New Feelings

8 Capítulo 7 - Velho Amigo


No castelo, haviam juntado mais algumas mesas para que as esposas dos príncipes e os filhos também pudessem sentar-se. Gardar tinha uma enteada e um filho, Triwar tinha um menino, Henktris uma menina, Vegard três meninos, Forseti um casal, Kelsig um menino, Wilheim duas meninas e Yran dois meninos.

Eu e Hans devemos ter agido feito dois bobos apaixonados, porque os irmãos dele e suas esposas não paravam de olhar para nós com uma expressão um tanto chocada. Até ouvi Lydia, esposa de Gardar, comentar baixinho:

– É assim que se comporta a realeza de Arendelle? Que vergonha. — não me importei com isso, eu não dou a mínima para o que a família de Hans pensa de mim.

Neste momento agradeci por a rainha não estar à mesa, estava ocupada demais "atendendo" os súditos. Tenho certeza de que se ela estivesse lá, me pediria para retirar-me. Nem era algo tão escandaloso, mas para a realeza das Ilhas era um absurdo duas pessoas rirem e trocarem carinhos à mesa. Mas nada era um problema, ainda.

Em certo momento, Triwar falou:

– É ridículo que todos nós estejamos aqui e nossa mãe não.

– Você sabe que para ela as refeições são apenas para a família. — respondeu Gardar.

– Mas essa é a nossa família, agora.

– Cale a boca logo, Triwar! Ninguém quer ouvir! — bradou Kelsig, o sexto.

– Essa família precisa conversar mais... — murmurou.

– Não somos uma família!

– Forseti! Por favor! — pediu Thrud ao marido, com autoridade.

– Você bem que gostaria, não é? — Henktris levantou-se e apontou para Forseti.

– Vocês me dão pena! — falou Magnor, o oitavo.

– Acho que a conversa não chegou no chiqueiro!

– Odeio vocês! — exaltou-se Royd, o décimo.

– Vamos embora, Dagny. — Yran levantou e virou-se para sair.

– Ah, o covardão vai fugir. Por que não estou surpreso? — provocou Styr, o décimo primeiro.

– Covardão? Agora você me paga! — Yran atacou o irmão.

– Yran, pelos céus! — Dagny desesperou-se — Gardar, faça alguma coisa!

Gardar, que até então se mostrava sério e calmo igualmente a esposa, apenas observando como divertisse-se com aquilo, levantou as mãos e ordenou:

– Já basta! Não quero ouvir mais uma palavra! O próximo que fizer ou disser algo passará a noite nas masmorras!

A discussão foi séria e repentina, Hans apertou minha mão e me puxou várias vezes para que fossemos embora, mas eu estava praticamente petrificada com a situação.

– Que milagre que o Hans ainda esteja sentado. — disse normalmente Vegard, o quarto.

– E que milagre você não ter dito nada o tempo todo. — retrucou.

– Eu disse que não quero ouvir mais uma palavra! — nesse momento Wilheim, o nono e único que não estava presente, entrou pela porta.

– Gardar, nossa mãe quer falar com você. Desculpem a demora. — ele sentou-se — Perdi alguma coisa?

– Só mais uma briga, como sempre. — Gardar levantou-se e saiu.

O silêncio foi total e constrangedor. Alguns minutos depois, Hans pediu-me sutilmente para sairmos dali e eu concordei.

– Eu deveria saber! Nós todos juntos por muito tempo nunca daria certo!

– Achei que eles fossem unidos...

– Quem disse isso a você?

– A mesma pessoa que me falou sobre os seus pais. — Hans suspirou.

– Certo, não vou te forçar a falar. Sim, na verdade, já foram unidos. Mas desde uns tempos pra cá não param mais de brigar. Por causa da herança. — acrescentou — É claro que alguns deles nunca se deram bem mesmo, Styr e Yran por exemplo, brigam desde que me lembro.

– Isso é... Triste. — Hans concordou com a cabeça, cabisbaixo.

– Mas não vamos nos preocupar com isso agora, tenho uma surpresa pra você. — ele sorriu.

– Surpresa, é? E onde está?

– Lá fora, venha.

Hans me levou até os estábulos onde dois lindos cavalos estavam sendo preparados por um tratador. O macho tinha pelo marrom claro, exceto pela crina e o rabo, que eram bastante escuros. A fêmea foi a que mais me chamou a atenção, era tão alva que chegava a reluzir.

– Gostou? — estava sem palavras para aquilo.

– Hans... Eu adorei! Ela é tão linda! Como se chama? — perguntei acariciando a cabeça da égua.

– Lysende. É a mãe do Kaffe, que também é filho do Sitron. — ele respondeu enquanto passava a mão na crina do cavalo.

– É mesmo? Que gracinha! E nós vamos aonde?

– Dar um passeio, depois quero ver um velho conhecido.

– Velho conhecido? Quem?

– Você já vai ver. — ele ajudou-me a montar e em seguida fez o mesmo.

Cavalgamos por belos campos, cheios de flores e árvores, o ar era puro e a brisa suave fazia cócegas no meu rosto. Depois disso, Hans me instruiu para dar meia volta e segui-lo. Fomos até um simples bairro do reino, onde haviam poucas casas e pouco comércio. Descemos e amarramos as rédeas numa cerca, ele me deu o braço para segurar e bateu na porta de um bar. A porta abriu-se e nós entramos, Hans procurou entre as pessoas presentes até que encontrou quem queria.

– Almirante Silver! — um senhor de idade, baixo e careca mas de bom porte, virou-se para trás e riu ao ver o rosto de Hans.

– Westerguard! Finalmente lembrou-se de vir me visitar! Já estava pensando que o pior tinha acontecido, porque... He, você sabe, depois dos acontecimentos...

– Não, eu também pensei, mas eles não teriam coragem.

– É, talvez eles não, mas não duvido que seu velho pai tivesse o feito. Aliás, meu pêsames. — Hans colocou a mão no ombro dele em sinal de agradecimento — E a bela jovem, quem é?

– Ah, Elsa. Minha esposa! — apresentou-me.

– Esposa, hein? Enfim tomou jeito!

– Como vai, senhor?

– Vou ótimo, muito obrigado, filha.

– Elsa, esse é o Alm...

– Bah! Eu sei me apresentar sozinho, Westerguard! Almirante G.L. Silver, ao seu dispor, madame. — ele fez uma reverência e nós não podemos deixar de rir do seu jeito cômico.

– Ele foi meu instrutor e servimos juntos na Marinha Real das Ilhas do Sul por longos seis anos.

– Seis longos e bons anos! — eu sorria — Onde conheceu uma moça tão bela e educada, Hans? Essa não pode ser daqui! — eles riram.

– Elsa é de Arendelle. É a rainha de Arendelle.

– Rainha? Arendelle? — ele puxou a camisa de Hans para falar-lhe no ouvido — O quê você fez com ela, seu maluco?

– Nada. Foi ela que fez algo comigo, me mudou, para melhor.

– Como?! Você... Você não tentou matar ela e usurpar o trono?!

– Ele se arrependeu, e eu o perdoei. Queria que as coisas tivessem sido diferentes, mas o importante é que agora estamos juntos e felizes. — respondi.

– Exatamente.

– Bem, desejo felicidades à vocês. Infelizmente eu não posso conversar muito agora, acabei de chegar de Bergen e só passei para dar um "oi" aos amigos, se demorar mais, minha mulher me mata! Veja se vem me visitar com mais frequência, viu? — Hans riu.

– Claro.

Nos despedimos do Almirante e pegamos nossos cavalos para voltar. Chegamos no castelo a tempo de ver o pôr-do-sol, Hans segurou minha mão e olhou para o horizonte.

– Como há cinco meses atrás.

– Não acredito que passou tão rápido. Parece que ainda ontem éramos dois confusos e indecisos.

– Achei que eu fosse o idiota.

– Por que? — perguntei surpresa.

– Porque eu me afastei de você, mesmo sabendo que isso ia te fazer sofrer.

– Não, não. Já passou, não se preocupe. Demorou para acontecer, mas compensou depois.

– Ah, compensou, foi?

– Casar com você compensou tudo. — juntamos nosso lábios em um beijo suave.

– Eu não quero me afastar de você nunca mais, minha rainha.

– E eu não permitirei que você se afaste nunca mais, meu amante.

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Notas finais
Altamente recomendado que leiam isto aqui: http://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-frozen--uma-aventura-congelante-spin-off-new-feelings-os-personagens-3123305. Bjs, comentem.