Never Say Never
6 New Friends?
Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS INICIAS TODAS, SÃO MUITO IMPORTANTES PARA MIM, POR FAVOR!
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Por que eu não posso simplesmente morrer?
Porque?
Depois de uns dez minutos chorando, percebo que Pan pode voltar a qualquer instante.
'É Char, por mais triste que eu esteja, a ultima coisa que eu quero é que o Pan me veja chorando'.
Podem me chamar de louca por estar "falando" com uma pessoa que já morreu, mas, bem lá no fundo, eu sei que o Charlie, de alguma forma pode me ouvir.
Me levanto do chão e me olho no espelho que a dentro da casinha de madeira.
– O que? Porque o Pan tem um ESPELHO aqui? Onde ele o conseguiu?- Pergunto-me. E sim, eu estou realmente falando sozinha.
Olho meu rosto: A trilha das lagrimas, os olhos vermelhos. Tudo denuncia que eu estive chorando.
Ignoro isso e pego minhas roupas que estão jogadas em um canto do quarto.
'Aquele retardado mexeu em minhas coisas?'
Começo a vasculha-la e penso:
'Minha mãe estava drogada quando escolheu essas roupas, só pode! Olha isso, parecem roupas de prostituta! O que ela tava achando quando colocou a lingerie que minha tia me deu? Que eu ia começar a agir como uma puta e fazer um stripper pro Pan, pra depois transar com ele até de madrugada?'
Finalmente escolho uma roupa confortável e bonita.
Depois de pronta, saio da casa e vejo que eu estou no alto de uma árvore.
Detalhe: Eu tenho medo de altura.
Fico um pouco zonza, mas forço a visão, me mantendo firme e começo a descer a escada de cordas, tentando não entrar em pânico.
Ao chegar no chão, suspiro aliviada e começo a andar em volta, explorando o local.
Vejo vários meninos que devem ter entre seis e sete anos.
– Olá!- Digo alegremente me sentando ao lado deles.
– Oi- Responde o menor deles- Quem é você mesmo?
– Lucas- Repreende um menino ruivo de olhos pretos- Não se fala assim com uma dama.
– Quem te falou isso?- Pergunto curiosa.
– O Arthur.
– Quem é Arthur?
– Sou eu- Esclarece um garotinho tímido e muito fofo.
– Huuum, eu sou Alexia. Prazer em conhece-los.
– Prazer senhorita- Diz o ruivinho- Sou Alberto. Esse é o Lucas- Aponta para o mais novo que me cumprimentou agora a pouco- Esse é o Tobias- Aponta para um menino simpático, de cabelos e olhos pretos- Esse é o Eric- Cutuca uma menino franzino que estava dormindo ao seu lado- E... Bem, o Arthur você já conheceu.
– É muito bom conhece-los rapazes. Que lugar é esse?
– O acampamento, senhorita- Responde-me Eric sorrindo- É aqui que nos ficamos, sabe? Mas sempre mudamos de lugar, assim ninguém descobre onde estamos. Antes ficávamos perto dos índios, eles são tão legais. Sempre nos oferecendo mel, e eu amo muito mel. Você sabe contar historias senhorita?
Pisco, surpresa com a capacidade dele de mudar de assunto tão rapidamente.
– Ann? Não eu... Quer dizer- Balbico desnorteada.
– Eric, você está deixando a senhorita confusa- Fala Alberto.
– Não, tudo bem- Respondo já recuperada- Sim, eu sei contar historias, quer dizer, eu não sou nenhuma Wendy Darling, mas eu contava historias para meu irmão mais novo.
– Que bom- Exclama Lucas batendo palmas- Você acha que pode nos contar senhorita?
– Eu...- Digo insegura.
– Por favor- Suplica Arthur.
– Vai ser legal- Incentiva Tobias.
– Ok, vocês venceram- Sorrio para eles.
– EBA- Gritam todos juntos e logo depois me abraçam apertado.
– Alexia- Fala um menino da minha idade, se aproximando de mim- Peter quer falar com você, siga-me.
Olho-o surpresa por alguns instantes para logo depois me levantar e dizer aos meninos.
– Galerinha, eu to indo, mas volto logo, pode ser?
– Mas você volta né? Volta pra nos contar historias?
– Claro Tobias.
– Promessa de mindinho senhorita?
– Prometo de mindinho- Digo, mostrando meu mindinho para logo depois Tobias entrelaçar o dele com o meu- Promessa de mindinho- Digo-lhe sorrindo.
– Vamos logo- Fala o garoto que veio me buscar.
– Calma ai estressadinho.
– Meu nome é Marcos.
– Ok. Calma ai Marcos.
Ele gira os olhos e começa a me puxar pelo braço.
– Solta. O. Meu. Braço- Falo pausadamente.
Marcos me encara por alguns segundos e depois me solta.
– Siga-me- Ele diz.
Começo a segui-lo, sem saber ao certo para onde ele vai me levar.
Sem nada pra fazer, começo a reparar em Marcos. Ele é alto, musculoso, tem cabelos loiros e olhos dourados. Branco com muitas cicatrizes por sobre a pele. É o tipo de beleza que atrai todo tipo de pessoa. Bem, todo tipo de pessoa menos eu.
Prefiro mais alguém como o Pan. MAS ELE NUNCA SABERÁ DISSO.
Sabe, Pan tem o corpo atletico, o cabelo castanho medio, olhos incrivelmente azuis e pele levemente bronzeada.
'MAS O QUE RAIOS EU ESTOU FAZENDO? IMAGINANDO O PAN? SERÁ QUE ELES ME DROGARAM ENQUANTO EU DORMIA? SÓ PODE SER ISSO! POR FAVOR SENHOR, QUE SEJO ISSO!'
Balanço a cabeça, tentando me livrar desses pensamentos e percebo que Marcos está me olhando de soslaio. Sinto o rubor tingir minha face.
– Pra onde estamos indo mesmo Marcos?- Pergunto tentando esconder minha vermelhidão.
– A tenda onde Peter e Felix planejam tudo. É um pouco mais afastada para que nenhum curioso espione eles. E também para que se alguém achar o acampamento, não descobrir os planos do Peter.
– E quais os planos do Peter?- Pergunto curiosa.
– Bem... Ah, boa tentativa Alexia, mas somente o Peter pode te dizer isso, isto é, se ele assim quiser- Responde ele sorrindo levemente.
Bufo indignada e cruzo os braços, abaixando a cabeça e fazendo um biquinho infantil.
Marcos olha para mim e da uma gargalhada. Lhe mostro minha língua, para logo depois voltar a ficar emburrada.
– Encantadora senhorita Robinson- Diz-me ele.
Não respondo, apenas olho para frente, vendo a tal tenda.
– E por que o Felix esta ai? Ou você TAMBÉM não pode me dizer isso?
Marcos sorri e diz:
– Ele é o melhor amigo do Peter, Alex. Bem, chegamos- Ele fala quando já estamos em frente a tenda- Boa sorte, Alexia.
– Tchau- Sussurro vendo ele desaparecer, voltando ao acampamento.
Olho para frente, para a entrada da tenda. Respiro fundo e entro nela, me preparando para o que vou encarar.
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