Notas iniciais
Perdão! Perdão! Perdão! Sei que demorei MUITO, mas eu estou passando por uns probleminhas pessoais impossíveis de se ignorar. Juro que vou tentar recompensar vocês. Tentem não me odiar eternamente. O capítulo não ficou como eu queria, mas ai está. Vou tentar melhorar no próximo. Prometo agilizar e postar o próximo ESSE mês. Pelo menos vou tentar. To indo viajar daqui a pouco, então talvez eu não responda os comentários imediatamente. Mais uma vez perdão. Beijinhos e boa leitura. P.S.: Não tive tempo de revisá-lo, então, ignorem erros ortográficos.

– DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO AFINAL?

– DE VOCÊ. COMO VOCÊ PODE SER TÃO CEGA? VOCÊ NÃO ENTENDE?

– Eu... Entender o quê?

– Alex- Peter coloca as mãos gentilmente em meu rosto- Antes que você vá, eu tenho que dizer. Eu não sou o mocinho, sou o vilão. Você tem que ir embora daqui, ir e nunca mais voltar. Eu não te quero aqui. Você me faz mal.

– O que?- Pergunto chocada sentindo as lagrimas de raiva se transformar em lagrimas de tristeza- Você... Não me quer aqui?

– Não, não quero. Vá embora. VÁ EMBORA!

– Mas eu...

– EU NÃO ESTOU SENDO CLARO O BASTANTE? VÁ EMBORA!!!!

Sinto um bolo se formar em minha garganta e, sem saber o que fazer, ando até a saída.

– Quando eu era pequena ouvia minha mãe dizer que as estórias contadas em livrinhos infantis eram mentiras, ela dizia que você era mal, que você era um monstro, mas eu não acreditava. Eu não queria acreditar. Mas ela tinha razão. Você é mesmo um monstro.

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HORAS ANTES

Após isso, fecho meus olhos e mergulho no mundo dos sonhos.

Acordo no meio da noite com barulhos estranhos vindos de fora da casa na árvore.

Cautelosamente, me desvencilho de Peter e vou até a sacada para observar melhor o que está havendo lá em baixo.

A fogueira continua acessa e, ao redor dela, vejo sombras se movimentando para lá e para cá. Agora mais perto, noto que o ruído que estava ouvindo antes era, na verdade, o som de várias crianças chorando.

Estou prestes a descer quando sinto um movimento atrás de mim e, assustada, me viro para perceber que Peter está encostado na porta me observando.

– Você está ouvindo?- Pergunto sussurrando.

– Sim- Ele responde sério.

– Quem... O que está acontecendo?

– As crianças pequenas estão chorando- Responde ele simplesmente.

– Por quê?- Pergunto olhando para baixo onde as sombras continuam se movimentando.

– Volte para cama, vamos dormir- Diz ele se aproximando.

– Não, não. Ou você me conta ou eu descubro por mim mesma.

– Volte para cama Alex, lá eu te explico- Diz ele já se virando e entrando.

Com uma ultima olhada, entro no quarto dele e me sento na cama.

– E então?- Pergunto impaciente depois de algum tempo em que ele ficou apenas me encarando- Vai me contar ou não? Quem estava chorando? Por quê?

– As crianças pequenas, eu já lhe disse isso.

– Porque?

Ele me encara e começa a falar:

– Você sabe como Neverland foi criada?

Balancei a cabeça negando.

– Quando os sonhos começaram. Quando a primeira criança sonhou, Neverland começou a existir. No começo, ela era uma ilha de mentira, a ilha da imaginação. Porém, quando o mal chegou na ilha, ela se tornou real.

– Real? Quer dizer que isso... Realmente existe? As fadas, os piratas, a magia?

– Sim, você achava que não?

– Bem, eu pensava que a ilha só existia por que as crianças queriam assim. Que se um dia elas parassem de acreditar, tudo isso sumiria.

– As coisas não são mais assim- Ele responde simplesmente.

Olho pela janela e vejo que está começando a amanhecer.

– Quanto tempo ficamos conversando?- Pergunto espantada.

– Umas três horas.

– Pareceram minutos.

– O tempo passa diferente em Neverland, às vezes rápido, às vezes devagar.

– E... Que horas são?

– Hora de levantar- Diz me puxando para fora- Venha, vamos descer.

– No futuro- Digo enquanto desço tremendo- Gostaria de dormir aqui em baixo.

– Todos querem coisas, mas nem sempre conseguimos.

Olho para ele intrigada.

‘O que você está querendo dizer?’– Pergunto-me, mas, por alguma estranha razão, me mantenho calada.

Os meninos agora estão começando a levantar. No meio do acampamento está o tronco de uma árvore grande, que no passado deve ter servido de abrigo para antigos viajantes, mas que agora serve de apoio para a improvisada mesa que os meninos usam.

Ao redor dela, estão espalhadas diversas cadeiras uniformemente. Ao me aproximar vejo que cada cadeira está revestida de cetim e que, no meio delas, há um circulo onde se mostra um emblema.

Peter me puxa pelo cotovelo e se senta na cadeira da ponta, que parece com a que um rei usaria e que mostrava o emblema de um leão.

– Por que cada cadeira tem um símbolo?- Pergunto curiosa.

– Cada emblema condiz com o primeiro feito marcante que um de nos fez. Arthur- Ele aponta para uma cadeira revestida de cetim cor de cobre com um emblema de uma serpente- Matou uma cobra usando somente as mãos e a inteligência. Fêlix- Apontou para a cadeira que ficava a sua esquerda e que estava revestida de um cetim azul escuro, mostrando uma fogueira- Incendiou o navio pirata. E você- Apontou para a cadeira a sua direita de cetim cor de perola e que mostrava o entalhe de um belíssimo lírio- Você é a flor do acampamento.

Sinto meu rosto esquentar com essa afirmação e me sento cuidadosamente na cadeira. Ela é inacreditavelmente macia. Na minha frente estão colocados talheres, um copo de vidro e um prato de um material estranho e brilhante.

– E você?- Pergunto vendo sua cadeira verde-musgo.

– Eu, o leão. Esse foi meu primeiro feito, matar um leão. Mas não um leão comum.

– Nada aqui é comum- Resmungo aborrecida. Ele apenas sorri e continua.

– O leão que eu matei possuía uma juba de fogo e era três vezes mais forte do que qualquer outro leão. Eu livrei os índios dessa praga e por isso eles me veneram e ajudam a mim e a todos que estão comigo. Não por que eles são bonzinhos, mas por que me DEVEM isso.

Agora, todos os meninos já estão sentados em seus devidos lugares. Eles estão olhando para Peter com expectativa.

– E então- Sussurro- Vamos comer ou não?

– Temos que esperar.

– O que?

Em resposta, surge, por entre as arvores, uma espécie de nevoa azulada que começa a adornar cuidadosamente a mesa e se infiltrar no meio dela.

– O que- Digo ofegando- É isso?

– O sinal de que nosso café chegou.

Olho ao redor e observo os meninos, um a um, abaixarem a cabeça e fecharem os olhos, como se estivessem rezando. Sem pensar, faço o mesmo.

Sinto o cheiro de bacon e ovos e, ao abrir os olhos, me deparo com um rico café da manhã disposto na mesa.

– Sirvam-se- Diz Peter. Os meninos começam a comer.

– Como?- Pergunto chocada.

– Apenas coma. Torradas?- Oferece, pegando uma travessa e se servindo.

– Claro- Murmuro desorientada.

Quando terminamos de tomar café, Peter me leva até a tenda.

– Hoje você vai conhecer a ilha.

– Vou?-

– Vai. Lady Bell vai te levar.

– Por que não você?

Peter ergue uma sobrancelha.

‘Como ele consegue fazer isso? Eu nunca consegui levantar só uma sobrancelha. Mundo injusto!’

– Você... Quer a minha companhia?- Ele pergunta e, pela primeira vez, noto um traço de uma emoção em sua voz. Não ódio, raiva ou amargura, outra coisa mais... Pura.

– N-não... Na-na ver-verdade... E-eu...

‘Isso idiota, gagueja’.

Antes de eu ter a chance de terminar de responder, Lady Bell entra na tenda apressadamente.

– Desculpe o atraso, eu estava... Eu... Interrompi algo?- Pergunta ao notar o rubor em minha face e a cara de tacho do Peter.

– Claro que não, Tink- Digo apressadamente- Vou me trocar rapidinho e então nos saímos, ok?

– Certo.

Corro em direção a casa da árvore.

– Coragem- Digo começando a subir- É só uma casa construída precariamente em uma árvore. ‘Tá tudo bem.

Assim que chego ao topo, começo a procurar algo que valha a pena vestir.

Já pronta, desço cuidadosamente e paro um momento para descansar.

– Alex?- Ouço a voz de Tink me chamando, para logo depois vê-la se aproximando- Tudo bem?

– Tudo, tudo sim. É que... Subir e descer escadas... Andar... Ficar em pé, meus pulmões não agüentam.

– Esforço demais, né?- Aceno com a cabeça confirmando- Tudo bem, vamos andar pouco e devagar. Eu até podia usar o pó, mas não tenho mais.

– Pó?- Pergunto seguindo-a para fora do acampamento.

– Sim, o pó verde que me permite voar.

– Como você consegue ele?

– No tempo certo você saberá.

– E se o tempo certo for agora?- Indago irritada. Que mania de não quererem responder minhas perguntas.

– Não é. Chegamos- Diz parando em frente a uma lagoa de água azul e cristalina.

– Chegamos onde?

– Na lagoa das sereias- Ela aponta para uma pedra onde posso notar que há uma moça penteando preguiçosamente seus longos cabelos vermelhos como sangue. Com a pele verde claro e uma cauda espiralada, a sereia aparenta ser perigosa. Ela está de costas e percebo que, desde o pescoço até onde nasce a cauda há uma série de pequenas barbatanas. Há mais delas, sentadas em pedras, mergulhando e conversando.

– Nossa!- Digo ofegante- Elas são...

– Belas e terríveis- Completa Lady Bell. Depois, ela pega uma espécie de conchinha prateada da sua bolsa e a sopra.

Uma melodia doce e tranqüilizante sai por ela.

A água da lagoa começa a se movimentar e uma sereia surge. Diferente das outras, essa não me parece maléfica. Tem uma pele dourada claro, cabelos loiros e longos, com mechas laranjas e belos e cintilantes olhos dourados. Sua cauda não se parece com a das outras, é longa e verde. Ela é uma sereia clássica dos contos de fadas.

– Olá Mérope- Cumprimento Lady Bell.

– Quem é essa?- A sereia, que agora tem nome, pergunta olhando curiosamente para mim.

– Sou Alexia Robinson, prazer- Digo me mantendo afastada. A voz de Peter ecoa em minha mente dizendo: ‘Não confie nelas’.

– Tudo bem, Alex. Mérope é confiável.

– Mas Peter disse que eu não deveria ficar próxima de sereias.

– Não- Discorda Mérope- Ele disse que você não deveria confiar em sereias de Neverland. E eu não sou daqui.

– Não?- Pergunto curiosa, me aproximando dela e sentando próxima a água- É de onde?

– Atlântida- Ela responde orgulhosa.

A Atlântida? O continente desaparecido?

– Sim, o mundo submerso- Ela diz risonha- É lá que eu moro, ou morava.

– E como você veio parar aqui?

– Bem, eu queria conhecer novos mundos, então viajei entre as dimensões.

– Você tem os feijões mágicos?

– Não, não bobinha, mas que idéia. Nós, sereias, somos diferentes de vocês, humanos. No fundo do mar há portais interdimensionais, e é por lá que eu viajo.

Continuo olhando para ela e sinto que posso confiar.

– Bem Alex, não foi por isso que eu te trouxe aqui- Fala Tink. Por um momento eu esqueci que ela estava lá- Te trouxe aqui para que você saiba que pode confiar em Mérope, mas somente nela. As outras sereias são traiçoeiras. E também tenho que te mostrar a ilha, os lugares em que você pode e não pode ir. Esse é um dos que você não pode. Vamos. Próxima parada, tribo indígena.

– Espere- Diz Mérope puxando minha perna- Leve isso com você- Ela estende a mão e me entrega uma concha cor de ouro- Quando precisar de mim sopre essa conchinha, e eu farei todo o possível para te ajudar.

– Obrigada- Sussurro verdadeiramente agradecida. Ela foi uma das poucas pessoas com quem eu senti que posso contar.

Continuamos andando e, no caminho para a tribo, passamos por outros lugares como o navio pirata, que é uma grande embarcação de madeira negra onde há vários homens que mais parecem trasgos, todos tatuados e com enormes e mortais espadas presas a cintura; A árvore das fadas, onde minúsculas criaturinhas voam de lá para cá, usando roupinhas de folhas. Notei que, quando passamos por lá, Tink ficou tensa e baixou a cabeça.

Quando enfim chegamos a aldeia, ela me mostrou a princesa Tigrinha, futura líder do clã indígena e seu pai, o cacique do fogo. Ele usava um manto feito de pele de leão e nos olhava como se fossemos um urso prestes a atacar.

Ficamos algumas horas conversando com Tigrinha, que tem a minha idade e que se mostrou uma pessoa um tanto rude e mal educada. Não é o tipo de pessoa que eu iria querer ter como amiga.

Saímos de lá quando já estava escuro.

‘Bem, até que o dia hoje não foi tão ruim. Mérope parece ser uma boa pessoa.’

Estou tão perdida em pensamentos que demoro a notar que aquele não é o caminho para o acampamento.

– Aonde nós estamos indo?

– Bem... Você vai ficar na minha casa hoje.

– Na sua casa? Por quê?

– Por que... O Pan pediu.

Sinto o ar faltar, ele pediu?

– Por que ele pediu?

– Bem...- Ela começa hesitante- Ele disse que... Que não queria você no acampamento, não mais.

– Que?- Pergunto perplexa.

Sinto a raiva borbulhar dentro de mim.

Começo a correr em direção ao acampamento, mas ainda consigo ouvir Lady Bell dizer que, para uma garota com câncer no pulmão, eu bem que era rápida.

Chego ao acampamento e vejo Fêlix escorado em uma árvore.

– Cadê o Pan?

– O que você está fazendo aqui?- Ele pergunta parecendo chocado.

– CADÊ O PAN?

– N-na casa da árvore.

Pela primeira vez, subo sem ter medo. A raiva continua a nublar minhas emoções.

Entro na casinha, que agora está sendo iluminada pela luz da lua.

– O que você está fazendo aqui?- Ouço uma voz vinda de um canto escuro. Então, Peter emerge das sombras, sem nenhuma expressão no rosto.

– O que eu estou fazendo aqui? É você que me deve explicações. Por que você vai me mandar embora?- O ódio fica claro na minha voz.

– Aqui não é o seu lugar- Diz ele simplesmente.

– ENTÃO ONDE É O MEU LUGAR? NO NAVIO PIRATA? NA TOCA INDÍGENA?

– Não grite.

– E por que você não disse isso antes? Por que mandou a Tink dizer? Tem medo?

– Pelo simples fato de que eu tinha coisas mais importantes para fazer- Sua voz continua fria e sem emoção.

– Não foi por isso. Você não teve coragem. Não teve coragem de olhar na minha cara e dizer que me queria longe.

Ele começa a ficar tenso e fecha as mãos em punho.

– Vá embora- Diz com os dentes cerrados.

– Você se comporta como homem, mas é um covarde. Deixa com que os meninos perdidos morram por você, sacrifica os outros para que você não tenha que lutar. VOCÊ NÃO PASSA DE UM GAROTINHO MEDROSO E MIMADO QUE CONSEGUE TUDO O QUE QUER SE FINGINDO DE VALENTE. EU TENHO NOJO DE VOCÊ.

Peter avança para cima de mim e me prende na parede. Uma mão está em meu pescoço e a outra em minha cintura.

– Conhece aquela estória de uma menina que conheceu um garoto problemático e tentou mudá-lo, transformá-lo em alguém melhor? No final, ela não conseguiu, por que ele sempre seria mal.

– ME SOLTA. ‘TA ME MACHUCANDO.

– Ela nunca conseguiria salva-lo. Nunca.- Ele sussurra e começo a compará-lo com um psicopata que fugiu do hospício.

– DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO AFINAL?

– DE VOCÊ. COMO VOCÊ PODE SER TÃO CEGA? VOCÊ NÃO ENTENDE?

– Eu... Entender o quê?

– Alex- Peter coloca as mãos gentilmente em meu rosto- Antes que você vá, eu tenho que dizer. Eu não sou o mocinho, sou o vilão. Você tem que ir embora daqui, ir e nunca mais voltar. Eu não te quero aqui. Você me faz mal.

– O que?- Pergunto chocada sentindo as lagrimas de raiva se transformar em lagrimas de tristeza- Você... Não me quer aqui?

– Não, não quero. Vá embora. VÁ EMBORA!

– Mas eu...

– EU NÃO ESTOU SENDO CLARO O BASTANTE? VÁ EMBORA!!!!

Sinto um bolo se formar em minha garganta e, sem saber o que fazer, ando até a saída.

– Quando eu era pequena ouvia minha mãe dizer que as estórias contadas em livrinhos infantis eram mentiras, ela dizia que você era mal, que você era um monstro, mas eu não acreditava. Eu não queria acreditar. Mas ela tinha razão. Você é mesmo um monstro.

Notas finais
Bem, é isso. Até mais.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.