Emma abriu a porta rapidamente e entrou no carro, sentando-se confortavelmente no banco do passageiro depois de colocar o sinto de segurança. As duas mãos da loira se encontraram em frente aos seus seios e ela começou a estralar os dedos. Fazia isso quando estava nervosa. Ou com raiva, o que era o caso. Regina conseguia ser um amor quando queria, mas só quando queria mesmo. No restante do tempo Emma quase queria matá-la por fazê-la ficar tão desconfortável e sentir-se tão mal. Não é como se a morena a machucasse ou algo é sim, é só que... Ela a confundia. Não fora fácil assumir seus sentimentos para si mesma, e Emma ainda estava procurando uma maneira de falar sobre eles para Regina, a “grande merecedora” desse “prêmio”. Embora ter os sentimentos de Emma Swan não fosse algo a ser comemorado.

Regina permitiu-se olhar a loira de canto de olho, mas não permitiu-se nada além disso. Quando ela já havia se acomodado no nada aconchegante banco velho de couro, colocou o cinto de segurança, a olhou de canto mais uma vez. Estralando os dedos? Emma Swan não sabia disfarçar, ou não queria. Embora Regina Mills se importasse com qualquer coisa relacionada à loira ao lado, simplesmente ignorava. Nem que houvesse a possibilidade mais remota de que finais felizes viessem a existir. Não queria arrastar ninguém consigo mesma. Se já não sabia lidar consigo mesma, imagina lidar com outra pessoa? Ainda mais ela, a teimosia em pessoa. Manteve o silêncio absoluto durante todo o decorrer do trajeto, com o olhar fixo na rua. Algo que normalmente duraria 50 minutos, acabou durando menos de meia-hora, com todos os atalhos e manobras de Regina. Ela estacionou no próprio estacionamento do hotel, que por sinal era gigantesco. Desligou o carro e, antes de descer, tirou do banco de trás do carro uma bolsa, onde havia um kit básico com máscaras e luvas, e claro, uma câmera.

O hotel, que já estava quase pra ser inaugurado, tinha a estrutura magnífica. Mesclava perfeitamente o estilo arquitetônico chinês com o maravilhoso empreendedorismo americano. Tinha aproximadamente vinte e cinco andares, embora certamente os quatro primeiros fossem voltados apenas para a área de entretenimento – salão de festas, bares, restaurantes, cassinos, tudo. Ao lado dos degraus que levavam até a entrada havia duas esculturas de cerca de três metros de dragões. O prédio estava silencioso, aparentemente. Regina optou por subir as escadas que as levariam até o sexto andar. Um jeito de prolongar a estadia da maçã que havia comido pela manhã.

- Polícia de Nova York — disse Regina ao adentrar na recepção da cena, logo mostrando o distintivo para uma das agentes que preservavam o local do crime, ou que só impedia a entrada de quem não deveria. – Sou Regina Mills e, aquela – disse, olhando por sobre o ombro para Emma — é Emma Swan. Fomos designadas para este caso.

Emma estava fascinada com o hotel. Enquanto subiam as escadas – porque diabos Regina optara pelas escadas?! – a loira olhava atentamente todos os detalhes da decoração. Os detalhes nas paredes, as pinturas, os lustres... Tudo era perfeitamente organizado e incrivelmente lindo. Regina apresentou-as quando chegaram à cena do crime, e os policiais que ali estavam foram se retirando aos poucos. Como era de se esperar, aquele quarto era enorme. As quatro paredes foram pintadas de branco, e o forro também. O chão era coberto por um carpete verde musgo um pouco mais claro do que o habitual. Uma enorme cama de dossel branca com detalhes em vermelho – tanto a roupa de cama quanto a própria cama – estava colocada na parede do fundo, com duas luminárias uma em cada lado. Uma escrivaninha e uma poltrona revestida com veludo vermelho ficavam perto de uma grande porta de vidro com cortinas brancas e vermelhas, porta essa que provavelmente levaria para algum tipo de sacada ou algo assim. Um pequeno corredor se estendia até uma porta aberta; o banheiro. Conforme foram se aproximando, o cheiro forte de alvejante as alcançou, causando uma sensação parecida com um indício de queimaduras em suas narinas. Regina tirou duas máscaras da bolsa que carregava e entregou uma à Emma, que a vestiu rapidamente enquanto a morena fazia o mesmo.

Emma tomou a frente e chegou primeiro ao grande banheiro – também branco. “Doentio, no mínimo” pensou, imaginando como seria ficar naquela imensidão branca por muito tempo. Assim que entrou pode ver uma pia enorme de mármore na cor cinza, e um grande espelho com lâmpadas contornando-o. Perto do vaso sanitário havia uma banheira e um chuveiro logo ao lado protegido por um box de vidro. Mais a frente uma outra porta. Dessa vez foi Regina quem se aproximou primeiro e parou abruptamente. Emma se aproximou dela e analisou o que estava em seu campo de visão.

- Eu disse que o dia estava estranho.