da sala .
—- Por que nos escolheram ? -- perguntou Tessa , quebrando o silencio . Quando Amy estava abrindo a boca pra responder , Sherry e a diretora entraram no recinto . Ela se sentou do nosso lado e a diretora no outro sofá , com Amy e John .
—- Crianças ... Adolescentes -- falou a diretora se levantado e vindo na nossa direção -- podem assinar aqui , por favor ?
—- Pra que ? -- tomei coragem e perguntei .
—- Oficializar -- respondeu Amy tirando as palavras da boca da diretora .
—- Tudo bem -- murmurei , assinando rapidamente meu nome e passando pras meninas .
—- Pronto -- falou a diretora , sorrindo -- Quero lhes apresentar seus novos pais .
Amy deu um gritinho de entusiasmo e correu na nossa direção , nos envolvendo num abraço -- Filhinhaas !
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