Never Too Late
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Ela estava acostumada a andar pelas ruas daquela cidadezinha, sempre com os fones de ouvido, escutando todas as músicas que tinha no Ipod. Ela não era “emo” nem nada parecido... Ela apenas gostava de andar por ali, pensar, ver as pessoas rindo, crianças brincando... Raquel era uma garota diferente. Não era fresca ou metida... Era uma garota legal e simples, gostava de conversar, mas acima de tudo, gostava de ficar em um canto, pensando, escutando música, e nesse tempo, ela escrevia poemas...
Estava acostumada a ser confundida com uma menina triste e solitária, quando ia para ás árvores, apreciar o céu, as pessoas, o silêncio, os pássaros. Mas triste ela não era, pois seu coração se enchia de alegria quando seus olhos encontravam a doce Alana. Com seus livros, parava e sentava-se naquele banco, solitária. Lia horas a fio, ria, chorava, ficava séria. Ali ficava a sua doce Alana.
Agora estava explicado o porquê de suas idas á aquela praça. O motivo tinha nome, e esse tão especial nome, era Alana. Não são todas as pessoas que entendem os sentimentos puros e apaixonados... Não são todas as pessoas que aceitam uma adolescente que gosta de outra adolescente na sociedade. Isso é julgado como ruim, como um pecado. Mas qual o pecado em amar? O amor que eu saiba, era pra ser uma coisa boa.
Mas ela só observava, e não há mal em observar, não, não há. Ela não se atrevia em ir falar com a garota. Tinha medo de ser rejeitada. Tinha medo de que a garota ficasse com nojo, e nunca mais voltasse á aquela praça. Seu medo era tanto, que ela ficava observando de longe, encostada em uma árvore.
Porém, ela não sabia que quando seu olhar ia para outros lugares, outras pessoas, ela também era observada. Raquel era observada por Alana. A garota também ia à praça só para vê-la. Para poder ver o sorriso simpático e inocente no rosto de boneca de Raquel. Quando chegava a hora de ir embora, ambos os corações se entristeciam. Mas era só momentâneo, pois no outro dia, as duas estavam ali.
Felicidade é uma coisa que é para sempre. Alegria é uma coisa que se tem por pouco tempo, como por exemplo, um dia.
Chegou o dia em que Raquel criou coragem, não se sabe de onde, e foi falar com Alana. Conversaram e finalmente, se tornaram amigas. Passavam tardes no parque, na casa uma da outra. Conversando, lendo, vendo filmes, comendo... Tornaram-se grandes amigas desde então. Alana teria que passar um fim de semana na casa de seus avós, mas disse paras a amiga que voltaria logo, e nesses dois dias, elas se falariam por telefone. Pode parecer um pouco demais para amigas... Mas elas tinham uma ligação forte. Uma ligação tão forte, que quando não estavam juntas, se sentiam vazias e incompletas. Sentiam-se tristes.
Raquel decidiu que já estava na hora de dizer a Alana o que sentia. Seu peito ficava apertado quando a amiga ficava perto de si, apenas como uma amiga. Sentia vontade de tocá-la, beijá-la... Mas isso era impossível se ela não se declarasse. Raquel sabia que era arriscado, que poderia perder a amizade da outra... Mas mesmo assim iria arriscar, pois se não o fizesse, nunca iria saber realmente o que é que iria acontecer. Qual seria a reação da outra.
Á estrada a noite era escura, havia muita neblina e também estava chovendo forte. Um coração busca o outro á noite.
Seu sorriso era largo depois de treinar em frente ao espelho o que diria á Alana no dia seguinte.
O carro estava ultrapassando a velocidade permitida. Era perigoso e arriscado.
Seu coração batia alegre e ansioso pelo dia seguinte. Seria o dia em que ela diria tudo o que sente a amiga.
Uma luz vindo em sua direção. Um caminhão na contramão. Um susto e uma puxada forte no volante, fazendo o carro sair da pista.
Ela se deitava na cama, depois de ter feito a oração, coisa que seus pais lhe ensinaram desde que era pequena. Sonharia com o dia seguinte.
O carro saiu da pista e foi parar barranco abaixo, rolando e batendo em árvores e pedras. Alana, que estava dirigindo, agora estava inconsciente.
x-x-x
No dia seguinte, Raquel havia sido acordada pela mãe. Sua expressão era de dor e choque. Disse à filha o que havia acontecido na noite passada. Alana estava no hospital. Seu estado era grave, e ela estava em coma induzido.
Não demorou muito e Raquel já estava no hospital, sozinha com a amiga. Seus pais e os pais da amiga a deixaram um momento com a garota que estava “desacordada”. Seu coração martelava em seu peito, e a sua dor era indescritível. Pra uma garota de dezenove anos, era coisa demais. Ela achava que era coisa demais. Foi até a cama e segurou na mão da amiga, suspirou e deu um beijo na testa da mesma. Alana estava bem machucada e isso fazia Raquel se entristecer mais ainda.
Ela se abaixou perto do ouvido da garota e sussurrou tais palavras: “Eu sinto muito... Eu sinto muito mesmo... Estou triste e muito surpresa com o que aconteceu. Eu esperava mais cuidado de sua parte. Esperava que não fosse a cem em uma pista de oitenta. Mas... Eu preciso que saiba de uma coisa antes que... Antes que... É uma coisa que eu guardei esse tempo todo... Eu precisava que você soubesse Alana. Eu te amo. Eu amo você como algo á mais que uma amiga... Mais que algo fraternal... É algo carnal... Espiritual... Eu amo você e quero que saiba disso... Por favor... Se você conseguiu escutar... Se você entendeu tudo o que eu disse... Aperte minha mão duas vezes.”
Ela sentiu sua mão ser apertada levemente duas vezes. De seus olhos trasbordavam lágrimas e ela agora chorava de soluçar. A dor que estava sentindo era sufocante... Amaldiçoava-se por não ter dito antes o que sentia a garota... Mas como é que ela iria saber que isso iria acontecer?
Aproximou-se novamente da garota e depositou um leve beijo nos lábios da mesma. Disse mais uma vez as três palavras doloridas e sinceras.
Passaram-se dez minutos. O marcador parou. Ele simplesmente fez aquele maldito barulho temido.
As enfermeiras entraram e pediram que Raquel saísse. Os parentes que estavam na sala de espera, agora estavam olhando apreensivos na vidraça. Raquel via tudo aquilo com dor, seu choro era sentido.
Um. Dois. Três. Quatro choques e nada.
Alana havia partido.
Raquel estava inconsolável. Porém, ela tinha algo para se lembrar de bom. Havia dito seus sentimentos á amiga... Não como imaginou, mas havia dito a amiga.
E agora, ela se lembrava de tudo isso, sentada naquela mesma grama daquele mesmo parque. Encostada naquela mesma árvore, olhando naquele mesmo ponto, onde fitava Alana, todos os dias. Era a décima vez naquele dia que ela pegava aquele caderno para escrever. Estava inspirada, lembrando de quando era feliz e não sabia. De quando a tinha ao seu lado, pra conversar e dizer tudo o que pensava sobre os assuntos mais diversos. Porém, a vida nos passa a perna. Quando estamos felizes, algo de errado sempre tem que acontecer, e lá no final, alguém te estende à mão e te ajuda a levantar, e se não tem, você mesmo tem que se ajudar. Nunca é tarde demais pra correr atrás do que se quer... Nunca é tarde demais pra dizer um “eu te amo”.
Portanto, se você tem vontade de dizer isso á alguém... Diga antes que seja tarde demais. Fale sobre o que você sente, seja cara-de-pau mesmo. Sabe-se lá o dia de amanhã... Pode ser que algo aconteça e você nunca mais veja a pessoa que ama. Então... Nunca é tarde demais pra se dizer um “eu te amo” pra pessoa que você ama. Logicamente, não vai acontecer isso com a pessoa que você ama... Mas pode acontecer outra coisa... Por exemplo, ela começar a namorar outra pessoa... Pode ser que ela esteja apenas esperando você falar com ela (ele). Vai lá, seja feliz. Você já disse um “eu te amo” pra pessoa que você ama?
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