Never Regret
4 Capítulo 4 - To feel better
Notas iniciais
– Imbecil, imbecil, imbecil – eu dizia a mim mesma enquanto batia na minha cabeça, ainda sem aceitar o feito de meses atrás. Ter lido tal carta não ajudou a me recuperar, na verdade, me fez piorar.
Parei por um segundo e fixei o olhar no colar que estava jogado na cama, por alguns instantes eu tentei, inutilmente, traduzir o que estaria escrito em tal peça, sem sucesso – Droga.
Parei de reclamar e encostei-me à porta do closet e deslizei até cair sentada no chão, puxei o violão que estava jogado ao lado da cama e comecei a tocar, sem ligar para a total desafinação do instrumento.
“Deixa a luz entrar, pela janela.
E te mostrar que a esperança está
À procura de um par...”
Fui interrompida por batidas na porta, de novo era o Heinz, agora eu já estava mais calma, não que quisesse falar com ele, mas de alguma forma eu estava melhor.
– Entra – sem demora Heinz entrou ainda com seu uniforme camuflado, a mesma estampa de quase tudo no meu quarto.
– Eu podia ficar aqui por horas sem que você percebesse
–Acho que não, conheço cada milímetro desse quarto.
– Pshh. Ainda quer ficar sozinha?
– Eu sei lá. Tanto faz – Disse me levantando e limpando a poeira.
Já na sala, eu me sentei no sofá e Heinz não demorou em chegar com um copo d’agua que colocou sobre a mesa de centro.
– Só quero que saiba que eu tentei certo? – Ele disse sem ânimo
– Tentou oque?
– Sobre o que aconteceu... Bem, sua mãe... Agora que você não tem a guarda dela...
– Tá, continua – eu disse tentando me mostrar forte.
– Você vai ter de escolher, pode ir morar com seu pai... Ou ir para um orfanato...
–OQUÊ? MAS... MAS E VOCÊ?
– Exatamente, eu tentei.
– Eu não quero ir a um orfanato. Muito menos ir para a “casa” do meu “pai”
–Infelizmente, essa é uma decisão que você vai ter que tomar e dentro de uma semana. Sei que...
–Orfanato – disse grunhindo
– Certo, não vou te contrariar, mas... Ainda tem que me aguentar essa semana
– Aah, não – Brinquei tentando quebrar o clima.
– E vai calçar um sapato!
– Mas eu estou de tênis
–E põe um casaco
– Nunca! – Continuei a brincar, rumando para o me quarto.
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