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12 A união faz a força
Notas iniciais
— Argh! Quem você pensa que é, garoto? – bradou o Cavaleiro Negro enquanto caía com Betinho em direção ao ringue, onde Matt e Rina observavam tudo, estupefatos.
- Um Cavaleiro de Atena! – respondeu o garoto. Largou o rival em pleno ar e começou a desferir golpes; o outro, pego de surpresa, tentou revidar, mas Betinho acertou um chute preciso no ventre do Cavaleiro Negro que caiu com um grande impacto no solo, afundando em alguns centímetros o chão do ringue.
Betinho aterrissou levemente no ringue, pois conseguiu usar o chute que dera no Cavaleiro Negro para amortecer sua queda. Pousou entre Matt e Rina, que olhavam dele para o vulto caído no chão.
Antes que qualquer um deles pudesse se mexer, o inimigo se levantou. Seu elmo foi destruído pela queda, revelando seu rosto: cabelo negro e desgrenhado, olhos amarelados e famintos e uma expressão facial que lembrava um morto-vivo.
- Bom começo, rapaz! Mas ainda não sentiu na pele a força de um cavaleiro negro. E devo lembrá-lo de que é uma perda de tempo me enfrentar sem armadura!
- Veremos! – retrucou Betinho.
A maior parte da torcida havia deixado o estádio, embora o teto tivesse parado de cair, e os poucos espectadores restantes observavam a cena no ringue.
Na cabine, Tatsumi ajudava Pierre e Bore a se erguer. O diretor voltou-se para Isabella.
- Isabella, chame a polícia, o corpo de bombeiros e informe a eles que...
- Já fiz tudo isso, senhor! Fiquei grudada no tablet enquanto o Cavaleiro Negro falava com você. A polícia e os bombeiros já estão chegando e resolveram acionar também o Exército.
Tatsumi fitou-a.
- Hm, você é mais eficiente do que aparenta, mocinha! Se bem que eu acho que o Exército não terá muita coisa para fazer; Betinho pode dar um jeito nesse infeliz.
E ele se voltou para a arena.
Betinho sentia-se forte como nunca. Era seu primeiro confronto de verdade contra um inimigo de Atena. Mesmo sem armadura, seu cosmo crescia, queimando cada vez mais.
- Prepare-se! Meteoro de Pégaso!!
- Garra das Trevas!!
O Cavaleiro Negro ergueu a mão em forma de garra e bloqueava os golpes de Betinho com alguma dificuldade, mas acabou conseguindo arranhar o garoto no peito, onde o golpe de Gustavo o tinha acertado na luta entre eles.
Betinho caiu de joelhos, com todas as dores do ferimento retornando de súbito, e passou as mãos pelo local atingido. O Cavaleiro Negro riu, escarnecido, e pôs o pé no ombro do garoto.
Antevendo o movimento do inimigo, Betinho segurou o pé do Cavaleiro Negro com as mãos e ergueu o oponente no ar, girando-o acima da cabeça como se ele fosse um boneco. O oponente praguejava contra o Cavaleiro de Pégaso, que acabou por deixá-lo tonto e jogá-lo para fora do ringue, onde ele caiu, inerte, no chão.
A plateia aplaudiu efervescentemente o garoto, assobiando, ovacionando e vibrando ao ver o intruso derrotado. Betinho tinha simulado bem as dores que pareciam estar lhe afligindo. Os outros cavaleiros de bronze presentes esboçaram sorrisos de contentamento, e Matt de Fênix chegou mesmo a dar tapinhas no ombro de Betinho, dizendo: “Muito bom!”.
Mas a alegria durou pouco: o Cavaleiro Negro levantou-se de um salto, como se o golpe de Betinho não o tivesse afetado. Sua armadura começou a mudar: ficou mais negra, mas começaram a surgir pontos brilhantes – estrelas – ao redor do corpo do guerreiro.
- Aha! Não pense que vai me vencer só porque acertou um golpe de sorte em mim. – Ele apontou para a vestimenta. – Minha armadura agora é uma Galáxia, um traje legítimo dos guerreiros de Marte. É tão densa e resistente quanto as fortes Armaduras de Ouro! Terá que mirar seu golpe com uma precisão divina, Cavaleiro de Pégaso, por que senão poderei absorvê-lo e rebatê-lo! Sinta a ira de Marte!
Ele sorria loucamente – a plateia havia cessado de se manifestar e voltava a contemplar a cena em silêncio sepulcral – mas Betinho não se deixou intimidar. Seu cosmo ainda tinha muito para queimar.
- Meteoro de Pégaso!! – ele atacou sem medo, disparando com a maior eficácia possível seus milhares de socos na velocidade do som. Mas o Cavaleiro Negro conseguia bloqueá-los, e os poucos que atravessavam a barreira de seus braços eram absorvidos pela Galáxia.
- Desista, Pégaso! – bradou o inimigo. – Não pode me vencer sozinho...!
Ele se interrompeu no meio da frase, porque uma camada de gelo havia se formado ao redor de seus braços.
Thiago de Cisne e Gustavo de Dragão haviam subido ao ringue, apoiando-se nas bordas que seguravam as cordas da arena, cercando o Cavaleiro Negro junto com Matt e Rina que estavam em pé praticamente nas bordas restantes.
- Ele não está sozinho! – bradou Thiago. Com as mãos paralisadas, o oponente não conseguia mais bloquear os golpes de Pégaso; alguns dos Meteoros ainda eram engolfados pela Galáxia, mas outros já o atingiam nas pernas e nos braços. – Agora você sentirá a força dos Cavaleiros de Bronze!
E os cavaleiros atacaram o invasor ao mesmo tempo.
- Cólera do Dragão!!
- Pó de Diamante!!
- Ave Fênix!!
- Onda Relâmpago!!
- Meteoro de Pégaso!!
E então, com um misto de correntes eletrizadas, chamas, rajadas de gelo, chutes e socos na velocidade da luz, o Cavaleiro Negro não conseguiu absorver o impacto dos cinco golpes combinados; sua Galáxia se desfez em pó e ele caiu, desfalecido, no chão.
Dessa vez o público foi ao delírio. Pulavam sobre o alambrado, abraçavam uns aos outros sem se conhecerem, gritavam os nomes dos cinco cavaleiros e, por fim, gritaram “Cavaleiros de Bronze!”. Os cinco, eufóricos, retribuíram e acenaram efusivamente e, quando os torcedores começaram a invadir a arena por cima do alambrado que separava os cavaleiros da arquibancada, Betinho, Thiago, Matt, Gustavo e Rina foram cumprimentá-los, apertando-lhes as mãos e abraçando os fãs.
Até mesmo Bore se animou e se recuperou do susto pela chegada do Cavaleiro Negro; para manter sua pose de grande locutor, pegou o primeiro microfone que encontrou no chão e ia começar a falar quando Tatsumi disse-lhe algo ao pé do ouvido. O diretor voltou-se para falar com o árbitro pelo comunicador enquanto Bore, à beira de um ataque de euforia, gritava para o público:
- Parabéns, Cavaleiros de Bronze! Nossos grandes vencedores...
Ele observou o árbitro se dirigir ao corpo morto do Cavaleiro Negro, pisar sobre o cadáver e erguer os braços.
- Pois é, pessoal!!! Acabou! E os vencedores... São Rina de Andrômeda! Thiago de Cisne! Matt de Fênix! Gustavo de Dragão! E Betinho de Pégaso! Nossos CAMPEÕES da Guerra Galáctica!!!!
A festa estava completa. Isabella deu um salto de felicidade e abraçou Tatsumi, que ficou surpreso, mas conseguiu acariciar o cabelo da jovem assistente. Bore largou os fones e saiu distribuindo beijos e abraços em todos que encontrava pela frente: Pierre Bey, Isabella, os câmeras, os patrocinadores, os repórteres, os comentaristas que haviam retornado ao camarote, os torcedores que invadiam aos poucos a cabine e até mesmo o ranzinza Tatsumi. Os fãs na arena ergueram os Cavaleiros de Bronze nos braços e deram voltas olímpicas em torno da arena. Bore foi cumprimentar Tatsumi novamente para dizer que abria mão de todo o seu cachê, numa atitude inédita em sua carreira, em agradecimento à Fundação Graad por ter oferecido a ele a chance de cobrir o evento mais emocionante de sua trajetória esportiva.
A polícia e os bombeiros foram chegando ao Coliseu, mas nada encontraram para fazer, pois a festa estava deveras impagável. Assessores de imprensa da Fundação, orientados por Isabella, forneciam todos os detalhes do que havia acontecido no Coliseu. Alguns bombeiros já estudavam os buracos do teto, planejando uma maneira de consertá-los.
A festança só foi interrompida quando Tatsumi pegou o microfone e dirigiu-se para a algazarra que cercava os cavaleiros.
- Agora, peço desculpas pela intromissão, mas o diretor da Fundação Graad e os organizadores do evento pedem que os Cavaleiros de Bronze se dirijam à cabine de transmissão.
Ele fitou os cinco cavaleiros. Seu olhar era duro e sua voz não demonstrava bom humor.
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