Never leave me
14 Entendimentos
Notas iniciais
Obviamente, nos olhos do meu pai, o que eu havia feito no aeroporto havia sido loucura. Na verdade, ele está certo. Mas valeu a pena, afinal de contas.
Estamos em casa. Já se passa de 00h30. Meu pai está olhando para mim, os braços cruzados e os olhos juntos. Ele está nervoso, é claro que está. Ele sempre foi o tipo de pessoa que gosta que as coisas sejam exatamente do jeito dele, e uma de suas principais regras — a mais rígida, por se dizer — é a regra do namoro. Nunca, em hipótese alguma, devo namorar antes de terminar os estudos. Eu havia dito para ele que isso era loucura, e ele apenas concordou. Decidi levar em consideração que ele estava apenas brincando, afinal, ele havia dito dezesseis anos, e sabia que era era a fase onde muitos relacionamentos — que, talvez, durassem para uma vida toda — começavam. Mas ele não estava de brincadeira quando disse isso. E eu estava indignada. Sem reação, apenas indignada.
– Como assim está surpreso comigo? — gritei no maior tom de voz possível, querendo que ele percebesse que eu estava nervosa — Não posso ter amigos, não posso namorar, e, pelo visto, não posso fazer absolutamente nada. O que quer que eu faça, então? Deve ser ótimo passar o dia dentro de casa com você.
– Violetta, fale direito comigo. Sou seu pai, e mereço seu respeito — disse ele, com a voz mais calma que conseguia encontrar naquele momento — Não estou dizendo que você ficará trancada dentro de casa. Pode sair, fazer amigos... Mas não namore agora, filha, por favor. E lembre-se: isso não é um pedido.
Bufei, olhando para ele.
– Não pode impedir alguém de se apaixonar. Não pode impedir o que sinto por outras pessoas. Não pode se meter na minha vida — levantei, andando em direção a janela.
– Eu sou seu pai, e tenho todo o direito de me meter na sua vida, mocinha — ele disse mocinha de um jeito estranho que não pude deixar de rir — Do que está rindo, Violetta? Isso é sério!
Suspirei, antes de começar o maior discurso que já fiz na vida:
– Nem tudo é simples de se entender, pai. Não estou conseguindo me entender, para ser sincera. Estou tentando achar o quê da minha vida de uma forma mais simples e rápida, mas não estou conseguindo. E agora, tudo está se encaixando, sabe? — fechei os olhos, abri, e olhei para as estrelas — Leon e eu nos conhecemos a pouco tempo, isso é verdade. Mas ele virou um grande amigo. Conversamos, rimos, saímos, e nos divertimos muito aqui. E devo agradecer a você de algum jeito, afinal de contas. Obrigada, pai, por me trazer para cá. Pude ter o melhor Natal da minha vida, e pude conhecer o melhor garoto de dezessete anos que já conheci. E eu queria MUITO a sua permissão. Eu queria MUITO que você me deixasse ser livre, apenas por um momento.
– Ninguém é livre. Ninguém. Nem o mais rico ou mais pobre. Nem o mais bonito ou mais feio. Ainda mais uma adolescente de dezesseis anos que precisa de limites — disse ele.
Olhei para ele por um momento, para ter a certeza de que ele estava olhando para mim.
– Sei que não sou a pessoa mais fácil de se entender, mas por favor, tente.
– Estou tentando — disse ele, colocando as mãos na cabeça.
– Não, não está. Por favor, pai, tente entender que eu tenho dezesseis anos. E saiba Leon e eu somos totalmente diferentes. Não é apenas pela idade, mas pelo caráter. Ele é completamente incrível, enquanto eu... Bem, eu sou apenas eu. E fico feliz por isso. Fico feliz por ter encontrado alguém que tenha gostado de mim, mesmo sabendo que sou chata, agressiva, ignorante, irritante e essas coisas.
Ele sorriu pelo canto dos lábios, concordando.
– Acho que depois que você e a mamãe se separaram, eu comecei a ver o mundo de uma maneira diferente. Eu queria apenas me encontrar. E me encontrei por um momento, e depois, me perdi novamente. Leon me ajudou a encontrar tudo isso, e estou pedindo à você apenas uma única chance de me encontrar novamente em um mundo totalmente perdido.
Suspirei, e ele olhou para o chão, sorrindo. Finamente, olhou para mim, e disse:
– Nunca pensei que fossem precisas tantas palavras para mudar meu modo de pensar, mas... Meus parabéns, você conseguiu — sorri para ele — Ei, você está sorrindo para mim! Isso é muito legal, porque você nunca sorri — rimos de sua pequena piada — Me desculpe, filha, por ter ido embora. Eu me apaixonei novamente, e não queria me sentir infeliz. Me desculpe.
– Devemos pensar nas pessoas, e em como podemos ficar infelizes sem elas — disse eu, me sentindo uma completa filosofa.
– Só me diga que não vai deixar sua vida de lado caso se decepcione novamente.
– Tudo bem — disse eu — Não vou.
Ele me abraçou, e ficamos apenas ali, abraçados por um simples momento, soltando leves suspiros e sorrisos. Eu havia me encontrado novamente, e estava muito feliz por isso.
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