Never leave me
2 Quando tudo começou a mudar
Notas iniciais
Como deveria ser um primeiro encontro com uma madrasta? Abraços, beijos e sorrisos? Não sei, talvez minha madrasta, estava parada na porta de entrada, com um enorme sorriso no rosto, olhos brilhando, bochechas rosadas e alguns fios de cabelo caindo em seu rosto. Eu sabia que meu pai queria que eu a abraçasse, mas eu não faria isso. Na verdade, eu não precisei. Quando me aproximei, com passos curtos, Jade estendeu os braços para um longo e apertado abraço. Não houveram palavras, nem sorrisos, nem suspiros. Apenas um abraço. Um longo e apertado abraço.
– É um prazer conhecer você Vilu — ela disse, assim que parou de me abraçar e colocou as mãos em meus ombros, para me examinar melhor.
– É uma pena não poder dizer o mesmo — retruquei, recebendo um olhar nervoso de meu pai.
Jade olhou para os próprios pés. Meu pai passou por ela, e apenas sorriu. Talvez eles tivessem combinado que não demonstrariam coisas que casais normais fariam, como pequenos beijos e selinhos, abraços ou coisas do tipo. Ele sabia o quão difícil era para mim aturar isso, ainda mais pessoalmente. Quando olho para ele, lembro como éramos felizes Apenas ele, mamãe e eu. Mas, quando os dois se sentaram comigo e disseram que as coisas não estavam dando certo entre eles, foi difícil para mim conseguir entender. Eles sempre foram felizes. Nunca brigavam, e nunca se metiam em problemas. Como, de uma hora para outra, as coisas haviam chegado naquele ponto? Foi então que finalmente entendi, ouvindo uma conversa do meu pai no telefone, o que realmente havia acontecido.
– Foi difícil, querida, mas acho que ela vai se acostumar Violetta é uma garota crescida, e tenho certeza de que entenderá que as coisas mudam. Ao longo da vida, conhecemos pessoas novas, e talvez uma dessas pessoas novas seja a pessoa certa para nos completar — ele suspirou, e sorriu — Não sei ao certo quando vou partir. Não posso deixar Violetta aqui, e sei que ela irá preferir ficar com a mãe por um tempo. Acho melhor esperar alguns meses até as coisas se ajeitarem. Enquanto isso, posso ficar na casa de um amigo. Tudo bem, nos falamos depois. Amo você
Jade
Quando escutei esse nome, tive certeza de que era a dona desse nome que havia colocado um fim em minha família. Alguns meses depois, meu pai resolveu ir embora Ele me ligava algumas vezes. Eram raros os momentos em que nos falávamos. Aniversários, Natal, Ano novo. Tínhamos datas especiais para manter contato. Até que completei quinze anos. Era o dia seis de setembro, o dia do meu aniversário. Ele não havia me ligado nesse dia. Resolvi esperar. Se passaram dois, três, quatro dias. E ele não ligou. Quando chegou o dia vinte e cinco de dezembro, ele me ligou, desejando boas festas para mamãe e eu. E não falou nada do meu aniversário. E foi naquele dia que eu tive certeza de que ele tinha uma outra vida, e que eu não fazia parte dela.
Por isso era tão difícil olhar para ele com uma nova esposa. Rapidamente, entrei no banheiro, trancando a porta e me encostando na parede. Algumas lágrimas fugiram disparadas. Eu não o via há dois anos, e sentia falta de um abraço paterno, de beijos de boa noite e de histórias antes de dormir. Sentia falta de ter um pai presente, de felizes aniversários e de uma grande ceia de Natal. Eu sentia falta de minha antiga vida, na qual eu nunca mais teria de volta
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