New Age

19 Capítulo 18 - Perguntas Aleatórias


Notas iniciais
Todo casal merece seu momento clichê, o.k? Sem drama aqueles que estão aqui mais pela ação do que pelo romance, logo, logo passa (; Espero que gostem, perdão se houver erros.

Naquela mesma noite não consegui mais dormir. As sombras na minha parede continuam me chamando, acenando.

Parece que tudo desmoronou em cima de mim, que tudo até agora foi anestesiado e eu não sentia nada... Mas me despertei.
A partir de hoje me concentraria em descobrir qualquer coisa e tudo sobre os Radioativos, quem são, o que querem deles, por que são tão perigosos. Não descansaria até conseguir algo.

...

Não deu tempo nem de dormir, quando a porta é aberta e a luz invade o quarto. Todos os Iniciados se acordam, sento-me ereta na cama.
Não é Thiago dessa vez, é Everton. Meu coração se aperta ao pensar no ocorrido. Eu teria que resolver isso, como eu não sei.

–Vamos, todos para fora da cama. Vocês tem cinco minutos para se arrumarem e irem até o refeitório. -Sua voz era, completamente, mais autoritária que a de Thiago. Ao terminar de falar ele fechou a porta e nos deixou com cara de paisagem.

Todos demoraram um segundo para se moverem, enquanto isso eu estava me arrastando na cama e descendo do beliche.

...
Lia e eu chegamos primeiro no refeitório, como sempre nós fomos as primeiras... Só que sem Samuel.
Afasto o pensamento da cabeça e percebo meus olhos procurando por alguém, por ele. Thiago.
Lia me puxou e fomos pegar a comida: pãozinho com alface e tomate, água, vitamina. Logo voltamos para a mesma mesa de sempre, com as mesmas pessoas. Começamos a comer, as bocas começam a se mexer enquanto as pessoas falam e meus olhos baixam para a comida enquanto finjo escutar o que eles estão falando. A única coisa que percebo, quando percebo, é uma pessoa sentando-se à minha frente.

Levanto os olhos e o que vejo são os olhos azuis de Thiago. Aquele azul escuro quando está anoitecendo.
Ele me olha e prendemos nossos olhares por um momento antes de Lia nos colocar dentro de um assunto já iniciado.

–Ahn? O que.. O que foi? -Mostro-me confusa.

–Estamos em assuntos aleatórios, agora é sobre nosso primeiro beijo. -Quase me engasguei e caí para trás quando Lia explicou... Quase não, eu me engasguei porque antes de olhar para ela eu dei uma mordida no pão e acho que a casquinha acabou de entrar no lugar errado.

Começo a tossir e a loira ex-Vigia começa a dar tapinhas em minhas costas.

–Tudo bem, vamos pular você dessa rodada. Tome um pouco de água. -Diz Lia tentando ser amigável... Pena que burrice você já fez, querida.

Tomo um gole de água e depois que passou direciono um olhar mortal para a garota, enquanto Anthony, um garoto já da Audácia, de pele morena quase clara e de sobrancelhas grossas faz a pergunta á Thiago que, depois eu percebo, solta o mesmo olhar mortal para ele.

–Tudo bem, mudamos a pergunta para: O que aconteceu depois de você dar o melhor beijo de sua vida, até agora, em alguém? -Falou uma garota que estava sentada três pessoas depois de Thiago. Ela tinha cabelos completamente pretos, batendo no queixo, e um piercing delicado no lado direito do nariz. Tinha a pele bem clara, quase branca, e era bonita, suas sobrancelhas eram finas e delicadas, no mesmo tom de preto dos cabelos. Não à conhecia.

–Muito boa ideia, Lily! -Lia batia palmas como uma foca, estava empolgada.
Juro que só faltava em bater no meu próprio rosto por causa da frustração e vergonha.

–É a sua vez, Thiago. -Provocou Anthony. Voltei minha atenção para a comida, tentando esquecer do que eles estavam falando. Coloco a garrafinha de vitamina na boca e vou bebendo o líquido até ouvir:

–Ela saiu correndo.

Engasgo mas me controlo para não tossir, tiro a garrafinha da boca para limpar o líquido que escorreu quando eu engasguei.

–Poxa, Candy, dá para comer direito? Que isso, amiga. Desse jeito vai acabar morrendo. -Lia virou-se para mim e chamou atenção de toda mesa junto. Dei à ela um rápido olhar de: E se você continuar falando quem vai acabar morrendo é você.

–Desculpa. -Tossi duas vezes. -Acho que ainda estou meio dormindo. -Tento dar um sorrisinho para o pessoal da mesa.

–Isso também acontece comigo. -Diz Anthony, e, depois que todos voltam a conversar ele vira por trás de Lia e dá uma piscadela para mim. Provavelmente eu devo ter ficado vermelha, e então volto atenção para minha comida, cuidando o que eles estão falando para ver se não corro o risco de me engasgar novamente.

Eles ainda falavam de beijos. E, mesmo que eu quisesse conversar com eles, não tinha experiências nesses assuntos para compartilhar.

–Meu primeiro beijo foi muito constrangedor, eu não sabia o que fazer e no final só não saí correndo como a garota misteriosa do Thiago porque eu estávamos esperando os pais dele dentro do carro. -Lily falou rindo.

Pude ouvir Thiago rindo nasalmente quando a morena falou 'garota misteriosa', e foi nesse momento que eu corei e agradeci por estar com a cabeça baixa.
Senti uma pontada de dor na minha perna esquerda e levantei um pouco os olhos para olhar o dono do pé que me chutou.
Thiago estava apertando os lábios e me olhando, percebi então que toda a mesa de nós para o meu lado direito e esquerdo do lado dele estavam fechados em um assunto só deles.

Fechei os olhos por um segundo e assenti, precisávamos conversar.
Levantei-me e segui em direção ao corredor dos dormitórios, esperei no meio do caminho porque não sabia onde ele queria que eu fosse.
Um minuto depois Thiago me alcançou.

–Para onde nós... Ahn...? -Franzi a testa e fiz umas caretas estranhas de confusão.

–Se não for incômodo... Meu quarto? -Eles questionou sem jeito. Nunca, jamais, vi Thiago sem jeito.

Ai meu Deus!

Assenti.

–Sem problemas. -Falei com um aceno de cabeça e seguimos para o quarto do rapaz.

...
Entramos e parece que toda minha coragem de falar o que se quer eu pensei em falar se esvaiu, foi para o espaço, virou poeira.
Virei de frente para Thiago, do mesmo modo que ficamos quando nos beijamos, praticamente no mesmo lugar do quarto.
Estava me dando dor no estômago por causa do nervosismo. Ele me olhava com aqueles olhos azuis penetrantes e eu não sabia o que dizer.
Thiago sentou-se em sua cama e apoiou os cotovelos na perna, colocando o queixo sob suas mãos fechadas ao falar:

–E então, vai me explicar por que saiu correndo, ou...? -Ele deixou a frase no ar.

–Não temos muito tempo, Candy. -Sua voz soou mais dócil agora, mas não tanto.

–Você sabe que eu não sou obrigada a me explicar, não sabe? -Falei rispidamente, o que não era necessário. Mas o fiz mesmo assim.

Fechei os olhos para me acalmar e suspirei.

–Sei. Mas você está aqui por isso, não está? -Ele perguntou e eu apenas assenti com um aceno de cabeça e comecei a andar de um lado para o outro no quarto, do mesmo jeito que fiz quando estive aqui pela primeira vez.

–Candy?
Mas eu não respondi. Fechei os olhos e procurei palavras, mas não consegui.

–Candy.

–Eu estou confusa, tá legal? -Soltei quase como um grito, talvez muito exaltada e com rispidez... Grunhi reprovando a mim mesma. -Desculpa, você não tem nada que ver com isso... -Me interrompi. -Não! Você... Você tem sim!

–Como assim? -Questionou quase que com uma exclamação. Só agora eu percebi que ele tinha voltado a uma postura quase ereta.

–Você... Você me confunde! -Reclamo.

–Como? -Ele se levantou e veio até mim, não precisou muitos passos para isso.
Neguei com a cabeça, negando-me a responder que só a sua presença já me distraia.

Thiago deu mais um passo, ficando extremamente próximo demais. Ele colocou a mão em meu queixo e levantou-o para cima, fazendo com que eu olhasse em seus olhos.

–Como eu distraio você, Candy? -Sua voz rouca e baixa e... Sexy, arrepiou-me.

–Eu não sei. -Murmurei como um gatinho miando de tristeza.

–Se eu te beijar de novo, você vai sair correndo? -Ele sussurrou perto dos meus lábios. Já estávamos respirando o ar um do outro.

–Provavelmente. -Tentei sorrir, mas devo ter feito uma careta.

–Então vou correr o risco.
E logo nossos lábios já estavam colados um no outro e notei-me retribuindo seu beijo. Durou pouco, ele me soltou. Esperou alguns poucos segundos e, segurando meu rosto em suas mãos, falou:

–Você não fugiu.

Sorri tímida.

–Você não me soltou. -E baixei os olhos.

–Então não vou soltá-la mais. -Ele ergueu meu rosto e selou nossos lábios mais uma vez, com ternura. Jamai havia provado algo assim antes.

...
Chegamos ao refeitório novamente e todos estavam em um bolinho, nos esperando. Quando chegamos juntos chamamos a atenção de todos, que deviam estar nos procurando.

–Onde é que raios vocês se meteram? -Esbravejou Everton dando um passo a frente do grupo em que estava.

–Tivemos que resolver uns problemas. -Thiago disse aderindo sua voz grossa e superior.

–Não me importa o que foram fazer, só quero que respeitem o cronograma! -Irritado, Everton deixou o recinto fazendo-nos segui-lo para onde quer que fosse.

...

–Você e Thiago... -Lia sussurrou perto do meu ouvido, baixo o suficiente para que só eu ouvisse, havíamos nos afastado um pouco do grupo que caminhava por um dos corredores escuros da Força.
Não respondi. Prendi a respiração e me preparei para a pergunta que eu achava que viria a seguir. -Ele mandou você fazer alguma coisa? Tipo, uma missão secreta ou algo assim?

Segurei uma risada.

–Se fosse uma missão secreta, por que eu contaria á você?

Lia pareceu considerar por um instante.

–Tudo bem, tudo bem... Não era essa a pergunta que eu ia fazer, mas era melhor eu perguntar isso antes da pergunta que eu realmente queria fazer.
Olhei para a loira, franzindo a testa, confusa.

–Vocês dois... Ahn.. Você sabe. -Ela murmurou perto do meu ouvido.

Eu ri.
Thiago e eu não havíamos conversado sobre manter segredo ou não, portanto eu não sabia se podia falar ou não. Devíamos conversar sobre isso mais tarde. Anotado!

–Me responde. -Lia fez beicinho.

–Não é hora para isso. -Dei um sorriso torto e acelerei o passo para me juntar ao grupo de Iniciados, ouvi somente um bufo de Lia atrás de mim.

...
Nós chegamos na frente de uma sala completamente verde, isso mesmo, verde! Paredes pintadas de verde, chão verde, teto verde...

–Essa sala é própria para montar um desafio para cada um. Vocês estão liberados para falarem comigo ou com Thiago e marcarem uma hora para virem treinar aqui. E hoje vocês irão começar.

–Por que raios alguém ia querer entrar em uma sala que projeta seu próprio medo? -Perguntou uma garota ruiva com os cabelos presos em um rabo de cavalo, mais á minha frente.

–Ele não projeta seus medos. -Thiago franziu a testa. -Ele projeta o que você teme fazer. Um desafio que você não se sente pronta ou não consegue se imaginar fazendo. É só um treinamento extra, vocês precisam.

–E muito. -Murmurou Everton se virando para a entrada da sala verde.

–E como ele projeta isso? -Um garoto de cabelo baixo e negro levanta a mão e questiona, como se estivesse na escola. Ele estava de costas para mim, então não conseguia ver seu rosto.

–Vocês devem beber do líquido azul ao pisar ali. -Thiago aponta para o chão, onde um quadrado branco se elevava um passo após entrar na sala. Não conseguia ver bem o suficiente, mas sabia que ele ficava em baixo de alguma coisa...

–E então, quem quer ser o primeiro? -Questionou Everton virando-se para nós com um sorriso malicioso nos lábios.

Notas finais
Meus amores, já está fazendo 4 meses de fic e vocês não comentam, favoritam, indicam... Nada! :( Poxa... Não custa nada, né? Deem suas opiniões, o que preciso melhorar, os ships de vocês... Quero saber o que estão pensando sobre a fic :/ Xoxo