New Life In Japan
2 Chapter 2
Notas iniciais
No dia seguinte, embora tenha ido dormir as onze horas da noite, Skay só acordou as onze da manhã, o que ela não estava muito acostumada. Só precisava de oito à nove horas por dia de sono, mas a viagem do dia anterior fora muito longa e cansativa; doze horas de voo do Brasil até Paris, para fazer escala, e mais doze até Tokyo! Decidiu tirar o dia pra descansar e arrumar algumas coisas na casa.
Foi até a cozinha, e lá encontrou sua mãe pondo pães na torradeira, e seu pai tomando café.
–Bom dia flor do dia — disse seu pai.
–Boooom dia! — respondeu a menina.
–Estou preparando torradas, pode pegar a geleia por favor? — perguntou sua mãe — Ela está na geladeira.
Skay abriu a geladeira e pegou a geleia, aproveitou e pegou o resto do suco de maçã (seu preferido) que ainda havia dentro da caixinha. Fechou a geladeira e sentou-se na cadeira em frente ao seu pai, e deu um grande gole do suco.
Seu pai disse que poderiam visitar sua nova escola no dia seguinte, só para ela ver como a escola é.
Depois do café da manhã, Skay foi desfazer sua mala. Guardou algumas roupas que tinha trazido na gaveta e outras penduradas nos cabides. Guardou a mala na estante em cima do armário, para não ocupar espaço no quarto. Depois do almoço, decidiu ir passear pelo bairro. Botou uma legging preta, um casaco que ia até o meio de sua coxa e que esquentava bem, uma touca rosa clara de lã e calçou suas botas marrons. Levou um pouco de dinheiro, caso encontrasse alguma sorveteria ou outro lugar para lanchar algo. Quando saiu de casa, já eram três da tarde, e seus pais estavam dormindo depois de terem almoçado.
Viu outras casas tão bonitas quanto a sua. Algumas maiores, e outras menores. Decidiu visitar uma pequena floricultura que havia ali perto. A porta já estava aberta, e uma velhinha veio atendê-la:
–Konnichiwa! – Skay não sabia como explicar que não sabia falar japonês, mas fez seu melhor para tentar dizê-la. Com algumas palavras, a mulher entendeu e perguntou de onde ela vinha.
–Brasil — respondeu Skay.
–Ah sim, Burazil! Meu netô morar lá por um tempo e voltar pra Nipon ano passado!
A mulher sabia falar português, embora tivesse muito sotaque. As duas simpatizaram rapidamente, e Skay prometeu voltar com os pais na loja, para conhecerem a mulher, que logo descobriu chamar-se Sra. Koihama.
Passou em frente à uma praça, onde haviam várias crianças brincando, idosos jogando xadrez e garotas de mais ou menos a mesma idade que ela, uns quinze anos, passeando. Viu que havia uma barraca fixa e grande, que vendia sorvete, churros, guioza, espetinhos de frango, carne e peixe, e rolinho primavera e foi até ela. Com o dinheiro que tinha trazido, comprou um Yakitori, espetinho de frango ao molho teryiaki. Ficou pronto em cinco minutos. Levou seu prato de plástico e seus hashis até uma mesinha com uma única cadeira, e começou a comer calmamente, saboreando cada mordida. Percebeu que na mesa em frente havia um garoto que comia um guioza e escutava música num headfone por cima de sua touca cinza.
O menino olhou pra ela. Ela desviou o olhar, com medo de ele achar que ela estava observando-o, o que ela estava fazendo. Ou não. Ou talvez sim. Ele deu um sorrisinho simpático de lado, quase imperceptível, e continuou olhando pra ela. Skay percebeu que ele a olhava, e começou a levantar a cabeça, respirando fundo para não ficar vermelha, e encarou-o.
Os dois ficaram se olhando nos olhos, mas continuavam suas atividades. O menino desviou o olhar, tirou o fone e ajeitou a touca, deixando umas mexas de seus cabelos quase negros aparecerem. Skay levantou-se e foi jogar o prato de plástico num lixo perto de uma árvore. Quando virou-se, o garoto estava atrás dela e também jogou seu prato no lixo. Eles não trocaram nenhuma palavra. Apenas olhares.
–Bono!
O menino se virou pra trás; 3 garotos que aparentavam ter por volta de 17 anos chamavam-o. Ele olhou uma última vez para a menina e deu uma piscadinha. Virou-se e foi para junto de seus amigos. Dois deles estavam segurando skates. Falaram algo para o garoto mas Skay não conseguia ouvi-los. O garoto respondeu, e um deles parecia ter feito uma piadinha. Os outros riram, e o menino de cabelos escuros cruzou os braços e fez um gesto dizendo pra irem logo. Eles foram embora e Skay ficou ali, olhando eles se afastarem, e pensando que poderia nunca mais ver esse garoto.
Nem ao menos sabia seu nome, e ele, o dela.
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–E eu descobri que ela fala português! Ela me disse que gostaria de conhecer vocês, então disse que levaria vocês lá! Vamos um dia desses?
–Claro filha, aproveitaremos e compraremos algumas flores pra casa! — disse animada sua mãe!
–E que tal uma pra janela do seu quarto? — propôs seu pai.
–Eu adoraria!
–Então amanhã a gente vê a escola, e se der tempo, visitamos a Sra. Koihama também!
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